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Rafinha Bastos intimado a depor na delegacia por suas piadas de apologia ao estupro

julho 20th, 2011 by mariafro
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Em entrevista à revista “Rolling Stone Brasil” de maio deste ano, Rafinha Bastos, ‘humorista’ do CQC, declarou que a mulher vítima de estupro é feia e que quem cometeu o ato merecia um abraço.

O Ministério Público de São Paulo, pediu abertura de inquérito policial contra Rafinha Bastos. O ‘humorista’ foi intimado a depor no 14º Distrito Policial de São Paulo, em Pinheiros, no dia 5 de agosto. O inquérito apura os crimes de incitação e apologia ao estupro, ambos puníveis com prisão entre seis meses e um ano.

Segundo nota do UOL de hoje, na próxima quarta-feira, o responsável pela publicação da entrevista na “Rolling Stone Brasil” também deverá prestar esclarecimentos ao delegado doutor Manoel Adamuz Neto.

Atualização: Alexandra Peixoto neste comentário aqui lembra que há várias representações: uma da Ouvidoria da SEPM, outra da promotora de Justiça Valéria Diez Scarance Fernandes, coordenadora do Núcleo de Combate à Violência Doméstica e Familiar que acatou pedido da coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Thais Helena Costa Nader.


Pixação feita durante a Marcha das Vadias, em São Paulo, na casa de stand up Comedians onde Rafinha Bastos é sócio com Danilo Gentili

MP pede investigação de humorista por piada sobre estupro

Do portal da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

Data: 08/07/2011

O Ministério Público de São Paulo pediu abertura de inquérito policial contra o humorista Rafinha Bastos, do programa “CQC”, da TV Bandeirantes, para apurar suposta incitação e apologia ao crime por conta de uma piada sobre estupro.

As declarações foram feitas por Bastos em seu show de comédia stand-up e reproduzidas na revista “Rolling Stone”. Na ocasião, o humorista disse que toda mulher que reclama que foi estuprada é feia, e que o homem que cometeu o ato merecia um abraço, e não cadeia.

O pedido de inquérito é da promotora de Justiça Valéria Diez Scarance Fernandes, coordenadora do Núcleo de Combate à Violência Doméstica e Familiar.

No ofício, a promotora diz que o humorista compara publicamente o estupro a “uma oportunidade” para determinadas mulheres e o estuprador a um benfeitor, digno de “um abraço”. “O estupro é um crime. O estuprador é um criminoso que deve ser punido e não publicamente incentivado”, diz Fernandes.

A requisição de instauração de inquérito é resultado de representação feita à Promotoria pela coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Thais Helena Costa Nader.

Contatada, a assessoria de imprensa de Rafinha Bastos ainda não se posicionou sobre o caso.

REPÚDIO – Em maio, a Secretaria de Políticas para as Mulheres fez uma nota de repúdio, condenando a piada de mau gosto. De acordo com a nota: “Estupro é crime hediondo e não requer, em nenhuma hipótese, abordagem jocosa e banalizada. Vale lembrar que qualquer mulher forçada a atos sexuais, por meio de violência física ou ameaça, tem seus direitos violados. Não há diferenciação entre as vítimas e, tampouco, a gravidade e os danos deste crime diminuem de acordo com os atributos físicos de quem sofreu este tipo de agressão. Assim, a SPM condena a banalização de tais preconceitos, explícitos nas piadas do “humorista”. Sendo um órgão que visa, sobretudo, enfrentar a desigualdade para promover a igualdade entre os gêneros, a Secretaria repudia esse tipo de “humor” e qualquer forma de violação dos direitos das mulheres. Humor inteligente e transgressor não se faz com insultos e nem preconceitos.

A sociedade não quer voltar a era da intolerância e, sim, dar um passo adiante”.

A anedota de foi criticada pelo Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo, órgão institucional formado por representantes da sociedade e do poder público, que divulgou nota de repúdio contra o humorista.

“A liberdade de expressão, direito previsto constitucionalmente, encontra limite quando em choque com outro direito, que é o da dignidade da pessoa humana, que está acima de qualquer outro”, diz a nota. O conselho viu na piada de Bastos conteúdo machista e preconceituoso, “encorajando homens, bem como fazendo parecer que o crime de estupro, hediondo por sua natureza, não seja punível”.

A piada sobre estupro do humorista também foi alvo da Marcha das Vadias. Em São Paulo, as manifestantes fizeram protesto em frente ao Comedians, clube de comédia de Rafinha Bastos e Danilo Gentili. No Rio, o humorista foi vaiado por conta das declarações.

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Semer: Nossos neo-reacionários fariam os retrógrados do Tea Party corarem de constrangimento.

julho 20th, 2011 by mariafro
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Artigo interessante de Semer, semelhante ao de Marcelo Rubem Paiva sobre os neofascistas, a lista é grande, e o ovo da serpente já arrebentou.

O moderno reacionário é a porta de entrada do velho fascismo
Por: Marcelo Semer*, Terra Magazine
20/07/2011

Em junho, Marcha das Vadias em São Paulo serviu de protesto contra declarações sobre estupro
Em junho, Marcha das Vadias em São Paulo serviu de protesto contra declarações sobre estupro.Foto:Reinaldo Marques/Terra

Se você não entendeu a piada de Rafinha Bastos afirmando que para a mulher feia o estupro é uma benção, tranquilize-se.

O teólogo Luiz Felipe Pondé acaba de fornecer uma explicação recheada da mais alta filosofia: a mulher enruga como um pêssego seco se não encontra a tempo um homem capaz de tratá-la como objeto.

Se você também considerou a deputada-missionária-ex-atriz Myriam Rios obscurantista ao ouvi-la falando sobre homossexualidade e pedofilia, o que dizer do ilustrado João Pereira Coutinho que comparou a amamentação em público com o ato de defecar ou masturbar-se à vista de todos?

Nas bancas ou nas melhores casas do ramo, neo-machistas intelectuais estão aí para nos advertir que os direitos humanos nada mais são do que o triunfo do obtuso, a igualdade é uma balela do enfadonho politicamente correto e não há futuro digno fora da liberdade de cada um de expressar a seu modo, o mais profundo desrespeito ao próximo.

O moderno reacionário é um subproduto do alargamento da cidadania. São quixotes sem utopias, denunciando a patrulha de quem se atreve a contestar seu suposto direito líquido e certo a propagar um bom e velho preconceito.

Pondé já havia expressado a angústia de uma classe média ressentida, ao afirmar o asco pelos aeroportos-rodoviárias, repletos de gente diferenciada. Também dera razão em suas tortuosas linhas à xenofobia europeia.

De modo que dizer que as mulheres – e só elas – precisam se sentir objeto, para não se tornarem lésbicas, nem devia chamar nossa atenção.

Mas chamar a atenção é justamente o mote dos ditos vanguardistas. Detonar o humanismo sem meias palavras e mandar a conta do atraso para aqueles que ainda não os alcançaram.

No eufemismo de seus entusiasmados editores, enfim, tirar o leitor da zona de conforto.

É o que de melhor fazem, por exemplo, os colunistas do insulto, que recheiam as páginas das revistas de variedades, com competições semanais de ofensas.

O presidente é uma anta, passeatas são antros de maconheiros e vagabundos, criminosos defensores de ideais esquerdizóides anacrônicos e outros tantos palavrões de ordem que fariam os retrógrados do Tea Party corarem de constrangimento.

Não é à toa que uma obscura figura política como Jair Bolsonaro foi trazida agora de volta à tona, estimulando racismo e homofobia como direitos naturais da tradicional família brasileira.

E na mesma toada, políticos de conhecida reputação republicana sucumbiram à instrumentalização do debate religioso, mandando às favas o estado laico e abrindo a caixa de Pandora da intolerância, que vem se espalhando como um rastilho de pólvora. A Idade Média, revisitada, agradece.

Com a agressividade típica de quem é dono da liberdade absoluta, e o descompromisso com valores éticos que consagra o “intelectual sem amarras”, o cântico dos novos conservadores pode parecer sedutor.

Um bad-boy destemido, um lacerdista animador de polêmicas, um livre-destruidor do senso comum.

Nós já sabemos onde isto vai dar.

O rebaixamento do debate, a política virulenta que se espelha no aniquilamento do outro, a banalização da violência e a criação de párias expelidos da tutela da dignidade humana.

O reacionário moderno é apenas o ovo da serpente de um fascismo pra lá de ultrapassado.

 *Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo

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Precisava colocar o boné dos ruralistas, Lula?

julho 19th, 2011 by mariafro
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Recebo do Igor Felippe, por e-mail, a foto e a matéria do Sou Agro com o seguinte comentário:

“Agora que não é mais presidente não pode mais dizer que tem “obrigação” de vestir o boné de todo mundo… Lamentável.”

Lula usa boné do Movimento Sou Agro

Redação do Sou Agro

Homenageado pela Fiesp, ex-presidente recebeu o boné do Coordenador do Movimento, Roberto Rodrigues

Ao ser homenageado por 200 representantes do setor produtivo, em jantar oferecido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na noite desta segunda-feira (18), o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, usou um boné do movimento Sou Agro.

Roberto Rodrigues, coordenador do Movimento Sou Agro e o ex-presidente Lula. Foto: Sebastião Ruiz Júnior/Fiesp

O Coordenador do Movimento Sou Agro, Roberto Rodrigues, apresentou a iniciativa ao homenageado, que num gesto de simpatia colocou o boné Sou Agro.

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Não, não existe homofobia no Brasil é tudo delírio da blogosfera ‘gayzistica’

julho 19th, 2011 by mariafro
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Desde ontem à noite quando a @samara7days postou esta notícia no twitter eu comecei a preparar este post e o deixei no rascunho.

A notícia é tão chocante, ela expõe tanto da sociedade machista, sexista e homofóbica na qual vivemos, que demorei a assimilar.

A atitude desses jovens homofóbicos apesar de grotesta, resume muito bem a educação sexista e hipócrita de nossa sociedade: dois homens (pai e filho adolescente) não devem andar abraçados em público, homem não deve demonstrar afeto a outro homem publicamente (mesmo sendo amor paternal), porque serão confundidos com gays e virou regra agredir fisicamente gays no espaço público.

E o que me parece mais assustador, ao invés de notícias como estas nos horrorizar e nos mobilizar para que se faça um trabalho sério na educação de nossos jovens para o respeito à diversidade e se aprove leis que penalizem a barbárie, o que vemos são atitudes retrógradas como a da presidenta Dilma, sem assessoria decente, que barrou material pedagógico para uma escola sem homofobia e repetiu a bobagem de “não faremos propaganda de material de ‘opção sexual’”, ou então as bobagens ditas pelas Myrians Rios nas Assembléias Legislativas Brasil afora e as concessões feitas pela senadora petista, Marta Suplicy, a cristãos fundamentalistas para que ao menos o PL122 possa ir para votação ou, ainda, deputados e senadores petistas fazendo vídeos e participando da Marcha para Jesus que se transformou em um evento de propaganda em prol da homofobia e contra o Estado Laico.

Quando me indigno contra esses atos de expressão machista, sexista e homofóbica sou chamada de ‘gayzista’. Tomara que mais cidadãos brasileiros se tornem ‘gayzistas’ quem sabe consigamos educar para a diversidade, refreear esta violência grotesta e dar um basta à hipocrisia de políticos preocupados apenas em agradar sua base conservadora?

Homem tem orelha decepada após jovens o julgarem gay

do Gay1-SP

18/07/2011
Segundo vítima, agressores pensaram que ele e o filho fossem casal. Crime ocorreu durante exposição em São João da Boa Vista.

Homem teve parte da orelha decepada (Foto: Reprodução/EPTV)
Homem teve parte da orelha decepada (Foto: Reprodução/EPTV)

Um homem de 42 anos teve metade da orelha decepada após ser agredido por um grupo de jovens na madrugada de sexta-feira (15), em um centro de exposições de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Segundo a vítima, os agressores pensaram que ele e o filho fossem um casal gay, pois os dois estavam abraçados.

O homem, que preferiu não se identificar, disse nesta segunda-feira (18) que ainda estava traumatizado. De acordo com ele, depois de um show, um grupo de sete jovens se aproximou e perguntou se os dois eram gays.

Ele disse que eram pai e filho, mas houve um princípio de tumulto. Segundo o homem, os rapazes foram embora, voltaram cinco minutos depois e começaram a agredir os dois. Um deles mordeu e decepou parte da sua orelha. O homem desmaiou. “Na hora que eu acordei, as pessoas diziam que eu estava sem a orelha”, disse.

Ambos foram levados para a Santa Casa. O filho sofreu ferimentos leves. Eles foram atendidos e liberados.

Segundo Fernando Zucarelli, delegado do 1º DP de São João Boa Vista, foi aberto um inquérito para apurar o caso. A polícia tentará identificar os autores da agressão. A homofobia, que é a aversão a homosexuais, ainda não consta como crime no Código Penal brasileiro, mas, além da agressão, os jovens também podem responder por discriminação.

A organização da exposição diz que havia 150 seguranças no evento, além de policiais militares.

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