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“Que as marchas façam alusão corajosa aos corruptores da iniciativa privada, aos sonegadores…

outubro 13th, 2011 by mariafro
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Dica do leitor @Caldascda, via twitter.

“Que as marchas façam alusão corajosa aos corruptores da iniciativa privada, aos sonegadores, aos esquemas de lavagem de grana, à evasão de divisas por parte de igrejas. Que as marchas tratem da corrupção no judiciário, no Ministério Público, no Tribunal de Contas da União, nas polícias e também da corrupção praticada pelo cidadão comum, sobretudo aquele que quer privilégios e não direitos. Que as marchas abordem a corrupção em sua complexidade, sem restringí-la a governos ou partidos.”

Jean Wyllys explica por que é contra a corrupção de verdade

Por: Jean Wyllys, Deputado Federal (PSOL/RJ) em seu Blog

13/10/2011

O feriado de Nossa Senhora da Aparecida, padroeira do Brasil, foi marcado por manifestações organizadas pelas redes sociais que levaram milhares de brasileiros às ruas para protestar contra a corrupção.

Apesar de iniciativas como essas mostrarem que a população brasileira não está mais disposta a aceitar os abusos advindos da corrupção sem se manifestar – um despertar político que já passou do prazo – me intrigam algumas análises e a maneira como a sociedade extravasa sua indignação nesses protestos.

Desconfio, por exemplo, de quem trata a corrupção como se fosse problema de UM governo: justamente daquele a que a velha mídia se opõe, pautando ela assim a sociedade.

Podem e devem acontecer quantas marchas se fizerem necessárias, mas enquanto essas tratarem a corrupção como sendo problema de governos apenas e continuarem achocalhando dizeres como “só há dois tipos de políticos: os corruptos e os coniventes”, a legitimidade de manifestações populares tão importantes e necessárias como essas se perde na superficialidade de como o tema da corrupção é tratado.

Se dependesse de mim jamais haveria bandeira de partido algum em marcha que quer restringir a corrupção a governos, lembrando que “apartidária” não pode – nem deve – ser sinônimo de “alienada”, “inocente útil” e “sem discernimento”.

Que as marchas façam alusão corajosa aos corruptores da iniciativa privada, aos sonegadores, aos esquemas de lavagem de grana, à evasão de divisas por parte de igrejas. Que as marchas tratem da corrupção no judiciário, no Ministério Público, no Tribunal de Contas da União, nas polícias e também da corrupção praticada pelo cidadão comum, sobretudo aquele que quer privilégios e não direitos. Que as marchas abordem a corrupção em sua complexidade, sem restringí-la a governos ou partidos.

E que a militância virtual continue se articulando para transpor a indignação de todos e todas para um plano real onde um Brasil sem corrupção não seja apenas um ideal quimérico.

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O Liberal repercute a nossa campanha na rede pra ajudar Moisés

outubro 13th, 2011 by mariafro
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Sobre  a campanha lançada aqui: Pára tudo gente! Bóra fazer uma vaquinha pra este menino lutador? reproduzida pela Vera Paoloni, aqui, e a repercussão no jornal O Liberal, abaixo.

Ainda espero os dados da família de Moisés para abrir a vaquinha e outros dados que conseguimos levantar . Faço um apelo público ao repórter fotográfico, Tarso Sarraf para que nos ajude, enviando os dados.

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Humor: Aos meus amigos neocansados

outubro 13th, 2011 by mariafro
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Nestes tempos de ‘marcha soldado cabeça de papel’, no qual o esvaziamento de sentido de conceitos caros a nós como ‘combate à corrupção, liberdade de expressão e censura’, bandeiras historicamente progressistas que estão virando nada na boca de gente que nunca teve qualquer compromisso com isso, vale ler a reflexão do Leandro Fortes e depois ver um recadinho aos neocansados que marcham alegremente sem saber pra onde:

“Quando digo “golpe”, no caso do oportunismo generalizado em relação a essa onda de marchas neoudenistas, não significa que estou falando de golpe de Estado. É golpe no sentido de que, esgotada a possibilidade da disputa política jogada no campo ético, da legalidade, parte-se para a manipulação pura e simples de um conceito. Ora, o que é uma marcha contra a corrupção? Nada, a não ser uma oportunidade de manifestação legitima. É como uma marcha contra a infelicidade. Vai reunir milhões, mas não vai atender ao essencial, que é de nos apontar quem, afinal, nos faz infeliz.”
Leandro Fortes, via Facebook


PS. ao menos este Patrick só estava brincando :)

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“No Brasil, desde o “Cansei!”, a imprensa tenta dar alguma credibilidade a manifestações esparsas contra a corrupção”

outubro 13th, 2011 by mariafro
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PROTESTOS CONTRA A CORRUPÇÃO: Entre a balada e a revolta

Por Luciano Martins Costa, na edição 663, programa radiofônico do OI

13/10/2011

Apesar do esforço da imprensa brasileira, as manifestações contra a corrupção, que pipocaram no feriado da quarta-feira (12/10) por várias cidades do país, não chegaram a empolgar. As fotografias nas primeiras páginas dos jornais, mostrando jovens de classe média com o rosto pintado, estão mais próximas de uma “balada” do que de expressar sinais de revolta.

Por outro lado, apesar do descaso inicial da imprensa americana, as manifestações inspiradas no movimento “Ocupe Wall Street” se espalham por muitas cidades dos Estados Unidos e se consolidam como uma revolta das classes médias de maioria anglo-saxônica.

As declarações e imagens colhidas pelos jornalistas nas concentrações dos americanos refletem a inconformidade com a situação econômica do país e o fato de adotarem Wall Street como alvo traz um foco muito claro para os protestos.

Maioria silenciosa

O que difere essencialmente os dois acontecimentos?

Primeiro, observe-se a contradição: nos Estados Unidos, onde a imprensa claramente vem tratando com má vontade as manifestações, apenas dando atenção a elas quando ocorreram os primeiros atos de violência policial, os eventos se multiplicam e ganham consistência apesar do descaso inicial da mídia.

No Brasil, desde o primeiro grito do “Cansei!”, a imprensa tenta dar alguma credibilidade a manifestações esparsas contra a corrupção, sem qualquer resultado concreto – falta povo para transformar as passeatas em fato social.

Nem mesmo declarações oportunistas de líderes religiosos – como aconteceu durante a missa festiva na basílica de Aparecida – funciona como liga: a própria igreja católica, afetada por denúncias de pedofilia nunca satisfatoriamente respondidas, carece de autoridade para levantar a voz contra corruptos e corruptores.

A razão para essas diferenças talvez esteja na natureza dos fatos que oficialmente motivam as mobilizações. Os movimentos de massa são sempre impulsionados por uma percepção geral de mal-estar, mas é preciso que exista um ponto focal para tirar as pessoas de seu imobilismo.

Nos Estados Unidos, é clara a percepção de que o mal-estar está relacionado ao sistema econômico, cujo epicentro é a especulação financeira. Wall Street simboliza os responsáveis pelo mal percebido pela maioria silenciosa, e a revolta tem um claro viés de apoio ao esforço do governo Obama de colocar algum controle no cassino.

Quem atira a primeira pedra?

No Brasil, a dificuldade de se identificar um alvo para os protestos começa pela percepção de que a corrupção não pode ser localizada ou personalizada, tal sua presença nas instituições.

Apesar do esforço da imprensa em apontar para Brasília, o cidadão sabe que a corrupção está presente no fiscal que se apropria de parte dos ganhos do feirante, no policial que vende aos condomínios como serviço privado a proteção que é pago para fazer como servidor público, e em muitos outros aspectos da vida civil.

Por outro lado, os cidadãos sabem, ou desconfiam, que a corrupção domina as relações políticas não apenas na capital federal, mas também nos estados e municípios, apesar de esses eventos raramente ganharem manchetes de jornal.

Ao contrário dos Estados Unidos, a situação econômica no Brasil produz uma sensação de bem-estar e otimismo que desestimula desejos de mudança radical. O brasileiro médio sente-se claramente revoltado com os sinais de corrupção e impunidade, mas sabe que, ao aderir a um movimento coletivo, perde a individualidade e passa a ser usado como massa de manobra das lideranças.

E quem são os líderes das passeatas? Por enquanto, ninguém em quem se possa confiar.

O Judiciário, minado pela impunidade, pelos privilégios e pela insistência de seus representantes em rejeitar o controle externo, há muito deixou de ser uma esperança de correção. No Parlamento, o sistema de escambo transforma os supostos representantes dos eleitores em suspeitos preferenciais. E o Executivo, apesar dos últimos esforços destacados pela imprensa, ainda não demonstrou que deseja de fato romper o círculo de dependência imposto pelas alianças partidárias.

Assim, restaria à imprensa a missão de tomar a tocha da moralidade pública e catalisar os protestos em busca de mudanças reais no sistema político-institucional. Mas a mídia é parte e beneficiária do sistema. Se eventualmente se coloca na oposição, é porque faz escolhas ideológicas que a distanciam circunstancialmente do poder político. Além disso, apesar de algumas pesquisas formais apontarem a preservação do núcleo de credibilidade da instituição imprensa, ela está longe de representar os interesses difusos da sociedade.

 

 

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