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Memórias do 11 de setembro: Somos todos Allende

setembro 11th, 2011 by mariafro
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Memórias de 11 de setembro: 1973 x 2001
10/11/2011
Por Fernando Fileno, do Laboratório de Ensino e Material Didático História USP, via MST

Ficha Técnica
Gênero: Documentário
Ano de lançamento (Reino Unido): 2002
Duração: 11 min Direção: Ken Loach

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“11 de Setembro” (de origem franco-britânica), dirigido por Ken Loach, faz parte de uma mostra de 11 curta-metragens com duração total de 11 minutos. É interessante que cada curta foi encomendado para um diretor consagrado diferente, assim a cada diretor foi dada a liberdade de mostrar sua visão da tragédia ocorrida em 11 de setembro de 2001, nos EUA.

Dentro do curta, o diretor britânico Ken Loach optou por mostrar em seu próprio curta-metragem, uma outra tragédia ocorrida em um 11 de setembro: o violento golpe de Estado dado por Augusto Pinochet que, apoiado pelos EUA , destituiu o governo de Salvador Allende que foi assassinado pelos bombardeios estadunidenses ao palácio presidencial. O que torna ainda mais interessante 11 de setembro são as mesclas de eventos que aconteceram nesse dia e as colagens feitas a partir dos outros curtas que o diretor solicitou aos amigos de profissão.

Ken Loach ao mostrar-nos o 11 de setembro chileno, relembra a atitude nada “democrática” do governo dos Estados Unidos ao derrubar um governo eleito legitimamente. É importante observarmos que após o ataque a Nova Iorque esse mesmo governo falava da ameaça à democracia representada por países considerados “terroristas”. Na sala de aula, esse material pode trabalhar junto aos alunos questões que envolvam um “ponto de vista” sobre determinado assunto.

De maneira inteligente, ao mesmo tempo que temos 11 curta-metragens para formar apenas 1, temos dentro da sala de aula, muitos alunos, mas que estariam aí envolvidos em algo único também: a análise daquilo que consideremos sagrado e legitimo, até mesmo único – a memória de algo que aconteceu e que não pode ser perder.

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Pedro Pessoa: 30 dias depois do assassinato de meu filho: Marx Nunes

setembro 9th, 2011 by mariafro
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Publico a carta enviada por Pedro Pessoa, pai de Marx Nunes, assassinado por não ser homofóbico, a carta é comovente e peço às entidades de direitos humanos que acompanhem mais de perto este caso cheio de tantos desmandos

Pedro Pessoa

 8/09/2011

Hoje faz 30 dias da morte do meu filho Marx Nunes, a partir desta data, convivemos com algo que não conhecíamos, tais como: ÓDIO, HOMOFOBIA, IMPUNIDADE E IMPOTÊNCIA.

MARX teve uma atitude de grande civilidade e de senso de responsabilidade com o próximo e pagou com a vida, seu assassino no mesmo dia, seis horas antes, havia matado um mendigo chamado Lucas Cordeiro. O assassino de meu filho não é só homofóbico, é uma pessoa sem nenhum preparo para viver na sociedade. Ele não respeita os diferentes e esta falta de respeito se transforma em ódio selvagem capaz de fazer qualquer barbárie.

No inquérito policial ficamos sabendo que a família iria fazer tudo pela impunidade, por exemplo retirando o delegado Dr. Edilberto do caso, e em consequência tudo que teria sido apurado seria jogado fora. Os pais do assassino contavam com o terror contra as testemunhas, só que nós não nos intimidamos: fomos à tv, não encobrimos nosso rostos em respeito aos monstros, pois achamos que os criminosos são eles. Fomos de cara limpa em todas entrevistas, estivemos com o delegado geral da polícia civil na Paraiba, Dr. Severiano e explicamos nossa dor e nosso sentimento para que não retirasse o delegado onde fomos atendido, com o apoio também do corregedor Dr. Magalhães.

Nao conseguindo afastar o delegado, a família do assassino impetrou um habeas corpus preventivo pra que o foragido repondesse pelo assassinato de meu filho em liberdade,  contrariando, para nosso espanto, o parecer do delegado Dr. Edilberto, que denunciava o assassino de ter praticado os seguintes crimes: posse ilegal de arma, dupla tentativa de homicídio, agressão física, e homicídio por motivo fútil , sendo denominado crime hediondo. Pois diante de todas informações este juiz da comarca de Cabedelo deferiu o pedido em prol do assassino!!!!!

Foi uma dor imensa, foi como ser torturado novamente. Hoje sei o que passaram vários irmãos, pois esta tortura psicológica acaba furando nosso organismo.

Sabiamos que tinhamos perdido uma batalha mais teriamos que forçar outras, passamos a juntar tudo o que a sociedade nos passava e passamos para a imprensa culminando com este outro pedido de prisão pela a morte do Sr. Marcelo Cordeiro.

Outras batalhas virão,  mas a indignação não deve acabar, isto e o que nos move, pessoas que deveriam estar mais presentes a esta ação do Marx, mandaram nota de solidariedade, agradecemos, mas precisamos mais do que isso. Precisamos de mobilização para que cobrem  ações da Justiça. Não nos abandonem nesta louca luta contra poderosos, nesta decisão deste magistrado. Por que com todas as evidências do processo este magistrado deixou o assassino livre?? Por que é branco de familia abastada? Mas esse assassino é um ser nocivo à sociedade, um péssimo exemplo aos jovens.

Desde que meu filho foi morto todos nos aconselhavam a ficarmos quietos, que DEUS ia punir o assassino. Fomos à luta, pois DEUS deve estar muito ocupado.

Peço aos ativistas dos direitos humanos, aos ativistas  que militam contra a homofobia que nos ajudem. Ninguém sem vivê-la pode saber o sentido real da nossa dor, da dor de  VER UM FILHO QUE AMAMOS MORRENDO POR UM GRANDE SENSO DE RESPONSABILIDADE, morrer porque respeitou o outro e agiu em sua defesa.

Se vocês ativistas, deputados, militantes ligados a causa LGBT pressionarem,  perguntarem como anda o caso  do assassinato de Marx Nunes, aparecerem na tv e cobrarem que a Justiça seja feita teremos mais força para que a Justiça seja realmente feita.

A única arma de meu filho no dia que foi assassinado era o amor ao próximo pois, mesmo sendo hetero, não aceitou que  em pleno seculo XXI vivêssemos governados pelo preconceito medieval, alimentados pelo ódio ao próximo!!!!!!!

HOMOFOBIA MATA E A IMPUNIDADE NOS TORTURA PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS!!!!

POR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA COM UMA JUSTICA MAIS NEUTRA E ATUANTE ONDE O PODER ECONÔMICO NÂO SEJA DETERMINANTE

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JBS Friboi: quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos

setembro 9th, 2011 by mariafro
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JBS Friboi: quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos

Leonardo Severo, de Campo Grande

09/09/2011


Verônica, Casimiro e Elton: três vítimas do ritmo intenso de trabalho e das longas jornadas. Três histórias de luta por justiça

Verônica Benitez tem 41 anos; Casimiro Bordon Ibanez, 55 e Elton Ferreira da Silva, 26 são funcionários da JBS Friboi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Em comum, além da convivência com a dor, alavancada pelas lesões por esforço repetitivo, um desejo enorme de justiça.

Se não tão grande, pelo menos à altura da maior produtora mundial de carnes que, de Campo Grande, exporta para países como Alemanha, Japão e Rússia. As duas unidades ali sediadas abatem em torno de 3.200 cabeças de gado por dia com somente 2.500 trabalhadores. Um feito.

A vontade expressa em tom de protesto é de que o ritmo alucinado imposto pelas chefias para cumprir metas cada vez mais estapafúrdias tenha fim com fiscalizações e autuações que não promovam a impunidade, como vem ocorrendo.

Informados sobre os dez bilhões destinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social à JBS Friboi, que comprou recentemente com dinheiro público o frigorífico Bertin, o olhar dos três foi um misto de incredulidade e raiva. Talvez como a maior parte dos leitores.

“NÃO CONSIGO TIRAR OU VESTIR A BLUSA”
“Eu trabalhava na triparia tirando o sebo com a tesoura para cozinhar e embalar. É questão de segundos e vai caindo tripa e mais tripa, o que deixa muita gente doente pelo ritmo. Lá dizem que tem 70 trabalhadores, mas se trabalham 40 é muito porque muitos acabam pegando atestado por não suportar o ambiente ou estão encostados na Previdência. E aí quem fica ali tem que dar conta do serviço todo e se arrebenta”, explica Verônica.
Passados dois anos, o assédio moral convertido em “pressão psicológica” para cumprir metas cada vez mais inatingíveis rendeu bons resultados para a empresa, que vitaminou suas exportações, enquanto a trabalhadora foi uma das que ficou com o prejuízo. O laudo de verônica aponta para a existência de um edema, além de “bursite subacromial” e “tendinite do supraespinhal e subescapular” que a incapacitam para o trabalho.
“Agora, a empresa diz que não têm nada com isso. Mas não foi lá que adquiri estas lesões? Se a gente chegava com um atestado de 15 dias, tiravam dez e só davam cinco, com o médico da empresa remanejando de função, fazendo as pessoas trabalharem doentes. Então, de quem é a culpa?”, questiona a operária. Recebendo do INSS “auxílio-doença”, já que “a JBS tem como norma não reconhecer o acidente de trabalho”, Verônica vem pagando consultas e remédios do próprio bolso. “Não consigo tirar ou vestir a blusa, pentear o cabelo ou erguer o braço”, desabafa.

DIRETO AO ASSUNTO
“Faqueiro de esfola”, que derrubava o bucho do animal, “subindo e descendo todo o dia”, seu Casimiro está “encostado” há um ano e oito meses. Ressonância magnética em punho, já vai direto ao assunto: “foi acidente de trabalho, mas a empresa não reconhece. Eles vão tapeando a gente, até que não dá mais”.
A conclusão do médico Antonio Olinto Furtado aponta para a existência de uma infinidade de cistos, rupturas e derrames, e da necessidade de uma cirurgia, que Casimiro aguarda ansioso – e se esforça muito para concretizá-la – há oito meses.
Completamente abandonado pela empresa, está tomando “remédio controlado”, sempre mais caro. Por isso a palavra “controlado” é sempre dita com os olhos pra cima e as mãos no bolso. Para completar, de três em três meses ele precisa pagar médico particular. O que significa R$ 150,00 para conseguir o laudo, “porque senão o perito não aceita e teria de voltar a trabalhar”. São dez fisioterapias todo o mês, pelas quais também precisa pagar pelo deslocamento, pois vive a cerca de dez quilômetros do local do tratamento. Como faqueiro de qualidade, recebia R$ 1.163 mensais, reduzidos atualmente a pouco mais de R$ 680,00.
Inconformado com o desrespeito, parece repetir o refrão da música: Quem é que vai pagar por isso?

MOENDO A JUVENTUDE
Mais novo dos três, Elton teve no frigorífico o seu primeiro acidente de trabalho. “Cheguei de manhã, normal. Foi tudo muito rápido. Quando vi já estava com o braço travado dentro da máquina, urrando de dor e pedindo socorro”.
Elton lembra que quando a temperatura esfria começam os pedidos de mocotó – a pata do boi. “Então precisa da polideira, na qual vão duas buchas de aço para tirar o pelo do mocotó. O problema é que tinha uma aglomeração de gente na seção para tocar a produção – cerca de 1.500 pés por dia. Tudo parecia ping-pong, com a gente cagando a alma pela pressão. E o meu braço ficou assim”, mostra.
Cheio de pinos, o braço engessado deveria ter passado por uma avaliação médica no dia 23 de agosto. Como não havia médico no sistema público de Campo Grande para realizar o trabalho, e a JBS não deu qualquer apoio para amenizar o sofrimento numa clínica particular – inviável para quem ficou por conta do auxílio do INSS – a consulta foi remarcada para o dia 20 de setembro. “O braço ainda dói’, desabafa. Enquanto a palavra cala, como se já bastasse o que foi dito, o olhar expressa o peso do abandono e o clamor pela justiça que anda muito devagar por aqueles lados.

Leia também:

Denúncia: A lesão de Dona Vilma devido a ‘sexagem’ e o descaso da Seara/Marfrig

Documentário Carne Osso revela trabalho insalubre em frigoríficos

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Defesa do ex-ministro José Dirceu entrega alegações finais sobre o mensalão ao STF

setembro 9th, 2011 by mariafro
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Defesa do ex-ministro José Dirceu entrega alegações finais sobre o mensalão ao STF

Os advogados do ex-ministro José Dirceu apresentaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (8/9) as alegações finais na Ação Penal 470. É a primeira vez que se faz uma análise sobre as acusações e provas sobre José Dirceu no processo.
Em suas 160 páginas, o documento relaciona cada uma das acusações feitas contra o ex-ministro e, depois, descreve as provas relacionadas a ele produzidas no curso do processo.
Essa análise demonstra que não só são frágeis as acusações contra Dirceu, como que não há nada na conduta do ex-ministro que possa levar a sua condenação.
O caso foi exaustivamente investigado. Além do inquérito policial, foram realizadas duas CPIs, buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico, requisições de documentos e foram tomados inúmeros depoimentos. Ainda assim não há quaisquer provas aditadas ao processo pela acusação que demonstrem que José Dirceu é culpado.
Um bom exemplo é relativo à acusação de que o ex-ministro controlava as ações da direção do PT. Os depoimentos de dirigentes partidários, de integrantes do governo, de funcionários da Casa Civil e do PT e de políticos de outros partidos não deixam dúvidas de que José Dirceu se afastou dos assuntos relacionados ao Partido dos Trabalhadores quando estava no governo.
Mais do que isso, não há qualquer elemento no processo que possa sequer sugerir que José Dirceu tinha conhecimento de questões relacionadas à administração ou finanças do PT no período que esteve à frente da Casa Civil.
Em outros casos, o Ministério Público desistiu das acusações que fez no início do processo. Apesar de acusar José Dirceu de beneficiar o banco BMG e de garantir que não houvesse fiscalização de supostas operações de lavagem de dinheiro, a Procuradoria dispensou testemunhos nesse sentido, não produziu nenhuma prova e sequer mencionou a questão em suas alegações finais.
Se é insustentável a acusação de formação de quadrilha, a análise do processo demonstra que também não foi provada a existência da imaginada compra de votos ou mesmo a participação de José Dirceu nos repasses de valores que a denúncia tipifica como corrupção ativa.
A análise do processo também demonstra a falta de lógica no raciocínio da acusação, uma vez que parlamentares supostamente corrompidos integravam a base aliada, ocupavam ministérios e sempre votaram a favor do governo Lula, que já apoiavam até mesmo durante as eleições de 2002.
Além disso, o Ministério Público não consegue estabelecer qualquer relação entre saques e votações, pressuposto indispensável para as acusações de corrupção. Em suas alegações finais, se limita a dizer “houve a entrega de dinheiro a alguns acusados em datas próximas a algumas votações importantes para o governo”, sendo que alguns “traíram o acordo firmado e votaram em sentido diverso”, sem sequer apontar quais.
O pedido de condenação de José Dirceu feito pela Procuradoria Geral da República é fundamentado somente no argumento de que é necessário dar um exemplo à sociedade.Ao pedir a condenação de José Dirceu sem apresentar uma única prova contra ele produzida no processo judicial, o Ministério Público pretende violar a lei (artigo 155 do Código de Processo Penal), os princípios constitucionais do devido processo legal e contraditório, e também a jurisprudência consolidada em todos os tribunais brasileiros.
A defesa de Dirceu conclui que ao final da ação penal “um amplo e coeso conjunto probatório se revelou durante o processo para comprovar cabalmente a inocência do ex-Ministro-Chefe da Casa Civil”.
A defesa de José Dirceu no processo é assinada pelos advogados José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua.

Clique aqui para ver o quadro com o resumo das acusações, provas produzidas no processo e argumentos da defesa de José Dirceu no processo.

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