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JBS Friboi: quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos

setembro 9th, 2011 by mariafro
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JBS Friboi: quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos

Leonardo Severo, de Campo Grande

09/09/2011


Verônica, Casimiro e Elton: três vítimas do ritmo intenso de trabalho e das longas jornadas. Três histórias de luta por justiça

Verônica Benitez tem 41 anos; Casimiro Bordon Ibanez, 55 e Elton Ferreira da Silva, 26 são funcionários da JBS Friboi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Em comum, além da convivência com a dor, alavancada pelas lesões por esforço repetitivo, um desejo enorme de justiça.

Se não tão grande, pelo menos à altura da maior produtora mundial de carnes que, de Campo Grande, exporta para países como Alemanha, Japão e Rússia. As duas unidades ali sediadas abatem em torno de 3.200 cabeças de gado por dia com somente 2.500 trabalhadores. Um feito.

A vontade expressa em tom de protesto é de que o ritmo alucinado imposto pelas chefias para cumprir metas cada vez mais estapafúrdias tenha fim com fiscalizações e autuações que não promovam a impunidade, como vem ocorrendo.

Informados sobre os dez bilhões destinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social à JBS Friboi, que comprou recentemente com dinheiro público o frigorífico Bertin, o olhar dos três foi um misto de incredulidade e raiva. Talvez como a maior parte dos leitores.

“NÃO CONSIGO TIRAR OU VESTIR A BLUSA”
“Eu trabalhava na triparia tirando o sebo com a tesoura para cozinhar e embalar. É questão de segundos e vai caindo tripa e mais tripa, o que deixa muita gente doente pelo ritmo. Lá dizem que tem 70 trabalhadores, mas se trabalham 40 é muito porque muitos acabam pegando atestado por não suportar o ambiente ou estão encostados na Previdência. E aí quem fica ali tem que dar conta do serviço todo e se arrebenta”, explica Verônica.
Passados dois anos, o assédio moral convertido em “pressão psicológica” para cumprir metas cada vez mais inatingíveis rendeu bons resultados para a empresa, que vitaminou suas exportações, enquanto a trabalhadora foi uma das que ficou com o prejuízo. O laudo de verônica aponta para a existência de um edema, além de “bursite subacromial” e “tendinite do supraespinhal e subescapular” que a incapacitam para o trabalho.
“Agora, a empresa diz que não têm nada com isso. Mas não foi lá que adquiri estas lesões? Se a gente chegava com um atestado de 15 dias, tiravam dez e só davam cinco, com o médico da empresa remanejando de função, fazendo as pessoas trabalharem doentes. Então, de quem é a culpa?”, questiona a operária. Recebendo do INSS “auxílio-doença”, já que “a JBS tem como norma não reconhecer o acidente de trabalho”, Verônica vem pagando consultas e remédios do próprio bolso. “Não consigo tirar ou vestir a blusa, pentear o cabelo ou erguer o braço”, desabafa.

DIRETO AO ASSUNTO
“Faqueiro de esfola”, que derrubava o bucho do animal, “subindo e descendo todo o dia”, seu Casimiro está “encostado” há um ano e oito meses. Ressonância magnética em punho, já vai direto ao assunto: “foi acidente de trabalho, mas a empresa não reconhece. Eles vão tapeando a gente, até que não dá mais”.
A conclusão do médico Antonio Olinto Furtado aponta para a existência de uma infinidade de cistos, rupturas e derrames, e da necessidade de uma cirurgia, que Casimiro aguarda ansioso – e se esforça muito para concretizá-la – há oito meses.
Completamente abandonado pela empresa, está tomando “remédio controlado”, sempre mais caro. Por isso a palavra “controlado” é sempre dita com os olhos pra cima e as mãos no bolso. Para completar, de três em três meses ele precisa pagar médico particular. O que significa R$ 150,00 para conseguir o laudo, “porque senão o perito não aceita e teria de voltar a trabalhar”. São dez fisioterapias todo o mês, pelas quais também precisa pagar pelo deslocamento, pois vive a cerca de dez quilômetros do local do tratamento. Como faqueiro de qualidade, recebia R$ 1.163 mensais, reduzidos atualmente a pouco mais de R$ 680,00.
Inconformado com o desrespeito, parece repetir o refrão da música: Quem é que vai pagar por isso?

MOENDO A JUVENTUDE
Mais novo dos três, Elton teve no frigorífico o seu primeiro acidente de trabalho. “Cheguei de manhã, normal. Foi tudo muito rápido. Quando vi já estava com o braço travado dentro da máquina, urrando de dor e pedindo socorro”.
Elton lembra que quando a temperatura esfria começam os pedidos de mocotó – a pata do boi. “Então precisa da polideira, na qual vão duas buchas de aço para tirar o pelo do mocotó. O problema é que tinha uma aglomeração de gente na seção para tocar a produção – cerca de 1.500 pés por dia. Tudo parecia ping-pong, com a gente cagando a alma pela pressão. E o meu braço ficou assim”, mostra.
Cheio de pinos, o braço engessado deveria ter passado por uma avaliação médica no dia 23 de agosto. Como não havia médico no sistema público de Campo Grande para realizar o trabalho, e a JBS não deu qualquer apoio para amenizar o sofrimento numa clínica particular – inviável para quem ficou por conta do auxílio do INSS – a consulta foi remarcada para o dia 20 de setembro. “O braço ainda dói’, desabafa. Enquanto a palavra cala, como se já bastasse o que foi dito, o olhar expressa o peso do abandono e o clamor pela justiça que anda muito devagar por aqueles lados.

Leia também:

Denúncia: A lesão de Dona Vilma devido a ‘sexagem’ e o descaso da Seara/Marfrig

Documentário Carne Osso revela trabalho insalubre em frigoríficos

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Defesa do ex-ministro José Dirceu entrega alegações finais sobre o mensalão ao STF

setembro 9th, 2011 by mariafro
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Defesa do ex-ministro José Dirceu entrega alegações finais sobre o mensalão ao STF

Os advogados do ex-ministro José Dirceu apresentaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (8/9) as alegações finais na Ação Penal 470. É a primeira vez que se faz uma análise sobre as acusações e provas sobre José Dirceu no processo.
Em suas 160 páginas, o documento relaciona cada uma das acusações feitas contra o ex-ministro e, depois, descreve as provas relacionadas a ele produzidas no curso do processo.
Essa análise demonstra que não só são frágeis as acusações contra Dirceu, como que não há nada na conduta do ex-ministro que possa levar a sua condenação.
O caso foi exaustivamente investigado. Além do inquérito policial, foram realizadas duas CPIs, buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico, requisições de documentos e foram tomados inúmeros depoimentos. Ainda assim não há quaisquer provas aditadas ao processo pela acusação que demonstrem que José Dirceu é culpado.
Um bom exemplo é relativo à acusação de que o ex-ministro controlava as ações da direção do PT. Os depoimentos de dirigentes partidários, de integrantes do governo, de funcionários da Casa Civil e do PT e de políticos de outros partidos não deixam dúvidas de que José Dirceu se afastou dos assuntos relacionados ao Partido dos Trabalhadores quando estava no governo.
Mais do que isso, não há qualquer elemento no processo que possa sequer sugerir que José Dirceu tinha conhecimento de questões relacionadas à administração ou finanças do PT no período que esteve à frente da Casa Civil.
Em outros casos, o Ministério Público desistiu das acusações que fez no início do processo. Apesar de acusar José Dirceu de beneficiar o banco BMG e de garantir que não houvesse fiscalização de supostas operações de lavagem de dinheiro, a Procuradoria dispensou testemunhos nesse sentido, não produziu nenhuma prova e sequer mencionou a questão em suas alegações finais.
Se é insustentável a acusação de formação de quadrilha, a análise do processo demonstra que também não foi provada a existência da imaginada compra de votos ou mesmo a participação de José Dirceu nos repasses de valores que a denúncia tipifica como corrupção ativa.
A análise do processo também demonstra a falta de lógica no raciocínio da acusação, uma vez que parlamentares supostamente corrompidos integravam a base aliada, ocupavam ministérios e sempre votaram a favor do governo Lula, que já apoiavam até mesmo durante as eleições de 2002.
Além disso, o Ministério Público não consegue estabelecer qualquer relação entre saques e votações, pressuposto indispensável para as acusações de corrupção. Em suas alegações finais, se limita a dizer “houve a entrega de dinheiro a alguns acusados em datas próximas a algumas votações importantes para o governo”, sendo que alguns “traíram o acordo firmado e votaram em sentido diverso”, sem sequer apontar quais.
O pedido de condenação de José Dirceu feito pela Procuradoria Geral da República é fundamentado somente no argumento de que é necessário dar um exemplo à sociedade.Ao pedir a condenação de José Dirceu sem apresentar uma única prova contra ele produzida no processo judicial, o Ministério Público pretende violar a lei (artigo 155 do Código de Processo Penal), os princípios constitucionais do devido processo legal e contraditório, e também a jurisprudência consolidada em todos os tribunais brasileiros.
A defesa de Dirceu conclui que ao final da ação penal “um amplo e coeso conjunto probatório se revelou durante o processo para comprovar cabalmente a inocência do ex-Ministro-Chefe da Casa Civil”.
A defesa de José Dirceu no processo é assinada pelos advogados José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua.

Clique aqui para ver o quadro com o resumo das acusações, provas produzidas no processo e argumentos da defesa de José Dirceu no processo.

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Acampados do MST Americana/SP despejados de terras públicas, griladas por usineiros

setembro 9th, 2011 by mariafro
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REFORMA AGRÁRIA JÁ!!!

Estávamos fazendo uma ocupação de terra em Americana – SP e fomos despejados há cerca de 1 semana. Gostaríamos de compartilhar com vcs algumas informações e pedir um apoio para a divulgação da nossa luta.

De início, envio 2 vídeos com depoimentos de acampados. A área que ocupamos é uma terra PÚBLICA (do INSS) que vem sendo utilizada há mais de 20 anos pela Usina Eshter para a monocultura de cana de açúcar.

Seguem os links

Mil acampados na ocupação do MST em Americana/SP que teve início no dia 06 de agosto de 2011. As terras ocupadas pertencem ao governo federa e foram ilegalmente invadidas pela usina Ester para o plantio da monocultura da cana. O acampamento está constantemente sobre ameaça de despejo. Nem o INCRA, nem o ITESP, ou qualquer órgão do governo se manifestou até agora em defesa do direito dos sem-terra. Para doações, apoios e maiores informações: campinasmst@gmail.com.

Filmagem: Marcelo Pupo
Entrevista: Marcelo Pupo e Yan Caramel
Edição: Jefferson Vasques
Fotos: Cristina Beskow

Se vcs puderem, por favor postem esses vídeos no blog de vcs…

Obrigada
Tatiana

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Promotor da editora Abril na Bienal do Livro no Rio de Janeiro é acusado de racismo

setembro 9th, 2011 by mariafro
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A sugestão das notícias foi de José Francisco Guimarães que indicou também matéria do JB.
O Geledés , Rovai e Pele Negra também fizeram posts a respeito.

Hoje, 9 de Setembro, às 15 H Convocamos todas as Mulheres para ato contra o racismo no stand da Editora Abril

Estudantes de Niterói denunciam racismo na Bienal do Livro

Por:  Augusto Aguiar,  A Tribuna RJ

07/09/2011

Estudantes de Niterói denunciam racismo na Bienal do Livro

Foto: Bárbara Grebe

 

Alunos da Escola Estadual Guilherme Briggs, em Santa Rosa, Zona Sul de Niterói, sentiram na pele, na tarde da última segunda-feira, a dor do preconceito racial, que supostamente para muitos não ocorreria mais em nosso país, muito menos nas dependências de uma feira literária, onde nossa cultura é expressada das mais variadas formas, nas páginas publicadas por inúmeras editoras. Preconceito e injúria racial são crimes passíveis de prisão, no artigo 9º da Lei 7716/89.
De acordo com a diretora da escola, Alcinéia de Souza, o fato entristeceu e chocou os alunos da unidade, uma das mais conhecidas do município, foi registrado ontem da Delegacia Legal de Icaraí (77ª DP), e formalmente encaminhado à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.
De acordo com a diretora do estabelecimento de ensino, na tarde de segunda-feira ela levou um grupo de 45 alunos que cursam o Ensino Médio da escola até a Bienal do Livro 2011, que se realiza no pavilhão do Riocentro, na Zona Oeste do Rio. No local, entusiasmados os alunos, com idades entre 15 e 17 anos, se espalharam para apreciar os vários estandes. Segundo os alunos e a diretora, num deles da Editora Abril ocorria uma promoção, onde eram distribuídos uma espécie de senha para que os jovens prestigiassem a tarde de autógrafos do ator e apresentador Rodrigo Faro. Entusiasmadas, duas alunas do colégio, de 16 e 17 anos, se dirigiram até um dos promotores, inicialmente identificado apenas como “Pedro” ou “Roger” – no intuito de conseguir uma das senhas. Do promotor as alunas ouviram (incrédulas) insultos do tipo: “Não vamos dar a senha porque vocês são pretas do cabelo duro”, e também “não gosto de mulheres negras, por isso não darei senhas para vocês”. Segundo uma das alunas, indignada com a ofensa ainda tentou argumentar com o promotor – “isso é um tipo de bullying, e pode te trazer problemas”. Com resposta o promotor rebateu, afirmando que isso não daria problema nenhum para ele”.
Como o grupo estava espalhado pelo pavilhão de exposições, a diretora da escola afirmou que só tomou conhecimento do fato quando os alunos já estavam deixando o evento. Revoltada, Alcinéia retornou ao estende da Editora Abril, à procura do responsável pela representação da empresa, que de acordo com ela pediu-lhe desculpas (omitindo a identificação do promotor) e alegando que tomaria providências. “Sentindo-se humilhada, uma das alunas disse que sequer conseguiu dormir de segunda para terça-feira”, explicou Alcinéia, que no início da tarde de ontem, acompanhada dos alunos, pais, e de um advogado (que também é professor da unidade), José Carlos de Araújo, registrou queixa de crime de Injúria e Preconceito Racial na 77ª DP. A distrital encaminhou o procedimento para a Delegacia Legal do Recreio dos Bandeirantes (42ª DP).
“Ensinamos os princípios da cidadania para os alunos, explicando inclusive que independe de quem sejam, e agora ele passam por uma experiência terrível dessas ? Os alunos da escola estão chocados com o que aconteceu. Fiz questão de comparecer junto com os pais desses estudantes na DP para relatar esse triste fato. Esses estudantes são como filhos pra mim”, disse Alcinéia. “Em pleno século XXI isso ainda acontece em nosso país. Esse fato não se esgota na esfera criminal. Não desejamos isso para nosso país”, disse José Carlos de Araujo, que junto com a diretora, os alunos, e com a cópia do registro levou também ontem o fato ao conhecimento da Secretaria Estadual de Assistência Social de Direitos Humanos para que providências sejam tomadas.
Representantes da Editora Abril não retornaram as ligações da redação.

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