Maria Frô

ativismo é por aqui

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Olhares sobre o Brasil: a distância entre discurso e prática

julho 12th, 2010 by mariafro
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Abaixo as duas primeiras partes do documentário Lutas.doc.
Chama-me a atenção várias falas e suas contradições.

A fala da Soninha  é exemplar em termos de distância entre discurso e prática.

Seu discurso é perfeito: em síntese ela reconhece que as desigualdades no Brasil têm cor, os brancos pobres têm vantagens em relação aos negros pobres, explica que isso não é achismo, é fato que pode ser comprovado com estatísticas.

Minha pergunta é: por que a Soninha que tem este discurso no documentário faz parte do governo do partido dos Democratas em São Paulo?  Por que o seu próprio partido PPS faz, há algum tempo, aliança com os Democratas que é o partido com figuras como Demóstenes Torres que defende que as relações entre senhores escravocratas e mulheres escravizadas eram consensuais, argumento devidamente destruído pelo historiador Luis Felipe Alencastro.

Argumentos cínicos como os usados por Demóstenes alimentam as ações de seu partido  que se opõem a toda e qualquer política pública de ação afirmativa do governo Lula como as cotas, o Prouni  e outras. Recentemente o Demo com suas manobras descaracterizou o Estatuto de Igualdade Racial. Ora se Soninha acredita que a desigualdade racial tem cor, por que se alia àqueles que fazem de tudo para brecar ações políticas contra a reprodução da desigualdade racial?

Ficha técnica:
Direção: Daniel Augusto e Luiz Bolognesi
Direção de Fotografia: Mauricio Tibiriçá
Realização: Gullane e Buriti Filmes
Coprodução: Tv Brasil

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Navio Amalthea com ajuda humanitária se dirige para Gaza

julho 11th, 2010 by mariafro
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O governo sionista de Israel terá coragem de novamente atacar ajuda humanitária à Gaza? Acompanhemos

Navio líbio de ajuda humanitária navega para Gaza[1]

11/7/2010, PressTV, Teerã, 13:50:28

Tradução Coletivo: Vila Vudu

Um navio líbio está navegando rumo à Faixa de Gaza, apesar das ameaças de Telavive. A tripulação já declarou que carrega exclusivamente materiais de ajuda humanitária e que sua única preocupação é a grave situação em que vivem os palestinos em Gaza.

A viagem do navio Amalthea, que navega sob bandeira da Moldóvia, foi organizada pela Associação Internacional Gaddafi de Caridade e Desenvolvimento com sede em Trípoli e leva 12 tripulantes e 2 mil toneladas de materiais e produtos de ajuda humanitária, da Grécia à Faixa de Gaza.

O ministro israelense (sem pasta) Yossi Peled disse hoje que “Israel não permitirá que o barco atraque em Gaza” e ameaçou que qualquer tentativa de levá-lo até lá “terá muito graves conseqüências”. O ministro da Defesa de Israel Ehud Barak declarou que o movimento de ajuda humanitária seria “provocação desnecessária”.

Para Mashallah Zwei, organizador do movimento pró-palestinos, a viagem prosseguirá: “Vamos até Gaza e não alteraremos a rota.”

Zwei, que viaja no navio Amalthea, disse que a organização “não visa a qualquer tipo de confronto ou provocação.”

“Nosso único interesse é levar ajuda aos palestinos de Gaza”, disse ele. “Contamos com a solidariedade e o apoio da comunidade internacional, que nos ajudará a chegar até Gaza.”

Declaração do ministro da Defesa de Israel, contudo, divulgada ontem à noite, diz que “recomendamos que os organizadores ou permitam que o barco seja escoltado até o porto de Ashdot em Israel, ou naveguem diretamente para o porto de El-Arish (no Egito)”.

O ministro de Negócios Exteriores de Israel Avigdor Lieberman, simultaneamente, fez contatos com os gregos, para exigir que a Grécia force o navio a seguir a rota que Israel determinou. Um porta-voz do ministério de Relações Exteriores da Grécia Grigoris Delavekouras informou à PressTV que seu ministério “recebeu garantias da embaixada líbia, de que o barco ancorará no porto egípcio de El-Arish.”

Os esforços de Telavive para deter o barco de ajuda humanitária antes de que se aproxime de Gaza são efeito do desastre, dia 31 de maio, quando comandos israelenses atacaram a Flotilha da Paz, que também tentava levar ajuda humanitária até Gaza, matando nove cidadãos turcos que viajavam naquele comboio.

O ataque de Israel aos pacifistas lançou ondas de indignação por todo o mundo, e levou vários grupos a exigir investigação internacional que esclareça aqueles trágicos eventos.

Consequência da onda de indignação internacional, Telavive declarou que reduziria o bloqueio por terra que cerca os palestinos de Gaza, mas manteria sem qualquer alteração a vigilância naval e o completo bloqueio do litoral de Gaza.

Os palestinos que vivem em Gaza, dizem que a situação não melhorou em nada e que o bloqueio israelense continua, como antes, a privar de comida, combustível e outros artigos de primeira necessidade, os 1,5 milhão de palestinos de Gaza.


[1] Nota do COLETIVO DE TRADUTORES VILA VUDU: Para ler a notícia da Folha de S.Paulo sobre o mesmo fato (“Navio com ajuda líbia se recusa a mudar rumo e vai para Gaza”, da agência EFE, em Jerusalém), clique aqui . Ali se lê, por exemplo: “Israel impôs um ferrenho bloqueio a Gaza em junho de 2007, quando o movimento islamita Hamas assumiu o controle do território e expulsou os moderados ligados ao presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas. Recentemente, Israel suspendeu algumas das restrições por causa das pressões internacionais após a morte de nove ativistas turcos na abordagem militar em 31 de maio a uma frota de seis navios que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. Apesar do alívio do bloqueio, persiste o cerco terrestre, marítimo e aéreo à faixa, que Israel justifica com a necessidade de impedir que armas cheguem às milícias palestinas.”
É interessante ler as notícias lado a lado, para conseguir ver os aspectos que um e outro jornal destacam. A imprensa sempre tem lado. No Brasil, onde os grandes jornais (todos) só fazem repetir notícias de agências internacionais (e sempre DAS MESMAS), vivemos sob informação de segunda-segunda, pode-se dizer quarta, mão. E o lado, em todos esses casos, é sempre o lado de EUA-Israel. Assim se vê o quanto, e como, os grandes jornais brasileiros influenciam na deformação da opinião pública, no Brasil. Exatamente assim o público leitor de jornais – e quem lê jornais também é ELEITOR – no Brasil, vai sendo empurrado e mantido lá, para um dos lados das discussões políticas que se travam no mundo. Assim, exatamente, o público brasileiro leitor de jornais – e quem lê jornais também é ELEITOR – vai sendo exilado, posto e mantido à margem, das grandes discussões políticas do século 21.
Só na internet, graças ao trabalho de tradutores militantes não jornalistas, o Brasil pode ler, lado a lado, a opinião de Israel-EUA e a opinião, de viva voz, dos que defendem Gaza contra Israel (NTs) .

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Porque hoje é domingo

julho 11th, 2010 by mariafro
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‘Roubado’ do Carlos Emilio Faraco.

Cântico negro

José Régio

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista “Presença”, e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — “Poemas de Deus e do Diabo” (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

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Luis Nassif: Serra não administra nem a sua agenda

julho 11th, 2010 by mariafro
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Reproduzo do blog do Luis Nassif este texto contundente, que não carece de apresentações. Como se diz no bom twittês, se ainda não leu, LEIÃO! CORRÃO!

Por: Luis Nassif

10/07/2010

Conhece-se um bom gestor pela maneira como administra seu tempo. Quem não consegue administrar a própria agenda pode até ser bom estrategista, bom líder, mas gestor, definitivamente, não é.

Em dezembro descrevi o estilo Serra de gestão. Começava a trabalhar às 11 da manhã, geralmente fora do Palácio. Não mantinha reuniões periódicas com Secretários. Pouquíssimas vezes participou de reuniões inter-secretarias. Não tinha a menor idéia sobre o que cada secretaria estava produzindo – prova maior é o fato de, tendo a mais ampla exposição que a mídia já ofereceu a um governante, jamais ter conseguido passar a idéia sobre o que seu governo fazia. Suas libações noturnas provavelmente eram dedicadas a livros e filmes, dificilmente para estudar problemas administrativos do Estado.

Passou a imagem de bom administrador pelo estilo autoritário, de exigir providências – aliás, importante para quem administra a máquina pública. Mas nunca conseguiu organizar nem idéias, nem articular planos, nem dispor de acompanhamento das ações de secretários, para, aí sim, fazer exercer seu mando. E faltava algo fundamental para dar eficiência ao mando idéias claras para saber o quê e como decidir.

Quando ainda acreditava no potencial administrativo de Serra, sugeri que se inteirasse sobre planejamento estratégico, ferramentas de gestão. Sua resposta foi auto-suficiente, proporcional à sua insegurança interna: não preciso, porque faço acontecer. Quando encarar realidades mais complexas – respondi-lhe – você vai se perder.

Para ser um grande líder parlamentar – e Serra foi – bastava bons assessores acompanhando uma pauta restrita de assuntos e trazendo para ele o problema e a solução. Para gerenciar realidades complexas – como prefeitura e governo do Estado – não foi suficiente.

Mais: é absolutamente inseguro sobre sua capacidade de discernimento. Confrontado com qualquer evento que saia da rotina e que, principalmente, implique conflitos, trava. E não tem segurança sequer para juntar a equipe, ouvir as sugestões e arbitrar. Não soube como agir na greve da Polícia Civil, na crise da USP,  no episódio das enchentes (sumiu de cena, não se soube de uma reunião de coordenação comandada por ele), no lançamento da sua candidatura, na escolha do seu vice, na reação à crise econômica global e – pela matéria do Estadão – é incapaz sequer de definir previamente sua agenda de candidato.

Essa é a razão de jamais ter rompido com o fernandismo: sabia de sua incapacidade de andar pelas próprias pernas e, por isso, sempre se escorou na visão mais pragmática de FHC sobre estratégias políticas. Seus arrufos contra o mercadismo de FHC – chegou ao cúmulo de estimular uma CPI contra o Ministro da Fazenda Pedro Malan – era muito mais para conseguir cacife para se credenciar junto ao pai FHC.

Não pensar estrategicamente, não ter capacidade de escolha são características pessoais, que se tem ou não tem. Mas valorizar o planejamento é uma questão central. Não se exige de nenhum governante conhecimento prévio, qualidades pessoais de gestor. Mas exige-se que valorize o gestor e o planejamento.

No entanto, Serra manteve o desmonte de toda estrutura de planejamento do Estado, uma jóia criada antes dos anos 80, com instituições como Cepam, Fundap, Emplasa, o corpo técnico da DERSA, do Metrô, sendo submetidos ao sucateamento inexorável.

Ou seja, nesses seis anos como executivo, Serra comprovou não ser gestor (não administra), não ser líder (não definiu uma bandeira clara sequer para sua tropa), não ser planejador, não valorizar o planejamento e as boas práticas de gestão e muito menos ter vocação de estadista (ambição de mudar a natureza do Estado).

Nas mãos de governadores com visão – como Eduardo Campos, Paulo Hartung, Aécio/Anastasia, Marcelo Deda, Jacques Wagner – São Paulo não seria mais a locomotiva do país: seria o avião a jato.

Do Estadão

Agenda vira o maior segredo da campanha

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

ior segredo da campanha presidencial de José Serra (PSDB) não é mais o nome do candidato a vice. Tampouco o plano de governo. Mas, sim, a agenda de compromissos do tucano.

Viagens, visitas e a participação em eventos têm sido definidas com poucas horas de antecedência. E, quase sempre, sem a confirmação de que ele, de fato, irá participar do compromisso.

Diante da pressão de políticos, anfitriões e imprensa, a equipe de Serra passou a divulgar a “agenda prevista” do candidato – que, na realidade, é quase sempre incompleta e imprecisa.

Na quarta-feira, o candidato a governador pelo PSDB, Geraldo Alckmin, teve de palestrar por mais de duas horas no Conselho Regional de Enfermagem para segurar a plateia até que Serra chegasse. O evento estava marcado para as 14h30, mas a presença de Serra foi confirmada uma hora antes dele aparecer, às 17h30.

Na própria quarta, já circulava a informação de que Serra iria ao Rio. A confirmação veio três horas antes da viagem. A caminhada em Bangu estava marcada para as 13 horas. O tucano chegou às 16 horas. “Agenda é assim mesmo. Há anos que faço campanha e é assim”, disse a senadora Marisa Serrano (MS), que cuida da agenda do candidato.

Tucanos e integrantes da equipe dizem que é da personalidade de Serra definir o compromisso em cima da hora. Quando era governador, seus compromissos também eram divulgados pelo Palácio dos Bandeirantes com poucas horas de antecedência.

A senadora compila demandas e sugere a agenda em parceria com a assessora de Serra, Ieda Areias, que leva as informações ao tucano. E é ele quem dá a palavra final sobre os compromissos. A própria equipe do candidato recebe a informação em cima da hora. O time precursor, formado por cinco seguranças e assessor de imprensa, é muitas vezes acionado na madrugada.

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