Maria Frô

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Obama, go home!

março 18th, 2011 by mariafro
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Movimentos fazem ato contra imperialismo no domingo
Da Página do MST*
18 de março de 2011

Mais de 20 organizações da classe trabalhadora, como o MST, lançaram um manifesto contra as políticas imperialistas dos Estados Unidos, que tem como presidente Barack Obama, que visita o Brasil neste final de semana.
“Os Estados Unidos vêm ao Brasil para negociar a compra antecipada das reservas do Pré-sal, o que é ainda pior do que leiloar as nossas riquezas. Rechaçamos os leilões e qualquer outra forma de entrega das riquezas nacionais”, afirma o manifesto.
Os movimentos sociais fazem uma manifestação contra o imperialismo dos Estados Unidos no domingo, 20 de março. A concentração será no metrô da Glória, a partir das 10h.
Nesta sexta-feira, às 16h, na Candelária, as entidades fazem uma passeata para convocar a sociedade para a atividade de domingo.
Faça o download do manifesto dos movimentos sociais contra o imperialismo.

Abaixo, leia o texto do manifesto.

Obama, volte para casa!

20 de março, Dia Anti-imperialista de Solidariedade aos Povos em Luta. Obama, tire as garras do Pré-sal!

Principal representante das políticas imperialistas e das guerras contra os povos oprimidos de todo o mundo, o presidente dos EUA chega ao Brasil para falar de “democracia e inclusão social”. Apoiado por um mega show, vai se dirigir ao povo brasileiro utilizando como palco um símbolo das lutas populares, até então cenário exclusivo de grandes manifestações contra ditaduras e em respeito aos direitos humanos: a Cinelândia, no Rio.
O presidente dos EUA fala em direitos humanos, mas traiu uma de suas principais promessas de campanha, ao manter a prisão de Guantánamo, onde estão milhares de
pessoas em condições desumanas e sob tortura, sem direito a um julgamento justo: no último dia 7, Obama revogou seu próprio decreto, permitindo que os presos de Guantánamo continuem a ser julgados por tribunais militares.
O presidente dos EUA fala em democracia e paz, mas apoiou o Golpe Militar em Honduras, mantém tropas no Iraque e no Afeganistão, mantém o bloqueio a Cuba e se arroga no direito de intervir militarmente em qualquer região do Planeta. Dá apoio à política terrorista de Israel enquanto sustenta as ditaduras monarquistas do Oriente Médio, calando-se frente à bárbara repressão às revoltas populares no Bahrein e na Arábia Saudita. O governo brasileiro se aproxima de tal postura ao manter a ocupação militar do Haiti, já castigado pela miséria do modelo neoliberal e refém de séculos de dominação imperialista. Depois do terremoto que devastou o país ano passado, os EUA enviaram marines e ocuparam militarmente parte do território haitiano, atrasando a chegada de ajuda humanitária.
A pretexto de “combater o terrorismo”, os Estados Unidos seguem e exportam políticas que criminalizam movimentos sociais, como fica claro nesta visita ao Rio de Janeiro: o que dizer do grande cerco que está montado, para impedir que os nacionalistas e anti-imperialistas se pronunciem contra as guerras e a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros, durante a visita de Obama?
Enquanto fala de paz, inclusão e direitos humanos no Brasil, o presidente dos Estados está prestes a provocar uma nova guerra, invadindo a Líbia. Ora, a Líbia está entre as
maiores economia petrolíferas do mundo. A “Operação Líbia” pouco se importa com a repressão e o bombardeio à revolta popular líbia perpetrada por seu anacrônico governo. É parte de uma agenda militar no Médio Oriente e na Ásia Central, que almeja controlar mais de 60 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás natural.
Depois da Palestina, Afeganistão e Iraque pretende uma nova guerra na Líbia. Que serviria aos mesmos interesses que levaram à invasão do Iraque, em 20 de março de 2003! Aliás, a escolha do “20 de março”, para fazer esse pronunciamento às massas, não acontece por acaso. Convocada no Fórum Social Mundial, nesta data estarão acontecendo manifestações em várias partes do mundo, em apoio às lutas dos povos oprimidos, contra as guerras que aprofundam a exploração dos ricos pelos pobres e que são movidas, exatamente, pelos Estados Unidos e pelos países da OTAN.
Também o Brasil, principal país da América Latina, não foi escolhido por acaso: eles estão de olho nas imensas riquezas do pré-sal e já falam em reativar a ALCA – uma proposta contrária aos interesses da maioria do povo brasileiro e que já havíamos derrotado nas urnas, em plebiscito popular.
Os governos esperam a comitiva composta por dezenas de empresários norte-americanos que, junto à Obama, negociarão contratos preferenciais de energia e infraestrutura, muitos aproveitando a “oportunidade” de lucros com mega eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. É dinheiro público sendo gasto sem licitações e com amplas denúncias de superfaturamento
e desvios, veiculadas tanto pela grande imprensa quanto pelos Tribunais de Contas. Podemos aceitar isso?
O ministro Antonio Patriota espera que tais acordos coloquem o Brasil na condição de “igual para igual” com os EUA. Em troca o capital norte-americano gozará de amplas
vantagens em seus negócios no Brasil, com seus investimentos e lucros assegurados, dentre outras coisas, pelos financiamentos do BNDES à megaempreendimentos com participação de empresas transnacionais, com sede nos EUA.
A captação de dinheiro público brasileiro é vista como uma das fontes de recuperação da economia norte-america, ainda em crise. Em suma, Obama quer que o povo brasileiro financie o setor privado norte-americano, causador da mesma crise de 2008!
Como pode o governo brasileiro se curvar ao imperialismo estadunidense, reproduzindo o mesmo modelo de exploração e, agora com o agravante, de utilizar dinheiro do BNDES para sustentar e reproduzir tal modelo? O mesmo imperialismo que nos ameaça reativando a Quarta Frota, e que ainda fala em deslocar para o Atlântico Sul os navios de guerra da OTAN?
A soberania nacional está ameaçada. Os Estados Unidos vêm ao Brasil para negociar a compra antecipada das reservas do Pré-sal, o que é ainda pior do que leiloar as nossas riquezas. Rechaçamos os leilões e qualquer outra forma de entrega das riquezas nacionais! O Petróleo Tem que Ser Nosso! A história está cheia de exemplos de países que esgotaram suas reservas e permaneceram mergulhados num mar de corrupção e de miséria! Não queremos repetir esses exemplos.
Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso – RJ
Sindipetro-RJ
MST
Sintnaval-RJ
Sintrasef
Condsef
Ascpderj
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino
PCB
PSOL
PCBR
UJR
Movimento Luta de Classes
Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas
Modecon
Intersindical
PACS
Jubileu Sul Brasil
MTD
DCE-UFF
DCE-UFRJ
Núcleo Socialista de Campo Grande e de Santa Tereza

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Pepe Escobar: A contrarrevolução está vencendo no mundo árabe

março 18th, 2011 by mariafro
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A contrarrevolução está vencendo no mundo árabe

Pepe Escobar, Asia Times Online, Tradução: Vila Vudu

18/3/2011

A contrarrevolução em marcha no mundo árabe, em todas as televisões, chega até vocês sob o alto patrocínio da Casa de Saud – com serviços técnicos do Pentágono. O Golfo virou pasto de mais uma guerra preventiva. Depois da euforia inicial com a grande revolta árabe de 2011, a mensagem dos reinos e xeicados do Golfo, para Washington, foi absolutamente clara – e efetiva: se nós “cairmos”, a estratégia de vocês acabou-se, estará em cacos. Mais uma vez, a “estabilidade” atropelou a democracia.

Não surpreende que seja a Arábia Saudita – lar dos wahabistas mais pios, da al-Qaeda mais fanática, dos hipócritas príncipes sauditas nas mesas de jogo, bebendo e gozando a vida em Londres e na Riviera francesa – a encarregada de assassinar mais uma onda de desejo popular por democracia e dignidade humana.

Novidade associada é a invasão do Bahrain. Para a Casa de Saud, o movimento pró-democracia no Bahrain é ameaça existencial, mais grave que a possibilidade (inventada) de que Saddam Hussein invadisse o reino, nos anos 1990s.

A mídia saudita pode detonar quanto queira o líbio Muammar Gaddafi e sua estratégia letal contra os próprios líbios. Mas Líbia e Arábia Saudita são iguais. Gaddafi inaugurou o manual da contrarrevolução árabe: bombardeie os manifestantes até calá-los. Essa estratégia vitoriosa é idêntica à do governo do Bahrain, com ajuda crucialmente importante dos sauditas.

O Golfo mergulha em mais uma guerra preventiva

No que tenha a ver com o nexo inextrincável que liga sauditas e Washington, a democracia até seria aceitável para a Tunísia, o Egito e a Líbia. Mas seria péssima para a Arábia Saudita, o Bahrain e outras ditaduras-parceiras no Golfo. A secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton teve encontro privado em Paris com enviado especial do Conselho do Governo de Transição na Líbia Mahmoud Jabril. Discutiram “como ampliar o nível do alcance dos EUA”. Isso, depois de o governo Barack Obama ter cunhado a neologia “alteração de regime” para sua nova estratégia para o Oriente Médio.

Esse “ampliar o alcance” significa conversas com “rebeldes” pró-democracia. E “alteração de regime” significa apoiar ataques brutais contra manifestantes pró-democracia. A prova de que essa agora é a política oficial é que Jeffrey Feltman, secretário-assistente de Estado para assuntos do Oriente Próximo, está na embaixada dos EUA em Manama desde segunda-feira – de onde assistiu, ao vivo, a invasão saudita e o subsequente ataque violentíssimo contra os manifestantes da rotatória da Pérola/”Lulu” (50 tanques, veículos blindados, vários helicópteros). É a quarta vez que Feltman visita o Bahrain em um mês.

A previsível contrarrevolução orquestrada pelos sauditas converteu as demandas por justiça, dignidade e igualdade, em algo que já é, hoje, a mais nova e mais mortal modalidade de guerra sectária entre xiitas e sunitas, a tal ponto que os regimes sunitas ameaçados poderão outra vez invocar o espectro de uma avançada xiita.

De Muqtada al-Sadr no Iraque, ao secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, no Líbano, para não falar do governo do Irã, todos esses foram obrigados a defender xiitas civis desarmados, assassinados, atacados, feridos. Mas todos sabem que essa não é disputa entre xiitas e sunitas. Dois dos lados, há cidadãos muçulmanos que anseiam por justiça, igualdade e dignidade.

A Casa de Saud e a dinastia al-Khalifa acabam de fabricar uma guerra, a partir dos protestos pacíficos no Bahrain. O líder xiita do bloco de oposição al-Wefaq, Abdel Jalil Khalil, já identificou “uma guerra de aniquilação. É coisa que não acontece nem nas guerras tradicionais e não é aceitável. (…) Vi, com meus próprios olhos, que atiravam com munição viva contra cidadãos desarmados. Aconteceu à minha frente.”

Nunca é demais repetir que o movimento de jovens no Bahrain – na vanguarda dos protestos – é composto de estudantes, profissionais liberais e massas de desempregados. Os jovens bahrainis – seguindo o exemplo dos egípcios – declaram “Kefaya!” [“Basta!”], mais uma vez.

A história vai pegar vocês

A julgar pelo modo como está cobrindo o Bahrain – especialmente se compara à cobertura que deu à Líbia –, a al-Jazeera, lamentavelmente, está alinhada, agora, à contrarrevolução árabe. Quer dizer: o Qatar também é cúmplice. A al-Jazeera insiste que o que está acontecendo no Bahrain seria apenas uma “confrontação”. E jamais falou das tropas sauditas invasoras: são forças do “Escudo da Península”, slogan estridentemente construído pelo Pentágono, na linha da “Operação Liberdade Duradoura” [ing. Operation Enduring Freedom].

O Sheikh Hamad bin Jassim bin Jabr Al-Thani, premiê do Qatar, não excluiu a intervenção de “pacificadores” qataris. Nabil al-Hamr, alto conselheiro do rei Hamad al-Khalifa do Qatar, falou à rede de TV al-Arabiyyah – voz e boca da Casa de Saud –, para agradecer ao Qatar e aos membros do Conselho de Cooperação do Golfo [ing. Gulf Cooperation Council (GCC)] pelo apoio militar e “outros tipos” de apoio, na repressão do povo do Bahrain.

Como recompensa extra, a Arábia Saudita permitirá que o Qatar indique Abdul Rahman al-Atiyyah – secretário-geral do GCC, em final de mandato –, para o cargo de próximo secretário-geral da Liga Árabe. A mesma Liga Árabe que votou a favor de uma zona aérea de exclusão [orig. a no-fly zone] sobre a Líbia, mas mantém-se muda quanto à repressão no Bahrain e à repressão preventiva na Arábia Saudita.

Os cidadãos do Bahrain, agora, só tem um ditador a derrubar, mas todo um exército estrangeiro a expulsar. O sultão Qabus no Omã, pelo menos, teve a decência de falar aos manifestantes locais e de conceder poderes legislativos. Os al-Khalifas do Bahrain – sobretudo os linha-duras liderados pelo sinistro primeiro-ministro Sheikh Khalifa bin Salman al-Khalifa, tio do rei, no poder há nada menos que 39 anos – só ofereceu balas de grosso calibre. A verdadeira imagem pública dos al-Khalifas, agora, é seus policiais assassinos de manifestantes desarmados, como se vê aqui.

 

Toda a campanha de demonização comandada por al-Khalifa tem base sectária. Na TV do Bahrain – voz e boca de al-Khalifa – os manifestantes são apresentados como selvagens, gângsteres e terroristas. E o governo – como Hosni Mubarak fez no Egito – soltou seus cães, em massa.
É verdade. Residentes paquistaneses foram atacados com espadas e barras de ferro, em circunstâncias ainda nebulosas. Centenas de sunitas paquistaneses foram recrutados pela polícia antitumultos do Bahrain (receberam rapidamente documentos de cidadania e o direito a benefícios de assistência social). Importante, nesse caso, que as vítimas identificaram os agressores como assemelhados aos gângsteres baltajiyya que invadiram a Universidade do Bahrain no início dessa semana.

No Bahrain só dois grupos podem portar armas: as forças de segurança, onde há centenas de estrangeiros, muitos deles mercenários, e membros de famílias tribais aliadas dos sunitas al-Khalifas reinantes.

A guerra preventiva no Bahrein é a batalha que a Casa de Saud, o emir do Qatar, o sultão de Omã e os ricos Emirados temem ter de combater em casa. Já provaram que estão do lado errado da história. Os ataques selvagens e indiscriminados – abençoados pela política de “alteração de regime” de Washington – pode funcionar, por hora. Mais cedo ou mais tarde o aspirador de pó da história os aspirará para sempre, para o fundo do saco e do esquecimento.

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Era Reagan e a síndrome do complexo da guerra como entretenimento

março 18th, 2011 by mariafro
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Como os anos 80s programaram os EUA (e o mundo) para a guerra
David Sirota*, “Back do Our Future” [excertos] em SALON, Tradução: Vila Vudu
15/3/2011

Sejamos bem claros: eu não sabia, conscientemente, que era militarista fanático em 1988, aos 12 anos, idade em que todos somos impressionáveis. Quando fazia mira com o meu tanque GI Joe Snowcat Transformer e lançava um dos seus seis mísseis contra os soldados Cobra que diariamente sitiavam minha cidade LEGO, eu não sabia que, se aquilo fosse real, eu acabaria o dia sob uma pilha fumegante de sangue e pernas e braços decepados de civis inocentes. O que eu pensava era “Que demais!”

Quando aluguei pela primeira vez o filme, para maiores de 13 anos, produzido em 1984, “Amanhecer Violento [Red Dawn], e vi aqueles adolescentes, sob a justificativa de que estariam protegendo os EUA, matar gente a sangue frio, uma execução depois da outra, não sabia que o filme entraria no Livro Guinness, como recordista de exibição de cenas de violência extrema por minuto, da história do cinema. A única coisa que fiz foi torcer.

E quando jogava “Contra”, no meu Nintendo NES, nunca questionei a ideia básica de dar a um jogo o nome de esquadrões de extermínio, um grupo de terroristas criado pelo governo Reagan, para que a CIA conseguisse retirar ilegalmente dinheiro do Irã. Eu me divertia batendo, batendo prá-cima-prá-cima-prá-baixo-prá-baixo-esquerda-direita-esquerda-direita-B-A, até moer completamente qualquer coisa que me mexesse naquela tela. A propaganda é mais efetiva quanto menos se sabe que é propaganda” – ensina Nancy Snow, especialista em relações públicas. “Numa sociedade aberta como os EUA, a natureza ocultada, integrada, da propaganda, é o instrumento pelo qual mais se convence a opinião pública de que ela não estaria sendo manipulada.”

Perfeitamente. Por isso, nem eu nem meus pais poderíamos saber sobre o quanto os anos 80s estavam nos treinando, eu e todos os meninos que ocupávamos os porões e sótãos de casa convertidos em bunkers. Para a geração que crescera até ali com “Reading Rainbow“ e “ET”, games eram instrumentos de aprendizagem. A militarização das crianças nos EUA começou nos anos 1980s, até converter-nos todos em homenzinhos verde-oliva, coturnos e capacete, armados até os dentes, comparados aos quais os escoteiros de antigamente teriam ares de militantes pacifistas. Com o Pentágono intervindo em roteiros para o cinema, na criação de videogames, cooperando com a indústria de brinquedos e agências de publicidade, com inventores de brinquedos e, não raras vezes, influindo também nas empresas publicadoras de álbuns de figurinhas de jogadores de baseball para que criassem o álbum “Operação Tempestade no Deserto” em figurinhas, sempre muito mais profecias que fantasias.

O governo Reagan e o reaganismo foram a alvorada do que a revista Wired chamou de “síndrome do complexo entretenimento-guerra. A linha mais dura daqueles falcões forneceu o arremedo de substrato racional para uma política de criar cumplicidades entre o Estado e as famílias; e a agenda de ‘desregulação’ ampla, geral e irrestrita da Casa Branca naqueles anos de neoliberalismo, ajudou a televisão a tornar-se o cada vez mais presente e mais influente agente da propaganda & marketing de produtos de entretenimento cada vez mais violentamente agressivos e cada vez mais militarizados, para o público infantil e juvenil.

Hoje, aquele investimento rende os lucros que se esperavam dele, bem a tempo para alimentar a atual obsessão pela guerra permanente. Hoje, por exemplo, encontram-se frequentes referências aos desenhos animados e aos bonecos de G.I. Joe dos anos 1980s nas razões que os jovens norte-americanos oferecem para alistar-se. (Artigo de outubro de 2008 em The Believer descobriu “pesquisa feita por jornal de circulação nacional, que buscava referências ao personagem G.I. Joe encontrou 35 obituários de soldados mortos no Iraque desde o início da guerra, em 2003. Naqueles obituários, familiares dos soldados mortos lembravam que, na infância, eles brincavam ‘de G.I. Joe’.) Assim também, durante a invasão do Iraque, o Pentágono batizou a operação de caçada a Saddam Hussein “Operação ‘Red Dawn’ [literalmente, ‘Aurora Vermelha; mas, em português, o filme recebeu o título de “Amanhecer Violento” (NTs)], porque os oficiais diziam que o filme dirigido por John Milius [o mesmo que, adiante, seria roteirista de Coppola em Apocalypse Now (NTs)] seria “filme patriótico, pró-EUA, a que todos os militares assistimos na juventude.”
Considerando tudo isso, é possível acreditar que só por mero acaso os assessores ‘de comunicação’ de George W. Bush dedicaram-se a recriar a cena final de “Top Gun [“Ases Indomáveis”], para comemorar a declaração feita pelo patrão deles, de vitória no Iraque? Ou que a frase de Bush, “bring them on, nada teria a ver com a intenção de despertar adormecidas lembranças dos adolescentes de Milius no filme dos anos 80s? Será pura coincidência que o Pentágono, hoje, faça convocações para que os jovens se alistem, com material publicitário exibido em cinemas que mostra soldados em trajes-armaduras à prova de balas à “RoboCop e a guerra como se acontecesse em cenário de ficção científica de “The Last Starfighter [O Último Guerreiro das Estrelas, em português]?

Os estrategistas da Casa Branca e os propagandistas do Pentágono usam imagens, conceitos e informação como armas estratégicas, e sabem bem a mais eficaz dessas armas são as nostalgias construídas da infância. Sabem também que, em país no qual quase metade da população nasceu depois de 1979, algumas das memórias mais poderosas dos jovens permanecem confinadas naqueles tristes anos 1980s.

Boa parte de tudo isso se encaixa à maravilha na agenda do Pentágono. “Os jovens em idade de recrutamento citam filmes e a televisão como fonte primária de suas ideias sobre o exército e a vida militar. [Por isso, filmes e a televisão] são muito importantes [para o Pentágono]” – disse uma porta-voz do exército à PBS, citando detalhadas pesquisas com as quais o Departamento de Estado trabalha, para conhecer os hábitos dos recrutas. “É uma oportunidade para que as crianças saibam o que esperar e para saberem o que significa ser um soldado.”

“Amanhecer Violento” é roteiro-padrão de paranóia de invasão, mas com detalhes atentamente propostos com vista a atingir jovens em idade de recrutamento. Fala de um grupo de adolescentes, numa cidade ficcionalizada (Calumet, Colorado), que se autodenominam Wolverines e que montam uma guerrilha de resistência a massivo assalto soviético à pátria norte-americana. O filme reúne amostra impressionante de adolescentes que, adiante, seriam astros: Thompson, Jennifer Grey, Patrick Swayze, C. Thomas Howell e, o hoje mais conhecido deles, Charlie Sheen, nos principais papeis.

Encontram-se no filme todas as frases da paranóia militarista, inclusive todos os slogans do mundo dos anos 80s, pós-Vietnã:

– Ideias extremistas a favor do uso indiscriminado de armas: numa das primeiras cenas do filme, vê-se um ‘soviético’ arrancando uma arma do cadáver de um cadáver norte-americano, enquanto a câmera caminha sobre um adesivo, num caminhão, em que se lê o slogan da campanha contra qualquer controle do uso de armas entre civis: “Só tirarão minha arma, se quebrarem os dedos frios, gelados, do meu cadáver.” Depois, adiante, os ‘soviéticos’ conseguem rastrear os resistentes norte-americanos, porque encontram a lista dos proprietários de armas nos EUA que o governo diz que tem (uma das mais persistentes teorias conspiracionais, muito repetida por militares e pelos defensores do direito à posse de armas).

– O direito de os EUA teriam, de retaliar/vingar qualquer derrota que sofram em qualquer guerra: o pai de um dos adolescentes é mostrado numa gaiola, num campo de concentração, berrando ao filho: “Vingue-me”, mate o maior número possível de inimigos. Nos anos 80, esse grito bem poderia ser o hino de todos os militaristas que pregavam o retorno ao Vietnã [para ‘acabar o serviço’].

– Todos os políticos são bandidos, traidores e corruptos e, portanto, podem ser caluniados, denunciados sem provas etc.: o filme mostra o prefeito de Calumet como colaborador covarde, a serviço dos soviéticos, que nada faz, quando seus eleitores são cercados e assassinados. Além disso, o filho do prefeito (presidente da associação de alunos do ginásio de Calumet) pressiona os Wolverines para que se rendam e, depois, os trai. Em resumo, “Amanhecer violento” ensina que todos os políticos são covardes, corruptos e traidores [exatamente, aliás, o que TAMBÉM ensinam, todos os dias, D. Dora Kramer, D. Eliane Cantanhede, toooooooooooooooooooooooooodos os colunistas e todos os jornalistas da Folha de S.Paulo, do Estadão, da revista (NÃO)Veja, da revista Carta Capital, o juiz Maierovich, Mino Carta, Caros Amigos e muitas outras, além de muitos petistas e do William Waack e os Bonner&Patroa e toooooooooooooooooooodos os embaixadores dos EUA que escrevem o que WikiLeaks, felizmente, vaza (NTs)].

– Os EUA como ‘o injustiçado’, uma espécie de azarão que, contudo, consegue fazer, contra tudo e todos, o que lhe cabe fazer: Do mesmo modo, a política, a mídia, toda a indústria do entretenimento nos anos 80s mobilizou-se para reapresentar os militares norte-americanos como ‘azarões’, heróis improváveis, que conseguem o impossível: ajudar “combatentes da liberdade” na América Latina; resgatar prisioneiros de guerra no Vietnã; liberar o Kuwait das garras do Iraque-bandido. Os Wolverines de “Despertar Violento” são posicionados como insurgentes superarmados, que abrem seu caminho até a vitória contra o gigante russo. “A mensagem de ‘Despertar Violento’ diz o diretor  Milius, é ‘libertar os oprimidos’” – entendendo-se por “os oprimidos” os próprios norte-americanos, a nação mais completamente dominada pelo exército que jamais houve na história da humanidade.

Quando se refugiam numa floresta, onde se dedicam a práticas de sobrevivência antiquadas, que só o Unabomber traria novamente à pauta (beber sangue de um veado macho, como prática para selar a solidariedade entre machos, por exemplo), os Wolverines encontram um ex-piloto dos EUA que enuncia mais algumas máximas do militarismo paranoico dos anos 80s:

– Há terroristas camuflados vivendo entre nós: “A primeira onda do ataque (pelos soviéticos) chegou camuflada em voos comerciais normais” – diz o piloto, em espantosa antevisão dos ataques que viriam no 11 de setembro.

– É  imprescindível militarizar a fronteira sul: “Os infiltrados entram ilegalmente pelo México, sobretudo cubanos” – o piloto continua.

– A covardia dos aliados ocidentais justifica que os EUA gastem mais com armas, armamentos e exércitos que todas as demais nações do mundo, somadas:  Quando os adolescentes perguntam se a Europa ajudará a deter a invasão soviética, o piloto diz que a Europa está “assistindo de camarote. Nenhum país europeu, exceto a Inglaterra, durará muito.”

É preciso lembrar que quatro anos antes de esse filme chegar às telas, Ronald Reagan dera substância e voz a muitas dessas teorias, dizendo que “os soviéticos e seus amigos estão avançando” e criticou o governo Carter por “não saber ver nenhum padrão de ameaças”. Foi propaganda, na forma mais literal.

Em 1997, depois de informação de que “Despertar Violento” era um dos filmes preferidos de Timothy McVeigh – autor de atentado terrorista, dia 19/4/1995, em Oklahoma, que fez 168 mortos e mais de 500 feridos e que, até os atentados de 11/9/2001, fora o mais violento ataque terrorista em solo americano –, Peter Bart presidente da MGM revelou à revista Variety que, quando a companhia pela primeira vez analisou o roteiro do filme, o principal executivo da empresa “declarou, em termos absolutamente claros, que desejava fazer o filme mais nacionalista, chovinista, patriótico, de erguer bandeiras [orig. jingoistic], de todos os tempos.” O estúdio, então, recrutou o recém aposentado secretário de Estado de Reagan, general Alexander Haig, para integrar o conselho diretor da MGM e para operar como consultor, ao lado do diretor [de “Despertar Violento”], para dar ao filme o toque ideológico apropriado.” Quando o primeiro esboço de roteiro ficou pronto, em tom que lhe pareceu que lamentava excessivamente as tragédias da guerra, Bart contou que o estúdio “exigiu que alguém lhe explicasse por que os redatores pensam em refilmar Lord of the Flies, quando o que interessa ao estúdio é reinventar Rambo.”

Todos sabem que os militares trabalharam com os produtores e estúdios de Hollywood desde 1927, quando ajudaram a produzir Wings – ganhador do primeiro Prêmio da Academia para Melhor Filme. O envolvimento do Pentágono variou ao longo dos primeiros dois terços do século 20, mas sempre visou, como alvo de propaganda, as crianças. Nos anos 1950s, por exemplo, os militares trabalharam com a cadela Lassie, em filmes e seriados de televisão que destacavam as novas tecnologias militares e produziram Mouse Reels para “The Mickey Mouse Club”; um dos filmes então produzidos mostrava crianças visitando o primeiro submarino nuclear. Como o jornalista David Robb descobriu, o Pentágono registra num memorando que “a mídia dirigida às crianças é excelente oportunidade para apresentar a toda uma geração a Marinha movida a energia nuclear”.

Nos anos 1970s, houve menor número de filmes de guerra apoiados pelo Pentágono, porque a mídia sobre a guerra do Vietnã fatigara o público, durante a guerra e nos anos imediatamente seguintes. Mas, segundo o The Hollywood Reporter, com o militarismo novamente em ascensão na era Reagan, os anos 1980s assistiram “ao crescimento consistente de pedidos para acesso a instalações militares e do número de filmes, programas para a televisão e vídeos domésticos sobre os militares.”

Em troca de autorizar o acesso a instalações militares para filmagens, os militares começaram a exigir compensações. O foco do Pentágono nos públicos juvenis começou a mostrar a própria mão pesada que se começava a usar para modelar a cultura popular dos anos 1980s. Cada vez mais, para autorizar o acesso dos produtores até às instalações militares mais corriqueiras, necessárias como cenários, o Pentágono começou a exigir maior participação e maiores mudanças na construção de roteiros e diálogos, para garantir que os militares fossem mostrados sob luz favorável.

Em matéria publicada em Variety em 1994, Phil Strub, funcionário do Pentágono encarregado dos contatos com Hollywood, diz claramente: “O principal critério que empregávamos [para aprovar] era (…) o quanto a produção proposta beneficiava os militares. Ajudaria no recrutamento? Estava sincronizada com as políticas do Pentágono?”.

Segundo Strub, o conluio Pentágono-Hollywood alcançou “marco histórico” em 1986, comTop Gun/“Ases Indomáveis”], propaganda triunfalista a favor do recrutamento de adolescentes para a aviação da Marinha, com os pilotos apresentados como “o melhor dos melhores”. Nenhum desses ‘melhores’, evidentemente, jamais pergunta nenhuma das perguntas básicas que ocorreriam a qualquer pessoa ‘normal’. Nem os personagens  nem o roteiro são acaso de criatividade. O roteiro foi praticamente construído pelo Pentágono, em troca de pleno acesso a todos os aviões e máquinas – acesso que, na prática, é subsídio à indústria, de valor inestimável, pago com dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Segundo Maclean, a Paramount Pictures pagou apenas “$1,1 milhão de dólares pelo direito de usar aviões e um porta-aviões”, muito menos do que lhe custaria, se o estúdio tivesse de financiar diretamente toda a produção.

Como se essa dinâmica de ‘cenoura-e-porrete’ não fosse suficiente para inspirar todos os produtores de filmes, o Pentágono, nos anos 1980s, expandiram a definição de “cooperação”, para incluir intervenção nos roteiros, desde a fase dos primeiros esboços. “Ganha-se tempo. Os autores nem começam a escrever roteiros idiotas” – disse um oficial do Pentágono, explicando o novo processo.

Atitude assim diplomática, combinada com o sucesso de bilheteria do modelo “Top Gun” sob orientação do Pentágono, convenceu os estúdios, nos anos 80s, a aceitar tudo o que os militares desejassem. Assim, fizeram-se filmes de conteúdo cada vez mais militarista, considerados ‘a fórmula’ para grandes bilheterias. Entre o lançamento de “Ases Indomáveis” e o início da Guerra do Golfo, o Pentágono informou que o número de filmes realizados com sua ajuda (e aprovação) havia quadruplicado; grande parte dessas produções de ação-aventura (imediatamente distribuídos também, em perfeita sinergia, no formato de jogos, álbuns, bonecos etc.) visavam o público adolescente.

Resultado de curto-prazo da ação do complexo entretenimento-Pentágono foi aumento acentuado no número de jovens que se alistavam, sempre correlacionado com os números de bilheteria dos sucessos dos anos 80s. Basta um exemplo, de fato, gigantesco: a taxa de recrutamento teve aumento de 400% depois do lançamento de Top Gun/“Ases Indomáveis”, o que levou a Marinha – que imediatamente percebeu o efeito do filme – a montar balcões de alistamento nas salas de cinema. No médio prazo, é claro, predominou o efeito de Red Down/“Despertar Violento”. Operações militares recebem nomes inspirados no filme (e em várias outras fantasias militaristas dos anos 80), mobilizando as psiques manipuladas dos “Wolverines que cresceram e foram para o Iraque” – como Milius, recentemente, descreveu a geração dos anos 80s.

E há ainda os padrões que se fixaram para o longo prazo. Hoje, o Pentágono oferece a Hollywood o mesmo estímulo na direção de crescente militarização, tanto quando os castigos onde surja qualquer antimilitarismo, como sempre. Além do militarismo dos anos 80s, pode-se hoje apostar que o mesmo acontece também na infindavelmente reciclada onda de refilmagens: todo e qualquer blockbuster assinado por Jerry Bruckheimer ou Michael Bay e dirigido aos ‘jovens’ será, no mínimo parcialmente, subscrito pelo Pentágono, como condição para qualquer apoio ou subvenção; no mínimo, esses blockbusters, tipicamente, trabalham para reiterar a ideia de que o militarismo, os militares e a guerra seriam morais.

Diferente disso, como contou o diretor de The Hunt for Red October /“Caçada ao Outubro Vermelho”, essa nova realidade levou os estúdios, nos anos 80s, a instruir rotineiramente roteiristas e diretores a “buscar a cooperação [dos militares], ou esquecer, para sempre, a possibilidade de fazer o filme”. Com que controle maior o Pentágono algum dia sonhou?

*David Sirota é jornalista, autor de vários best-sellers. Seu próximo livro Back to Our Future [De volta ao nosso futuro] será lançado em março de 2011. Apresenta programa matinal na rádio AM760 no Colorado e anima o blog OpenLeft.com. Recebe e-mails em e tuíta em @davidsirota

 

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“Líbia fecha o espaço aéreo a todos os tipos de aeronaves”

março 18th, 2011 by mariafro
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“Líbia fecha o espaço aéreo a todos os tipos de aeronaves”
PressTV, Teerã

18/3/2011 10:58AM

A Eurocontrol, organização que administra o espaço aéreo europeu, informou, nessa 6ª-feira, que as autoridades de Malta noticiaram que “a Líbia fechou o espaço aéreo nacional e não aceitará o trânsito de nenhum tipo de aeronave, até posterior decisão” – conforme noticiaram agências locais de notícias.

A decisão foi tomada depois que o governo francês anunciou ataque iminente à Líbia, que provavelmente incluirá aeronaves francesas, britânicas e norte-americanas.

Os três países estão trocando jatos bombardeiros. A mídia canadense noticiou que há planos para que o Canadá envie seis jatos bombardeiros CF-18, que serão usados em ação militar conjunta contra o regime líbio.

A Noruega também anunciou estado de prontidão para participar desse esforço, mas a Rússia já anunciou que não tomará parte dessa ação militar contra a Líbia – segundo agências.

Cinco membros da Liga Árabe, entre os quais a Jordânia, o Qatar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também contribuirão com aeronaves, segundo noticiou a Agência France Press, citando diplomatas que não acrescentaram detalhes dos planos.

O ministro de Defesa da Líbia alertou para a resposta rápida de retaliação contra qualquer ação militar contra a soberania da Líbia. Segundo o ministro, dada a extensão do ataque que se arma contra a Líbia, a resposta dos líbios pode afetar todo o tráfego aéreo e marítimo no Mar Mediterrâneo.

Apesar da aprovação, ontem, no Conselho de Segurança da ONU, da implantação de uma zona aérea de exclusão, o governo da Líbia mantém a atitude de desafio. Muammar Gaddafi ameaça grande ofensiva contra a cidade de Benghazi, ainda controlada pela oposição ao regime.

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