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“No Brasil, desde o “Cansei!”, a imprensa tenta dar alguma credibilidade a manifestações esparsas contra a corrupção”

outubro 13th, 2011 by mariafro
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PROTESTOS CONTRA A CORRUPÇÃO: Entre a balada e a revolta

Por Luciano Martins Costa, na edição 663, programa radiofônico do OI

13/10/2011

Apesar do esforço da imprensa brasileira, as manifestações contra a corrupção, que pipocaram no feriado da quarta-feira (12/10) por várias cidades do país, não chegaram a empolgar. As fotografias nas primeiras páginas dos jornais, mostrando jovens de classe média com o rosto pintado, estão mais próximas de uma “balada” do que de expressar sinais de revolta.

Por outro lado, apesar do descaso inicial da imprensa americana, as manifestações inspiradas no movimento “Ocupe Wall Street” se espalham por muitas cidades dos Estados Unidos e se consolidam como uma revolta das classes médias de maioria anglo-saxônica.

As declarações e imagens colhidas pelos jornalistas nas concentrações dos americanos refletem a inconformidade com a situação econômica do país e o fato de adotarem Wall Street como alvo traz um foco muito claro para os protestos.

Maioria silenciosa

O que difere essencialmente os dois acontecimentos?

Primeiro, observe-se a contradição: nos Estados Unidos, onde a imprensa claramente vem tratando com má vontade as manifestações, apenas dando atenção a elas quando ocorreram os primeiros atos de violência policial, os eventos se multiplicam e ganham consistência apesar do descaso inicial da mídia.

No Brasil, desde o primeiro grito do “Cansei!”, a imprensa tenta dar alguma credibilidade a manifestações esparsas contra a corrupção, sem qualquer resultado concreto – falta povo para transformar as passeatas em fato social.

Nem mesmo declarações oportunistas de líderes religiosos – como aconteceu durante a missa festiva na basílica de Aparecida – funciona como liga: a própria igreja católica, afetada por denúncias de pedofilia nunca satisfatoriamente respondidas, carece de autoridade para levantar a voz contra corruptos e corruptores.

A razão para essas diferenças talvez esteja na natureza dos fatos que oficialmente motivam as mobilizações. Os movimentos de massa são sempre impulsionados por uma percepção geral de mal-estar, mas é preciso que exista um ponto focal para tirar as pessoas de seu imobilismo.

Nos Estados Unidos, é clara a percepção de que o mal-estar está relacionado ao sistema econômico, cujo epicentro é a especulação financeira. Wall Street simboliza os responsáveis pelo mal percebido pela maioria silenciosa, e a revolta tem um claro viés de apoio ao esforço do governo Obama de colocar algum controle no cassino.

Quem atira a primeira pedra?

No Brasil, a dificuldade de se identificar um alvo para os protestos começa pela percepção de que a corrupção não pode ser localizada ou personalizada, tal sua presença nas instituições.

Apesar do esforço da imprensa em apontar para Brasília, o cidadão sabe que a corrupção está presente no fiscal que se apropria de parte dos ganhos do feirante, no policial que vende aos condomínios como serviço privado a proteção que é pago para fazer como servidor público, e em muitos outros aspectos da vida civil.

Por outro lado, os cidadãos sabem, ou desconfiam, que a corrupção domina as relações políticas não apenas na capital federal, mas também nos estados e municípios, apesar de esses eventos raramente ganharem manchetes de jornal.

Ao contrário dos Estados Unidos, a situação econômica no Brasil produz uma sensação de bem-estar e otimismo que desestimula desejos de mudança radical. O brasileiro médio sente-se claramente revoltado com os sinais de corrupção e impunidade, mas sabe que, ao aderir a um movimento coletivo, perde a individualidade e passa a ser usado como massa de manobra das lideranças.

E quem são os líderes das passeatas? Por enquanto, ninguém em quem se possa confiar.

O Judiciário, minado pela impunidade, pelos privilégios e pela insistência de seus representantes em rejeitar o controle externo, há muito deixou de ser uma esperança de correção. No Parlamento, o sistema de escambo transforma os supostos representantes dos eleitores em suspeitos preferenciais. E o Executivo, apesar dos últimos esforços destacados pela imprensa, ainda não demonstrou que deseja de fato romper o círculo de dependência imposto pelas alianças partidárias.

Assim, restaria à imprensa a missão de tomar a tocha da moralidade pública e catalisar os protestos em busca de mudanças reais no sistema político-institucional. Mas a mídia é parte e beneficiária do sistema. Se eventualmente se coloca na oposição, é porque faz escolhas ideológicas que a distanciam circunstancialmente do poder político. Além disso, apesar de algumas pesquisas formais apontarem a preservação do núcleo de credibilidade da instituição imprensa, ela está longe de representar os interesses difusos da sociedade.

 

 

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A primavera ‘apartidária’ do PIG não vingou

outubro 13th, 2011 by mariafro
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Li impressionada o resultado da pesquisa colhida pelo Eduardo Guimarães. Não, ela não tem valor científico, mas não deixa de ser interessante e reveladora e eu nem precisava estar presente para saber o resultado da pesquisa, explico-me.

Durante a campanha eleitoral de 2010 eu criei uma lista de cerca de mil pessoas. O critério de seleção foram as hashtags mais violentas ou os termos mais esdrúxulos que via pingar na minha Timeline durante as discussões mais acaloradas do twitter: ‘Dilma sapatão, lésbica, abortista, terrorista, petralha”, etc. Sem exceção, as pessoas que fui selecionando nesta lista, a qual monitorei durante toda a campanha e me rendeu alguns textos importantes aqui no Maria Frô e no blog da mulher no Viomundo, não apenas declaravam seu voto em Serra, mas defendiam renhidamente o seu candidato, desqualificando a pessoa de Dilma, seu partido e o então presidente Lula. Havia entre elas algumas muito raivosas que disseminavam mensagens profundamente preconceituosas.

Na imensa maioria das vezes a discussão política bastante empobrecida escorregava para as ideias fascistas, negando a própria ação política, propondo como os irresponsáveis do CQC: o fechamento do Congresso, a defesa da ditadura militar e ridicularizando as instituições democráticas que tanto lutamos para construir.

Inegavelmente os tweets desta lista que cresceu bastante a cada polêmica, a cada capa de Veja ou factóide da Folha buscavam destruir reputações, numa generalização quase infantil de que ‘os políticos são corruptos’, ‘o PT inventou a corrupção no Brasil’, o ‘Brasil é o país mais corrupto do planeta’.

Como os organizadores das marchas ‘contra a corrupção’ insistem em dizer que são ‘apartidários’ tive curiosidade de retomar a minha lista e ler o que seus mais de mil listados durante a campanha estavam discutindo. Adivinhem? Sem exceção, todos recuperaram seus discursos sobre ‘corrupção’ é igual ao PT.

Sem ter saído de casa obtive o mesmíssimo resultado que a pesquisa qualitativa do Edu.

Posso até dizer que a minha amostra é mais representativa dado que as mais  de mil pessoas que tenho listadas, 100% continua com o discurso de que o PT é o partido mais corrupto do país; 100% durante a campanha reproduzia os factóides de Veja; a ficha falsa de Dilma (o criador da ficha falsa que foi estampada em primeira página da Folha, o único jornal do mundo que publica hoax em primeira página, também está na minha lista); 100% continua tratando a política como algo sujo, criminosa apriori; 100% desconhece todos os projetos interessantes em discussão no Congresso para buscar coibir e punir corruptos e corruptores e 100% esquecem-se que não há corrompidos sem corruptor.

Cem por cento atacavam o Bolsa Família como um projeto do ‘vagabundo e bêbado do Lulla’ para os ‘vagabundos que votavam em Lulla e no PT’; 100% não acha que o Brasil melhorou diante do fato de estarmos vivendo uma situação impressionantemente positiva se comparada a um mundo fustigado pela crise financeira; 100% ignora ou faz questão de ignorar que o Brasil com uma taxa mínima de desemprego, vive quase uma situação de pleno emprego diante de quase 15 milhões de postos formais gerados durante os 8 anos de governo Lula.

Cem por cento aceita e replica o apoio de Ronaldo Caiado à ‘marcha contra a corrupção’, assim como o de Agripino Maia e Álvaro Dias!

Cem por cento se diz contra a corrupção, mas jamais escreveu um único tweet sobre o caso Alston, sobre a compra de jornais e revistas sem licitações pelo governo do estado de São Paulo, sobre a banca de negócios entre governo Serra e governo Alckmin com emendas parlamentares na ALESP; 100% nunca falou de Paulo Preto e suas ameaças ao PSDB rapidamente silenciadas (porque foram atendidas(?); 100% acha que professores são um bando de vagabundos e merecem mesmo apanhar da polícia militar do governo do estado, porque atrapalham o trânsito, 100% vibraram quando a tropa de choque invadiu a Universidade de São Paulo e espancou alunos, funcionários e professores; 100% acham que têm de baixar o cacete em ‘vagabundo’ que faz o movimento do Passe Livre; 100% acharam ridícula a ação da ‘gente diferenciada’ em Higienópolis; 100% ignoram ou não falam uma palavra sobre o superfaturamento nas obras do RodoAnel; 100% não tocam na questão dos pedágios em São Paulo; 100% sequer mencionam a privatização das companhias de fornecimento de energia e o sucateamento que elas se encontram; 100% não tocam no assunto, desconhecem ou não se espantam com o fato de o prefeito da capital mais rica do país, distribuir o orçamento da cidade retirando das subprefeituras que atendem os bairros mais pobres recursos pra investir nos bairros mais ricos!

É bastante curioso a meu ver que esse movimento que se diz ‘apartidário, crítico, espontâneo’ desconheça tantos problemas que a má política e a corrupção (incluindo a da mídia paulistana) causem à população de São Paulo, ao menos aquela que não vive em Higienópolis e nos bairros de classe média onde o poder público não está ausente.

Eu se fosse petista, sem terra, sem teto, professor do estado, sindicalista, estudante universitário ou secundarista faria como fez o Jean Fábio, pegava meu cartaz e ia pra Paulista protestar, afinal a bandeira contra a corrupção é uma bandeira democrática, dos movimentos sociais, da ala mais progressista deste país. Quem sabe os entrevistados pelo Eduardo Guimarães e os mais de mil listados do twitter entendessem o que significa a corrupção e os danos da má política e percebecem que não precisam sequer olhar para Brasília que aqui mesmo na nossa cidade os desmandos e a corrupção grassam e tornam nossas vidas e, principalmente, a vida dos mais pobres ainda mais miserável?

Ah! E não venham me dizer que porque eu sou eleitora do PT que sou ‘blindadora de corruptos’. Minha cidadania é capaz de se posicionar contra mal feitos de todos os partidos, incluindo aquele que escolhi dar o meu voto. Minha cidadania é capaz de questionar ações dos parlamentares e políticos do PT quando essas se afastam das bandeiras históricas e da plataforma pela qual eles se elegeram.

Eu também sei em qual vereador, deputado estadual, deputado federal e senadores eu investi o meu voto e cobro diariamente deles que exerçam a prática política como ela deve ser exercida: com transparência, apresentando, defendendo e votando em projetos progressistas que são capazes de transformar a vida de grupos vulneráveis e ampliar a cidadania de um país de história secular de desigualdades. Eu sou cidadã que acho que a luta contra corrupção é uma luta diária e não pontual para se fazer em feriados.

E para os que ainda não entenderam que a mesma grande mídia que sempre criminaliza os movimentos sociais e curiosamente esteja tão atenta às ‘marchas contra a corrupção’, segue um artigo da grande mídia reconhecendo que seu empenho em desestabilizar um governo democraticamente eleito não está funcionando:

Marchas: Especialistas dizem que situação econômica faz com que poucos brasileiros protestem contra a corrupção

Por: Tatiana Farah, em O Globo

12/10/2011

SÃO PAULO – A primavera dos brasileiros já passou. Essa é a opinião de especialistas ouvidos na quarta-feira pelo GLOBO, que apontaram como grandes momentos de mobilização as Diretas Já, nos anos 80, e o Fora Collor, nos anos 90. O movimento contra a corrupção, que tem saído da internet para ganhar as ruas como aconteceu ontem em diversas cidades brasileiras, no entanto, está longe de ser uma nova primavera.
- Nossa primavera foi o momento das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas. O que são cinco mil pessoas reunidas em São Paulo ou 13 mil em Brasília? É muito pouco. Sem organicidade, esse movimento não vai crescer. As manifestações ganham força se tiveram algo orgânico, como partidos e sindicatos – afirma o cientista político Carlos Mello, do Insper.
Nossa primavera foi o momento das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas. O que são cinco mil pessoas reunidas em São Paulo ou 13 mil em Brasília? É muito pouco
Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro afirma que um problema para a mobilização do país contra a corrupção é que as pessoas são contra a corrupção, mas dos partidos alheios:
- O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos. E é uma lástima que as pessoas usem isso contra o partido oposto.
Para Janine Ribeiro, não se pode comparar o movimento contra a corrupção com movimentos como a Parada Gay:
O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos
- Na Parada Gay, todos estão celebrando a vida. Quando se está lidando com uma coisa suja, como a corrupção, não há toda essa euforia. Acho essa comparação inoportuna e um tanto moralista.
Janine Ribeiro, Carlos Mello e o cientista político David Fleischer, da UnB, apontam que o momento econômico brasileiro colabora com a desmobilização:
- A economia é um fator para a desmobilização. Quando a economia está positiva, com aumento do salário médio e menos desemprego, isso alivia a barra dos brasileiros que, por natureza, são mais pacíficos e conciliadores- diz Fleischer.
Para Fleischer, uma mobilização de massa precisa contar com “o elemento da opressão financeira”, como tem ocorrido na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
- Nós já tivemos nossas primaveras, como as Diretas Já e o Fora Collor. Eram momentos em que os brasileiros não estavam aguentando mais.
Janine Ribeiro lembra que, nesses momentos, o Brasil estava com graves problemas econômicos e que a indignação nas ruas não era apenas política.
A economia é um fator para a desmobilização
- Infelizmente, parece que o ponto crucial, o determinante, é a situação econômica. Realmente, eu gostaria que tivéssemos derrubado Collor pela corrupção e não pela crise econômica, mas não foi isso o que ocorreu.
Segundo Carlos Mello, em momentos de crise econômica, “a corrupção passa a ser intolerável”.
- Mas o momento é desmobilizador, com desemprego de 6% e com algum crescimento econômico. Na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a crise empurrou as pessoas para as ruas. Agora, aqui, estão exigindo espírito cívico demais para um mundo que não tem mais esse civismo – diz Mello.
Para Mello, não se pode dizer que os brasileiros não saem às ruas simplesmente porque na Espanha os “indignados” tomaram as praças.
- Os espanhóis se mobilizam agora, mas aguentaram 40 anos de regime franquista – afirma Mello.

Minha homenagem aos que marcharam hoje

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Jean Fabio: A Globo não quis filmar meu cartaz na Marcha contra a corrução, por que será?

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Minha homenagem aos que marcharam hoje

outubro 12th, 2011 by mariafro
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Da Fabiana Nascimento em seu Facebook

“Meus respeitos a quem tira a bunda da cadeira e vai protestar – isso não quer dizer que eu concorde com todo tipo de protesto. Mas… esse povo de hoje com as vassourinhas, estão assim, tipo, uns 50 anos atrasados, né?”

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outubro 12th, 2011 by mariafro
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Aqui a página do movimento
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