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Rodrigo Savazoni: O Partido de Maluf terá um papel residual na administração

junho 26th, 2012 by mariafro
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Uma foto e uma eleição

Por Rodrigo Savazoni, no SPressoSP

25/06/2012

Olho detidamente para as fotos de Lula segurando as mãos de Paulo Maluf. Uma busca no Google oferece a imagem capturada de vários ângulos. Em uma delas, Lula está sorridente. Em outra, um pouco taciturno, cara amarrada, enfastiado. Há até uma em que Maluf ensaia um afago em Haddad. A foto dos três juntos, Haddad, Lula e Maluf, causa desconforto, repulsa, desperta sentimentos que não gosto de sentir. Faço parte daqueles que nas redes sociais destilaram seu desassossego com tamanha virulência simbólica. Inimigos aliados. Em nome de quais interesses?

Dias antes, eu comemorara a escolha de Erundina para a composição da chapa majoritária, numa aliança entre PT e PSB. Erundina e Haddad, ao toparem caminhar juntos, teriam de defender o legado das administrações petistas, a começar pelo mandato da própria Erundina, que só conheço de “ouvir dizer” e de análises que chegam, anos depois, vindas de muita gente boa que integrou sua gestão. A versão que a história registra, hoje, é que era uma administração a frente de seu tempo. Pensei com meus botões: que o tempo da ousadia, então, seja o agora.

A imagem de Lula de mãos dadas com Maluf pôs fim à esperança de uma chapa Haddad-Erundina. Mulher de fibra, a ex-prefeita sucumbiu diante da potência do símbolo e optou – em consonância com seu partido – em não mais integrar a chapa que disputará a eleição municipal. Em minha opinião, perdemos todos.

Lembrei-me, então, do “É casado, tem filhos?” na eleição passada, quando Marta, uma feminista historicamente defensora dos direitos dos homossexuais, permitiu que seus publicitários exibissem uma propaganda que questionava a orientação sexual de seu oponente, Gilberto Kassab. Não foram poucos os que, diante de tamanho impropério, decidiram votar nulo no segundo turno, que acabou vencido pelo atual prefeito, cujo antecessor e padrinho é José Serra.

Volto, então, à pergunta do primeiro parágrafo: em nome de quais interesses?

A foto é difícil de engolir. Mas ela é reflexo de uma construção que – esteja certa ou errada – pretende dar viabilidade ao candidato Haddad, um intelectual destacado que tem dedicado sua vida à administração pública, sempre em cargos executivos, sendo o último deles o de Ministro da Educação. Em São Paulo, por exemplo, foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico durante a gestão de Marta Suplicy, uma prefeita que – sem entrar aqui nas questões de cunho pessoal – fez uma saudosa administração, em especial aos cidadãos que vivem na parte pobre da cidade.

Não mudou a minha indignação em relação aos líderes partidários que na campanha passada usaram de um vil argumento para tentar eleger Marta. Mas, se pudesse voltar atrás, eu teria votado diferente. Pensando nos fatos dos últimos quatros anos para cá, tenho claro para mim que deveríamos ter lutado muito mais para eleger a Marta. À época dela, políticas fundamentais foram estruturadas na cidade. Por exemplo: se hoje ainda é possível resistir minimamente ao processo de especulação imobiliária que consome a capital paulista, isso se deve ao plano diretor aprovado durante sua gestão; ênfase no transporte público, ações de distribuição de renda sob comando do Márcio Pochmann, iniciativas inúmeras destinadas às periferias, como o programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI) e o programa de Telecentros em software livre, bilhete único etc.

Muita coisa boa foi feita. Se tivéssemos seguido aquele caminho trilhado, com certeza São Paulo não estaria tão mal. A presença do partido de Maluf no governo federal não impediu que Lula fizesse uma gestão destacada como presidente. Tenho muitas críticas ao governo de Dilma Rousseff, mas nada de estratégico que ela escolheu fazer até agora foi por ter o PP em sua base de sustentação. O mesmo ocorrerá com Haddad, se for eleito. O Partido de Maluf terá um papel residual na administração. Por outro lado, a diferença que um governo do PT em São Paulo, neste momento, pode fazer, não é pequena. E nisso eu sigo acreditando.

Achei que seria uma travessia mais entusiasmante, com Erundina ao lado e a militância nas ruas. Poderia ter sido. A perda dessa possibilidade, no entanto, não tira minha convicção de que, neste momento, eleger Haddad prefeito nos trará mais ganhos que perdas. A foto atrapalha, mas há mais coisas a ponderar.

PT ‘expulsa’ Erundina pela segunda vez

Erundina faz PT lembrar do PT anti-Maluf 

Marcos Coimbra: Lula com Maluf 

Nassif: Luiza Erundina: Tudo por uma foto

Juliana Oliveira: Parece que vivemos a era do “é decadente ser coerente

Leandro Fortes: Nós, os ‘puros’

Objetivo da campanha do Haddad é garantir consistência de crescimento

Lula e Dilma fizeram avanços sociais em seus governos APESAR dessa gente

Minha chapa dos sonhos para a Prefeitura de São Paulo

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Serra um caudilho, quem imaginaria….

junho 26th, 2012 by mariafro
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Em Março no lançamento da pré-candidatura de Serra, o presidente do diretório do PSDB Ermelino Matarazzo,  zona leste da cidade disse:

 

Sobre caciques e partidos

 Cláudio Gonçalves Couto, Valor Econômico

06/06/2012

A birra de Marta Suplicy, ausentando-se do ato de lançamento da candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, enseja uma boa oportunidade para discutir o papel das lideranças individuais nos partidos políticos. Ela serve para mostrar que o caciquismo é um fenômeno mais complexo do que sugerem análises apressadas sobre a influência de certas lideranças na definição dos rumos das organizações partidárias. Quanto a isto, um aspecto ganha relevo: enquanto alguns líderes criam sucessores, atuando na produção ou reforço de novas lideranças (crucial para a sobrevivência organizacional), outros embotam essa criação, contribuindo para a esclerose organizacional.

O problema é distinguir entre caciquismo – um tipo de liderança que subjuga a organização à vontade pessoal inquestionável do líder – e influência. Uma liderança influente no partido logra convencer os correligionários, sem contudo impor-lhes decisões inquestionáveis. Assim, se a persuasão é requisito para a obtenção de anuência, não há caciquismo. Trata-se de diferença de grau, que ultrapassados certos limiares se converte em distinção de natureza.

Há situações nas quais se migra, ao longo do tempo, de um estado para outro. Assim, caciques podem converter-se apenas em lideranças influentes, seja por que se debilitam ou ajustam a conduta, seja porque um reforço organizacional do partido lhes reduz o espaço para o arbítrio. Inversamente, líderes influentes podem, em certas conjunturas, tornar-se caciques; algo mais provável em organizações partidárias frouxas ou enfraquecidas – o que não é a mesma coisa.

Caciques são os que se colocam acima do partido

Para existir, o cacique necessita do apoio de um subconjunto organizacional dentro do partido: sua entourage, uma facção majoritária ou posições-chave na burocracia. Assim, enquanto o partido como um todo é fraco organizacionalmente, esse subgrupo é relativamente forte, impondo a vontade de seu líder. Contudo, há uma condição principal, decisiva distinguir o caciquismo da influência: o cacique subordina os interesses da organização aos seus próprios; é o projeto pessoal do cacique que sempre prevalece sobre o do partido – e mesmo sobre o de sua claque.

Há quem veja no patrocínio de Lula à candidatura de Fernando Haddad evidência de caciquismo, demonstrando que o PT nada mais seria do que um partido sem vontade própria, a reboque do grande líder. Será mesmo? Isto não se coaduna com características notórias do partido: organização forte, disputa intensa entre facções, espaço para contestação seguido de alinhamento a decisões tomadas pelo conjunto. Na realidade, Lula é muitíssimo influente, mas não um cacique no sentido próprio do termo. E isto não só por méritos próprios dele, mas pelas características do partido que construiu – que restringe o caciquismo.

No caso paulistano, antes mesmo de Marta desistir da candidatura, já enfrentava – além de Fernando Haddad – a oposição interna de antigos aliados, agora pré-candidatos, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Candidata duas vezes derrotada à prefeitura, a senadora já não desfrutava da condição de escolha óbvia da agremiação – como foi em 2008. A imposição de seu nome – a despeito de outras postulações, de um clamor interno por renovação e da grande rejeição aferida pelas pesquisas ¬- é que seria caciquismo. Em tal contexto, o apoio de Lula à renovação operou mais como contrapeso à tentativa de caciquismo em nível local do que se mostrou ele próprio uma imposição inconteste.

Compare-se com a autoimposição de José Serra no PSDB, contra Aécio Neves. Verificou-se no ninho tucano uma estratégia de sufocamento da disputa interna pela interminável postergação do embate, até que o ex-governador mineiro jogou a toalha, considerando que não teria tempo hábil para se viabilizar. A solução pelo alto, dessa ardilosa vitória pelo cansaço, repetiu-se agora na escolha da candidatura tucana à prefeitura paulistana. Após meses alegando que não se candidataria, o que ensejou uma animada disputa entre quatro pré-candidatos (sugerindo renovação partidária) o ex-governador mudou de ideia, inscreveu-se na prévia após o prazo regulamentar, provocou a desistência de dois postulantes e prevaleceu. Serra obteve na prévia apenas pouco mais de 50% dos votos, num embate contra postulantes muito menos expressivos – tanto no que concerne à envergadura política quanto à história. Isto mostra o tamanho do desagrado que sua soberba causou na base tucana.

Fosse o PSDB dotado de maior densidade organizacional, os dois episódios da imposição serrista deflagrariam uma crise interna – como a que deve se produzir no PT de Recife neste ano. O caráter elitizado da agremiação e a baixa intensidade da vida partidária (sobretudo se comparada à do PT) permitem que as manobras dos caciques e seus embates permaneçam basicamente como um problema deles mesmos. A renovação, neste caso, ocorre apenas nas franjas da disputa política (como nas eleições de deputado estadual e vereador), pelo ocaso das lideranças ou por algum acidente; raramente por uma estratégia bem definida. Em São Paulo, a oportunidade da renovação foi perdida; o risco da esclerose cresceu.

É nisto que as atuações de Lula e Serra se distinguem como influência, no primeiro caso, e caciquismo, no segundo. Enquanto o ex-presidente interveio no processo de modo a promover uma renovação de lideranças e atuando segundo a lógica da organização partidária, o ex-governador apenas fez prevalecer seu projeto pessoal de poder, às expensas do partido, que tornou seu refém. Isto permanece, a despeito de quem venha ganhar ou perder as eleições de outubro.

Algo que confunde a percepção de papéis tão distintos são os estilos muito diversos de um e de outro. Enquanto Lula é um líder carismático e de estilo esfuziante, Serra é um líder gerencial e de estilo soturno. Intuitivamente, o senso comum identifica o primeiro com o improviso e o personalismo, e o segundo com a racionalidade e a institucionalidade. Uma análise mais cuidadosa revela exatamente o oposto.

*Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP e colunista convidado do “Valor”.

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Professora ‘orienta’ pais a dar cintadas em aluno

junho 26th, 2012 by mariafro
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Professora ‘orienta’ pais a dar cintadas em aluno

SIMEI MORAIS, DO “AGORA

26/06/2012

Uma professora da escola municipal José de Anchieta, em Sumaré (a 118 km de São Paulo), mandou um bilhete aos pais de um aluno de 12 anos orientando-os a dar cintadas e varadas para educá-lo.

O bilhete, em papel timbrado da escola e escrito à mão, indica que os pais conversem com o garoto e, se isso não resolver, que partam para a agressão. “Se a conversa não resolver. Acho que umas cintada vai resolver (sic)”, diz o recado, com erros de português.

Segundo os pais, o menino teve diagnóstico de dificuldade de aprendizagem há dois anos. Ele está na 5ª série e passa por acompanhamento psicológico.

Em outro trecho, a docente afirma: “Esqueça tudo o que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as ‘varadas’”.

A família diz que o aluno sofreu bullying dos colegas após críticas da professora. Os pais teriam procurado a direção, mas não tiveram resposta.

A prefeitura afirma que o aluno continua a frequentar as aulas e que a família foi atendida pela equipe de orientação educacional da escola após a direção tomar conhecimento do bilhete.

Segundo a nota, a Secretaria Municipal da Educação está tomando medidas administrativas e pedagógicas.

A pasta “solicitou à direção que relate os fatos por meio de ofício para que as medidas cabíveis sejam tomadas”, afirma o texto.

A secretaria informa ainda que a direção da escola não sabia do envio do bilhete, que, pelas regras, deveria ter passado pela orientação ou coordenação, antes de ser entregue aos pais. O nome da professora não foi divulgado.

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Serra e Soninha sambando na cara da sociedade paulista

junho 26th, 2012 by mariafro
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Adensar” ou dançar? Palavras-chaves do discurso da direita

A dança do lançamento de Serra, Soninha e do ‘Cha’

Valor Econômico


O fim de semana em São Paulo foi marcado pelas convenções que bateram bumbo pelas candidaturas de José Serra (PSDB), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha (PPS). Duas foram as novidades para as eleições que começam a tomar forma e sons, ainda que grudentos.

A festa do ex-governador já foi embalada pelo jingle da campanha, uma versão do hit sertanejo da dupla João Lucas e Marcelo. No lugar do “Eu quero tchu, eu quero tcha”, os marqueteiros tiveram a ousadia de comparar o tucano a uma dança sensual: “Eu quero Serra, eu quero é já”, propaga o jingle. Não é original, parece campanha de cidade do interior, mas, a depender do gosto popular, deve colar nos ouvidos do eleitorado.

O marketing de Serra copia música e até a logomarca – um grande S numa bola azul – lembra o ícone que simbolizou a gestão da Suécia à frente da presidência rotativa do conselho da União Europeia, em 2009. Não é boa estratégia para quem quer se livrar da pecha de candidato que representa o velho, enquanto os concorrentes tentam emplacar a imagem de novas opções.

Soninha, aliada do campo tucano, evitou se associar ao “tchu, tcha, tcha” do ex-governador, pelo menos na primeira rodada da eleição. Lançou sua candidatura na Câmara dos Vereadores, onde dançou ciranda ao som de tambores à la Olodum baiano, e falou de suas ideias para a cidade.

Quer pegar terrenos usados como estacionamento durante o dia, e ociosos à noite, e construir apartamentos que levem a população a deixar a periferia para morar na região central. Está na contramão das propostas de concorrentes como o deputado federal Paulinho da Força (PDT) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), calcadas na redução de imposto para empresas que se instalarem nas franjas da cidade. A ex-VJ da MTV não disse em que está baseada.

A segunda novidade trazida pelas convenções – além do festival de ruídos e da dança do lançamento de Serra e Soninha – é a nova postura de Gabriel Chalita. O pemedebista ampliou seu raio de ação, antes restrito a ataques à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado de Serra. Aproveitou o evento e desandou a criticar Haddad, com quem tem acordo de apoio para o segundo turno. Mirou no uso da máquina pública pelo PT e na aliança com o PP de Paulo Maluf.

Chalita padece do mal de qualquer candidatura de centro nestas condições. A tradicional polarização na capital paulista entre PT e PSDB faz com que o deputado seja o típico candidato “squeezed”. Ou seja, o perigo é ser esmagado tanto por uma candidatura que vem da esquerda (a de Haddad, com PT-PSB-PCdoB), quanto por outra, que vem da direita (a de Serra, com PSDB-PSD-DEM-PR-PV).

Foi o próprio destino do PMDB, antecipado pelos caciques do partido nas eleições presidenciais de 1989 e 1994, quando cristianizaram Ulisses Guimarães e Orestes Quércia e abriram caminho para a bipolaridade tucano-petista.

O pemedebista já está sendo apertado. Tem 6% e foi ultrapassado por Haddad, que subiu de 3% para 8% na última pesquisa Datafolha – Serra lidera, estável, com 30%.

Chalita é aquele que mais precisa pedir ao eleitorado que entoe, à moda dos vocativos em São Paulo e do ritmo sertanejo, eu quero o ‘Cha’.

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