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Mino Carta: Demóstenes, Marconi e Policarpo

abril 6th, 2012 by mariafro
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Demóstenes, Marconi e Policarpo

Editorial, Carta Capital 319
05/04/2012 11:28


Sequestrada. Em Goiânia, domingo dia 1º

O caso do senador Demóstenes Torres é representativo de uma crise moral que, a bem da sacrossanta verdade, transcende a política, envolve tendências, hábitos, tradições até, da sociedade nativa. No quadro, cabe à mídia um papel de extrema relevância. Qual é no momento seu transparente objetivo? Fazer com que o escândalo goiano fique circunscrito à figura do senador, o qual, aliás, prestimoso se imola ao se despedir do DEM. DEM, é de pasmar, de democratas.

Ora, ora. Por que a mídia silencia a respeito de um ponto importante das passagens conhecidas do relatório da Polícia Federal? Aludo ao relacionamento entre o bicheiro Cachoeira e o chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior. E por que com tanto atraso se refere ao envolvimento do governador Marconi Perillo? E por que se fecha em copas diante do sequestro sofrido por CartaCapital em Goiânia no dia da chegada às bancas da sua última edição? Lembrei-me dos tempos da ditadura em que a Veja dirigida por mim era apreendida pela PM.

A omissão da mídia nativa é um clássico, precipitado pela peculiar convicção de que fato não noticiado simplesmente não se deu. Não há somente algo de podre nas redações, mas também de tresloucado. Este aspecto patológico da atuação do jornalismo pátrio acentua-se na perspectiva de novas e candentes revelações contidas no relatório da PF. Para nos esclarecer, mais e mais, a respeito da influência de Cachoeira junto ao governo tucano de Goiás e da parceria entre o bicheiro e o jornalista Policarpo. E em geral a dilatar o alcance da investigação policial.

Quanto à jornalística, vale uma súbita, desagradável suspeita. Como se deu que os trechos do documento relativos às conversas entre Cachoeira e Policarpo tenham chegado à redação de Veja? Sim, a revista os publica, quem sabe apenas em parte, para demonstrar que o chefe da sucursal cumpria dignamente sua tarefa profissional. Ou seria missão? No entanto, à luz de um princípio ético elementar, o crédito conferido pelo jornalista às informações do criminoso configura, por si, a traição aos valores da profissão. Quanto à suspeita formulada no início deste parágrafo, ela se justifica plenamente: é simples supor vazamento originado nos próprios gabinetes da PF. E vamos assim de traição em traição.

A receita não a dispensa, a traição, antes a exige nas mais diversas tonalidades e sabores. A ser misturada, para a perfeição do guisado, com hipocrisia, prepotência, desfaçatez, demagogia, arrogância etc. etc. E a contribuição inestimável da mídia, empenhada em liquidar rapidamente o caso Demóstenes, para voltar, de mãos livres, à inesgotável tentativa de criar problemas para o governo. Os resultados são decepcionantes, permito-me observar. A popularidade da presidenta Dilma acaba de crescer de 72% para 77%.

E aqui constato haver quem tenha CartaCapital como praticante de um certo, ou incerto, “jornalismo ideológico”. Confesso, contristado, minha ignorância quanto ao exato significado da expressão. Se ideológico significa fidelidade canina à verdade factual, exercício desabrido do espírito crítico, fiscalização diuturna do poder onde quer que se manifeste, então a definição é correta. E é se significa que, no nosso entendimento, a liberdade é apanágio de poucos, pouquíssimos, se não houver igualdade. A qual, como sabemos, no Brasil por ora não passa de miragem.

E é se a prova for buscada na nossa convicção de que Adam Smith não imaginava, como fim último do capitalismo, fabricantes de dinheiro em lugar de produtores de bens e serviços. Ou buscada em outra convicção, a da irresponsabilidade secular da elite nativa, pródiga no desperdício sistemático do patrimônio Brasil e hoje admiravelmente representada por uma minoria privilegiada exibicionista, pretensiosa, ignorante, instalada no derradeiro degrau do provincianismo. Ou buscada no nosso apreço por toda iniciativa governista propícia à distribuição da renda e à realização de uma política exterior independente.

Sim, enxergamos no tucanato a última flor do udenismo velho de guerra e em Fernando Henrique Cardoso um mestre em hipocrisia. Quid demonstrandum est pela leitura do seu mais recente artigo domingueiro na página 2 do Estadão. O presidente da privataria tucana, comprador dos votos parlamentares para conseguir a reeleição e autor do maior engodo eleitoral da história do Brasil, afirma, com expressão de Catão, o censor, que se não houver reação, a corrupção ainda será “condição de governabilidade”.

Achamos demagógica e apressada a decisão de realizar a Copa no Brasil e tememos o fracasso da organização do evento, com efeitos negativos sobre o prestígio conquistado pelo País mundo afora nos últimos dez anos. Ah, sim, estivéssemos de volta ao passado, a 2002, 2006 e 2010, confirmaríamos nosso apoio às candidaturas de Lula e Dilma Rousseff. Se isso nos torna ideológicos, também o são os jornais que nos Estados Unidos apoiaram e apoiarão Obama, ou que na Itália se colocaram contra Silvio Berlusconi. Ou o Estadão, quando em 2006 deu seu voto a Geraldo Alckmin e em 2010 a José Serra.

Não acreditamos, positivamente, que de 1964 a 1985 o Brasil tenha sido entregue a uma “ditabranda”, muito pelo contrário, embora os ditadores, e seus verdugos e torturadores, tenham se excedido sem necessidade em violência, por terem de enfrentar uma resistência pífia e contarem com o apoio maciço da minoria privilegiada, ou seja, a dos marchadores da família, com Deus e pela liberdade. Hoje estamos impavidamente decepcionados com o comportamento de muitos que se apresentavam como esquerdistas e despencaram do lado oposto, enquanto gostaríamos que a chamada Comissão da Verdade atingisse suas últimas consequências.

Agora me pergunto como haveria de ser definido o jornalismo dos demais órgãos da mídia nativa, patrões, jagunços, sabujos e fâmulos, com algumas exceções, tanto mais notáveis porque raras. Ideologias são construídas pelas ideias. De verdade, alimentamos ideias opostas. Nós acreditamos que algum dia o Brasil será justo e feliz. Eles querem que nada mude, se possível que regrida.

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Demétrio louva Demóstenes: “não é mais um comerciante no mercado em que se trafica influência…”

abril 5th, 2012 by mariafro
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Sugestão de Antonio Torrens

Época

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Garcez: “Tudo começou porque eles (militares pró-64) saíam assumindo o ato, dizendo ‘matamos mesmo’ e rindo da nossa cara”

abril 4th, 2012 by mariafro
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Após cusparada ‘anti-64′, manifestantes são alvos de ameaças de morte na internet

“Os caras têm armas. Divulgaram nossa rotina, é perfeitamente possível a gente esbarrar com algum deles. Estamos preocupados porque sabemos do que são capazes de fazer”, diz ativista

Por: Mauricio Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

04/04/2012
Rio de Janeiro – A proximidade da criação da Comissão da Verdade para a investigação de crimes cometidos durante a ditadura no Brasil continua acirrando ânimos entre os setores mais conservadores da sociedade. A Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Ministério da Justiça receberão esta semana um pedido de proteção feito por um grupo de cinco pessoas que vêm sofrendo ameaças de agressão e morte pela internet nos últimos dias.

Tudo começou após o confronto que opôs manifestantes pró-Comissão da Verdade e militares da reserva na entrada do Clube Militar, no Rio de Janeiro, em 29 de março. No lado de dentro do clube, uma cerimônia comemorava o aniversário de 48 anos do golpe. Do lado de fora, protestos conta os golpistas.

Flagrado pelas câmeras dos jornais ao dar uma cusparada em um senhor idoso que batia boca com os manifestantes – era o coronel-aviador Juarez Gomes, presidente do Grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma) no Rio –, o produtor cultural e militante do PT Felipe Garcez se tornou alvo do ódio de pessoas que, quase sempre sob o manto do anonimato, dirigem a ele e a seus familiares ofensas e ameaças pela internet.

“Estamos recebendo diversas ameaças. Queremos divulgar isso, pois expor o nosso caso aumenta a nossa proteção. São dezenas de e-mails e de mensagens em blogs que colocam nossa integridade em risco. Estão colocando nossas imagens, nossos dados pessoais. Em alguns blogs estão sendo publicados dossiês sobre a nossa vida, dizendo por onde eu andei, onde eu morei, quem são meus familiares”, afirma Garcez, porta-voz do grupo de ameaçados que conta também com Adil Giovanni Lepri (estagiário da Agência Nacional do Audiovisual, Ancine), Eduardo Victor Viga Beniacar (estudante da Universidade Federal Fluminense), Rodrigo Mondego (consultor) e Gustavo Santana (assessor da reitoria da Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Um passeio pela internet dá a dimensão da pressão sofrida pelo grupo. O site pró-64 “A Verdade Revelada” traz fotos e informações sobre os quatro manifestantes, enquanto o blog anticomunista “Cavaleiro do Templo” especula: “Cuspir na cara de pessoas de idade? Será pouco, comparado com o que ocorrerá se o esquerdista Felipe Garcez não for processado”. O blog de Licio Maciel, por sua vez, defende que o dossiê com informações sobre o grupo “circule, ao menos nos meios militares”.

Há também ameaças diretas: “Merecia de volta uma bala de 38 no meio da cara. Não seria agressão, mas defesa da honra”, diz sobre Garcez um comentário anônimo postado no Portal Militar. Outro comentário afirma que “deve ser feita alguma coisa contra esse delinquente”. No blog de Maciel, um comentário assinado por Eduardo Cruz revela os locais de moradia e estudo de Garcez, além dos nomes dos seus pais e de sua noiva, que trabalha como funcionária civil em um quartel da Marinha.

Noiva ameaçada

Esse detalhe sobre a noiva de Garcez aumentou a fúria dos simpatizantes da ditadura militar. “Seria interessante chegar aos ouvidos dos superiores da Marinha que o noivinho dela não gosta de militares. Quem sabe eles não renovam o contrato dela e a colocam no olho da rua”, diz um comentário no Portal Militar. O pior das ameaças, no entanto, está nas paginas de Garcez e sua noiva no Facebook, repleta de palavras ofensivas e de baixo calão: “Seu noivo gosta de cuspir em idosos, não é? Pois ele vai engolir esse cuspe pelo c…”, diz um post assinado por Arnaldo Lima.

Outro post, assinado por Darlan Sena, continua as agressões: “Que vergonha, sua vadia! Sendo da Marinha e com esse maconheiro que cospe na cara de oficiais da reserva! Nós vamos achar vocês”, diz o comentário, que também ameaça a noiva de Garcez de violência sexual. Outro post, assinado por Feitosa Júnior, ameaça: “Queria que ele (Garcez) fizesse isso comigo, pois a cara dele iria virar tábua de pirulito. Que ele faça um transplante de face, pois seu rosto já foi marcado por todos nós e essa ação covarde vai ter volta”.

Sobre as ameaças a sua noiva, Garcez faz um comentário interessante. “Ela está trabalhando todos os dias, normal, e até agora nada aconteceu. No quartel, ninguém tem falado disso, ninguém se incomodou com o ato. Os militares da ativa meio que não ligaram para o que aconteceu. Essas ameaças são coisas de grupos organizados, grupos fascistas e nazistas que apoiaram a ditadura militar. Não é especificamente dos militares”, avalia.

Em busca de proteção

Para se defender, o grupo ameaçado já prepara uma ação na Justiça. “Consultamos advogados e estamos recolhendo todo o material que estamos recebendo com ameaças e fazendo uma compilação para dar entrada em um processo por difamação, calúnia e incitação ao ódio. Estamos fazendo uma peça bem fundamentada. Também já encaminhamos tudo à Delegacia de Crimes Virtuais da Polícia Federal”, diz Garcez.

Em outra frente, parlamentares também foram procurados. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) se propôs a ajudar o grupo e vai enviar uma carta explicando toda a situação ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, além de divulgar uma nota pública para criticar as ameaças. A ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, também já foi procurada.

Garcez afirma que agora o principal para o grupo é se proteger: “Esses caras têm armas e nós não temos. Como divulgaram nossos hábitos e rotinas, é perfeitamente possível que a gente acabe esbarrando com algum deles. Algumas pessoas ainda não entenderam o quanto isso é sério. Estamos preocupados porque sabemos do que eles são capazes de fazer. Os principais blogs de direita estão nos denunciando e colocando a coisa da seguinte forma: tomem os dados deles e façam com eles o que vocês quiserem”, diz.

Sobre o episódio da cusparada no coronel-aviador Juarez Gomes, Garcez afirma que “a situação saiu do controle” no dia 29 de março. “A gente não tinha nenhuma intenção de ir para lá agredir ou ofender aqueles militares. Tudo começou porque eles saíam assumindo o ato, dizendo ‘matamos mesmo’ e rindo da nossa cara. Toda uma multidão fervorosa cuspiu, jogou ovo e tudo mais. Eles precisam culpar alguém, e somos nós. Não é do nosso feitio esse tipo de agressão, mas a coisa saiu do controle. Eles não podiam debochar da nossa dor.”

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Celso Lungaretti: Brilhante Ustra incita represálias contra manifestantes dos “escrachos”

abril 4th, 2012 by mariafro
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Estava com dificuldade de abordar esta questão sem dar mais ibope pra militares de pijama e torturadores, Lungaretti resolveu pegar o touro a unha.

Brilhante Ustra incita represálias contra manifestantes dos “escrachos”

Informações pessoais de cinco manifestantes que protestaram contra a comemoração do Golpe de 64 em frente ao Clube Militar foram postadas na página do torturador

Por: Celso Lungaretti (*) no Brasil de Fato

04/04/2012

O site do torturador Brilhante Ustra publicou (vide aqui) nome, foto e dados pessoais do manifestante que cuspiu num dos oficiais da reserva participantes da criminosa apologia do totalitarismo e do terrorismo de estado que teve lugar dia 29 no Clube Militar do Rio de Janeiro, bem como de outros quatro cidadãos que se posicionaram contra aquela abominação.

O objetivo alegado foi “disponibilizar material para que o Clube Militar, assim como o agredido possam acionar a justiça”.

Mas, há sempre possibilidade de eles se tornarem alvos das práticas habituais do antigo DOI-Codi: sequestros, torturas, assassinatos.

Os defensores dos direitos humanos devem tomar imediatas providências para a proteção da vida e da integridade física dos cinco.

Se qualquer um deles sofrer uma agressão covarde como as que são marca registrada da ditadura militar, já sabemos quem deve ser responsabilizado como indiscutível instigador e provável mandante.

Finalmente, eis algumas perguntas que não querem calar:

O que mais agride as leis do País, a cusparada que um jovem de 22 anos, justificadamente indignado, aplicou no coronel aviador Juarez Gomes da Silva, presidente do Ternuma-RJ, ou a própria atuação do Ternuma-RJ na justificação/exaltação do arbítrio, minimização de atrocidades e manutenção de campanhas de ódio permanentes (incluindo as de difamações, calúnias e injúrias  contra os heróis e mártires da resistência à tirania)?
Que consideração merece tal personagem, um destrambelhado que já apareceu na IstoÉ se propondo a desenvolver uma campanha publicitária para denunciar autoridades federais (inclusive a então ministra Dilma Rousseff) como “terroristas” e declarando que o então ministro da Justiça Tarso Genro não passaria de um “canalha” (vide aqui)?
Quem levantou os nomes e dados pessoais dos quatro outros manifestantes, afora o do sociólogo Gustavo Santana, que apareceu no noticiário como vítima de agressão bestial da PM (teve o braço quebrado)?

O Brilhante Ustra parece ter montado um DOI-Codi privado em plena democracia.

É o caso de averiguarmos se ele não está usurpando funções da polícia ao realizar investigações, e da imprensa ao divulgar os resultados.

Não sei se é legal. Mas moral, com certeza, não é.

Trata-se do preço que estamos pagando por não havermos instalado em 1985 um tribunal como o de Nuremberg. Redemocratização pela metade dá nisso.

* jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogpot.com

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