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Os nossos acampados: professores do Rio de Janeiro

julho 25th, 2011 by mariafro
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Do R7, sugestão de @Helleenia via twitter.

Leia também: RJ: Aluno não é mercadoria, escola não é fábrica, educação não é negócio

Professores em greve passaram o segundo final de semana acampados em frente ao prédio da secretaria estadual de Educação do Rio. Uma das reivindicações é o reajuste salarial.

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Justiça norueguesa não dá palco para terrorista ariano e se fosse árabe, islâmico?

julho 25th, 2011 by mariafro
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Vi alguns tweets criticando o fato de o depoimento do terrorista norueguês, que matou 93 de seus compatriotas, ser fechado, sem a presença da mídia.

Eu concordo com as autoridades norueguesas em não oferecer palco para esse assassino, minha única dúvida é: e se o terrorista não fosse um ariano de olhos azuis,  a ordem seria a mesma?

De qualquer modo não deixa de ser interessante que uma tragédia dessas proporções tenha algum cuidado da Justiça norueguesa para que não vire apenas espetáculo nas tevês. A Justiça e a polícia brasileira poderiam olhar com cuidado para as ações que as autoridades norueguesas estão tomando. Lembremos do espetáculo que foi a cobertura da tragédia do Realengo com crianças fustigadas pela mídia durante e após a barbárie que viveram.

Norueguês assume autoria dos atentados em Oslo

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE

25/07/2011

Anders Behring Breivik é acusado de ter planejado e executado atentados que mataram 93 pessoas. Justiça negou pedido para que seu depoimento fosse público

O autor confesso dos atentados da Noruega, Anders Behring Breivik, depôs nesta segunda-feira no tribunal do distrito de Oslo sobre o massacre de 93 pessoas na sexta-feira. Ao chegar ao tribunal em um comboio da polícia, manifestantes cercaram o carro onde o atirador era conduzido, aos gritos de “traidor”.

Breivik admitiu ter sido o autor da explosão em Olso, que matou sete pessoas, e do atentado a tiros na ilha de Utoya, matando ao menos 86 pessoas, mas disse não se sentir “culpado”. O norueguês disse ao juiz que obteve ajuda de dois grupos, e que seu objetivo era defender a Noruega de islâmicos e marxistas.

O juiz negou o pedido de Breivik, e a audiência aconteceu a portas fechadas para o público e imprensa. A Justiça sentenciou o atirador a 8 semanas de confinamento, enquanto duram as investigações.

Mais cedo, a Noruega parou com um minuto de silêncio em lembrança às vítimas do massacre. Em solenidade aberta oficialmente pelo rei Haraldm centenas de pessoas reunidas nos memoriais improvisados em vários pontos da capital fizeram silêncio. O transporte público parou e as televisões locais também interromperam suas transmissões por 60 segundos, após quase 48 horas de informações ininterruptas sobre a tragédia.

O atirador está sendo definido, pela imprensa norueguesa, como um fundamentalista cristão, islamofóbico e ultradireitista, que pediu presença da imprensa durante seu depoimento para que sua declaração ganhasse maior repercussão para suas tese.

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Mídia Ocidental, que estereotipa mundo árabe, está apavorada com seus próprios monstros

julho 25th, 2011 by mariafro
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Mario Lobato me chama a atenção para matéria de O Globo, na verdade uma tradução de um artigo do New York Times.

É bastante curioso assistirmos a mídia ocidental apavorada com os monstros que ela mesmo ajudou a criar. Uma pena não podermos dizer a esta mesma mídia irresponsável: Quem pariu Matheus que o embale, na medida em que a ação desses assassinos tem alcance imenso e toda a sociedade global deve se preocupar.

Mas será que depois de um ‘cidadão de bem’ – ariano de olhos azuis/cristão/europeu – chacinar mais de 90 cidadãos europeus/arianos a mídia ocidental tomará mais cuidado e evitará a construção de seus estereótipos medonhos contra o mundo árabe? Acompanhemos.

Tragédia na Noruega revela perigo do crescimento da extrema-direita no continente

Do ‘New York Times’, via O Globo

24/07/2011

BERLIM – Os ataques a Oslo e à ilha de Utoeya na sexta-feira chamaram a atenção para os extremistas de direita, não só na Noruega como também no resto da Europa, onde a oposição a imigrantes muçulmanos, à globalização, ao poder da União Europeia e à tendência para o multiculturalismo tem se mostrado uma potente força política e, em alguns casos, um estímulo à violência. O sucesso dos partidos populistas que apelam para um sentimento de perda da identidade nacional trouxe críticas a minorias, imigrantes e, em particular, a muçulmanos. Tudo isso turbinado pela crise econômica, que infla os números de desempregados e aumenta a frustração. Enquanto os próprios partidos não costumam tolerar a violência, alguns especialistas dizem que um clima de ódio no discurso político tem encorajado indivíduos violentos.

- Não me surpreendo quando coisas como a explosão na Noruega acontecem, porque você sempre vai encontrar pessoas que acreditam que meios mais radicais são necessários – disse Joerg Forbrig, um analista do German Marshall Fund, em Berlim, que vem estudando estas questões na Europa. – Isso literalmente é algo que pode acontecer em vários lugares, e existem problemas maiores por trás.

Em novembro, um homem sueco foi preso na cidade de Malmö, ligado a uma dúzia de tiroteios não solucionados envolvendo imigrantes e incluindo uma morte. Os ataques a tiros – nove deles entre junho e outubro de 2010 – pareceram ser obra de um caso isolado. De forma mais ampla na Suécia, porém, os Democratas Suecos, de extrema-direita, vêm obtendo sucesso nas pesquisas. O partido entrou no Parlamento pela primeira vez após conseguir 5,7% dos votos na eleição de setembro.

A explosão e os tiroteios em Oslo servem como alerta para os serviços de segurança na Europa e nos Estados Unidos que, nos últimos anos, ficaram tão focados nos terroristas islâmicos que talvez tenham subestimado a ameaça de radicais locais, incluindo aqueles que se aborrecem com o que veem como influência do Islã.
A possibilidade de o atentado a bomba e a chacina na Noruega serem obra de um ou mais militantes da ultradireita faz a Europa enfrentar o fantasma de uma nova ameaça paramilitar, uma década após os atentados da al-Qaeda no 11 de Setembro. Vários analistas qualificaram os ataques na Noruega como um possível “momento Oklahoma City” da Europa, uma referência ao militante de direita Timothy McVeigh que, em 1995, detonou um carro-bomba em frente a um edifício do governo federal em Oklahoma City, matando 168 pessoas.

Nesse contexto, as forças policiais de muitos países da Europa Ocidental estão preocupadas com o crescimento da extrema-direita, alimentado por uma mistura tóxica de intolerância anti-islâmica e pela profunda crise econômica que o continente vem atravessando desde 2008. A combinação do aumento da migração vinda de outros países com o amplamente irrestrito movimento de pessoas numa União Europeia ampliada ajudou a estabelecer as bases para um renascimento nacionalista.

Grupos vêm ganhando força da Hungria até a Itália, mas é particularmente evidente nos países do Norte da Europa, que há muito têm tido políticas de imigração liberais. A chegada de refugiados – gente que busca asilo e migrantes econômicos, muitos deles muçulmanos – levou a uma significativa vantagem em países como a Dinamarca, onde o Partido do Povo Dinamarquês tem 25 dos 179 assentos no parlamento, e na Holanda, onde o Partido da Liberdade de Geert Wilders venceu 15,5% dos votos na eleição geral de 2010. Wilders já comparou o Alcorão, o livro sagrado do Islã, a “Minha luta”, de Adolf Hitler.

- Ao confirmarem que Anders Behring Breivik é culpado, seria muito revelador ver um ataque de extrema-direita na Europa, mais ainda na Escandinávia, algo sem precedentes – disse Hagai Segal, especialista em segurança da New York University.

Os avanços da extrema-direita se refletiram no discurso da direita tradicional.

Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha, Nicolas Sarkozy, presidente da França, e David Cameron, o primeiro-ministro britânico, declararam recentemente o fim do multiculturalismo. O multiculturalismo “falhou completamente”, disse Merkel aos Democratas-Cristãos em outubro, mas frisando que imigrantes são bem-vindos na Alemanha. Na França, Sarkozy levantou um debate em toda a nação sobre a “identidade nacional” no ano passado e, no começo deste ano, baniu véus muçulmanos em público. Isso não fez com que a Frente Nacional, de extrema-direita e agora comandada por Marine Le Pen, a filha de seu fundador, parasse de aparecer em pesquisas de opinião, com algumas previsões de que ela deve entrar na corrida presidencial no ano que vem. Marine deprecia completamente a União Europeia e o euro.

Um informe da Europol, a agência de polícia europeia, sobre a questão da segurança em 2010, mostra que, no ano passado, não foram registradas atividades terroristas de extrema-direita. Mas o documento ainda dizia que estes grupos estavam se profissionalizando, com a produção de propaganda para a internet de natureza antissemita e xenófoba, e que tinham cada vez mais atividade nas redes sociais.

- Os grupos de extrema-direita noruegueses sempre foram desorganizados, nunca tiveram líderes carismáticos ou grupos bem-organizados com apoio financeiro, como você vê na Suécia – disse Kari Helene Partapuoli, diretor do Centro Norueguês Contra o Racismo. – Mas nos últimos dois ou três anos nossa organização e outras redes antifascistas têm avisado sobre a elevada temperatura do debate, e que grupos violentos têm se estabelecido.
*Com agências internacionais

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Terrorista de olhos azuis, cristão, neonazista é apenas ‘louco’ ou sobre o que a mídia nos diz dos atentados na Noruega

julho 24th, 2011 by mariafro
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Li esta matéria ontem e sugeri ao Coletivo Vila Vudu, agradeço-os por terem traduzido o referido artigo.

Veja também uma espécie de Mein Kampf revisitado e piorado do ultra-nacionalista fundamentalista cristão, Anders Behring Breivik. Seu diário, que levou 3 anos para ser escrito, é um manifesto de mais de 1500 páginas de puro ódio e já foi distribuído na internet.


E o terrorista islâmico da Al Qaeda, vejam vocês é cristão da ultra-direita norueguês, ariano de fazer inveja a Hitler. Odeia o islamismo e o marxismo e confessou os atentados na Noruega que até agora vitimou 93 pessoas.

Noruega, Islã e a ameaça que nasce no Ocidente
Por: Ibrahim Hewitt*, Al-Jazeera, Catar, Tradução: Vila Vudu
23/7/2011

Divulgar, antes de qualquer investigação e a partir de depoimentos de testemunhas traumatizadas que esse ato assassino foi “ato de um único louco” impede qualquer estudo mais detalhado das motivações do assassino.

Há alguns anos, T J Winter, respeitado professor de Cambridge, cujo nome muçulmano é Abdal Hakim Murad, fez palestra fascinante dirigida a professores e alunos de ciências humanas da Universidade de Leicester, sob o título de “O Islã e a ameaça que nasce no Ocidente”. Já o título chamava a atenção para ameaça diferente do slogan repetido (então, como hoje) “o Islã e a ameaça que nasce no Oriente”.

Foi nova abordagem que, em poucas palavras, ilustrou que, historicamente, sempre houve agressão maior da Europa contra o mundo muçulmano, que o contrário. Winter/Murad apresentou várias provas, de fontes impecavelmente dignas.

Voltei a pensar hoje nas palavras de Winter/Murad, quando lia as notícias sobre o terrível atentado a bomba e o tiroteio na Noruega, onde, evidentemente, as primeiras suspeitas foram de que os atentados tivesse algo a ver com “o terror islâmico”. Evidentemente se saberá mais nos próximos dias, mas o que se sabe hoje é que o assassino é “norueguês, louro, de olhos azuis”, com “tendências políticas de direita e convicções antimuçulmanas”.

Mas já se disse que as intenções do homem nada teriam a ver com esses “traços”, nem com seus postados em “páginas da internet com tendências cristãs fundamentalistas”: eventuais influências “terão de ser investigadas com cuidado”. Exatamente o que se ouviu quando do atentado de Oklahoma, em 1995.

Sem qualquer fundamentação e muito estranhamente, o criminoso já está descrito pela mesma autoridade norueguesa como “um louco”. É bastante possível que seja louco, mas esse ‘diagnóstico’ automático é um dos modos pelos quais as motivações de crimes de ódio podem ser apagadas da história, antes mesmo de chegarem a tomar forma na consiência das pessoas.

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Em 1969, por exemplo, um judeu australiano que pôs fogo na mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, também foi sumariamente absolvido como “um louco” e internado em hospital psiquiátrico. Fim da notícia. Os judeus da direita fundamentalista que haviam planejado destruir a mesquita, e o Domo da Rocha, ali perto, sobreviveram mais um dia.

Suspeito que acontecerá coisa semelhante ao terrorista norueguês; seus laços com a extrema direita e com cristãos fundamentalistas serão apagados, por irrelevantes. Os crimes, como leremos em todos os jornais, serão descritos como ato de “pessoa desequilibrada” que “agiu individualmente”. Ergo, a única ameaça que continua a pesar sobre a civilização é a “ameaça terrorista” “dos islâmicos”. Ergo, o foco de toda a legislação e de todos os esforços antiterror deve continuar apontado contra o mundo muçulmano e as comunidades muçulmanas na Europa e nos EUA.

Se não nos manifestarmos e permitirmos que isso aconteça, estaremos prestando grave desserviço ao mundo, no mínimo porque a nova direita cresce em todo o ocidente – e Oklahoma foi prova de que essa nova direita é capaz de imensa destruição.

Imigrantes neonazistas da Europa Oriental continuam como sempre muito ativos em Israel, onde o governo, ao mesmo tempo em que deplora pelos jornais essa atividade da extrema direita, está, de fato, a caminho, a passos largos, da mesma extrema direita. Há ministros que pregam a limpeza étnica dos palestinos, para purificar Israel como “estado judeu”; preciosos direitos humanos, pelos quais o mundo tanto lutou, são apagados em nome da “segurança do estado judeu”; criminosos uniformizados são literalmente absolvidos ‘preventivamente’ dos assassinatos que cometem repetidamente.

Tudo isso acontece com a aprovação de governos ocidentais os quais, eles mesmos, mostram também tendências direitistas – o duplifalar, sempre que se trata de ensinar tolerância e respeito às minorias. Se você tem aparência, por pouco que seja, ‘diferente’ na Europa hoje, sobretudo se você for muçulmano, você é olhado com suspeitas e é possível que seja obrigado à dura tarefa de “provar” sua lealdade a um estado que, se a verdade aparecesse às claras, já se teria livrado de você, se tivesse coragem para aprovar as leis necessárias para tanto. Em alguns casos, até já há a necessária legislação, mascarada sob alguma “legislação antiterror”, ou de “segurança nacional”.

Tudo isso, apoiado por uma imprensa influente e sempre de direita, que defende o que Israel faça, errado ou certo, legal ou ilegal – e por um lobby pró-Israel que age como se fosse intocável. Dado o contexto político no ocidente, é provável que seja.

Ataques contra a esquerda

É significativo que o alvo do terrorista norueguês (o “louco”) pareça ter sido o Partido Trabalhista, de esquerda, tanto em Oslo quanto na ilha onde houve o tiroteio. Em toda a Europa as esquerdas estão fazendo alianças com grupos muçulmanos para combater o fascismo e o racismo, onde apareçam. Evidentemente não é coincidência que ensaios publicados em 1997 em todo o continente, tenham concluído, praticamente sem exceção. que “o desafio” que a Europa enfrentaria seria a presença de grandes comunidades muçulmanas entre “nós”. Assim sendo, quem considere graves os “traços de direita”, as ideias “antimuçulmanas” e até as ligações com “o fundamentalismo cristão” do terrorista norueguês será visto como opinião irrelevante.

O contexto oculto aí é que a ideologia da extrema direita de modo algum estaria ou poderia estar empurrando o mundo na direção do terrorismo.

Essa ideia é absoluto nonsense. A ideologia de direita levou a Europa ao Holocausto de judeus europeus e ao antissemitismo e sempre esteve por trás de outros tipos de racismo em todo o mundo. A ideia da superioridade da Europa e dos Europeus – construída a partir da ideologia da direita, levou ao comércio e à escravidão de seres humanos e atrocidades inenarráveis contra “o Outro” também no Oriente Médio e no Extremo Oriente.

Ironicamente, é uma extrema direita sionista – não, de modo algum, os mitos socialistas dos pioneiros sionistas socialistas utópicos dos anos 30s e de antes – que estão, hoje, por trás da limpeza étnica na Palestina ocupada por Israel, adotada como específica política israelense, também por meios militares, se preciso.

Tudo isso está bem documentado, embora permaneça ignorado pelos chefes políticos contemporâneos.

No contexto do que tudo leva a crer que sejam atos terroristas de uma extrema direita norueguesa, é também irônico que a palavra em inglês para traidor que colabora com forças inimigas de ocupação [ing. quisling] seja derivada do nome do major Vidkun Quisling, que governou a Noruega em nome da Alemanha Nazista durante a 2ª Guerra Mundial.

Hoje, estamos decidindo que “o louco” norueguês “não tem ligações com nenhuma organização terrorista internacional”. É grave risco para todos nós. A história já mostrou que as ideologias de extrema direita são transnacionais e atravessam todo o ocidente. Os efeitos podem ser catastróficos em todo o planeta global. Já fomos avisados.

*Ibrahim Hewitt é editor-chefe de Middle East Monitor

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