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Luta pela Moradia: Documentário Atrás da Porta

agosto 19th, 2011 by mariafro
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Quase não vi esta preciosa dica do Fabrício (@fabriciokc), o documentário Atrás da Porta.

Necessário para quem quer refletir sobre a exclusão urbana, sem tetos, mega-eventos, ‘minha casa, minha vida, e mesmo que seu foco seja no Rio, São Paulo e outras capitais vivem exclusões semelhantes. Aqui neste blog e outros  comprometidos com direitos humanos, você pode encontrar centenas de denúncias.

Documentário fundamental sobre a negação de um direito fundamental a muitos: o direito à moradia.

Ele está na íntegra no youtube. Para facilitar criei uma lista de reprodução aqui


Leia também:
Raquel Rolnik: Megaeventos, o espetáculo e o mito
Militância do PT carioca e visões contraditórias sobre as demolições e desapropriações para os megaeventos
Copa, empreiteiras, vendas do patrimônio público, licitações, desapropriações, escândalos e muita desinformação
Para Eduardo Paes, o novo Pereira Passos, pobre no caminho da Copa é lixo

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Victor Farinelli: Saramago e os cem mil guarda-chuvas (chilenos)

agosto 19th, 2011 by mariafro
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Belo texto de Victor Farinelli sobre a manifestação de ontem que levou 100.000 pessoas às ruas da capital chilena, embaixo de chuva, neve em alguns lugares e um frio intenso com temperatura próxima a 0ºC.

Saramago e os cem mil guarda-chuvas

Por: Victor Farinelli, de Santiago do Chile, especial para o Maria Frô

19/08/2011

Quem me dera se minhas palavras fossem melhores, para poder dissertar sobre os últimos desatinos do governo de Piñera com a precisão que requer o leitor, e como longe estou de ser um Saramago, me limito a reproduzir uma citação clássica de sua obra: “somos todos cegos, cegos que podem ver, mas não querem” – frase que, aliás, cairia como uma luva em muitos dos conflitos sociais que vivemos no mundo, atualmente.

Na tarde de quarta-feira (17/08), o ministro de educação Felipe Bulnes anunciava a terceira proposta de reforma elaborada pelo governo chileno, tentando colocar fim ao conflito estudantil no país e ao anseio por um plebiscito que vem ganhando força nos últimos dias. As novidades eram as mesmas da proposta anterior, com novos números: se ofereceu juros ainda menores nos créditos educativos entregues pelo governo (de 5,6% para 2%), e com taxas retroativas, para ajudar os estudantes já formados a quitarem suas dívidas, além de maior cobertura dos créditos aos setores mais pobres da população e um processo mais acelerado de desmunicipalização das escolas de ensino básico e fundamental.

Ofertas interessantes, beneficiariam a muita gente, mas que mantêm Piñera e seus ministros no mesmo estigma da cegueira dos que não querem ver. O governo chileno sabe desde a primeira marcha estudantil que as duas principais bandeiras do movimento são a educação pública gratuita e o fim ao lucro nas instituições educacionais.

Cem mil guarda-chuvas chilenos reunidos no comício que finalizou a marcha. Foto: publimetro.cl, Avenida Blanco Encalada, Santiago do Chile, 18/08/2011.

As taxas de juros menores e retroativas talvez serviriam para frear o movimento se a ideia tivesse sido lançada em maio, antes das marchas multitudinárias. Agora, com o massivo respaldo à ideia de educação pública gratuita planteada pelos estudantes, soa a placebo.

Sobre o fim do lucro na educação, o governo além de cego é mudo. Depois que a primeira proposta morreu ao nascer, quando Piñera propôs, em cadeia nacional, legalizar o lucro das instituições de ensino (o que no Chile atual é dessas coisas que acontecem, apesar de ser proibido constitucionalmente) mas impondo limites e regras, os anúncios seguintes ignoraram o tema, apesar de a omissão tampouco ser benéfica para o governo.

Mas Bulnes e Piñera apostavam em seduzir parte dos estudantes que poderiam se sentir entusiasmados com a possibilidade de quitar suas dívidas com os juros menores, e que esse percentual fosse suficiente para reduzir o apoio ao movimento estudantil e tirá-lo do noticiário.

A manhã da quinta-feira (18/08) tinha programada uma nova marcha – a Confederação dos Estudantes do Chile (CONFECH) não tardou em rejeitar o novo projeto e a programar outra manifestação em repúdio a falta de respostas aos seus principais planteamentos – e o oficialismo contava com a ajuda providencial dos céus. Santiago amanheceu com a temperatura próxima a 0ºC, meia cidade sob chuvas intensas, a outra metade sob tímida nevação.

Não foi suficiente! As águas de agosto somente serviu para que os guarda-chuvas na avenida trouxessem um tom carnavalesco e imprimissem à marcha apelido e lema apoteóticos. “A Marcha dos 100 Mil Guarda-chuvas, contra frio, chuva, vento e neve, contra todas as forças ao redor do governo, …”, o dilúvio de frases heroicas inundou as redes sociais e os discursos dos líderes do movimento.

E não foi só a presença novamente massiva da população. Também foi a passeata mais pacífica de todas, com os próprios estudantes enfrentando os desordeiros encapuzados, com pais de estudantes fazendo correntes humanas para conter os vândalos, com a violência sendo combatida e resolvida pelo movimento e não pela polícia.

O fortalecimento do movimento estudantil já instalou na sociedade o anseio irrenunciável de uma reforma do sistema educacional que resulte em educação pública gratuita e na proibição de que as instituições educacionais busquem lucro. Os governistas insistem em ser os cegos do Saramago, não querem ver com seus olhos sãos, ainda caminhando sobre uma corda bamba, e sem os guarda-chuvas, que estão com os estudantes, tropeçam na realidade.

Enquanto isso, os universitários reforçam outra bandeira, a de que o plebiscito é a melhor forma de solucionar o problema. A saída plebiscitária não está prevista na constituição chilena, mas conta com o apoio de parte dos parlamentares oposicionistas, que já elaboram uma proposta de minirreforma constitucional para permiti-la.

Aceitar essa solução seria harakiri político e o presidente chileno sabe disso, mas quiçá ainda não tenha se dado conta de que, por outro lado, insistir na cegueira frente aos principais temas significa uma morte lenta e mais dolorosa, e a sangria já está desatada.

Piñera terá que ceder a pelo menos um dos requerimentos estudantis se quiser impedir o plebiscito, e de quebra salvar algo da sua popularidade, porque tampouco poderá manter-se cego frente a outro dilema cruel: o de como deixar de ser o presidente eleito com o pior índice de popularidade da história do Chile, o que por enquanto é somente um detalhe de uma pesquisa isolada, mas não reverter essa rejeição nos dois anos de mandato que lhe restam poderia significar assumir um estigma tão vergonhoso quanto o que terminou sobre os ombros de Pinochet – algo a se conversar com alguns de seus correligionários, que abandonaram o barco da ditadura quando aquele começou a afundar.

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Da UNEAFRO-Brasil: Agora tem negro no DEM?

agosto 19th, 2011 by mariafro
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Dica do Igor Felippe

Do Site da UNEafro

A UNEafro fez um vídeo-resposta à campanha do DEM, que utiliza um jovem negro para tentar legitimar o ilegitimável.
No referido vídeo, o DEM (ex ARENA, PDS, PFL) – partido historicamente comprometido com as elites mais conservadoras do país, se utiliza da imagem e da boa fé de um jovem negro morador da periferia de Salvador (BA) para tentar legitimar o ilegitimável.

Assista o video hipócrita do DEM:

Resposta da UNEAFRO ao DEM – Partido Democratas, vídeo produzido pela UNEafro-Brasil, com apoio do Instituto Luis Gama.

Trata-se de uma reposta à propaganda eleitoral promovida pelo DEMOCRATAS e veiculada em rede nacional, nas duas primeiras semanas de Agosto/11.

Para que todos/as nos escutem: O DEMOCRATAS e seus aliados NÃO NOS REPRESENTAM!

Ficha Técnica:
Atriz (vida real)
Maira Santos Cunha
Produção:
Militantes da UNEafro-Brasil
Visite nosso site: www.uneafrobrasil.org

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O poder não tem ideologia: Empresária do Cansei em futuro ministério de Dilma

agosto 19th, 2011 by mariafro
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Ando atrasada com as notícias, só soube hoje que teremos mais um ministério e que já tem até ministra que aceitou o convite da presidenta.

Luiza Trajano, empresária de sucesso que comanda a terceira rede  de lojas do varejo do país, Magazine Luiza, não tem partido (ao menos que eu saiba), mas foi figurinha carimbada no movimento “Cansei” e  convocou seus 10 mil funcionários a aderir ao movimento:

LUIZA HELENA TRAJANO, também participante do movimento, convocou seus 10 mil funcionários – MAGAZINE LUIZA – a trabalharem de luto – fita preta no uniforme – no mesmo dia em que as lideranças empresariais fariam um ato público na PRAÇA DA SÉ, mas procurada pela imprensa, divulgou uma nota afirmando que “O movimento não se trata de um ato político, mas de uma manifestação cívica de cidadania e de amor ao Brasil”.

À época, o sindicato dos comerciários repudiou o fato de Luiza Trajano convocar seus funcionários para tal fim, como informa matéria do Valor Econômico: Sindicato repudia convocação de rede varejista (link alternativo, aqui)

Em 31/10/2010, dia da votação do segundo turno das eleições presidenciais, na qual o Brasil elegeu Dilma para ser a primeira mulher a comandar a Presidência do país foi no mínimo curioso o tweet postado por Julio Cesar Trajano, gerente de compras de eletrônicos da rede Magazine Luiza e um dos filhos da empresária mais combativa do “Cansei” e futura ministra de Dilma.

Mas lembrem-se, o que vale é a ‘relação republicana’:

Interessante destacar outro membro da família, Fred Trajano, responsável por levar a rede Magazine Luiza para um estudo de caso em Harvard, leia aqui.  Ele também escreveu um artigo que chama a atenção pela imagem que tem sobre o país e, de modo indireto, sobre o governo Lula, leia aqui

Parece que esses irmãos e a mãe, que se empenhou no ‘Cansei’ (estou deduzindo sobre o parentesco pelos sobrenomes e cargos ocupados na companhia) divergem sobre o Brasil.

Enquanto a futura ministra carrega a história de ativa participante do movimento conservador do ‘Cansei’ e Julio Cesar que publicou seu voto em Serra na esperança de ‘ajustar o Brasil’, contra o risco da ‘bruxa’ vencer as eleições, Fred Trajano, bem mais polido no twitter e bem informado sobre redes sociais, escrevia um artigo dois dias antes das eleições afirmando:Nunca estivemos diante de um cenário tão favorável. Vivemos um boom econômico, com a conjugação inédita de crescimento, estabilidade da moeda e democracia”.

Presidenta, não pode trocar a mãe pelo filho Fred?

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