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Wikileaks: Serra quando governador pediu bênção aos EUA sem comunicar o governo federal

junho 29th, 2011 by mariafro
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A série da Pública em parceria com o Wikileaks está espetacular! Dá vontade de reproduzir todos os artigos. Não deixe de visitar esta excelente agência investigativa que o jornalismo brasileiro ganhou recentemente.

Questão que não quer calar: Serra governava o que e em nome de quem mesmo?

Serra, governador, pediu ajuda aos EUA contra ataques de PCC

Nova leva de documentos do Wikileaks revelam que Serra queria treinamento para lidar com bombas e ameaças no transporte público, que seriam de autoria da facção

Por: Daniel Santini, especial para a Pública

Assim que assumiu o poder como governador de São Paulo, em janeiro de 2007, José Serra (PSDB) foi procurar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com ataques terroristas nas redes de metrô e trens, atribuídos por membros do governo paulista ao PCC.

O encontro foi o primeiro de uma série em que, como governador, Serra buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, sem comunicar ao governo federal. É o que revelam relatórios enviados à época pela representação diplomática a Washington e divulgados agora pela agência de jornalismo investigativo Pública, em parceria com o grupo Wikileaks.

Os documentos, classificados como “sensíveis” pelo consulado, são parte de um conjunto de 2.500 relatórios ainda inéditos sobre temas variados, que foram analisados em junho por uma equipe de 15 jornalistas independentes e serão apresentados em reportagens ao longo desta semana. Os telegramas que falam dos encontros de Serra com representantes dos Estados Unidos também revelam a preocupação do então governador com o poder do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas prisões.

Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes dos Estados Unidos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17.

Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse o Estado “precisava mais de tecnologia do que de dinheiro” para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas.

Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época.

Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba explodiu dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em   2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.

Segundo o documento diplomático, “membros do governo acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser o responsável pelos episódios recentes”.

O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos Estados Unidos e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público de Nova York e Washington.

Também participaram desse primeiro encontro o chefe da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, o secretário de Transportes, Mauro Arce, o coordenador de segurança do Sistema de Transportes Metropolitanos, coronel Marco Antonio Moisés, o diretor de operações do Metrô Conrado Garcia, os assessores Helena Gasparian e José Roberto de Andrade.

Parceria estabelecida

As conversas sobre as possíveis parcerias entre o governo de São Paulo e os Estados Unidos na segurança da rede de metrô e trens metropolitanos continuaram na semana seguinte, quando Portella  se reuniu com o cônsul-geral em São Paulo, o adido do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Departament of Homeland Security – DHS) no Brasil e o responsável por assuntos políticos do consulado.

O encontro aconteceu em 17 de janeiro de 2007 e foi relatado em relatório no dia 24.

Acompanhado do secretário adjunto de segurança pública, Lauro Malheiros, e de outras autoridades da área, Portella falou sobre as dificuldades encontradas pelo Metrô em garantir a segurança da rede e informou sobre a tragédia ocorida nas obras da estação Pinheiros, dias antes (12 de janeiro de 2007), quando um desabamento provocou a morte de sete pessoas. No relatório, os representantes dos Estados Unidos destacam que a linha amarela é a primeira Parceria Público-Privada do Brasil e que o projeto foi lançado em meio à “grande fanfarra”.

Portella falou sobre os episódios anteriores de bombas e ameaças no metrô e “respondeu a uma série de questões preparadas pelo adido do DHS sobre a estrutura da rede” e disse que depois que as inspeções foram reforçadas, por causa das ameaças de bomba, mais pacotes suspeitos foram encontrados, e que mesmo “um saco de bananas ou de roupa suja” têm de ser examinados, o que provocava atrasos e paralisações no metrô. Novamente o PCC é mencionado: “Autoridades acreditam que a organização de crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser responsável pelos ataques e relatam a prisão de um membro do PCC responsável pelo assassinato de um juiz em 2002”.

No final, Portella designou, então, o coronel da Polícia Militar José Roberto Martins e o diretor de Segurança do Metrô Conrado Grava de Souza para dar continuidade à parceria proposta.

 

Itamaraty


Nos meses seguintes, Serra voltou a se encontrar com representantes dos Estados Unidos e insistir em parcerias para lidar com o PCC.

Em 6 e 7 de fevereiro, conversou com o subsecretário de Estado dos EUA para Negócios Políticos, Nicholas Burns. De acordo comrelatório de 1º de março de 2007, falou no encontro sobre a “enorme influência” que a organização tem no sistema prisional no Estado e pediu ajuda, incluindo tecnologia para “grampear telefones”.

Sua assessora para assuntos internacionais Helena Gasparian agradeceu a assistência na questão da segurança nos transportes públicose afirmou que a participação dos Estados Unidos foi “imensamente útil”.

Diante da sugestão de novas parcerias, o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltaram que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, “é às vezes sensível quanto a esses assuntos”.

O relatório afirma que “o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado”. Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.

Questionado pela agência Pública sobre esses relatórios, o professor Reginaldo Nasser, especialista no estudo de relações internacionais, de segurança internacional e de terrorismo da PUC de São Paulo, criticou a postura dos governador Serra e disse que acordos deste tipo devem ser intermediados pelo Itamaraty.

“Os Estados Unidos têm pressionado o Brasil para colocar terrorismo no Código Penal e o país até agora resistiu. Este tipo de acordo é uma relação de Estado para Estado e precisaria passar pelo governo federal”, explicou, destacando que, desde os ataques de 11 de Setembro, os Estados Unidos assumiram uma postura de polícia internacional. “Agentes agem com ou sem autorização em outros países, prendem, torturam e assassinam”, diz.

A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que ninguém se posicionaria sobre as revelações dos documentos. Procurado por meio de sua assessoria, o ex-governador José Serra não retornou o contato da reportagem.

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Preto Zezé: é proibido privatizar a resistência!

junho 28th, 2011 by mariafro
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Preto Zezé, coordenador geral da Central Única das Favelas (Cufa) de Fortaleza, educador e logo, logo, blogueiro \o/


No Prêmio Anu com Ivana Bentes, eu e Beto Mafra.

Nessa entrevista, conta o início da vida no crime e o momento em que conheceu o rap. Fala também do documentário Selva de Pedra A Fortaleza Noiada e de como é importante que as comunidades deem sua própria versão dos fatos.


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Prefeitura do Rio na mira da Onu: violações nas desapropriações para obras da Copa e Olimpíadas

junho 28th, 2011 by mariafro
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Veja também:

25 de março: Ato pelo direito à cidade, pela democracia e justiça urbanas

Para Eduardo Paes, o novo Pereira Passos, pobre no caminho da Copa é lixo

Copa, empreiteiras, vendas do patrimônio público, licitações, desapropriações, escândalos e muita desinformação

 


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Atualização: Debate na Esquerda sobre a Esquerda fora do Eixo: uma cronologia

junho 28th, 2011 by mariafro
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Desde que publiquei com alguns pitacos o artigo de Ivana Bentes no Maria Frô (Ivana Bentes: novo ativismo versus ‘vanguarda da retaguarda’), outros textos coletivos foram postados no Passa Palavra e hoje começa a circular o artigo de Rodrigo Savazoni: A reinvenção da política que recebi por e-mail e depois vi que a Fórum publicou). Também na Fórum, no Blog do Rovai, Renato Rovai escreve hoje um texto bastante provocativo colocando em questão práticas do grupo do coletivo Passa a Palavra: Fora do Eixo e a esquerda que a direita gosta.

Alguns leitores levantaram o fato de eu publicar apenas o artigo de Ivana e não republicar os do Passa Palavra, apesar de linkado no texto de Ivana. Argumentei que o artigo estava linkado e não reproduzi os demais artigos do coletivo porque seu estilo acadêmico, com textos densos e longos são mais difíceis para leitura no formato dos blogs.

Creio que é uma síntese desse debate com os principais links seja de grande auxílio para os leitores que desejam acompanhar a polêmica que estimula um debate importante na esquerda que há muito não via. Segue abaixo alguns links, além dos que já expus acima.

CRONOLOGIA DA DISCUSSÃO SOBRE A ESQUERDA FORA DO EIXO

Por: Danilo Cesar (especial para o Maria Frô)

28/06/2011, atualizado em 03/07

Em 17/6/2011 foi publicado pelo Passa Palavra, em seu site, o artigo “A esquerda fora do eixo”, iniciando a polêmica.

Em 21/6/2011, nos comentários do Passa Palavra, Cláudio Prado (Casa de Cultura Digital) posta o seguinte texto: Texto do Claudio Prado sobre o Fora do Eixo

Em 22/6/2011 foi publicado no blog Trezentos, o texto “A esquerda nos eixos e o novo ativismo” de Ivana Bentes (reproduzido aqui no Maria Frô). Na mesma data, o Passa Palavra recusa o convite feito pelo principal ativista do Fora do Eixo, Pablo Capilé, e anuncia uma reflexão em seu próprio jornal a respeito da polêmica instaurada com o texto “Domingo na Marcha (1ª Parte)”, o primeiro de uma série.

Em 23/6/2011, o professor da USP, o Dr. Pablo Ortellado, comemora a polêmica em seu blog com o texto “Capitalismo e cultura livre”, onde aponta algumas falhas na análise do Passa Palavra, mas sem deixar de compartilhar a leitura classista feita pelo site.

No mesmo dia 23/6/2011, Fabricio KC publica o texto “Nem esquerda, nem direita, nem Fora do Eixo! Ivana Bentes e o texto do Passa Palavra”.

Em 24/6/2011, o texto “A esquerda fora do eixo” já contava com mais de 130 comentários no site Passa Palavra, incluindo textos de Cláudio Prado da Casa de Cultura Digital, o texto e comentários de Ivana Bentes e Pablo Ortellado, além de uma crítica a este último.

Em 25/6/2011, Frederico Neto publica o post “Entre os problemas mais gritantes, Ivana Bentes destaca…

No dia 26/6/2011, os ativistas Henrique Parra e Gavin Adams publicam a sua contribuição ao debate no Trezentos: “Nem eixo nem seixo”

Ainda no dia 26/6/2011, o coletivo Passa Palavra publica a segunda parte de seu texto: “Domingo na marcha (2ª Parte)

Dia 28/06/2011 circula pela lista da Marcha da Liberdade o texto “A Reinvenção da Política”, de Rodrigo Savazoni** que foi publicado depois na Revista Fórum.

28/6/2011 Renato Rovai publica em seu blog da Revista Fórum – “Fora do Eixo e a esquerda que a direita gosta”.

No dia 29/6/2011 vários textos: no blog Razão Crítica, Elton Flaubert publica “Lutas Sociais e Feitichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra (I)”; no blog Quadrado dos Loucos,  Bruno Cava escreve “Sair dos eixos à esquerda (I)”;  no blog do Coletivo DAR,  Henrique Carneiro publica “A Maconha, as marchas e a crise do capitalismo” e Fabricio KC em seu blog Antitextos “Por um pós-rancor mais rebelde!”; no blog Matutações, Gustavo Loureiro resgata o seguinte texto – “isso funciona (…) respira (…) come (…) caga (…) fode” e no no blog O Grito do Inimigo,  Eduardo Mesquita – “Discussão ou invejinha? Escolha quem lê”.

Em 30/6/2011, no blog Roraima Rock N Roll, por Wander Longhi – “Tudo que gira FORA DO EIXO um dia quebra” .

Hoje, 03/07/2011 Elton Flaubert posta novo texto: Lutas Sociais e Fetichismo: notas sobre o debate iniciado pelo Passa Palavra (II).

* Na primeira postagem com informações recolhidas de Frederico Neto: “Entre os problemas mais gritantes…

** Savazoni esclarece nos comentários do Maria Frô que o texto dele foi escrito para Revista Fórum antes do primeiro artigo do Passa Palavra, e não dialoga diretamente com a leitura feita pelo coletivo autonomista.

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