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Chacina Tekoha Guaiviry: Testemunha diz ter visto ‘carro de chapa branca e fardados’

novembro 20th, 2011 by mariafro
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Sugestão de Leticia Bicicreta, via facebook

Testemunha envolve ‘carro de chapa branca e fardados’ em morte de líder indígena no MS
Pio Redondo, MidiaMax
18/11/2011

A reportagem do Midiamax entrevistou o filho de Nisio Gomes, líder indígena executado por um bando fortemente armado na manhã de ontem, 18/11, no acampamento Guarani-Kaiowá, que fica entre fazendas da região de Ponta-Porã e Amambai.
Valmir Gomes forneceu as mesmas declarações que à Polícia Federal de Ponta Porã, que são reproduzidas aqui. Ele afirma que alguns dos pistoleiros encapuzados que dispararam contra cerca de 520 índios tinham roupas com detalhes que lembravam militares. E uma das caminhonetes possuia chapa branca.

Além disso, o líder conta que três crianças foram sequestradas pelos bandoleiros, também paraguaios.

O assassinato do líder, que teve o corpo carregado pelo bando, que forma uma força paramilitar na região, teve repercussão nacional e internacional. Confira e ouça a gravação:


Transcrição:

Reportagem – Como começou o tiroteio?

Valmir -Nas 6.25 horas eu olhei do outro lado, eu vi umas sete pessoas. E no meio, o paraguaio chamado Paulo Recarte(?), ele é um camisa amarela, mesmo. Ai falou assim: “Depois quando chegaram ai no acampamento, “tiro, tiro, tiro” – falando assim. Aí que o pai já falou “tiro, tiro, tiro mesmo”… aí ficou doido meu pai, depois eu também, depois caiu o meu pai, mesmo.

R - Você viu o seu pai morto?

V – Mas viu, viu na minha cara mesmo, pegou talho na cabeça, outro na face e outro na perna – calibre 12.
R – Quem foi que atirou no seu pai?
V – O pistoleiro, mesmo. Tudo pistoleiro do fazendeiro, aí.
R – Eles são ligados a que fazendas?
V – Tem fazenda Chimarrão, Querência,tem Ouro Verde, também.
R – Depois que atiraram no seu pai, o que fizeram?
V – Depois que atiraram no meio pai aí, carregaram no Toyota Hilux, cor prata. Depois de colocar, falaram assim: “eu não falei pra matar”, falou assim aquele paraguai, na língua deles, falando em guarani, na língua deles, falando. Aí que o papai já estava na caminhonete, depois “queimaram o foguete”. Depois, seguimos atrás das caminhonete. Na última caminhonete, uma caminhonete Ranger, cor verde ou azul escuro,tinha um símbolo de “gavião” mesmo, um símbolo de gavião mesmo. Aquele homem igual que o oficial, oficial de quartel, mesmo. Ai outro vestiu de camisa de soldado, soldado mesmo, tem símbolo na (….) o chapeuzinho tem símbolo, mesmo, tudo lá. Escondeu as placas com papelão, só que uma caminhonete Ford Ranger é chapa branca, chapa branca.
R – E você já falou isso para a Polícia Federal? (de Ponta Porã)
V- Já, já falei a ocorrência com meu pai, na Polícia Federal.
R – Você acha que além do seu pai, tem mais vítimas?
V – Temos, temos, temos. Levaram uma menina de 12 anos, um rapaz de 12 anos, e uma criança de 5 aninhos.
R – Levaram como?
V -Levaram junto com o corpo do meu pai.
R – Na caminhonete?
V – Na caminhonete Hilux, cor cinza.
R – E essas pessoas estavam feridas?
V - Não, não estavam feridas, eles estavam chorando rodeando junto com o corpo do meu pai e aí pegaram.
R – Não apareceu até agora?
V – Até agora não apareceu mesmo, e o corpo do meu pai, eu queria ver o corpo do meu pai.
R – E eles atiraram no seu pai ou atiraram em todo mundo(cerca de 520 pessoas)?
V – Atiraram em todo mundo, só que não acertaram tava tudo no meio do mato, mesmo.
R – O que você vão fazer agora?
V – Agora eu vou juntar mais gente, a não vai sair mais.
R – E se esse povo vier de novo?
V – Se esse povo vem, ah.. agora que nós vamos fazer (.?..) tá ferrado, mesmo.
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Benedito Balão: Acho esse povo sabido, mas muito mal educado, vão pondo placas sem pedir licença

novembro 20th, 2011 by mariafro
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“Democracia não é pra nós, democracia é pra quem tem dinheiro” fala Zé Preto, morador ribeirinho sobre a chegada das obras de Belo Monte em Altamira.

Na fala dos moradores de Altamira vê-se que falta muita, mas muita informação por parte do governo federal. É como se os moradores não necessitassem de explicações.


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Espanha: A esquerda leiloada

novembro 18th, 2011 by mariafro
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Na Espanha, candidato que quer cassar direitos dos homossexuais é o favorito na eleições. Os indignados não vêem perspectivas no cardápio eleitoral que lhes está sendo oferecido. Será que os partidos de esquerda do restante do mundo (incluindo os do Brasil) aprenderão alguma lição com o PSOE e vão parar de vender suas bandeiras por bagatela? Acompanhemos.

A Espanha, nas eleições de domingo, está entre a direita e a direita. Por mais o PSOE busque recuperar o discurso, seus porta-vozes de hoje estão afônicos. Mas a Espanha não é um caso isolado. A esquerda está nas ruas, com os indignados do mundo inteiro, mas sem líderes, sem projetos e sem programas.
DEBATE ABERTO
Entre a direita e a direita
Por: Mauro Santayana, Carta Maior
18/11/2011

Nos meses fervilhantes de 1963, que antecederam o golpe militar, eu subia, com os professores de direito e homens públicos Edgard da Matta Machado e Alberto Deodato, a Rua da Bahia, eixo político e social de Belo Horizonte. Deodato, sergipano, que vivia em Minas desde moço, era advogado de latifundiários, assumia a sua posição de direita e convivia, com amabilidade, com pessoas de esquerda, como éramos Edgard e eu. De repente, ele, bem humorado, parou e comentou que contrariava a lógica e a física: como caminhava entre nós dois, estava entre a esquerda e a esquerda.

A Espanha, nas eleições de domingo, está entre a direita e a direita. Por mais o PSOE busque recuperar o discurso, seus porta-vozes de hoje estão afônicos: os sonhos de Pablo Iglesias, o fundador do socialismo espanhol, foram varridos pela timidez de Zapatero e seu grupo. Mas a Espanha não é um caso isolado. A esquerda está nas ruas, com os indignados do mundo inteiro, mas sem líderes, sem projetos e sem programas. Mesmo que os indignados espanhóis quisessem, não teriam em quem votar. Em seu desconsolo, tanto faz sufragar Rubacalba quanto Rajoy. Por isso mesmo espera-se a vitória do conservador, por ser uma alternativa ao que já se conhece.

O bipartidarismo de fato, que muitos admiram e querem, fecha o passo a terceiras idéias e novas personalidades. Desde a eleição de Felipe González que os socialistas buscam o acomodamento na Espanha. Naquele momento, a tática da moderação era necessária. É de se recordar que, nos debates no Parlamento, para a aprovação do nome do então jovem advogado andaluz como chefe de governo, em outubro de 1982, o chefe de fila da direita, Manuel Fraga Iribarne, comentou que Felipe aparecia na arena como un toro afeitado, ou seja, um touro com os chifres serrados, com discurso apaziguador. Mas Fraga advertiu que fora um touro de chifres aparados que matara o famoso toureiro Manolete em 1947, em Liñares.

Felipe foi um bom governante, na garantia das liberdades públicas, mas se manteve tímido na frente econômica, sem avançar sobre os Acordos de Moncloa, negociados pelo seu predecessor Adolfo Suarez. Os endinheirados, que vinham de Franco, mesmo que hajam cedido um pouco, continuaram governando de fato o país, mediante os bancos e as grandes corporações.

Essa falta de ousadia e outros equívocos levaram a direita a tomar o poder, em 1996, com Aznar, saudoso do franquismo e vassalo fiel de Washington. Ele ficou famoso pelo seu atrevimento ao tratar a América Espanhola como nos séculos 16 e 17, quando no auge do Império colonial.

Como é sabido, Aznar chegou a telefonar para o presidente argentino Eduardo Zuhalde, ordenando-lhe, com grosseria, que acatasse as exigências do FMI.

Zapatero começou com algumas esperanças, ao reduzir a submissão a Washington, ao retirar o grosso de suas tropas do Iraque, mas, pouco a pouco, foi aceitando as pressões, internas e externas, associando-se aos banqueiros e às corporações empresariais.

Desviando recursos recebidos da União Européia, financiou a compra de empresas estatais e privatizadas na América Latina – incluído o Brasil – em continuação à política neoliberal da direita. Com isso, ao não usar os recursos no próprio país, contribuiu para a grave crise econômica atual. A um sucedâneo da direita, que era o seu governo, os eleitores indecisos preferem o original, e votam agora em Rajoy. O mesmo fenômeno pode ocorrer na Europa, nos poucos países em que governos de centro e centro esquerda detêm o poder.

Mas muitos dos desiludidos dos partidos tradicionais, que agravaram a situação de desemprego, vão mais à direita e procuram os partidos racistas como alternativa. Há, assim, a rearticulação dos nazistas e fascistas, com seu ódio contra os estrangeiros, como ocorreu há dias na grande manifestação da ultra-direita em Varsóvia. O massacre da Noruega é uma séria advertência que os governantes estão desprezando.

Há, no entanto, duas possibilidades de que o centro-esquerda ganhe os pleitos futuros: a França, desanimada de Sarkozy e de seus crimes na Líbia; e a Alemanha de Angela Merkel, cuja política, ainda que bem sucedida em termos econômicos, dá sinais de fadiga.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

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Laíssa, ex-catadora, entrou na USP!

novembro 17th, 2011 by mariafro
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As voltas da vida: a ex-catadora e a usp

Por: Joelma do Couto

A exclusão neste mundo é tamanha que quando digito ex-catadora o world muda para “excitadora” e me dá outras opções, ex-saltadora, exaltadora, parece engraçado não fosse trágico. Noutro dia num evento promovido pelo vereador Ítalo Cardoso sobre o plano municipal de resíduos sólidos na Câmara Municipal de São Paulo, a representante da LIMPURB, órgão responsável pela coleta seletiva na cidade disse a seguinte frase: “é bom que os catadores participem dos eventos da cidade, assim eles ficam conhecidos, (como se não fossem) tem gente que acha que o lixo que coloca na porta de casa, desaparece por abdução, eles não sabem que são os catadores que levam o reciclável embora.” O Eduardo, do Movimento Nacional dos Catadores presente na mesma mesa, quase infartou. Imaginem a reação do restante da plateia formada na sua maioria por catadores de todo cidade? Se a cidade não conhece os catadores, mesmo depois de mais de 60 anos da existência destes profissionais, porque o world teria a obrigação de conhecer? O que ela não explicou, por exemplo, é que durante a Formula 1 a prefeitura gasta milhões na pista, mas, até onde fiquei sabendo, os catadores não ganharam nem uma marmitex com arroz, feijão e ovo. Bem se eles são ETs, talvez tenham um outro tipo de alimentação diferente da nossa… ou gostem do lanchinho.

Voltando a catadora, agora ex-catadora, se o world me permite; vou mais uma vez falar da Laíssa, nossa Lalá. Pra quem não leu http://mariafro.com.br/wordpress/2010/12/10/historias-de-superacao-catadora-na-universidade-que-venham-muitas-laissas/

Laíssa é uma menina de 19 anos que nasceu pobre, favelada, negra, com uma irmã deficiente e que, por ainda não estar satisfeita com todos os estereótipos e preconceitos que poderia esta família viver, a mãe, Mara, adotou mais 14 crianças, têm uma obesa também, aqui não falta problema!! Mas, sobra amor e dedicação.

A família de Mara não é formada por letrados, muito pelo contrário, Laíssa foi à primeira da família a entrar na universidade. Em dezembro de 2010 ela se matriculou em uma universidade particular. Tinha muito medo, não foi fácil encarar, mas encarou e já de cara ouviu professor dizendo que usava catador pra ganhar dinheiro. Bem, pelo menos este conhece os catadores.

Nas voltas da vida Lalá conheceu Nara, uma estudante da UNESP de Ourinhos. Nara e Lalá logo se tornaram grandes amigas. Mara a mãe de Lalá e presidente da Cooperativa de Catadores da Granja Julieta até tinha uma pontinha, pra não dizer pontona de ciúmes quando Lalá dizia que a cooperativa de catadores de Ourinhos era o máximo, linda e que a Nara e seus amigos da incubadora da UNESP faziam um trabalho maravilhoso. Achava que a filha exagerava até que ela própria viu o trabalho daqueles estudantes com seus próprios olhos e a partir daquele momento passou a admirá-los. Mas, a participação de Nara vai além nesta história. Ela começou a estimular a Laíssa a lutar por uma vaga na universidade pública.

Passado o susto de ouvir o que ouviu do professor, nas idas e vindas de Ourinhos, Laíssa viu-se inscrevendo para concorrer a uma vaga na incubadora da USP. Entre cerca de 140,150 inscritos somente ela e mais dois estudantes foram contratados pela incubadora. A menina desbancou estudantes de grandes universidades, até mesmo da USP.

Alegria imensa, tudo de bom, mas, pra pagar a universidade Lalá trabalhava na cooperativa e ganhava cerca de 900,00 reais por mês, agora na USP ganharia bem menos e não teria como bancar as despesas, alimentação, mensalidade, passagem….Irônico né, com status, sem dinheiro.

Foi então que ela me procurou bem envergonhada e disse:”Jô, o que você acha de eu tentar me transferir pra USP? Hoje é o último dia para inscrição.”

“O que você está esperandoooo?”

Não tenho 100,00 pra pagar a inscrição…….

Resolvido o problema da inscrição, recebi um email com a lista de livros que repassei para alguns amigos queridos da Agenda 21,uma certa blogueira suja que publicou não bastasse a lista de livros que a menina tinha ler quanto os que não precisava.

http://mariafro.com.br/wordpress/2011/07/15/mocada-da-area-de-biologicas-gestao-publica-deem-uma-forca-para-a-lassa/

Feito, um mutirão pro Lalá. Livros foram enviados, muita gente suja colaborou. Laissa não sabia de nada estava trabalhando na construção de casas com o ONG Um Teto para Meu País. Quando chegou ficou emocionada com os muitos emails. Carlos Henrique, professor universitário, e consultor do Ministério do Meio Ambiente foi pessoalmente a cooperativa levar alguns livros, que foram fundamentais para Laíssa.

Não preciso contar que ela passou em 4º lugar, agora é uma Uspiana, a partir de 2012 é na USP Leste que Laíssa estudará, continuará seu curso de gestão ambiental.

A Agenda 21 de Santo Amaro homenageou Laíssa no lV Encontro das Agendas 21 da Macro Sul de São Paulo, quer que esta homenagem seja um estimulo aos jovens como ela e também uma justa homenagem ao seu esforço e de sua mãe.

Laíssa estudava o tempo todo, começava as 4h da madrugada, de domingo a domingo tentando buscar um tempo perdido nas salas de aula de um sistema público de ensino que não visa colocar jovens como a Laíssa na universidade pública.

Não sei se feliz ou infelizmente Laíssa chega a USP num clima de guerra, repressão, truculência, mas sei que ela sempre viveu a truculência da polícia, a guerra pela sobrevivência e a repressão do Estado. Quem vive na favela sabe bem o que é uma invasão, mas, também sabe lutar e a menina Laíssa o sabe.

Laíssa como ela mesmo diz “tem a cor de seus bisavós que nasceram negros”, tem a cor da luta pela liberdade e se preciso for, lutar por uma universidade livre ela lutará. Lutar para que outros jovens como ela tenham as mesmas oportunidades que jovens de classe média tem, ela lutará.

Em sua breve vida como membro da incubadora de resíduos ela já tem fortes laços de amizade e companheirismo, está aprendo e levando o que aprendeu para a cooperativa e para a periferia. Está ensinando na incubadora o que a vida lhe ensinou a duras penas, e assim sendo, fazendo revolução.

Se a USP é para quem tem dinheiro para ir pra Disney e estudar em colégio particular caro, um prêmio, para as Laíssas da vida é oportunidade de virar o jogo e mudar o país.

Só avisando, na casa dela tem 12 Laíssas e mesmo assim a cooperativa de catadores da Granja Julieta será transferida para a Capela do Socorro. A prefeitura de São Paulo não acha que gente como ela, a mãe e os irmãos sejam dignos de trabalhar no bairro da Granja Julieta.

Parabéns Laíssa, nós nos orgulhamos muito de você.

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