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Um breve encontro com Christiano Câmara durante o Desencontro

abril 2nd, 2012 by mariafro
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Estive em Fortaleza este fim de semana para o Desencontro 2012 e consegui um breve encontro com Christiano Câmara. Queria ter voltado no dia seguinte, mas a pedido do meu amigo Emerson fiquei para ver a mesa da manhã no referido evento e não pude estar às 10 H do sábado na casa do Christiano como havia prometido.

Christiano é uma enciclopédia viva da música e do cinema, impossível não se encantar com este contador de histórias tão deliciosas.


Fiz um pequeno video durante a minha visita a sua casa- museu para vocês terem uma noção de como ele é encantador, nele Christiano argumenta sobre a volatilidade da notícia enquanto mercadoria: “É um engano você pensar que está mais informado agora que antes”


Christiano Câmara adora contar esta história: Trotsky em Hollywood.


No acervo de Christiano, a atriz que inspirou Betty Boop e que nunca recebeu por isso.

Se você vive em Fortaleza não deixe de fazer uma visita a casa-museu do Christiano e se não pode ir, não deixe de ver o documentário de Márcio Câmara sobre este incrível colecionador: aqui.

No parecer pedagógico que fiz sobre esse documentário para auxiliar os professores em sala de aula, você encontra mais informações sobre essa incrível memória viva da música e do cinema, que também atende por Chriatiano Câmara.

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Capa da Folha ditabranda: Uma piada pronta

abril 2nd, 2012 by mariafro
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Paródia feita pelo Lino Bocchini da cínica capa da Folha

Por Fabiana Motroni, via Facebook:

Quando, no trabalho de comunicação de uma marca, a ‘promessa de marca’ fica muito longe da sua entrega real, acontece isso: hipocrisia com requinte estético.

Nenhuma grande idéia de comunicação, nenhuma campanha publicitária, por mais genial que seja, tem o direito de querer apagar a história de um país inteiro e escondê-la atrás de uma página branca.

A ética na comunicação não pode mais ser tratada apenas como uma ‘materia chata’ da faculdade. Nem os direitos humanos fundamentais e a cidadania podem continuar sendo tratados como ‘coisa dessa gente ativista e vagabunda que não trabalha’.

Pela memória dos torturados e assassinados pela ditadura militar brasileira, ditadura esta apoiada institucionalmente pela Folha de SP e tantas outras empresas e cidadãos — e que só o fizeram pois não tiveram negados os seus direitos de se expressar e sua liberdade de apoiar o que acreditavam

Por um Brasil onde não se morra por diferenças ideológicas, nem de gênero, nem de raça, nem de classe social, e muito menos que se morra por indiferença.

Por um país mais justo, um governo laico, uma democracia real e atuante, um povo livre com direitos iguais e deveres equilibrados.

Por um novo marco regulátório da comunicação no Brasil.

Por uma imprensa e uma publicidade não apenas livre mas também responsável, e, principalmente, que tenha o mínimo de respeito pelo ser humano que existe em cada leitor, consumidor e cidadão.

(e obrigada a todos jornalist@s, publicitári@s e comunicadores que batalham duramente e diariamente por tudo isso e me inspiram muito — Bia Barbosa Lino Ito Bocchini Conceição Oliveira Leonardo Sakamoto Sergio Amadeu da Silveira Joao Carlos Caribe Blogueiras feministas Maíra Kubík Mano Heloize Campos Bárbara Lopes Daniela Silva Daniel Minchoni Rogério Zé Karin Fusaro e tantos outros querid@s ♥ )

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Golpe Militar: O dia que durou 21 anos

abril 2nd, 2012 by mariafro
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Sugestão de Claudine Cruz, via Facebook

O Dia que durou 21 anos
Extraordinário Documentário que revela minuciosamente a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil.
Pela primeira vez, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como “Top Secret” são expostos ao público.
Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte desse documentário, narrado pelo jornalista Flávio Tavares.

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Entrevista de Chauí para Rede Brasil Atual: ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

março 30th, 2012 by mariafro
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Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

Por: Redação da Rede Brasil Atual

30/03/2012


"Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, se ia ser preso, se ia ser morto. Não sabia." (Foto: Gerardo Lazzari/ Sindicato dos Bancários)

São Paulo – Violência repressiva, privatização e a reforma universitária que fez uma educação voltada à fabricação de mão-de-obra, são, na opinião da filósofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, as cicatrizes da ditadura no ensino universitário do país. Em conversa com a Rede Brasil Atual, Chauí relembrou as duras passagens do período e afirma não mais acreditar na escola como espaço de  formação de pensamento crítico dos cidadãos, mas sim em outras formas de agrupamento, como nos movimentos sociais, movimentos populares, ONGs e em grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos.

Chauí, que "fechou as portas para a mídia" e diz não conceder entrevistas desde 2003, falou com o editor da Revista do Brasil, Paulo Donizetti de Souza, após palestra feita no lançamento da escola 28 de de Agosto, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo que elogiou por projetar cursos de administração que resgatem conteúdos críticos e humanistas dos quais o meio universitário contemporâneo hoje se ressente.

Quais foram os efeitos do regime autoritário e seus interesses ideológicos e econômicos sobre o processo educacional do Brasil?

Vou dividir minha resposta sobre o peso da ditadura na educação em três aspectos. Primeiro: a violência repressiva que se abateu sobre os educadores nos três níveis, fundamental, médio e superior. As perseguições, cassações, as expulsões, as prisões, as torturas, mortes, desaparecimentos e exílios. Enfim, a devastação feita no campo dos educadores. Todos os que tinham ideias de esquerda ou progressistas foram sacrificados de uma maneira extremamente violenta.

Em segundo lugar, a privatização do ensino, que culmina agora no ensino superior, começou no ensino fundamental e médio. As verbas não vinham mais para a escola pública, ela foi definhando e no seu lugar surgiram ou se desenvolveram as escolas privadas. Eu pertenço a uma geração que olhava com superioridade e desprezo para a escola particular, porque ela era para quem ia pagar e não aguentava o tranco da verdadeira escola. Durante a ditadura, houve um processo de privatização, que inverte isso e faz com que se considere que a escola particular é que tem um ensino melhor. A escola pública foi devastada, física e pedagogicamente, desconsiderada e desvalorizada.

E o terceiro aspecto?

A reforma universitária. A ditadura introduziu um programa conhecido como MEC-Usaid, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, para a América Latina toda. Ele foi bloqueado durante o início dos anos 1960 por todos os movimentos de esquerda no continente, e depois a ditadura o implantou. Essa implantação consistiu em destruir a figura do curso com multiplicidade de disciplinas, que o estudante decidia fazer no ritmo dele, do modo que ele pudesse, segundo o critério estabelecido pela sua faculdade. Os cursos se tornaram sequenciais. Foi estabelecido o prazo mínimo para completar o curso. Houve a departamentalização, mas com a criação da figura do conselho de departamento, o que significava que um pequeno grupo de professores tinha o controle sobre a totalidade do departamento e sobre as decisões. Então você tem centralização. Foi dado ao curso superior uma característica de curso secundário, que hoje chamamos de ensino médio, que é a sequência das disciplinas e essa ideia violenta dos créditos. Além disso, eles inventaram a divisão entre matérias obrigatórias e matérias optativas. E, como não havia verba para contratação de novos professores, os professores tiveram de se multiplicar e dar vários cursos.
"Fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil"

Houve um comprometimento da inteligência?
Exatamente. E os professores, como eram forçados a dar essas disciplinas, e os alunos, a cursá-las, para terem o número de créditos, elas eram chamadas de “optatórias e obrigativas”, porque não havia diferença entre elas. Depois houve a falta de verbas para laboratórios e bibliotecas, a devastação do patrimônio público, por uma política que visava exclusivamente a formação rápida de mão de obra dócil para o mercado. Aí, criaram a chamada licenciatura curta, ou seja, você fazia um curso de graduação de dois anos e meio e tinha uma licenciatura para lecionar. Além disso, criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu.

Essa transformação conceitual e curricular das universidade acabou sendo, nos anos 1960, em vários países, um dos combustíveis dos acontecimentos de 1968 em todo mundo.

Foi, no mundo inteiro. Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média. Ela, do ponto de vista econômico, não produz capital, e do ponto de vista política, não tem poder. Seu poder é ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava recompensá-la e mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média. Há esse barateamento do curso superior, para garantir o aumento do número de alunos da classe média para a obtenção do diploma. É a hora em que são introduzidas as empresas do vestibular, o vestibular unificado, que é um escândalo, e no qual surge a diferenciação entre a licenciatura e o bacharelato.

Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer, sob a censura e sob o terror do Estado, com o risco que se corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. Havia policiais dentro das salas de aula.

Houve uma corrente muito forte na década de 60, composta por professores como Aziz Ab'Saber,  Florestan Fernandes, Antonio Candido, Maria Vitória Benevides, a senhora, entre outros, que queria uma universidade mais integrada às demandas da comunidade. A senhora tem esperança de que isso volte a acontecer um dia?

Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. Mas essa sua pergunta é muito complicada, porque tem de levar em consideração o que o neoliberalismo fez: a ideia de que a escola é uma formação rápida para a competição no mercado de trabalho. Então fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil.
"Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média"

Não há tempo para um conceito humanista de formação?

É uma luta isolada de alguns, de estudantes e  professores, mas não a tendência da universidade.

Hoje, a esperança da formação do cidadão crítico está mais para as possibilidades de ajustes curriculares no ensino fundamental e médio? Ou até nesses níveis a educação forma estará comprometida com a produção de cabeças e mãos para o mercado?

Na escola, isso, a formação do cidadão crítico, não vai acontecer. Você pode ter essa expectativa em outras formas de agrupamento, nos movimentos sociais, nos movimentos populares, nas ONGs, nos grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. Na escola, em cima e em baixo, não. Você tem bolsões, mas não como uma tendência da escola.

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