Não à terceirização

Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Aos ‘indignados’ da Tucanolândia, que tal marchar contra o “higienismo social do Terceiro Reich”?

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

A dica da matéra foi do Beto Mafra, via twitter. Numa cidade governada por um prefeito de práticas higienistas o que se poderia esperar dos grupos sociais que o apóiam?

Destaco a fala do  promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes que processará essa gente nada solidária:

“É de provocar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade. A ideia – ou que ocupa o que deveria ser o seu lugar – associando pobreza e criminalidade e violência não tem guarida teórica e ética”, escreveu. “Esse pedido é muito revoltante”

Atualização:  O professor Carlos Emilio Faraco me mandou esse link da CBN. Nele podemos ouvir alguns depoimentos. Tem um morador de Pinheiros que diz com todas as letras que as pessoas em situação de rua são ‘lixo’.

São Paulo é uma cidade que está doente, uma doença social chamada preconceito de classe, de raça, de origem regional. São Paulo precisa urgentemente de uma dose de cidadania.

Promotor vê nazismo em ação contra abrigo

Por: DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI – O Estado de S.Paulo

14/10/2011

Comerciantes e moradores de Pinheiros não queriam albergue em área residencial; caso foi parar na Delegacia de Intolerância Racial

Em um pedido com 1,2 mil assinaturas levado ao Ministério Público Estadual (MPE) no dia 29, moradores de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, tentavam impedir que um albergue para moradores de rua no bairro fosse transferido para uma área residencial mais nobre da Rua Cardeal Arcoverde. Mas o efeito foi inverso. Ontem, o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes comparou a iniciativa às tomadas na Alemanha nazista.

Lopes indeferiu o pedido e enviou os nomes de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais de Delitos de Intolerância (Decradi). Todos serão alvo de inquérito por intolerância social, prevista na Constituição (art. 5.º, inciso 41).

“É de provocar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade. A ideia – ou que ocupa o que deveria ser o seu lugar – associando pobreza e criminalidade e violência não tem guarida teórica e ética”, escreveu. “Esse pedido é muito revoltante”, disse ele ontem ao Estado.

O abaixo-assinado foi organizado por comerciantes e moradores de Pinheiros e se posiciona contra a mudança do albergue Cor da Prefeitura que hoje funciona no número 1.968 da Rua Cardeal Arcoverde, mas está prestes a ser transferido ao 3.041 da mesma rua – um trecho mais nobre e residencial, entre as Ruas Simão Álvares e Deputado Lacerda Franco. O local oferece melhores condições para o funcionamento do centro e tem mais quartos, segundo o governo municipal.

Mas, segundo o que os vizinhos do novo endereço relataram ao MPE no pedido de intervenção contra o albergue, “o comércio possivelmente não vai sobreviver, uma vez que a população local será acuada em suas residências e os visitantes de outros bairros vão nos trocar por centros comerciais mais tranquilos”. Eles também reclamam de constantes ataques de cachorros de moradores de rua contra “crianças e idosos”. Até um boletim de ocorrência de 2006 com um desses supostos ataques foi anexado no abaixo-assinado.

Ana Arlene Carvalho, relações públicas e síndica de um prédio do bairro, reagiu com indignação à comparação feita pelo promotor. “Então bota os sem-teto na porta da casa dele. Será que ele aceita?” Ela negou que exista preconceito contra os sem-teto e afirmou que colabora frequentemente com um albergue da região do Brás, no centro.

A comerciante Joacy Sant’Anna Lui, de 57 anos, diz que já teve problemas com um albergue que funcionou perto dali durante a gestão Marta Suplicy (PT), entre 2001 e 2004. “Um dia acharam um corpo de uma pessoa dentro de um freezer nesse albergue. Você acha isso uma coisa normal? Eu não acho.” Segundo ela, um local alternativo para a implantação do albergue fica próximo da Subprefeitura de Pinheiros, na Rua Sumidouro. “Essa região está cheia de galpões vazios. Eles poderiam colocá-los lá.”

Leia também:

Câmara de São Paulo aprova o dia da Ogrice

Morumbi versus Paraisópolis: “Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga”

E a gente diferenciada mostrou seu valor

Eu sou diferenciado… Esse metrô é inapropriado… Pra quem?

Humor: Depoimento de higienopolense sobre a ‘gente diferenciada’

Em Sampa até artista de rua é caso de polícia

Higienismo fascista em Sampa: mendigos literamente serão desinfetados

“Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho…”

De onde vem tanto ódio?

________
Publicidade

Tags:   · · · · · · · 4 Comments

Leandro Fortes: Quem espalhou nos camarins tucanos que maquiagem esconde intenções?

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

O Facebook do Leandro Fortes é um dos espaços mais impagáveis da facetosfera.
Sobre o programa do PSDB (me recuso a reproduzir aquele sonífero aqui no Maria Frô, vai lá no Renato Rovai e veja se tiver tempo e paciência), Fortes escreveu:

O discurso de FHC foi uma lástima. A fala de José Serra, uma ode ao ressentimento. Aécio Neves, como já se percebeu, é mais ensaiado que coreografia de jazz. Todos, é claro, batendo na corrupção, esse monstro que junta milhões nas ruas. Mas o que me chamou mesmo a atenção no programa do PSDB na televisão foi o excesso de pó-de-arroz nas caras de Sergio Guerra e Álvaro Dias! Quem espalhou nos camarins tucanos que maquiagem esconde intenções?

Há vários comentários engraçados, gerados a partir da analise jocosa de Fortes, mas este aqui é campeão:

A última vez que tantos políticos juntos estiveram tão pesadamente maquiados foi na corte do Rei Luís XV, quando o protocolo obrigava ao uso de perucas, pó de arroz, batom e a um perfume para cada dia da semana. (Ricardo Miranda Filho)

_________
Publicidade

Tags:   · 1 Comment

Assine a petição online para que os direitos do consumidor não acabem por causa da Copa de 2014

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

Um país soberano mantém suas leis e defende os direitos garantidos de seus cidadãos, FIFA, ponha-se no seu lugar!

Pelo CDC, Estatuto do Idoso e meia-entrada

Do site do PróTeste

03.10.2011

Assine a petição online para que os direitos do consumidor não acabem por causa da Copa de 2014.

A PROTESTE Associação de Consumidores está em campanha captando assinatura num abaixo-assinado online para impedir que se aproveite a Copa de Mundo de 2014 para enfraquecer o Código de Defesa do Consumidor e para acabar com direitos como o da meia-entrada para estudantes e idosos. Acesse o link e participe dessa mobilização.

Assine a petição eletrônica, que será enviada às autoridades brasileiras em todos os níveis para barrar essa ameaça, antes que os direitos do consumidor acabem não somente na Copa de 2014, mas para sempre.

Para a entidade a ‘Lei Geral da Copa’ é um absurdo jurídico e legislativo, uma vez que um país soberano não tem de alterar seu arcabouço legal para fazer a vontade da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Suspender a vigência do CDC durante o período da Copa de 2014 é um ato de submissão e servilismo que nos envergonharia e nos colocaria de joelhos frente a uma federação de futebol que não prima pela lisura em suas atividades, haja vista o noticiário esportivo mundial.

Meia-entrada, por exemplo, embora não seja regida por lei federal, é um direito adquirido, por meio da Medida Provisória nº 2.208, de agosto de 2001. Não é um favor nem uma liberalidade de estabelecimentos de entretenimento, como cinemas e casas de espetáculo.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, espertamente, disse que, na inexistência de lei federal, a situação será regida pelas leis estaduais, lavando as mãos.

A aprovação da lei, como atualmente está redigida, representaria um retrocesso nos direitos conquistados por todos consumidores brasileiros.

Serão permitidas vendas casadas, como a compra de ingressos condicionados a pacotes turísticos, fim do direito de arrependimento, arbitrariedade nos critérios de reembolso e a possibilidade de venda de ingressos sem direito à meia entrada”.

O artigo 32 do projeto, que tramita na Câmara e Senado, estabelece que caberá a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a fixação do preço dos ingressos, o que dá margem a suspensão da meia-entrada.

A Lei Geral da Copa também prevê que a Fifa será a única responsável pelos “critérios para cancelamento, devolução e reembolso de Ingressos, assim como para alocação, realocação, marcação, remarcação e cancelamento de assentos nos locais”.

Caberá, também, exclusivamente à entidade que controla o futebol mundial modificar datas, horários ou locais dos eventos, desde que seja concedido o direito ao reembolso do valor do Ingresso ou o direito de comparecer ao evento remarcado.

A meia-entrada garante a todo estudante pagar a metade do valor do ingresso em eventos culturais e esportivos em qualquer parte do território brasileiro. Ela deve ser vendida para estudante regularmente matriculado em qualquer instituição de ensino fundamental, médio ou superior, mediante apresentação do documento de identificação da escola, atualizado e válido.

Na ausência de informação sobre o período letivo na carteira de estudante, o aluno deve comprovar, por meio de documento, que está regularmente matriculado.

Também tem direito ao desconto o idoso que comprove ter 60 anos ou mais, pela apresentação da carteira de identidade. Professor da rede pública também pode se beneficiar da meia-entrada com a apresentação da carteira funcional, emitida pela Secretaria da Educação.

Enquanto houver ingressos nos locais de venda, a meia-entrada deve ser comercializada sem restrições de local, meio e horário de venda, tipo de acomodação e número de ingressos disponíveis para a partida.

Também será direito exclusivo da Fifa decidir se venderá os ingressos de forma avulsa ou conjuntamente com pacotes turísticos ou de hospitalidade. Ou seja, haverá venda de ingressos vinculada a compra de pacotes turísticos, com hospedagens em hotéis, e passagens aéreas.

_________
Publicidade

Tags:   · · · · 2 Comments

Meu conselho ao pessoal de Occupy Wall Street: Peguem os banqueiros pelo ponto que mais dói

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

Meu conselho ao pessoal de Occupy Wall Street:: Peguem os banqueiros pelo ponto que mais dói

Matt Taibbi, Revista Rolling Stones (ed. 27/10/2011) Tradução: Vila Vudu

12/10/2011

Já estive duas vezes, até agora, em Occupy Wall Street, e adoro aquilo lá. Os protestos que começaram na Praça Liberty e já se espalharam por toda a parte baixa de Manhattan são importantíssimos, resposta lógica ao Tea Party e dedo bem dado à cara da elite financeira. Os manifestantes escolheram o alvo certo e, pela recusa a deixarem a praça desde o primeiro dia, também a tática correta, mostrando ao grande público que o movimento contra Wall Street tem pique, decisão e, a cada dia, ganha mais apelo popular.

Mas… há um mas. E, para mim, é uma coisa pessoal profunda, porque essa questão de combater a corrupção que Wall Street gera é causa à qual dedico minha vida há anos, e é difícil para mim não ver qualquer ação de Occupy Wall justamente na direção em que o movimento pode ser melhor e mais eficaz. Penso, por exemplo, que os bancos devem ter-se rejubilado secretamente nos primeiros dias de protesto, certos de que haviam vencido o primeiro round da guerra pela opinião pública.

Por quê? Porque depois de uma década de roubo sem paralelo, de corrupção como jamais se viu no mundo, com dezenas de milhões de norte-americanos passando à categoria de sem teto e famintos, graças aos preços da comida artificialmente inflados, e com outros milhões de norte-americanos despejados de suas casas pela corrupção no mercado imobiliário, as manchetes de jornais durante a primeira semana de protestos contra o setor financeiro e de serviços foram dignas de revistinha de colégio de meninas.

Na minha opinião, isso diz muitíssimo sobre o desafio inicial de opor-se à hidra de 50 cabeças da corrupção pelos banqueiros de Wall Street, porque é extremamente difícil explicar os crimes da moderna elite financeira num infográfico simples.

A essência desse tipo específico de poder oligárquico é a complexidade e a invisibilidade no dia a dia. Seus piores crimes, do suborno e tráfico de influência à manipulação do mercado, do domínio sobre o governo político, comandado dos bastidores, à usurpação da estrutura regulatória que se faz dentro dos parlamentos, nada disso pode ser visto pela opinião pública, nem é noticiado pela televisão. Não haverá a foto icônica da menina com o corpo queimado por napalm, com Goldman Sachs, Citigroup ou Bank of America. – Só há 62 milhões de norte-americanos com zero na conta poupança, ou ainda devendo dinheiro, coçando a cabeça e sem entender para onde foi o seu dinheiro sumido e por que os seus votos parecem valer menos e menos, e cada vez menos, a cada ano.

Mas não importa. Façam o que fizerem, sempre apoiarei Occupy Wall Street. E acho que a estratégia básica do movimento – construir grandes números e não abandonar a praça, em vez de prender-se a um ou outro conjunto fechado de princípios – fez e continua a fazer pleno sentido. Mas aproxima-se rapidamente o momento em que o movimento terá de oferecer solução concreta aos problemas criados por Wall Street. Para fazer isso, precisarão de uma lista curta, mas potente, de reivindicações. Há milhares, mas sugiro que o movimento concentre-se em cinco:

1. Quebrar os monopólios. As cinco grandes empresas financeiras, chamadas “Grandes Demais para Quebrar” – também chamadas, mais precisamente, de “Instituições Sistemicamente Daninhas” – são ameaça direta à segurança nacional. Estão acima da lei e acima das consequências de mercado, o que as torna mais perigosas e imperscrutáveis que mil máfias reunidas. Há cerca de 20 dessas empresas nos EUA – e têm de ser desmontadas. Bom começo nessa direção seria rejeitar a ‘Lei Gramm-Leach-Bliley’ [ing. Gramm-Leach-Bliley Act[1]] e ordenar a separação das empresas de seguros, bancos de investimento e bancos comerciais.

2. Que eles paguem pelos próprios ‘resgates’. Uma taxa de 0,1% de todos os negócios de ações e bônus e uma taxa de 0,01% de todos os negócios com derivativos gerariam dinheiro suficiente para devolver aos contribuintes o que nos foi roubado nos ‘resgates’, e ainda sobraria muito para combater os déficits que os bancos alegam que tanto os preocupam. Ajudaria a conter a caça sem fim a lucros instantâneos através de esquemas de negócios internos como High Frequency Trading, e forçaria Wall Street a voltar ao negócio que se espera que seja seu meio de vida, i.e., fazer investimentos decentes em empresas que gerem empregos e ajudá-las a crescer.

3. Nada de dinheiro público para lobbies privados. Uma empresa que recebe ‘resgate’ público não pode ser autorizada a usar o próprio dinheiro dos contribuintes para pagar lobbies contra os contribuintes. Você pode ou mamar nas tetas do estado ou influenciar a eleição do próximo presidente, mas não poderá mais fazer as duas coisas. Caiam fora e deixem o povo eleger livremente o próximo presidente e o Congresso.

4. Taxem os jogadores da jogatina dos fundos hedge. Para começar, temos de repelir imediatamente o corte de impostos obsceno e indefensável, que permite que titãs dos hedge funds como Stevie Cohen e John Paulson paguem impostos de apenas 15% dos bilhões que ganham na jogatina financeira, enquanto cidadãos norte-americanos comuns pagam o dobro disso por ensinar crianças ou apagar incêndios. Desafio qualquer político a levantar-se para defender esses buracos da lei, em ano eleitoral.

5. Mudar o modo como os banqueiros são remunerados. Temos de ter leis que impeçam que executivos de Wall Street recebam bônus por encobrir negociatas que, mais cedo ou mais tarde, sempre explodem na nossa cara. Tem de ser assim: você faz um negócio, compra ações de empresas que você poderá revender em dois ou três anos. Assim, todos serão obrigados a investir na saúde financeira das próprias empresas, no longo prazo – e fim dos Joe Cassanos embolsando bônus multimilionários, só porque destruíram as AIGs do mundo.

Citando o imortal filósofo político Matt Damon de Cartas na Mesa[2], “a chave para pôquer sem limite é obrigar um homem a tomar decisões que envolvem todas as suas fichas.” A única razão pela qual os Lloyd Blankfeins e Jamie Dimons do mundo sobrevivem é que jamais são forçados, pela imprensa ou pela lei ou seja por que for, a pôr todas as suas cartas na mesa. Se Occupy Wall Street pode fazer isso – se pode falar ao mesmo tempo aos milhões de norte-americanos que os bancos reduziram à miséria e converteram em sem-tetos e desempregados – então, sim, há chance de que construa movimento massivo, de base. Só precisa meter um fósforo aceso no ponto certo, e lá estará o apoio popular para reformas reais – não depois, mas já, imediatamente.

NOTAS

[1] A Lei Gramm–Leach–Bliley Act (GLB), também chamada “Lei de Modernização dos Serviços Financeiros”, de 1999 (Pub. L. No. 106-102, 113 Stat. 1338, aprovada dia 12/11/1999) é lei aprovada pelo Congresso dos EUA (legislatura 1999–2001). Foi sancionada pelo presidente Bill Clinton e rejeitou parte da Lei Glass–Steagall (‘Lei da Prudência Bancária’) de 1933, abrindo os mercados para bancos e empresas de seguros. A Lei Glass–Steagall proibia que uma instituição atuasse em qualquer tipo de combinação como banco de investimento, banco comercial e empresa de seguros (mais, sobre isso, aqui ) [NTs].

[2] Rounders, filme de 1998. O personagem de Matt Demon é jogador que abandonou o pano verde, mas tem de voltar a jogar pôquer de apostas altíssimas, para ajudar um amigo perseguido por agiotas (mais aqui) [NTs].

_____________
Publicidade

Tags:   No Comments.