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Cristiano, Laíssa, histórias de uma juventude brasileira de superação

fevereiro 5th, 2012 by mariafro
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Quando eu vim para São Paulo estudar na universidade de São Paulo meu pai estava desempregado, minha mãe sustentava meus quatro irmãos e apesar de eu ter passado em primeiro lugar num concurso público (lecionava para adultos na Educação de Adultos da Secretaria de Bem Estar Social da Prefeitura Municipal de São Paulo, ganhando cerca de um salário mínimo) eu demorei cerca de três meses pra receber  o primeiro salário.

Eu também passei em primeiro lugar em outro ‘concurso’ e este eu não me orgulhava. Fiquei em primeiro lugar na lista do Coseas para receber moradia no CRUSP tal era a situação de penúria que a minha família vivia. Tinha muita vergonha quando via todos interessados em saber quem era a mais pobre, porque o Coseas expunha a lista com nossos nomes (e não apenas com nosso nº USP). Eu me fingi de morta até as pessoas esquecerem aquela lista infeliz.

Minha parceira de CRUSP a Beth Souza dividia comigo o bandejão. Vocês podem imaginar o nível de resistência e dureza pra dividir um bandejão do restaurante da USP?

É por isso que as histórias de superação de Laíssa e agora do Cristiano me emocionam tanto.

Laíssa vocês conhecem a história nos inúmeros posts que publiquei:

Laíssa, catadora de papel, fez hoje sua matrícula na USP

Laíssa, ex-catadora, entrou na USP!

Moçada da área de biológicas, gestão ambiental, solidários em geral dêem uma força para a Laíssa

Histórias de superação: catadora na Universidade, que venham muitas Laíssas

E foi pela história da Laíssa que o Cristiano chegou até o Maria Frô e arriscou deixar um pedido de socorro: ele também foi aprovado no vestibular, ele também tem uma história de exclusão e grande violência, mas mesmo assim conseguiu superá-la e entrou na universidade.

Pelo seu nome fui até a lista dos aprovados na FUVEST e constatei que havia um Cristiano, mas mesmo assim escrevi para ele para confirmar a história e pedi comprovante de sua inscrição e outros documentos. Ele me mandou absolutamente tudo e pelos  prints que reproduzo abaixo dá pra vocês verem que ele está fazendo isso de uma lan house.

Reproduzo dois deles, mas tenho todos os demais inclusive sua ficha que pede isenção na inscrição da taxa do vestibular da Fuvest:

O nome e o nº de inscrição do Cristiano na lista de aprovados da FUVEST que bate com o nome e nº de inscrição no vestibular na ficha reproduzida abaixo:


Aqui a sua ficha de inscrição. Apaguei o nº de seu CPF para não expor na rede.

Abaixo brevemente a história que ele me relatou, quando lhe enviei o primeiro mail:

” Obrigado pela atenção.
Minha historia é essa: meu pai era retireiro, morreu deixando 3 filhos e esposa.
Minha mae se casou novamente e meu padrasto não me deixava ir à escola, dizia que escola era  pra criar vagabundo.
Apanhava muito, fugi de casa uma vez, morei na rua um tempo.
Depois consegui emprego na Santa Casa de Cunha-SP como faxineiro, trabalhei em diversas atividades: peixaria, engraxate, vendedor de banana, pintor, mas sabia que Deus tinha me dado capacidade para algo além daquilo que eu fazia.
Fui para o exército de onde saí com certificado de honra ao mérito.
Comecei a namorar uma garota que me motivou a terminar o colegial pelo menos. Então voltei para escola trabalhando de dia e estudando à noite. Passei no no concurso do Acessa escola o que melhorou, pois eu tinha mais tempo para estudar .
Foquei nas universidades públicas já que uma particular não teria como pagar. Pedi isenção e consegui: UNESP, USP, UNIFESP. Na UNESP estou em lista de espera, na UNIFESP não tive dinheiro para fazer a prova em São José dos Campos e na USP, um professor que ia levar o filho dele pra fazer vestibular me deu carona nos 3 dias da segunda fase.

Graças a Deus e aos meus esforços consegui passar,  mas agora tem este inconveniente, não tenho dinheiro para ir de Cunha até Ribeirão Preto fazer a matrícula. Se a senhora puder me ajudar ficarei grato.
Mandarei outro email com as fotos dos documentos. Cristiano”

É isso, leitores, Cristiano  me passou uma conta do Banco do Brasil, quem tiver interesse de ajudar este rapaz com a maior brevidade já que ele tem de estar em Ribeirão Preto no dia 08/02/2012, escreva-me (blogmariafro@gmail.com) para que eu possa passar os dados. Obrigada.

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Frente de Luta pela Moradia denuncia que GCM age com violência para retirar despejados da calçada da av. São João

fevereiro 5th, 2012 by mariafro
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Os Pinheirinhos de Kassab são muitos, o mais recente está na calçada da avenida São João.

De acordo com informações da Frente de Luta Pela Moradia GCM ESTÁ FAZENDO CORDÃO DE ISOLAMENTO PARA RETIRAR FAMÍLIAS DA CALÇADA DA AV. SÃO JOÃO NESTE MOMENTO.  Contatos -  Carmen: 9680-7409; Coordenação Geral da FLM Osmar Borges: Tel: 8302-8197 ou 9516-0547

Nesta manhã do domingo a FLM faz apelo via twitter:

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FAMÍLIAS AMANHECEM NA RUA NESTE SÁBADO AGUARDANDO RESPOSTA DA PREFEITURA

Por: Frente de Luta pela Moradia, por e-mail

04/02/12 às 8:55

As famílias sob o sol deste sábado, 04/02.

 Ao todo, 230 famílias dormiram na calçada. O Ministério Público vai pedir à justiça que multe em R$ 3 mil por dia os responsáveis por deixar as famílias na rua.

Graças a Deus a noite foi morna e  minimizou o sofrimento das famílias que dormiram ao relento na calçada da Av. São João. Depois que a GCM derrubou os barracos  montados na calçada após a reintegração e das ameaças de retirar os pertences, nem que fosse preciso usar de violência, feita pelo Inspetor Queirós da GCM, todos ficaram muito apreensivos.

Foi uma longa noite à espera da resposta prometida pela assistente social Jurema, da Sub-prefeitura Sé. Ela esteve com as famílias no final da tarde desta sexta-feira e prometeu que faria uma reunião com seus superiores para encontrar um local para onde as famílias deveriam ser levadas até que se inclua as famílias em um projeto de moradia definitiva. Não voltou com a resposta até agora, início da manhã

Agradecemos a solidariedade de centenas de pessoas que passaram por aqui querendo nos ajudar.

Informamos que NÃO ACEITAMOS DOAÇÕES EM DINHEIRO.

Quem quiser e puder ajudar podem trazer: leite, água, alimentos não perecíveis.  Outra forma de ajuda também é continuarem divulgando pela internet.

Estamos colocando informações neste site no faceboock e no twitter, pesquisar pelo endereço  lutamoradia

Coordenação Geral da FLM Osmar Borges: Tel: 8302-8197 ou 9516-0547

Abaixo breve histórico do que ocorreu  ontem.

São 21:40 e..

Famílias sem-teto continuam no relento, na calçada da Av. São João depois que a prefeitura de São Paulo mandou a GCM derrubar os barracos. Até agora a prefeitura só quer disponibilizar albergue? pais e filhos separados?

Coordenação continua negociando com representantes da prefeitura um local para abrigar as famílias sem-teto. Desde ontem estão na calçada da Av. São João, depois que foram retiradas do prédio que ocupavam no número 628, esquina com a Ipiranga. Na da madrugada desta sexta-feira a GCM chegou para retirar as madeiras e agora ameaçam retirar os pertences.

ÚLTIMAS IMAGENS DO SPTV AQUI

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Osmar Borges foi informado pelo Inspetor  Queirós da GCM que pertences das famílias serão retirados e que se for preciso usarão de violência

SE NÃO HOUVER ATENDIMENTO PERMANECEREMOS NA RUA DEBAIXO DA LONA

A  partir das 5 da manhã desta sexta-feira  a GCM  e sub prefeitura da Sé começaram a pressionar para retirar os barracos que armamos na  favela  São João após a reintegração de ontem. Tentamos negociar sem sucesso e a partir das 8 da manhã as madeiras foram etiradas.

Agora as famílias estão ao relento, na calçada. Caso até o final do dia de hoje não haja proposta de atendimnto das famílias por parte da prefeitura usaremos uma lona preta para nos abrigar.  Mas vamos permanecer na rua.

Ou comemos ou pagamos aluguel. Não queremos casa de graça queremos projetos habitacionasi que caibam em nosso orçamento.

Telefones de contato:

Coordenação Geral da FLM Osmar Borges: Tel: 8302-8197 ou 9516-0547

IMAGENS DO SPTV

MINISTÉRIO PÚBLICO QUER QUE PREFEITURA ATENDA SEM-TETO EXPULSOS NO CENTRO DE SP

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

03/02/12 às 9:26

Ministério Público quer que prefeitura atenda sem-teto expulsos no centro de SP

Promotores buscam reverter decisão judicial a favor da administração Kassab que impede atendimento habitacional de famílias expulsas de prédio entre as avenidas Ipiranga e São João

As famílias dizem que não desejam um imóvel gratuito, mas uma moradia que se adeque às possibilidades financeiras (Foto: Danilo Ramos. Rede Brasil Atual)

São Paulo – O Ministério Público Estadual decidiu nesta quinta-feira recorrer contra a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que suspendeu a decisão que obrigava a prefeitura da capital a alojar as famílias retiradas do imóvel localizado na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da cidade.

A administração de Gilberto Kassab (PSD) conseguiu a cassação de liminar emitida pela 14ª Vara da Fazenda Pública com o argumento de que não pode privilegiar os integrantes da ocupação iniciada há três meses no prédio abandonado porque há um milhão de pessoas cadastradas para programas habitacionais, “mas nem por isso ocuparam imóveis particulares”.

O desembargador José Maria Câmara Junior, da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, afirmou ainda que essas famílias podem ser levadas para abrigos e albergues municipais, hipótese descartada pelos sem-teto. “No albergue as famílias ficam separadas. As pessoas dessa ocupação não têm o perfil que se atende nos albergues”, disse Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia.

Para os promotores Maurício Antonio Ribeiro Lopes e Mário Augusto Vicente Malaquias, a prefeitura precisa ser obrigada a cadastrar as famílias desalojadas e a inscrevê-las em programas habitacionais de acesso à moradia, como previsto na decisão judicial inicial, que garantia ainda o pagamento de multa de R$ 3 mil para cada dia de descumprimento da ordem.

As famílias acusam a prefeitura de não ter procedido ao cadastramento dos moradores. Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação informou que os integrantes da ocupação foram listados para posteriormente ser inseridos na relação de espera por moradia social. A reintegração de posse foi conduzida na manhã desta quinta após negociação com a Polícia Militar. “Nós cooperamos no sentido da saída pacífica, mas a prefeitura não cumpriu a parte dela”, afirmou Osmar.

Alguns moradores levaram os pertences para a casa de parentes, e outros optaram pelo galpão no qual os bens são mantidos pela administração municipal durante 30 dias. Barracos foram improvisados do lado oposto da avenida São João para abrigar as famílias. Durante a manhã chegou a haver tensão com a Guarda Civil Metropolitana, força de segurança municipal, que os sem-teto acusavam de ameaçar reprimir os que montaram acampamento na calçada.

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Maierovitch: Reforma judiciária já

fevereiro 4th, 2012 by mariafro
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Reforma judiciária já

Por: Wálter Fanganiello Maierovitch, Terra Magazine

4 de fevereiro de 2012

A Associação Brasileira de Magistrados (AMB) ao provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a inconstitucionalidade formal da Resolução 135/2011 e da  atividade correcional autônoma (originária) exercida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — órgão de controle criado em 14 de junho de 2005 com uma reforma do Judiciário que durou dez anos — deu excepcional contribuição para o conhecimento melhor por parte dos brasileiros da Justiça e dos magistrados, desde o detestável corporativismo até a lerdeza na solução de litígios.

A propósito de duração processual média e o entrave nos negócios, o Banco Mundial analisou 181 países e a morosidade colocou  o Brasil no 100º posto. Poderia ser pior, pois fora do cálculo ficaram os precatórios brasileiros, cujos credores já não têm esperança de receber em vida.

Graças  à contribuição da AMB, o cidadão brasileiro, que clama há anos pela reforma política, sentiu a necessidade premente de se reformar o poder Judiciário. E isso passa pela criação nos estados-federados e sem prejuízo das corregedorias dos tribunais e do CNJ, de Conselhos Estaduais de Justiça. Conselhos estaduais de controle efetivamente externo, com conselheiros eleitos e “recall” (cassação popular), que é instituto adotado em alguns estados norte-americanos e nos cantões suíços, isto no caso de o eleito descumprir compromisso de campanha.

Na reforma não deveria ficar sem debate, com posterior referendo popular, a forma de arregimentação dos magistrados. E seria salutar a adoção de órgãos colegiados em primeiro grau de jurisdição, de modo a reduzir os recursos às instâncias superiores.

Nos EUA e em 40 estados, os juízes e os procuradores em função de ministério público são eleitos por mandato com prazo determinado. Os federais, juízes e procuradores,  são escolhidos pelo Presidente da República, com investidura condicionada à aprovação do Senado.

A principal crítica ao sistema norte-americano de arregimentação de magistrados diz respeito à verificada ambição por cargos nos legislativos e executivos. Essa sanha carreirista, usado os cargo como trampolim,  prejudica a imparcialidade e gera atuação populista. Um exemplo: o procurador eleito por Nova York, Cyrus Vance,  mergulhou de cabeça, a partir de 14 de maio de 2011, no caso Dominique Strauss-Kahn, o priapista violento e então poderoso presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas, Vance se acovardou e , ao pedir o arquivamento do caso, recuou com temor de perder, num Júri, o prestígio e não realizar o seu sonho imediato de virar prefeito de Nova York, a exemplo do célebre e ex-procurador Rudolf Giuliani.

O sistema brasileiro de seleção, como regra, é o salutar concurso público, com participação da OAB. Nos Tribunais existe, como coisa nossa,  o chamado quinto constitucional, porta de acesso a advogados e procuradores aos tribunais superiores e a causar corrida a gabinetes de políticos a fim de obtenção de patrocínios às candidaturas.

No STF, a escolha é do presidente da República, com aprovação pelo Senado. Essa nossa corte de cúpula nasceu da idéia do imperador Pedro II de adotar o modelo da Corte Suprema dos EUA e isso só se efetivou na primeira constituição republicana.  O sistema europeu adota, nas Cortes Supremas, mandato não superior a quatro anos e impossibilidade de recondução. Por aqui, o ministro do STF só é obrigado a deixar a cadeira aos 70 anos ou por força de impeachment. Não está, como seria o ideal, sujeito ao poder correcional do CNJ. E até nepotismo já tivemos quando do governo Collor de Mello.

O sistema europeu privilegia o concurso público, mas, para as audiências de instrução processual e de julgamento, convocam-se jurados-leigos para decidir com número menor de magistrados concursados. Há, portanto, efetiva participação popular, enquanto o Brasil reserva ao cidadão atuação como jurado no Tribunal do Júri. Na Europa, o filósofo europeu da tripartição fundamental dos poderes não teve o prestígio logrado no Brasil. Na Itália, por exemplo, não existe o Judiciário como poder, mas os magistrados têm garantias e um Conselho a protegê-los de perseguições do primeiro-ministro e de parlamentares. Esse sistema é imperfeito, pois muitos  afastam-se temporariamente da Magistratura para concorrer a cargos políticos: não eleitos, voltam à função primeira.

Por evidente, uma reforma no Brasil deve atacar a morosidade na solução de litígios. Sobre o tempo de duração média processual, e de execução  para a parte lesada  receber o seu crédito, na Alemanha isso leva 394 dias. Na França, o julgamento definitivo de crédito contestado ocorre em 331 dias. No Brasil a duração do processo é longa e o pagamento, em casos de precatórios, pode levar uma eternidade.A crise do euro já identificou a morosidade judiciária como um dos entraves para o crescimento e a geração de empregos, com reflexo no produto interno bruto dos países. O Brasil, ainda não se deu conta disso e o Judiciário caiu na boca do povo.

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Estadão diz que PSDB convoca militantes para defender Alckmin

fevereiro 4th, 2012 by mariafro
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Não voto e faço oposição constante ao PSDB e acho inclusive que grande parte dos seus ‘líderes’ estão longe de ser boa praça.  Entretanto, mesmo que o possível candidato tucano bote dedo na cara de manisfestante e mantenha punho cerrado, que seu segurança espanque manifestante pacífico e o xingue de ‘japonês safado’ não dá pra atribuir ao partido a ação de militante estilo integralista como fez a chamada do Estadão.

Clique na imagem para vê-la ampliada

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