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Paulo Moreira Leite: O nosso e o teaparty deles

setembro 23rd, 2011 by mariafro
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Excelente texto de um grande jornalista que escreve no ‘PIG’, mas não vende a alma, nem a consciência ao diabo.

O Tea Party original e o nosso

Paulo Moreira Leite, em sua coluna na Época
22/09/2011

Mede-se o grau de desenvolvimento político de um país pela transparencia
de suas disputas cotidianas. Neste sentido o universo  político americano é mais avançado do que o brasileiro.

Um bom exemplo é o Tea Party. Trata-se de um grupo de extrema direita fanatizado, que tem um respeito absoluto e reverente pelo mercado.

Diz acreditar que o indivíduo é a principal alavanca do progresso humano. Condena o Estado acima de quase todas as coisas — menos para realizar  guerras de conquista. Afirma, querendo ser levado a serio, que toda medida destinada a criar um regime de bem-estar social não passa de um esforço na direção de uma ditadura comunista.

É ridículo, como cultura política, e regressivo, como fenômeno histórico. A crise economica dos EUA, grande parte provocada por essas idéias, é uma demonstração do caráter nocivo deste condomínio conservador. Mas é mais honesto do que ocorre no Brasil.

Nosso Tea Party é difuso, anti-social e não se apresenta como tal. Esconde sua visão de mundo atrás da bandeiras extremistas, que fingem não ser de direita nem esquerda.

Está presente nos partidos políticos, mas também em artigos da mídia e em gabinetes de alto poder econômico e decisiva influencia política.

Seu discurso considera o Estado é uma entidade mal-assombrada que só deveria existir para perseguir os desajustados e os inconformados. Combate toda idéia que poderia levar a uma melhoria na proteção social e denuncia qualquer esforço para diminuir a concentração de renda.

Agindo num país muito mais pobre e desigual do que o original americano, nosso Tea Party faz uma tradução adaptada e empobrecida da mesma retórica.  Procura se esconder atrás de causas universais para esconder que se move em nome de interesses bem particulares.

Nessa versão tropicalizada, alega que tudo o que sobrevive às voltas do Estado não é embrião de comunisno mas fruto de um roubo. Como os originais americanos, nosso Tea Party adora o setor financeiro. Seus integrantes falam como se fossem anarquistas de direita mas, num tributo (sem ofensa) às mazelas nacionais, seus verdadeiros líderes e inspiradores tiveram vários flertes e até muito mais do que isso nos tempos da ditadura militar.

Em matéria de liberdades públicas, nosso Tea Party confunde liberdade de expressão com direito de venda. É contra todo e qualquer protecionismo, a menos que se destine a proteger seu mercado.

Mas alimenta uma doutrina contra uma intervenção dos poderes públicos, mesmo que patrocinada por autoridades escolhidas pelo voto popular, para modificar a distribuição de renda e assegurar benefícios aos brasileiros que não tem renda para adquiri-los. Acham que combater a desigualdade social é ir contra a natureza humana.

Por coerencia, nosso Tea Party é contra um regime de saúde pública, que considera errado  num país grande e baixa renda per capta como o nosso. Os sistemas públicos tendem a nivelar as pessoas e, de seu ponto de vista, isso é ruim.

Os mais atirados dizem que o SUS é uma utopia socialista, inviável em função de nossa renda per capta — seguindo um raciocínio que leva a crença de que o salve-se quem puder deveria virar artigo da próxima Constituição.

Os mais preparados preferem a linha policial. Alegam que todo aumento de gasto nessa área será desviado e roubado. É irracional e irreal mas funciona. Um número impressionante de brasileiros acredita nisso sem fazer contas simples.

É difícil saber quem rouba de quem quando se constata que nossa saúde privada consome 55% de todos os gastos com saúde do país mas só atende 25% da população. É um imenso e escandaloso programa de transferencia de renda ao contrário. Todo dinheiro gasto com saúde pelo cidadão comum pode ser descontado do imposto de renda, privando o Estado de recursos que seriam úteis para a educação, para as obras públicas e até para a saúde. Mas estamos falando de ideologias, não de realidades.

Uma pessoa que tem um plano de saúde privado razoável irá gastar em torno de R$ 400 por mes ou mais.  São R$ 4800 por ano. Nem em dez anos deixaria uma quantia equivalente se tivesse de pagar uma contribuição de 0,1% em sua movimentação financeira como contribuição a saúde.

Continuaria tendo direito a assistencia médica mesmo que perdesse o emprego e não tivesse um centavo no banco. E faria parte de um sistema onde aqueles que tem mais pagam mais. Pode não ser correto do ponto de vista da igualdade alimentado pelo Tea Party. Mas é o justo conforme o padrão ético de muitas pessoas e toda escola progressista de diminuição da desigualdade.

Com frequencia, sempre que tem de enfrentar uma cirurgia delicada o cliente de um plano privado tem de travar uma longa batalha para valer seus direitos, que nem sempre serão respeitados. Nem todos os remédios nem tratamentos que sua doença exige serão oferecidos de forma gratuita. Como acontece também no SUS, poderá ser forçada a lutar por eles na Justiça. Mas o cidadão do plano privado não acha que está sendo roubado quando paga sua mensalidade.

Tampouco fica inquieto quando seus médicos fazem greve para denunciar ganancia patronal.  No fundo, recusa-se a acreditar numa realidade matemática: os planos de saúde só podem ficar de pé enquanto não precisam entregar os serviços que cobram. No dia em que você precisa mesmo desses serviços, é expelido dos planos, ou forçado a pagar mensalidades inviáveis para a maioria das pessoas da mesma faixa de risco. Não é maldade. É plano de negócios.

Um raciocínio parecido aplica-se a Previdencia Social, cuja falencia é anunciada periodicamente como uma fatalidade técnica — mas que tem apresentado uma contabilidade menos complicada ano a pós ano, graças a uma política oficial que faz o óbvio e apenas ele: defende os empregos formais, facilita o registro em carteira e multa a empresa que não cumpre suas obrigações.

Nesse terreno dificil, o Tea Party deixa no ar a sugestão de que a aposentadoria privada é uma alternativa séria e que a Previdencia, quanto menos dinheiro tiver, menos roubará. O problema é que as previdencias privadas até podem ser úteis para quem pode pagar por elas, mas todo analista sério sabe que nenhuma oferece os mesmos benefícios, pelo mesmo preço, como o INSS.

Há uma boa razão para nosso Tea Party assumir uma identidade esquiva e fugidia. Seu discurso pode até existir nos Estados Unidos, país com uma história muito diferente da nossa, onde a economia privada atingiu uma força sem paralelo na América ou no Velho Mundo. No Brasil, com uma condição histórica muito diferente, um grau de desigualdade maior e carencias também maiores, o Estado oferece um padrão mínimo de assistencia que não é desprezível, embora seja totalmente insuficiente. Nesse geografia, o Tea Party só pode atuar na sombra, procurando causas universais para interesses bastante privados.

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Palestina fala hoje à ONU e reinvidica ingressar nessa organização como Estado de pleno direito

setembro 23rd, 2011 by mariafro
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Solicitação palestina à ONU concentra atenção mundial nesta sexta-feira
Por EFE Brasil, EFE Multimedia,
23/9/2011


EFE

Nações Unidas, 23 set (EFE).- A reivindicação que os palestinos apresentarão à ONU para ingressar nessa organização como Estado de pleno direito concentrará a atenção mundial nesta sexta-feira.

O discurso do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, perante a Assembleia Geral está previsto para acontecer na parte da manhã (horário local).

Abbas apresentará a reivindicação histórica de seu povo a um Estado conforme às fronteiras de 1967, que incluem Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Imediatamente depois de seu discurso, Abbas entregará a carta de reivindicação para ingresso na ONU ao secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, que deverá revisá-la para assegurar que está conforme o artigo quatro da Carta de Nações, e então remetê-la ao Conselho de Segurança.

A delegação palestina já assinalou que Ban garantiu que esse trâmite, que não tem prazo definido, não estará sujeito a nenhum atraso politicamente motivado.

Para ingresso na ONU, é preciso obter no principal órgão de decisões da organização multilateral uma maioria de nove votos e nenhum veto dos cinco países com esse direito (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China). No entanto, o presidente americano, Barack Obama, já anunciou que vetará o pedido palestino.

Uma hora depois de Abbas deverá discursar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que considerou a decisão palestina unilateral e prejudicial para uma resolução do conflito no Oriente Médio.

As negociações diretas entre palestinos e israelenses estão estagnadas há um ano, devido à recusa de Israel em evitar novos assentamentos de colonos.

O Conselho de Segurança não tem um prazo definido para analisar a carta palestina, mas segundo os especialistas este processo pode levar várias semanas.

Enquanto isso, milhares de palestinos na Cisjordânia e em Gaza aguardam com expectativa o discurso do presidente da ANP.

Por outro lado, os serviços de segurança israelenses declararam estado de alerta máximo a partir da manhã desta sexta-feira pelo temor de possíveis distúrbios depois do discurso de Abbas.

A situação de alerta, que estará em vigor durante três semanas, inclui nove mil policiais, além de milhares de voluntários para garantir a segurança dentro das zonas mais sensíveis de Israel.

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#Forum10: A primeira festa-debate com shows, cerveja e transmissão ao vivo

setembro 23rd, 2011 by mariafro
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Por: Renato Rovai

Revista Fórum

23/09/2011

A #Forum10, festa que celebrará os 10 anos da Revista Fórum e que acontece neste sábado na Casa do Fora do Eixo em São Paulo (rua Scuvero, 282, Cambuci), está com a programação de debates praticamente fechada. Serão nove mesas e um momento que estamos chamando de Arena Livre. A programação será transmitida ao vivo pela internet (este blog, por exemplo, vai estar lincado) a partir das 10h do sábado. Algo mais ou menos na linha do que foi o 48h no primeiro e no segundo turno da última eleição presidencial, mas agora com uma grade organizada.

Dispenso-me de comentários a respeito da qualidade dos debatedores. Só preciso agradecer a cada um deles que se dispôs a participar do evento na mais absoluta camaradagem. O que mostra que a rede colaborativa que estamos construindo é capaz de ações muito ousadas. E bonitas.

Mas não pense que o evento será só com debates. É festa. E não vai faltar festa.

Desde as 14h uma série de bandas do Fora do Eixo estará se apresentando no confortável estúdio da casa. Entre elas, a Los Porongas, do Acre, e o Macaco Bong, que já é bastante conhecido entre os jovens, em especial a galera da Cultura Digital. Eles tocaram, por exemplo, no Show Futurível, na abertura do 2º Fórum de Cultura Digital Brasileira, que vai ter sua 3ª edição no Rio em dezembro de 2 a 4 de dezembro, no MAM.

Além dos shows e dos debates o pessoal da Casa do Fora do Eixo está articulando várias intervenções artísticas: malabares, grafites, esquetes teatrais etc. E, claro, como é festa brazuca vai ter cerveja, cachaça e caipirinha.

Todos estão convidados. É passe livre. Se faltar algo, os organizadores não terão a menor inibição em organizar a vaquinha. O que importa é que a festa sirva para celebrar a data e ao mesmo tempo nos ajude a testar um novo tipo de formato de evento. Se der certo, o Pablo Capilé, do Coletivo Fora do Eixo, já manifestou interesse em reproduzi-la em outras cidades.

Para finalizar, toda essa programação foi organizada a partir da colaboração dos que se dispuseram a ser os provocadores do evento: Ivana Bentes, Maria Frô, Rodrigo Savazoni, Sérgio Amadeu, Rodrigo Vianna e o Lino Bochinni. Além, claro, de toda a galera do Fora do Eixo, que está co-organizando a festa com a Revista Fórum. Sem eles seria impossível mobilizar tanta gente boa, tanta gente inteligente.

Programação de Debates


10h: Que desafios democráticos nos impõem as novas possibilidades de comunicação?

Sergio Amadeu – Ativista digital, doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade Federal do ABC

Ivana Bentes – Doutora em comunicação e diretora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ)

Guilherme Varella – Graduado e mestrando em Direito pelo Largo São Francisco (USP), gestor cultural e músico. Atua com advogado do Instituto de Defesa do Consumidor ((Idec)

Pablo Capilé– Produtor cultural, idealizador e co-fundador do Espaço Cubo, em Cuiabá, um dos coletivos fundadores do Circuíto Fora do Eixo, em 2005.

Renato Rovai – Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA-USP, midialivrista, blogueiro sujo e editor da Revista Fórum

Alexandre Schneider – secretário de Educação da cidade de São Paulo

11h30: juventude, ruas e rede: o desafio da política

Carolina Rovai – Estudante de Ciências Sociais e estagiária da Revista Fórum

Cauê Ameni – Estudante de Ciências Sociais e estagiário do site Outras Palavras

Lais Melini – Coletivo Fora do Eixo


12h: O Legado do Fórum Social Mundial e dos dias de Ação Global para a era das Redes

Henrique Parra – Professor Doutor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Fábio Malini – Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), blogueiro e ativista da Rede Universidade Nomade.

Lia Rangel – Jornalista, fundadora da Casa de Cultura Digital, foi coordenadora da TV Brasil, Canal Integracion e coordenou a experiência de jornalismo participativo no Roda Viva, da TV Cultura.


13h: Um século para impropriedades: o comum e o sustentável

Miguel S. Vieira: Editor –  Graduado em filosofia e especializado em propriedade intelectual. Cursa doutorado em educação, sobre o tema “Bens comuns intelectuais e mercantilização”.

Ale Abdo – Cientista molecular e commonista praticante, pesquisador da Fiocruz, professor convidado do departamento de computação do IME-USP e organizador de cursos livres sobre colaboração e compartilhamento.

Rodrigo Savazoni – Ativista e realizador multimídia, fundador da Casa da Cultura Digital, diretor-geral do Festival CulturaDigital.Br (www.culturadigital.org.br), integrante do Grupo de Pesquisa em Cultura Digital e Redes de Compartilhamento da Universidade Federal do ABC.


14h: Orientação Sexual, gênero e um certo comportamento estúpido

Vange Leonel – cantora, compositora e escritora. Autora do livro Grrrls – Garotas Iradas.

Maria Frô – Historiadora e blogueira.

Tica Moreno – Organização Sempreviva Feminista, ONG que gerencia o escritório da Marcha Mundial de Mulheres (MMM).


15h: Política, movimentos e rede

Victor Farinelli – Jornalista, colaborou como correspondente free lancer na Argentina para diversos meios (Estadão, Lance, entre outros). Mora no Chile desde 2006, onde colabora com o portal Opera Mundi. Tem realizado reportagens sobre o movimento dos estudantes chilenos.

Bruna Angrisani – Jornalista, formada pela Universidade Católica de Santos, e pós-graduada em comunicação audiovisual pela Universidad de Santiago de Compostela. Atualmente reside em Barcelona, onde participou do Movimento dos Indignados e esteve nos acampamentos da Plaza Catalunya. Organiza o blog Naranja Orgánica.

Juan pessoa – Jornalista, participou da campanha de internet de Dilma Roussef, no Brasil, e de Ollanta Humala, no Peru.

Lino Bochinni: jornalista e blogueiro do Desculpe a Nossa Falha.


Debate 16h:  Blogosfera política: seus efeitos e contornos

Luis Carlos Azenha –  Jornalista e blogueiro.

Rodrigo Vianna – Jornalista e blogueiro.

Dennis Oliveira – professor da Universidade de São Paulo e blogueiro.

Eduardo Guimarães – representante comercial e blogueiro.


17h: De que economia estamos falando?

Luis Nassif – jornalista e blogueiro.

Marcio Pochmann – economista e presidente do IPEA.

Ladislau Dowbor – professor de Economia da PUC-SP.


18h30: O Caso Zara, imigração e trabalho escravo

Leonardo Sakamoto – Diretor da Repórter Brasil, blogueiro, jornalista e doutor em Ciências Sociais.

Paulo Illes – Diretor do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC).

Adriana Delorenzo – Jornalista, repórter da Revista Fórum e editora do blog das Cidades.


19h15: Arena livre e entrevistas com participantes da festa.

20h– mesa de encerramento com os provocadores e equipe da Fórum.

Reunião Paralela – Um site para São Paulo

Às 14h blogueiros e ativistas digitais paulistanos estão convidados para a reunião que vai discutir a criação de um novo site para São Paulo. Esse site vai tratar basicamente das questões de São Paulo e tem por objetivo ser construído de forma colaborativa.

Coordenação da reunião: Rodrigo Vianna, Glauco Faria, Adriana Delorenzo e Márcia Brasil.

Apresentação inicial do projeto: Renato Rovai

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Estudantes da UFF para Bolsonaro: “eu amo homem, amo mulher, tenho direito de amar quem eu quiser’

setembro 21st, 2011 by mariafro
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O vídeo foi publicado neste post aqui e a dica foi do Victor Farinelli

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