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Mais uma aula magna de Jean Wyllys se homofóbicos e fundamentalistas não entenderem só desenhando

julho 23rd, 2011 by mariafro
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Época depois de dar voz ao deputado homofóbico Jair Bolsonaro, posa de plural e convoca os leitores para entrevistar o deputado Jean Wyllys. Jean, como sempre, é uma grata surpresa, reparem a resposta precisa para a pergunta bairrista (a 2ª formulada para ele pelos leitores de Época).

Jean Wyllys: “Não me apego só à bandeira gay”

REDAÇÃO ÉPOCA
24/07/2011
O deputado, ex-BBB e professor universitário responde a perguntas dos leitores de ÉPOCA

Em meio a 513 deputados, não é difícil passar os quatro anos de mandato sem ser notado. Não é o que pretende Jean Wyllys (PSOL-RJ). Em seis meses de Congresso, o deputado se tornou o principal porta-voz da Frente Parlamentar Gay, em um momento no qual os debates sobre as políticas contra a homofobia estão acalorados. Na briga para aprovar o projeto de lei que torna crime a discriminação de homossexuais, enfrenta a resistência de uma bancada poderosa: os evangélicos. “Os deputados evangélicos têm lá suas opiniões acerca da homossexualidade, todas baseadas em seus dogmas religiosos e não no conhecimento científico que a humanidade acumulou no último século”, diz.

Respondendo a perguntas feitas pelos leitores de ÉPOCA, o professor universitário e jornalista que ficou famoso ao ganhar a quinta edição do Big Brother Brasil, em 2005, afirma que seu trabalho parlamentar não se restringe à defesa dos direitos dos homossexuais e que é desafiador dialogar em uma Câmara que sofre de uma “queda de qualidade intelectual e moral.”

ENTREVISTA – JEAN WYLLYS

Sérgio Lima/Folhapress

QUEM É
Baiano, jornalista, professor universitário e mestre em letras e linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

O QUE FAZ
Está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e é o principal nome da Frente Parlamentar Gay

O QUE FEZ
Ganhou o reality show Big Brother Brasil, em 2005. Publicou três livros: AflitosAinda lembro e Tudo ao mesmo tempo agora

O senhor e o seu partido batalham por uma legislatura mais digna e ética, voltada aos interesses sociais. Quais os maiores desafios parlamentares num congresso que, notoriamente, apresenta queda de qualidade da representação a cada legislatura?
Marcelo Möass, Rio de Janeiro/RJ
Jean Wyllys - O desafio é enfrentar, na atuação parlamentar e na esfera pública, essa queda de qualidade sendo minoria na Câmara; o desafio é ter de dialogar com os deputados que representam essa queda de qualidade intelectual e moral.

Por que você, sendo baiano, defendendo na Bahia os direitos dos homossexuais,veio para o Rio de Janeiro pra ser candidato a Deputado Federal?
Jorge Luiz Fernandes
Wyllys - Primeiro porque eu sou livre e porque as fronteiras do Rio não estão fechadas a pessoas de outros Estados que decidam construir ou reconstruir suas vidas aí; segundo porque, quando eu decidi me candidatar, já morava no Rio há quase seis anos e, portanto, havia transferido, para o Rio, o meu domicílio eleitoral e, no Rio, eu pagava meus impostos; terceiro porque o Rio não é feito só de fluminenses aí nascidos, mas também por centenas de milhares de migrantes nordestinos, inclusive baianos, que escolheram o Estado para viver e com o qual colaboram com seu trabalho (basta olhar para a Rocinha e para o Complexo da Maré); por fim, o Rio tem a tradição de eleger políticos não-fluminenses como Brizola [ex-governador Leonel Brizola, 1922-2004, gaúcho], Gabeira [ex-deputado federal Fernando Gabeira, mineiro] e Lindberg Farias [senador, paraibano]. Por outro lado, o governador da Bahia [Jaques Wagner] é carioca. Além disso, caro Jorge, caso não esteja lembrado, sou deputado federal, legislo para a federação e não apenas para o Estado do Rio, que eu amo.

O senhor assumiu sua opção sexual em rede nacional, mas na Bahia chegou a atuar em comunidades da Igreja Católica. O senhor já era homossexual assumido na época? Chegou a sofrer algum tipo de preconceito por parte de membros da igreja ou o assunto não era tratado tão abertamente?
Andréa Nunes, Vila Velha/ES
Wyllys - Assumi minha orientação sexual (a homossexualidade definitivamente não é uma opção ou uma questão de opção; assim como a heterossexualidade, é tecida numa relação íntima entre natureza – genética e biologia – e cultura) aos 16 anos de idade. Em rede nacional, apenas disse e mostrei uma identidade sexual que já havia assumido há anos. Aos 16, me afastei do movimento pastoral da igreja católica e da comunidade eclesial de base, não porque havia sido discriminado lá, mas porque havia sido aprovado para a Fundação José Carvalho, um colégio interno filantrópico e de referência voltado para alunos de escolas públicas da Bahia que tivessem média acima de 8. Me afastei da Igreja Católica de uma forma geral porque o discurso da instituição principalmente acerca da homossexualidade – principalmente aquele proferido por sua ala conservadora, que é a maioria – me ofende profundamente, assim como me ofendem a tentativa da Igreja de destituir a mulher dos direitos sobre seu corpo e a proibição do uso da camisinha. Não concordo que a homossexualidade seja um pecado. E acho pouco cristão proibir o uso da camisinha quando na África as pessoas estão morrendo como moscas por causa da aids.

Deputado, seus colegas da bancada religiosa da Câmara são ferrenhamente contra as leis de defesa aos homossexuais, como a que criminaliza a homofobia, alegando uma preservação da família e respeito aos dogmas cristãos. Porém, o Estado é laico, como todos sabem. Visto isso, estamos diante de uma enorme hipocrisia ou de opiniões inconstitucionais?
Vinicius D. Soares, Panambi/RS

Wyllys - A constituição garante a todos o direito de opinião. Os deputados evangélicos têm lá suas opiniões acerca da homossexualidade, todas baseadas em seus dogmas religiosos e não no conhecimento científico que a humanidade acumulou no último século. Esse comportamento pode estar de acordo com o que a igreja espera deles, mas não de acordo com o que se espera de um parlamentar que vive numa república federativa e jurou defender os princípios da Constituição cidadã de um Estado laico.

Quero parabenizá-lo pela sua luta frente aos preconceitos com a minoria e a coragem por exercer tal luta. Frente às críticas de conservadores à união homoafetiva, homologada pelo STF, comentários de alguns políticos e a suspensão do kit Brasil sem homofobia pela presidência, quais suas perspectivas em relação ao Projeto PLC 122 [projeto de lei que torna crime a homofobia]? Maria Roberta
Martins de Almeida, Recife/PE
Wyllys - Maria, obrigado pela força e carinho. Estou apenas cumprindo minha função de parlamentar comprometido com a promoção da justiça social e dos direitos humanos. Em relação ao PLC122, as perspectivas melhoraram um pouco. O projeto se transformou: ganhou um apensado cujo texto está sendo construído pela Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT e, depois de submetido às diferentes representações do movimento LGBT, será discutido tanto na Câmara quanto no Senado com as bancadas evangélicas. A ideia é que se chegue a um acordo que não seja ruim para os LGBTs e assegure a livre expressão religiosa e que permita que o projeto seja votado até outubro.

Com milhares de problemas e injustiças no Brasil, não é muito pouco se apegar apenas à bandeira de defesa do homossexuais?
Willian Brazil, Angra dos Reis/RJ
Wyllys -
 Willian, qualquer consulta básica ao site do meu mandato ou qualquer acompanhamento um pouco mais atento de minha atuação parlamentar pela TV Câmara ou pelo site da Câmara vai mostrar que eu não me apego “apenas à bandeira da defesa dos homossexuais”. Informação de qualidade e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Só para você ter uma ideia, todos os projetos que votei ou audiências públicas que propus na Comissão de Finanças e Tributação nada têm a ver com a questão da homossexualidade; têm a ver com os direitos dos consumidores, dos contribuintes, dos idosos, dos servidores públicos e etc. Mas ainda que eu me apegasse apenas a essa bandeira, isso não deveria ser um problema já que os homossexuais até então nunca contaram com um parlamentar que defendesse seus direitos sem ressalvas ou senões (e olha que LGBTs correspondem a 10% da população – estatística subestimada) e já que existem outros deputados que se dedicam a apenas um tema e nem por isso são patrulhados. Além disso, é preciso que se entenda que “os problemas e as injustiças do Brasil” deveriam ser mais uma preocupação do poder Executivo, seja em nível federal, estadual ou municipal; logo cobranças como essa deveriam ser dirigidas mais ao presidente, aos governadores e aos prefeitos.

Na sua opinião, quanto tempo mais será necessário para o Brasil viver a realidade de uma “sociedade plenamente tolerante” com as diferenças humanas? Para a realização dessa “utopia possível” deveremos ter mais investimentos em “leis” ou em “educação”?
Maria Terezinha Santellano, Porto Alegre/RS
Wyllys - Maria, diz o dito popular que o futuro a Deus pertence. Porém, como Caetano Veloso, eu não espero pelo dia em que os homens concordem, mas acredito em diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final. E essas harmonias bonitas serão mais construídas pela educação do que por leis, embora leis sejam necessárias.

Deputado, nos últimos meses o público LGBT obteve várias conquistas, como reconhecimento, do STF, das uniões homoafetivas e até mesmo a sua conversão de algumas em casamento, pelo Judiciário. Em compensação, a agressão aos LGBTs por parte de legisladores e líderes religiosos, com seus discursos segregadores, aumentou. Como você vê o avanço da comunidade LGBT diante de tantas conquistas e, ao mesmo tempo tantos retrocessos
Renato Henrique Torres Polli, Florianópolis/SC

Wyllys - A reação conservadora vem na mesma proporção das conquistas políticas e da visibilidade de LGBTs. Quanto mais avançamos, mais os grupos conservadores recrudescem seus ataques homofóbicos. Mas haverá um dia em que eles se dobrarão aos fatos.

Imagino que a Igreja Católica, até entre os mais conservadores, seja contra a violência a homossexuais. Projetos como o PLC 122, que proíbe igrejas de pregar suas doutrinas, e o caso dos uso de imagens de santos em preservativos não afastam o movimento gay de quem poderia estar ao lado deles na luta contra os verdadeiros homofóbicos?
Artur Silva, Belo Horizonte/MG
Wyllys - Artur, se você ler o PLC 122, verá que o projeto não proíbe qualquer igreja de pregar suas doutrinas. O projeto tem o objetivo apenas de proteger os LGBTs, mulheres, idosos e pessoas com deficiência da injúria, da difamação por meio de discursos de qualquer natureza e dos atos discriminatórios que os impedem de acessar direitos e de expressar publicamente seu afeto e sua identidade cultural. É isso. Quanto às imagens dos santos, embora eu nada tenha a ver com o uso delas na Parada [15ª Parada Gay de São Paulo, realizada em junho), é preciso que fique claro que elas não foram usadas em preservativos, mas, sim, em cartazes de uma campanha de prevenção ao HIV nos quais se lia "Nem santo te protege. Use camisinha". Ora, se a Igreja se mostra insensível ao drama das pessoas que se infectam com o HIV, sobretudo na África negra, proibindo o uso da camisinha, qual o problema da militância recorrer aos ícones dos santos para estimular o uso da camisinha? Os ícones cristãos, antes mesmo do Renascimento, sempre apresentaram certo erotismo. Os cartazes da campanha na Parada apenas acentuaram esse erotismo, algo que a Madonna já havia feito num de seus clipes e algo que se repete todos os anos na escalação de galãs globais para viver Jesus na Paixão de Cristo em Nova Jerusalém. Por que reclamar só dos cartazes da Parada?

O senhor tem feito declarações bombásticas contra os cristãos, indistintamente. O senhor considera que para abrir caminho às reivindicações dos homossexuais a melhor via é a remoção das raízes judaico-cristãs da sociedade brasileira?
Ednilson Souza, Brasília/DF
Wyllys - Ednilson, essa história de que tenho feito "declarações bombásticas contra os cristãos" não é verdadeira, como não é verdadeira a notícia que circula por email de que eu declarei guerra aos cristãos. Essas mentiras fazem parte de uma campanha difamatória orquestrada por aqueles que se opõem à extensão da cidadania aos homossexuais. Quando teço críticas a cristãos, faço questão de frisar que estou me referindo aos cristãos fundamentalistas ou fanáticos, ou seja, àqueles que desprezam o conhecimento científico e fazem leitura ao pé da letra ou enviesada de certos trechos da Bíblia, esquecendo-se convenientemente de outros. Nunca propus a "remoção das raízes judaico-cristãs da sociedade brasileira", até mesmo porque isso é impossível; o que não quer dizer que, para o bem comum, os frutos amargos dessas raízes não tenham que ser jogados fora.

Qual o caminho para educar as pessoas para entenderem que defender os direitos dos homossexuais não faz você ser mais ou menos hétero e que isso não é apologia nem incita o homossexualismo?
Renta Mitidiere, Varginha/MG
Wyllys - Renata, o caminho é garantir à população, sobretudo à de baixa renda, por meio de políticas públicas, uma educação formal de qualidade que não se preocupe apenas em reproduzir, sem reflexão, o conhecimento, mas, antes, preocupe-se em desenvolver valores humanistas, a consciência da diversidade humana e o respeito por essa diversidade. É claro que, entre essas políticas públicas, está a valorização social do professor por meio de salários dignos e de programas de formação continuada que os levem a quebrar seus preconceitos e seu senso comum. Outro caminho paralelo é pressionar as mídias de massa – responsável pela educação informal ao lado da família e dos grupos de amigos – a estimular mais os valores humanistas e a representar positivamente os grupos historicamente difamados, entre os quais os LGBTs. Infelizmente uma política pública de educação nesse sentido – o projeto Escola Sem Homofobia – foi suspensa pelo Ministério da Educação devido a tenebrosas movimentações políticas de parlamentares e setores da mídia que se opõem à cidadania plena.

Como enfrentar a resistência de setores conservadores no Congresso, que tentam impedir a extensão de direitos a grupos tradicionalmente discriminados , como homossexuais, negros e deficientes físicos? E o quanto a tradição religiosa da cultura brasileira afeta as discussões no Parlamento
Jefferson Tavares, Juazeiro do Norte/CE
Wyllys - Embora constitucionalmente o Estado seja laico (ou seja, não deva se guiar por paixão ou dogma de qualquer religião), a influência das igrejas cristãs sobre ele é enorme, basta ver o número de deputados que são pastores, cantores gospel ou diretamente ligados a denominações cristãs. O problema é que muitos desses parlamentares perdem o espírito republicano, esquecem-se dos princípios da Constituição e atuam a partir dos dogmas de sua religião, buscando negar direitos a grupos vulneráveis e restringir as liberdades civis. A única maneira de enfrentar esses grupos é por meio de política que amplie, no Congresso, os parlamentares com o espírito republicano e que respeitam a Constituição.

A deturpação da verdade por setores conservadores da sociedade no que diz respeito a alguns projetos LGBT não seria, na sua opinião, uma tentativa desesperada dos mesmos de frear a evolução de uma sociedade, principalmente o setor mais jovem, que vem se mostrando cada vez mais tolerante com os homoafetivos?
Flávia de Oliveira, Piracicaba/SP

Wyllys - Acho que você tem razão em parte, Flávia. Assusta-me perceber que há também muitos adolescentes e jovens profundamente intolerantes e que vivem de disseminar seu preconceito e ódio nas redes sociais.

A simples existência de legislações que visem a proteger os homoafetivos já não denota uma discriminação?
Izabella Torres, Belo Horizonte/MG

Wyllys - Não, Izabella. Na verdade é o contrário: o fato de não haver leis que assegurem, aos homossexuais, o direito inalienável à vida, à dignidade e à felicidade é que denota uma discriminação inadmissível numa república democrática.

O ex-secretário de alfabetização do MEC disse em uma audiência na Câmara dos Deputados que levou três meses estudando "até onde a língua de uma menina deveria entrar na outra" por ocasião de um filme contra a homofobia que iria passar nas escolas. Como o senhor estava presente nessa audiência, eu lhe pergunto: O senhor acha que esse filme deveria ser passado nas escolas para crianças da 6ª série em diante? Caso sim, o senhor não acha que teria um efeito rebote?
Eduardo Guimarães, Arraial do Cabo/RJ
Wyllys - Caro Eduardo, eu estava nessa audiência (no Senado e não na Câmara) a que você se refere e posso lhe dizer que a frase do secretário foi apenas uma brincadeira que não corresponde ao conteúdo do vídeo. Os vídeos do Escola Sem Homofobia são absolutamente adequados a alunos a partir da 6ª série. Posso garantir que o conteúdo dos vídeos é mais didático e tem menos erotismo, bem menos erotismo, que as histórias da Malhação e que as inscrições deixadas pelos próprios alunos nas portas dos banheiros. Ruim é não discutir sexualidade nas escolas com tantas adolescentes grávidas, tantos vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis/aids e tanta homofobia.

Citando o exemplo do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), cujos comentários [contra os homossexuais] foram interpretados como “liberdade de expressão” no Conselho de Ética da Câmara, há ou não um certo tipo de abuso da liberdade de expressão hoje em dia
Marcus Vasconcelos, Maceió/AL

Wyllys - A liberdade de expressão é um princípio que precisa ser defendido. Porém, o direito à liberdade de expressão não está nem pode estar dissociado do dever de respeitar a dignidade da pessoa humana do outro nem da responsabilidades para com os grupos sociais vulneráveis à difamação e ao estigma. Não há direito sem dever. E o que se espera de um parlamentar é que ele saiba disso.

Ultimamente temos visto notícias de bullying homofóbico. Tenho 15 anos e sei muito bem o que é passar por isso. Já que o senhor representa os grupos GLBTT, gostaria de saber o que poderá ser feito na educação em geral para que as ofensas, discriminação e violência diminuam na questão de gênero, identidade de gênero, sexualidade, enfim.
Sam Moserelli, Itanhaém/SP
Wyllys - Você se refere a políticas públicas de educação, e essas são da responsabilidade do Ministério da Educação e das secretarias estaduais e municipais de educação. A nós, parlamentares, cabe-nos cobrar, do poder Executivo, essas políticas e fiscalizá-las. No que diz respeito ao Projeto Escola Sem Homofobia, eu fiz a minha parte como parlamentar. Lamento que outros tenham feito o Governo Federal suspendê-la e tenham jogado a opinião pública contra ela

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RIP Amy Winehouse

julho 23rd, 2011 by mariafro
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Que sábado triste… perdemos todos uma intérprete de primeira grandeza.

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Jornal Sem Terra: O pano de fundo das mortes na Amazônia

julho 23rd, 2011 by mariafro
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O pano de fundo das mortes na Amazônia

José Cláudio Ribeiro da Silva e de Maria do Espírito Santo da Silva, líderes extrativistas assassinados no Pará. Foto- Felipe Milanez

Por Ayala Ferreira, Da Direção Estadual do MST PA, Do Jornal Sem Terra*

22/07/2011

FAZ MAIS DE trinta dias que tivemos a fatídica notícia dos assassinatos de José Cláudio Ribeiro da Silva e de Maria do Espírito Santo da Silva, além de outras destacadas lideranças que foram assassinadas na região da Amazônia, em uma onda de violência contra trabalhadores rurais (veja box abaixo).

Nos últimos 24 anos, o casal se empenhou em implementar no projeto de Assentamento Agroextrativista onde residiam, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará, experiências agrícolas com uso sustentável da floresta amazônica. Logo nos primeiros dias após os assassinatos, diferentes versões foram apontadas pelas investigações e divulgadas
nos meios de comunicação.

Uma delas relacionava o episódio a um “acerto de contas” por desentendimento entre vizinhos. Como nesta região a barbárie social está estabelecida, parece “impossível” imaginar níveis de sociabilidade entre as pessoas que não seja pelo uso da violência.

O que presenciamos foi a execução sumária com requintes de perversidade de duas lideranças defensoras da floresta e dos camponeses do Pará e da Amazônia brasileira. Eles vinham se contrapondo insistentemente ao modelo de desenvolvimento capitaneado por fazendeiros, madeireiros, empresas de exploração mineral e de siderurgias, tendo o Estado brasileiro e paraense como os seus maiores organizadores.

 Edição junho/julho 2011

A partir de 1970, a Amazônia brasileira – e em especial o Pará – passou por profundas transformações gestadas e implementadas pelo Estado, que consistiu em grandes obras de infraestrutura (estradas, hidrelétricas e ferrovias), incentivos fiscais e de créditos para a instalação de empresas para exploração dos recursos minerais. Além disso, orientou a migração desordenada para colonizar essa terra tida como região desabitada, atrelando-a em definitivo aos interesses do grande capital.

Nas cercanias desses projetos e nas cidades que se expandiram desordenadamente
pelo intenso fluxo migratório, houve a substituição gradativa da floresta amazônica e de comunidades tradicionais, que deram espaço para a presença das madeireiras, das fazendas de pecuária extensiva e de monocultivo de eucalipto. Os eucaliptos alimentam os fornos das siderúrgicas que mais recentemente se instalaram na região, uma vez que as carvoarias não davam conta de manter manter a oferta do carvão vegetal (produzido pelo desmatamento da floresta).Para completar, a utilização de tecnologia de ponta para a extração do principal minério: o ferro, que sai de nossa  região sem nenhum valor agregado.

Outro paradigma

Pensar e propor alternativas que se contraponham a esse modelo de desenvolvimento hegemonizado no Pará se tornou perigoso, porque confronta os interesses de acumulação de determinados grupos, que têm seus tentáculos na iniciativa privada do grande capital, nos governos e no judiciário. Todos indiscutivelmente agem em comum acordo para manter o status quo, condição indispensável para a continuidade da usurpação da biodiversidade amazônica, que a princípio deveria estar a serviço de toda a sociedade. José Cláudio e Maria do Espírito Santo foram silenciados porque discordavam desse modelo de desenvolvimento.

Mais do que incorporar o discurso do “desenvolvimento sustentável”, eles ousaram experimentar na comunidade onde residiam práticas extrativistas sustentáveis ambiental e economicamente. Tornaram-se exemplos de que é possível reproduzir a própria existência e desenvolver a região a partir de um outro paradigma.

Os fazendeiros, madeireiros, carvoeiros e empresas privadas da mineração, souberam silenciar pelo uso da pistolagem esses bravos companheiros. Conseguiram inseri-los na dolorosa estatística da Comissão Pastoral da Terra, que revela que em 26 anos (1985-2011) na Amazônia brasileira, 795 pessoas foram assassinadas por ousarem pensar e defender outros interesses que não seja o da acumulação do grande capital.

Revelar essa realidade que intencionalmente tem sido camuflada, denunciar os riscos e malefícios dos projetos governamentais – como o Programa Terra Legal e o novo Código Florestal –, seguir na organização dos camponeses e na ampliação de experiências agrícolas atreladas ao extrativismo são formas de reconhecer o legado deixado por José Cláudio e Maria do Espírito Santo. E por que não dizer a todos aqueles que por amor a floresta amazônica e aos seres humanos ousaram lutar e doar a própria vida.

Cronologia da violência

24 de maio – Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva são assassinados no Projeto de Assentamento Extrativista, Praia Alta Piranheira, no município de Nova Ipixuna

27 de maio – Adelino Ramos, conhecido como Dinho, sobrevivente do Massacre de Corumbiara (agosto de 1995), foi assassinado em Vista Alegre do Abunã, na região da Ponta de Abunã, município de Porto Velho (RO)

28 de maio – O assentado Herenilton Pereira dos Santos, do assentamento Praia Alta Piranheira, Nova Ipixuna, PA, foi encontrado morto.

2 de junho – É assassinado Marcos Gomes, por homens encapuzados  na zona rural de Eldorado dos Carajás, no Pará.

11 de junho – É encontrado o corpo do trabalhador rural Obede Loyola Souza, no acampamento Esperança, município de Pacajá, PA. Foi executado dois dias antes com um tiro de espingarda dentro do ouvido.

(*Com informações da CPT)
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Estudantes Chilenos organizam 24 horas de transmissão na rede para debater Educação

julho 22nd, 2011 by mariafro
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Com muita criatividade estudantes universitários chilenos organizam 24 horas de transmissão de tv, via internet, para debater a situação educacional do país. Acabo de vê-los fazendo uma paródia de Grease :)

Sigam também no twitter: @24tvXEducacion. Dica do @vfarinelli.

TV 24 hrs X la Educación

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