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Sem militância, campanha com Serra é isso aí: 580 pessoas por 850 reais batem de porta em porta p/ atacar adversários

agosto 26th, 2012 by mariafro
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“A equipe de visitadores também foi treinada para questionar o preparo de Fernando Haddad (PT). A campanha de Serra, no entanto, mantém foco no candidato do PRB nos chamados “bairros volúveis”, onde o eleitorado não se consolidou como petista ou antipetista, e onde Russomanno ganhou terreno.”

Serra usa visitador contra Russomanno

Bruno Boghossian, Estadão

26/08/2012


Foto: Werther Santana/AE. Visitadores contratados pela campanha em ação porta a porta na zona leste de São Paulo

Campanha contrata 580 pessoas por R$ 850 para ir de porta em porta falar dos pontos fracos do adversário e exaltar candidato tucano

Uma dupla de cabos eleitorais toca as campainhas de 30 casas de uma ruazinha tranquila no bairro de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, para colocar uma dúvida na cabeça do eleitor: “Você conhece algum projeto do Celso Russomanno? Você não acredita no que ele tá dizendo, né?”.

Com um trabalho porta a porta, concentrado em bairros estratégicos da capital paulista, militantes da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura, conhecidos como visitadores, foram a campo esta semana para iniciar um trabalho de desconstrução da imagem de Celso Russomanno, candidato do PRB com quem o tucano divide a liderança nas pesquisas de intenção de voto.

No portão de casa, o eleitor ouve argumentos ensaiados que valorizam o currículo do tucano – ex-prefeito e ex-governador – e o contrapõem à inexperiência de Russomanno na administração de um grande município.

Pelo menos 580 visitadores foram treinados por uma tarde inteira no comitê de campanha de Serra, onde receberam uma lista de informações que os ajudarão na tarefa de tentar convencer eleitores a votar no tucano e abandonar seus adversários.

Cada cabo eleitoral – a maior parte desempregada – receberá R$ 850 por mês pelo trabalho. O PSDB calcula em R$ 1 milhão a despesa com salários e transporte de visitadores até o primeiro turno, em 7 de outubro.

Jogada ensaiada. A estratégia foi traçada pela coordenação da campanha de Serra para apontar o tucano como o único candidato capaz de enfrentar os problemas de São Paulo. Em contraposição, os visitadores são orientados a colocar um ponto de interrogação sobre a capacidade de Russomanno. “O Serra é uma pessoa que a gente já conhece. Os outros não estão preparados”, disse a um eleitor indeciso a visitadora Maria Tânia de Oliveira. “O que o Russomanno já fez? Você sabe?”

A equipe de visitadores também foi treinada para questionar o preparo de Fernando Haddad (PT). A campanha de Serra, no entanto, mantém foco no candidato do PRB nos chamados “bairros volúveis”, onde o eleitorado não se consolidou como petista ou antipetista, e onde Russomanno ganhou terreno. (grifos nossos)

Na sexta-feira passada, um grupo de visitadores tucanos passou a manhã em uma rua residencial de Sapopemba – onde Gilberto Kassab (PSD) venceu Marta Suplicy (PT) por mil votos em 2008 e onde Dilma Rousseff (PT) bateu Serra por 3 mil em 2010.

Marta usou o trabalho de visitadores na última eleição, mas o PT diz que não pretende repetir a estratégia com Haddad. Para o partido, o canal mais eficiente para conseguir votos no momento é o horário eleitoral de rádio e TV. / COLABOROU BRUNO LUPION

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Janio de Freitas: Sem a revisão de Lewandowski erros da acusação provocariam condenações injustas

agosto 26th, 2012 by mariafro
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Culpados ou não

Janio de Freitas: Folha de São Paulo

26/08/2012

Dois erros comprometedores da acusação, cometidos e repetidos pelo procurador-geral Roberto Gurgel e pelo ministro-relator Joaquim Barbosa, no julgamento do mensalão poderiam ser muito úteis aos ansiosos por condenações gerais, prontos a ver possíveis absolvições como tramoia.

A acusação indicou que a SMPB, agência publicitária de Marcos Valério, só realizou cerca 1% do contrato de prestação de serviços com a Câmara dos Deputados, justificando os restantes 99%, para efeito de recebimento, com alegadas subcontratações de empresas.

A investigação que concluiu pela existência desse desvio criminoso foi da Polícia Federal, no seu inquérito sobre o mensalão. Iniciado o julgamento, várias vezes ouvimos e lemos sobre o desvio só possível com o conluio entre a agência e, na Câmara, interessados em retribuição por sua conivência.

O percentual impressionou muito. Mas o desvio não foi de 99%.

O ministro Ricardo Lewandowski, revisor da acusação feita pelo relator e, por tabela, da acusação apresentada pelo procurador-geral, deu-se ao trabalho de verificar os pagamentos feitos pela SMPB, para as tais subcontratações referidas pela acusação.

Concluiu que os pagamentos por serviços de terceiros, alegados pela agência, estavam bastante aquém do apresentado na acusação: cerca de 87% do contratado com a Câmara.

Como admitir que um inquérito policial apresente dado inverídico, embora de fácil precisão, com gravíssimo comprometimento das pessoas investigadas?

E como explicar que o Ministério Público, nas pessoas do procurador-geral e dos seus auxiliares, acuse e peça condenações sem antes submeter ao seu exame as afirmações policiais? E o que dizer da inclusão do dado inverídico, supõe-se que também por falta de exame, na acusação produzida pelo relator? Isso já no âmbito das atribuições do Supremo Tribunal Federal.

O erro de percentual está associado a outro, de gravidade maior. Assim como não houve os 99%, não houve a fraude descrita na acusação, ao que constatou o ministro revisor.

Os pagamentos às supostas empresas subcontratadas foi, de fato, pagamento de publicidade institucional da Câmara de Deputados nos principais meios de comunicação, com o registro dos respectivos valores. O percentual gasto foi adequado à média de 85% citada por publicitários ouvidos para o processo.

Faltasse a verificação feita pelo revisor Lewandowski, o dado falso induziria a condenações -se do deputado João Paulo Cunha, de Marcos Valério ou de quem quer que fosse já é outro assunto.

Importa é que, a ocorrer, seriam condenações injustas feitas pelo Supremo Tribunal Federal. Por desvio de veracidade.

Uma das principais qualidades da democracia é o julgamento que tanto pode absolver como condenar, segundo os fatos conhecidos e a razão. É o que o nosso pedaço de democracia deve exigir do julgamento do mensalão.

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Carlos Lopes: Governo gasta 196 bi com bancos e 4,7 bi de investimento até junho

agosto 26th, 2012 by mariafro
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Governo gasta 196 bi com bancos e 4,7 bi de investimento até junho

Carlos Lopes, Hora do Povo, via CUT

24/08/2012

Dos R$ 90,073 bilhões para investimentos, autorizados pelo Congresso Nacional, foram liberados 5,3%

Há tanta confusão no ar (e até nos aeroportos) que é difícil prestar atenção em todas, isto é, em todas que têm alguma importância. Nos últimos dias, deixamos de lado a grita em torno do “superávit primário”. Talvez porque essa grita seja algo esquisita: o governo superou a meta do primeiro semestre, para essa reserva destinada a juros, em mais de R$ 1,2 bilhão (R$ 48.085.318.000 para uma previsão de R$ 46.813.025.000; NOTA: trata-se, aqui, do superávit primário do governo central – soma dos resultados do Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central – e não do conjunto do setor público, que inclui governos estaduais, municipais e as estatais).

Por que, então, os bancos – e sua mídia – estão reclamando e prevendo, se não houver “correção”, terríveis consequências econômicas para o país?

Os bancos não conseguiram extrair, via “superávit primário”, o mesmo que no ano passado (R$ 55.993.750.000) – e isso foi o suficiente para desencadear o terrorismo midiático-financeiro. Como se sabe, o mundo vai acabar no dia em que o governo não drenar os recursos da população para os bancos…

Trata-se de uma questão de princípio da agiotagem: sempre achacar o máximo possível – e sempre mais.
Porém, prestemos atenção nas tabelas desta página, copiadas inteiramente de dois relatórios do Tesouro (cf. STN, RREO, junho de 2012 e RREO, junho de 2011).

Na segunda coluna da primeira tabela, está o que foi efetivamente pago pelo governo no primeiro semestre deste ano (ao todo, R$ 822,210 bilhões).

Os bancos receberam, em dinheiro, no primeiro semestre, R$ 61,961 bilhões em juros e R$ 134,465 bilhões em amortizações (sem contar o refinanciamento ou rolagem da dívida, que não é em dinheiro, mas em títulos).

Portanto, somadas essas duas parcelas, os bancos receberam, em dinheiro, R$ 196,426 bilhões – nada menos que 23,89% do total que foi pago pelo governo no primeiro semestre. Se contarmos também os R$ 186,902 bilhões de rolagem (refinanciamento), a parte dos bancos chegaria a R$ 383,328 bilhões, ou seja, 46,62% dos gastos do governo no primeiro semestre deste ano.

Observemos que isto aconteceu apesar de, em valores correntes, o governo ter gasto -7,93% em juros que no mesmo período do ano passado (ver segunda tabela, última coluna).

Mas, se o pagamento de juros diminuiu quase 8%, a amortização em dinheiro subiu +208,78%.

Na prática, isso fez com que o gasto do governo com os bancos, em dinheiro, aumentasse R$ 85,578 bilhões (de R$ 110,848 bilhões em janeiro-junho de 2011 para R$ 196,426 bilhões em janeiro-junho de 2012).

Apesar da queda no superávit primário, da queda na rolagem (-26,51%) e da queda no gasto com juros…

INVESTIR

Existe algo inestimável em não ignorar as confusões a que aludimos acima: descobrir coisas que antes não sabíamos.

É verdade que, nesse caso, já tocamos no assunto algumas vezes, mas sempre é bom (ainda que triste) constatar sua verdade.

A verba para investimentos efetivamente liberada no primeiro semestre foi 0,58% do total pago – e apenas 5,3% da verba anual aprovada pelo Congresso. Em dinheiro, o Congresso autorizou investimentos orçamentários de R$ 90,073 bilhões, mas foram liberados apenas R$ 4,774 bilhões.

E foi melhor que o ano passado: no primeiro semestre de 2011, os investimentos foram apenas 0,38% do total pago – e 4,47% do que foi aprovado pelo Congresso.

Enquanto isso, o crescimento do país caía de 7,5% (2010) para (talvez) 1,5% este ano – mas ouvimos um bocado sobre a importância do investimento, sobre como não é possível aumentar os funcionários por causa do investimento, etc., etc., etc. & mais etc., etc.

Parcela principal do Orçamento continua sendo drenada para banqueiros e especuladores

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Marcelo Hailer: Posturas de Serra e Russomano indicam que cenário obscurantista de 2010 pode se repetir

agosto 26th, 2012 by mariafro
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Opinião: Posturas de Serra e Russomano indicam que cenário obscurantista de 2010 pode se repetir

Por Marcelo Hailer*, Expresso SP

24/08/2012
Setores conservadores podem trazer às eleições municipais o espectro de temas religiosos e pretensamente morais, como aconteceu há dois anos nas eleições presidenciais

Questionado pelo jornal Folha de S. Paulo a respeito de qual estratégia utilizaria para diminuir a violência na capital paulistana, Celso Russomano, candidato pelo PRB, declarou que o caminho para diminuir a violência é a “igreja”. “Quero o apoio de todas as igrejas, elas são importantes para a sociedade. As pessoas que não matam e não roubam é porque têm uma linha religiosa. A religião ajuda, vou preservar todas as igrejas e gostaria que em cada esquina tivesse uma igreja. É uma linha de conduta para a sociedade”, declarou Russomano ao jornal, provavelmente esquecendo o fato de o Brasil ser um Estado laico.

E a declaração do candidato possui mais um agravante, ao afirmar que as pessoas munidas de fé religiosa “não matam e não roubam”, logo, para o candidato, os ateus são um bando de assassinos e ladrões. Segundo agravante nesta declaração é quando Russomano afirma a igreja ser “uma linha de conduta para a sociedade”. Pasmem! Estamos a um passo de ter uma cidade teocrática, onde as práticas dos sujeitos paulistanos devem ser pautadas por religiões? E a liberdade do pensar, onde fica? Mas tal posição não surpreende, visto que Russomano, ao saber que Serra cortejava a igreja Renascer – aquele da bispa Sônia e Estevam, que foram presos com dólares não declarados dentro de uma bíblia –, foi logo “roubar” o apoio desta. Vale lembrar também que o seu partido é braço político da Universal do Reino de Deus e parte da Assembleia de Deus também está com Russomano, assim como outra parte está com Serra…

No ultimo dia 9 de agosto, o candidato do PSDB, José Serra, acompanhado do prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP), esteve presente em um culto da Igreja Mundial, ministrado pelo pastor Valdemiro Santiago, que chegou a abençoar o candidato. E como não se bastasse, na ultima sexta (17), o candidato tucano fez duras críticas ao chamado “kit gay”, nome pejorativo dado por setores conservadores ao Escola Sem Homofobia, projeto criado pelo Ministério da Educação durante a gestão de Fernando Haddad, candidato à prefeitura paulistana pelo PT. Em entrevista à Agência Estado, Serra declarou que o “kit gay tinha aspectos ridículos e impróprios para passar às crianças”.

O candidato tucano esqueceu um único detalhe: o material pedagógico de combate à homofobia no âmbito escolar era destinado à 5ª série em diante, logo, para alunos com mais de 13 anos, não mais crianças e sim adolescentes. Mas a fala de Serra já revela que o mesmo está alinhado ao ideário reacionário no que diz respeito a se propor um material pedagógico progressista com vistas a combater o bullying homofóbico que tem vitimado alunos tanto em São Paulo como no resto do Brasil. Mas o tucano não parou por aí, ao declarar que não pretende abordar a questão do combate à homofobia em sua campanha, disse que Haddad ainda deve “explicações” a respeito do material. Explicação a quem, cara pálida? Aos setores obscurantistas que fizeram campanha nacional contra o material e alegaram que o então ministro da Educação iria “induzir as crianças ao homossexualismo”?

“A cidade de São Paulo não vai aceitar o ódio”

Na ultima quarta-feira (15) o pastor Silas Malafaia, opositor declarado aos direitos civis LGBT, declarou que a “comunidade evangélica, os líderes não vão dar refresco para Haddad, vamos cair em cima dele”, isso por conta do material do Escola Sem Homofobia. Vale lembrar que em 2010 Malafaia apoiou José Serra e, em 2006, liderou um movimento nacional contra o PLC 122/2006, projeto que visa criminalizar a homofobia em todo o Brasil. Na ocasião, Malafaia declarou que a homossexualidade “é a porta de entrada para a pedofilia”.

Portanto, temos aqui o campo político e ideológico da eleição paulistana definido: em torno de Celso Russomano e José Serra ronda o espectro dos setores fundamentalistas que elegeram a candidatura de Haddad como inimiga. E qual tem sido a postura de Fernando Haddad frente a estes ataques que enterram o Estado Laico e pouco se importam com o status de violência que tem sido a vida de muitos jovens homossexuais?

O primeiro passo dado pelo candidato se deu em maio, quando participou de um evento organizado pelo Diretório Municipal do PT sob a temática de políticas públicas para LGBT e defendeu a liberdade das sexualidades, o combate à homofobia e reafirmou que tal perseguição ao tema da diversidade faz parte da agenda de um pequeno grupo obscurantista. Na semana passada, Fernando Haddad lançou o seu programa de governo e dentro é possível ler um capítulo inteiro voltado para a questão da diversidade sexual, que foi dividido em nove tópicos. No ato do lançamento, o candidato defendeu o direito ao afeto nos espaços públicos aos homoafetivos.

E nesta semana Haddad falou sobre a separação entre Estado e crença religiosa, conceito mais conhecido como Estado Laico, quando declarou à imprensa que não iria pedir votos em cultos religiosos, pois, na visão do candidato, tal atitude “não é compatível” com a postura de um político candidato. Posteriormente, o candidato petista foi interpelado se daria explicações sobre os rumos do Escola Sem Homofobia e de como lidaria com esta questão na campanha, e respondeu que “a cidade de São Paulo não vai aceitar de jeito nenhum que o ódio seja fomentado na nossa cidade, seja contra o que for, contra o negro, a mulher, a comunidade LGBT. A cidade não aceita violência. Aquele que quiser promover a violência e a divisão da sociedade vai se arrepender. A sociedade, em 2010, já recusou esse tipo de abordagem. Fará de novo em 2012″, disse Haddad.

Espanta notar que as duas declarações do candidato petista foram comemoradas e classificadas como “modernas”, quando na verdade tal postura deveria fazer parte do cotidiano dos políticos e candidatos, seja a cargos legislativos ou majoritários. O eleitor paulistano deveria é se espantar e se chocar quando dois candidatos vão ao ataque contra um projeto que visa diminuir a discriminação que alunos LGBT sofrem cotidianamente. O eleitor também deveria se espantar, pois, que as criticas feitas ao material Escola Sem Homofobia não pressupõe uma outra política para combater o ódio ao diferente dentro da sala de aula e na cidade como um todo, o que se tenta é desqualificar um candidato por defender a diversidade cultural e sexual da cidade de São Paulo. Haddad apontou para um Estado Laico, em tempos onde parlamentares usam da bíblia e da “fé” para atacar setores “minoritários” da sociedade, isso não é pouca coisa.

Hanna Arendt acreditava que a educação era o ponto de salvação das crianças e também o ponto de renovação da sociedade, portanto, encerremos com as palavras de filósofa: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o nosso mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós”.

*Jornalista e mestrando em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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