Maria Frô

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Será que desta vez os militares saudosistas da ditadura militar realmente serão punidos?

fevereiro 29th, 2012 by mariafro
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Estamos ou não em um governo civil, democrático, realmente eleito pelo povo? Veremos com o desenrolar deste episódio. Há algumas semanas  militares de pijama botam suas mangas de fora, e embora Ministro da Defesa e Presidenta ameaçam sanções nada aconteceu. Acompanhemos.

Forças Armadas vão punir os cem militares que assinaram manifesto

Eles contestaram a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim

Por: Evandro Éboli, O Globo

29/02/12 – 19h32

BRASÍLIA – O ministro da Defesa, Celso Amorim, decidiu nesta quarta-feira, em conversa com os três comandantes militares, que os cem oficiais da reserva que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, aqui não passarão” serão repreendidos por suas respectivas forças. A punição pela indisciplina depende do regulamento de cada um, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e varia de uma simples advertência até a exclusão da força. Mesmo militares da reserva podem ser excluídos.

Nesse texto, os militares da reserva criticaram a interferência do governo no site do Clube Militar e o veto a um texto ali publicado que critica a presidente Dilma Rousseff e duas ministras. Nesse “Alerta à Nação”, os oficiais afirmam não reconhecer “qualquer tipo de autoridade ou legitimidade” de Celso Amorim.

“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade”, diz o documento.

Como no manifesto vetado no site do Clube Militar, o documento de terça-feira também critica a criação da Comissão da Verdade.

“A aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”.

O texto publicado no site do Clube Militar atribuía à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e à ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, declarações que estariam a serviço do que classificaram de “minoria sectária”, disposta a reabrir feridas do passado. O primeiro manifesto polêmico foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa; do Clube Naval, Ricardo Cabral; e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, todos já na reserva.

No texto, dizem que Rosário vem apregoando a possibilidade de apresentação de ações judiciais para criminalizar agentes da repressão, enquanto Eleonora teria usado a cerimônia de posse — em 10 de fevereiro — para tecer “críticas exacerbadas aos governos militares”, sendo aplaudida por todos, até pela presidente. Eleonora foi presa durante a ditadura militar e, na cadeia, conheceu Dilma.

O texto diz ainda que o Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante e diz que as Forças Armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública.

Leia também:
Foi ‘precipitação’ dizem os presidentes dos clubes militares

De novo militares de pijama querendo palpitar em governo civil, quando vão aprender?
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“Será que São Paulo não merece um prefeito que ao menos QUEIRA ser prefeito?”

fevereiro 27th, 2012 by mariafro
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Hoje Lino bocchini escreveu no Facebook:

Além desse documento (imagem acima), Serra reafirmou em várias entrevistas que não largaria a Prefeitura. Abandonou, deixou Kassab de presente e agora quer seu voto de novo. Caso eleito, você acha MESMO que ele não larga em 2014? Você acha, sinceramente, que a gestão Serra-Kassab foi boa pra cidade, que avançamos nos últimos 8 anos? Será que São Paulo não merece um prefeito que ao menos QUEIRA ser prefeito?

E hoje em entrevista ao Estadão o próprio FHC entrega Serra. São Paulo, a mais rica, maior e mais importante cidade do país é só trampolim para Serra mais uma vez buscar não cair no esquecimento para disputar eleições presidenciais. Repito a questão do Lino: Será que não merecemos ao menos alguém que queira ser prefeito?

Quanto tempo mais permitiremos que nossa cidade seja prêmio de consolação?

Eleição não tira Serra de 2014, afirma FHC

GUSTAVO CHACRA, Estadão

27/02/2012

A candidatura de José Serra à Prefeitura permitirá a ele “voltar à cena política com força”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, a eleição não significa que o ex-governador abandona o projeto de disputar a Presidência no futuro. “Política é muito dinâmica. Tem sempre a cláusula de prudência. Política não é coisa em que os horizontes se fecham.” Leia entrevista com FHC feita nos Estados Unidos:

O sr. mencionou que Aécio Neves é candidato óbvio para 2014.
Foi pergunta da revista The Economist: quem é o candidato óbvio? Respondi que Serra vai sair candidato, não vai desistir. E perguntaram quem seria o outro. É o Aécio. É coisa que todo o mundo sabe. São os dois que despontam com mais força.

Mas com Serra se candidatando a prefeito…
Abre espaço a outra candidatura para presidente. Agora, sempre tem que colocar clausula de prudência. Política é muito dinâmica. Serra pode ganhar ou perder. Nos dois casos, o fato de ele ser candidato agora reforça presença dele como líder. Todo líder político, enquanto quiser se manter ativo na política, tem de ter a expectativa de poder. Tem que ser candidato. O Serra, ao tomar a decisão de se candidatar (à Prefeitura), volta à cena política com força. Onde ele é necessitado no momento? Onde o partido o vê com bons olhos no momento? É aí (na Prefeitura). Significa que amanhã ele não pode ser outra coisa? Não.

Mas não pega mal para Serra, que já foi prefeito e saiu (em 2006, para disputar o governo)?
Ele vai tomar precauções devidas porque tem de ganhar a eleição. Provavelmente vai reafirmar disposição dele (de permanecer na Prefeitura). Mas não vi, não falei com ele. Política não é coisa que o horizonte se fecha. De repente, o que estava fechado se abre. Acho que a decisão do Serra foi a mais adequada neste momento para ele e para o partido. Dá chance para o partido ganhar e dá a ele revitalização política.

Mas para a Presidência, Serra e Aécio continuam sendo os dois nomes fortes do PSDB?
Eu acho que sim.

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DOCUMENTOS REVELADOS: Site de documentos do período da ditadura militar

fevereiro 27th, 2012 by mariafro
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http://www.documentosrevelados.com.br/

“com o site Documentos Revelados [pretendemos]facilitar o acesso, popularizar, incentivar a discussão sobre o tema ditadura.Para que não se esqueça, para que nunca aconteça.”

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Sakamoto: Morre ex-dona da Daslu, que tornou hype sonegar

fevereiro 26th, 2012 by mariafro
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Morre ex-dona da Daslu, que tornou hype sonegar

Por Leonardo Sakamoto em seu blog

26/02/2012

Guardei uma distância de alguns dias para escrever isto para não ser acusado de insensibilidade. Afinal de contas, há um processo de beatificação instantânea de quem morre, e não apenas no Brasil, como se biografias devessem ser compostas apenas dos atos bons, simplificando essa teia complexa e doida que é a vida.

O problema é que, com isso, todas as reflexões que poderiam ser levantadas a partir de comportamentos discutíveis daquele ou daquela que passou são deixadas de lado. Há até uma onda de revisionismo por parte de personalidades e veículos de comunicação, absolvendo os pecados e reinterpretando a história a partir dessa beatificação.

Eliane Tranchesi, ex-proprietária da Daslu, megaloja de produtos de luxo em São Paulo, faleceu esta semana vítima de câncer e foi sepultada na sexta (24).

Alvo de uma ação da Polícia Federal, ela chegou a ser presa em 2009 e, pouco depois, liberada. Foi condenada a 94 anos de cadeia por conta de sonegação e outros crimes financeiros, mas devido ao seu estado de saúde, não cumpriu a pena.

Concordo que, por motivos humanitários, pessoas com doenças crônicas possam ser tratadas fora da cadeia, monitoradas pela Justiça. Nem sempre o Estado tem condições de garantir o serviço de saúde necessário em uma instalação prisional. O problema é que essa escolha depende do crime que você cometeu e quem é o seu advogado. Crimes de colarinho branco são vistos como de baixa periculosidade, mesmo que sonegação seja responsável por negar o financiamento de saúde e educação a milhões de pessoas. Além disso, essa é uma opção que depende da renda. Pergunte ao doutor Dráuzio Varella quantos pacientes com Aids em estágio avançado ele tinha no Carandiru. Não quero parecer insensível, entendo as circunstâncias, mas esse “dois pesos, duas medidas” acaba com meu sono.

Mas vamos ao ponto principal do post, para o qual retomo informações que já havia publicado aqui sobre o caso. Servidores públicos, cumprindo as suas obrigações previstas em lei, fazem uma diligência surpresa e constatam que as denúncias que haviam recebido sobre as irregularidades eram procedentes. Outros condenam os acusados. Estes, proprietários – ricos e respeitados, bem relacionados nas cúpulas do poder – reclamam do tratamento “violento” que teriam recebido da Polícia Federal ou da Justiça.

Logo em seguida, surgem reclamações de políticos, pessoas influentes, juristas, corneteiros de luxo em geral: “Os investimentos estrangeiros vão secar com esse tipo de fiscalização/condenação”, dizem uns. “É um ultraje contra o setor que gera empregos”, bradam outros. Surge pressão para que o governo federal afrouxe as decisões (afinal de contas, é impossível ser um fiel cumpridor das leis fiscais nesse país, não é mesmo?).

Federações patronais reclamam no Congresso contra os desmandos do poder público, manifestam apoio aos proprietários da empresa e tentam até realizar uma passeata em prol da “legalidade”. Alguns jornalistas e veículos de comunicação defendem que a violência perpetrada tem cunho político para desviar o foco de crises políticas.

Lembro que o finado senador Antônio Carlos Magalhães e o então prefeito José Serra, entre outros, saíram em defesa de Eliane Tranchesi durante a Operação Narciso. Pressionaram o governo federal, reclamando de que a ação viria de uma tentativa de nuvem de fumaça do governo Lula para esconder maracutaias. Pode até ser – eu não acredito em ninguém então não duvido de nada também, mas isso não redime a sonegação. Políticos encheram o ouvido do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (que, ironicamente, tornou-se advogado de defesa de uma empreiteira contra ações da própria Polícia Federal após deixar o cargo).

Em São Paulo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) saiu em defesa da Daslu através do seu dirigente Paulo Skaf e ensaiou uma manifestação de protesto. Ressaltou-se que a empresa gera empregos e contribui para o desenvolvimento da região. Empresários lembraram que fiscalizações como essa afugentariam possíveis investidores. Os defensores da Daslu disseram que é impossível pagar todos os impostos.

Teve até e-mail circulando entre a alta roda paulistana: “Queridos amigos, gostaria de convidá-los a se juntarem à corrente FREE ELIANA, um movimento que criei a favor da libertação e contra a condenação da nossa amiga Eliana Tranchesi. Podemos contribuir com força e energia positiva . Usem FREE ELIANA no status de vocês em redes sociais e coloquem o laço da esperança em seus blogs, perfis pessoais do MSN, Twitter, Facebook, Orkut, Hi5, e outras redes sociais em que estiverem presentes. Passem essa corrente para os amigos de vocês também”.

Aqueles dias me deram uma paúra muito grande. Parte da elite (digo “parte” porque empresários com os quais conversei na época estavam revoltados, pois recolhiam seus impostos em dia e achavam um absurdo aquela reação de seus pares em defesa do indefensável) assume um papel ridículo quando se sente acuada. Como já disse aqui anteriormente, é o instinto de autopreservação, desenvolvido ao longo de séculos de Casa-grande e surge de forma semelhante em ambientes que parecem tão diferentes como os cabides da Vila Olímpia, usinas de cana no Pará, indústrias de São Paulo ou fazendas de gado no Mato Grosso do Sul.

Exposta a uma situação que considera de risco à sua posição confortável na sociedade, parte dessa elite esquece que tanto a utilização de mão-de-obra escrava quanto a sonegação de impostos representa concorrência desleal. Acha normal que a dona de uma loja passe a perna no empresário ao lado e lucre cometendo um crime. Afinal, a loja é hype. E ela é uma das nossas.

Ao cobrar que a lei fosse aplicada, os empresários que ouvi tomavam conta de seus investimentos. Quem não faz isso e atua em um corporativismo bobo achando que sua “classe social” está sendo ameaçada, pode perder dinheiro. Pois, vale lembrar, nosso capitalismo é do tipo selvagem, desrespeita mais as regras do jogo. O interessante é que muitos que saíram em defesa dela nem eram membros da elite econômica (aí já é outra discussão. Há muito jornalista que não é patrão, mas por conviver nos mesmos ambientes sociais e culturais, passa a acreditar que é).

Ou faz isso como medida preventiva. Até para evitar devassas na contabilidade ou a verificação da condição social de seus empregados no futuro.

Toda a morte deve ser lamentada e chorada por amigos e familiares. Quando um ser humano deixa de existir, a humanidade fica mais pobre, não importa quem seja. Mas isso não apaga o aprendizado que tivemos com este caso. Pois se a dignidade do indivíduo deve ser respeitada, a qualidade de vida da coletividade também. Coisa que quem sonega milhões está pouco se lixando.

Leia também:
Hildegard Angel: “Eliana Tranchesi, vítima do ‘câncer da humilhação’” Veja: Sonegar é roubar
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