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AOS QUE SE FORAM DEVIDO A MINHA DEFESA IRRESTRITA A GENOINO

novembro 16th, 2013 by mariafro
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Ícones como Genoino que pegaram em armas para lutar contra a ditadura militar sempre foram referências em minha vida desde que comecei a me interessar pela história que não era contada na escola. Sim, porque todos como eu que nasceram durante a ditadura militar não tiveram acesso a um currículo livre de história, aliás eu não tive história nos meus primeiros 8 anos escolares, só ‘estudos sociais’ e ‘educação moral e cívica’. Não me tornei historiadora impunemente, acho que a escolha de modo inconsciente era para sanar a angústia de querer saber e não ter como.

Quando começaram as lutas pela anistia não entendia direito os noticiários, mas os atuais tucanos como Edmur Mesquita (vejam vocês, eles não nasceram escrotos), frequentavam as comunidades de base e líamos vorazmente e discutíamos vorazmente e ouvíamos os primeiros presos políticos libertos que haviam sido torturados e outros que voltavam do exílio. Chegou até a minha mão 1984 de George Orwell e eu tinha certeza qual seria  a tortura da sala 101,  ouvi e li depoimentos de mulheres que haviam sido torturadas como o protagonista de 1984.

E padre Porfírio nos alimentava com mais e mais livros de filosofia e um mundo angustiante e solidário se descortinava para aquela adolescente ávida de informação. A mãe se angustiava com meus sumiços e conversas, o Lula apareceu e com ele tantos outros adultos que fariam parte da minha trajetória de formação como ser humano, como cidadã, como sujeito político.

Ao final da adolescência e a entrada na História em 1984 (olha que coincidência) me levou para a luta das Diretas-Já e a manter o forte vínculo com as lutas da Baixada Santista. O movimento estudantil não me atraía, havia tucanos demais na minha universidade, eram nas favelas de Cubatão que eu via a luta acontecer que gostava de discutir o Homem que virou suco, que lutávamos contra a poluição e as crianças que nasciam anencefálicas. Minhas batalhas foram ficando cada vez mais amplas: lutar pelo socialismo, lutar contra o machismo, lutar contra o racismo, lutar pelos direitos humanos.

Tornei-me professora desde o primeiro ano da universidade, foi como sobrevivi em São Paulo, dando aula de educação de adultos e depois para crianças e adolescentes.

E foi na Vila, em 1993 que conheci mais de perto um dos meus ídolos de adolescência: José Genoino, o guerrilheiro do Araguaia. Genoíno, pai de meu aluno Ronan.

Lembro de  histórias engraçadas de sala de aula , pelas intervenções que Ronan fazia, eu dizia a ele: você só poderia ser filho do  Genoino.

Em 2005 como todos que lutaram arduamente para ver o PT no poder eu chorei. Chorava de raiva por ver o nome de toda uma luta na lama, chorava de raiva porque eu já sabia que sem democratização das comunicações o discurso único que criminaliza a luta dos trabalhadores seria o maior inimigo da classe trabalhadora. Chorava de raiva porque já havia Orkut e eu avaliava o estrago que isso faria à esquerda, à luta à esquerda.

No Orkut via companheiros de esquerda putos da vida e xingando muito. Xingando Dirceu, xingando Genoino, como vejo até hoje e não era o discurso raivoso da direita, mas de todo modo era um discurso raivoso.

Comecei a blogar por causa da cobertura porca feita na imprensa sobre o Caixa 2 do PT.

Não consigo aceitar que uma pessoa seja condenada por ocupar a presidência do partido, como no caso de Genoino. Não há nada que o incrimine, nada, só a teoria porcamente lida pelo STF do ‘domínio do fato’ que só serve pra condenar políticos petistas.

Li todo o processo do Dirceu, condenado pela mesma teoria, o processo do Dirceu está na rede para qualquer um ler, não há um documento assinado por ele, nada.

Li as reportagens de Conceição Lemes que mostra que Pizzolato também não poderia ter praticado o que STF o acusa de praticar, há documentos, datas, nada bate.

Um julgamento de exceção, um julgamento partidário, um julgamento vergonhoso para história da Justiça brasileira onde até juristas da direta reconhecem que réus foram condenados sem provas.

Por causa deste julgamento de exceção perdi o meu trabalho. Fui demitida. Sofri assédio moral por ser uma professora de história que não faz concessões, por não repetir o discurso da Veja, por ousar manter a integridade, o compromisso com os fatos, doa a quem doer.

Portanto, perder alguns ‘amigos’ no Facebook ou twitter por defender incondicionalmente o direito dos réus à ampla defesa (e foram injustiçados porque foram condenados sem provas e não tiveram direito à ampla defesa), não é nada pra mim.

Pior é perder o senso de justiça e agir feito manada repetindo rottweiler raivoso sem ao menos se dar ao trabalho de se informar.

No futuro, distante deste transe midiático, espetacularizado nas tevês, rádios e jornalões, historiadores sérios mostrarão como  este julgamento foi de exceção e como se condenou, torturou e encarcerou mil vezes os rebeldes  que ousaram resistir à ditadura militar.


Foto: Débora Cruz

Vocês passarão, os que lutam passarinho, mesmo engaiolados.

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Atualização: O dia que o jornalismo emporcalhou a história: UOL e “a capa de Genoino”

novembro 15th, 2013 by mariafro
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Hoje a jornalista Ana Helena Tavares escreveu:

Um dia triste para quem escolheu o jornalismo como forma de luta e não como forma de luz. A sociedade do espetáculo se regozija com sua própria desgraça. A República é apunhalada no dia de sua proclamação. E o Brasil permanece o país do faz-de-conta. Tristes lentes as dos repórteres que estão em frente à casa de Genoíno. Queriam registrar ali um palácio, mas só o que veem é uma casa simples. As imagens serão achincalhadas pela História.

Daí abro a página da uol pra ver uma foto de Genoino postada por uma amigo no Face e fico estarrecida com a desinformação da legenda:

Esta chamada e legenda devem entrar para a história da vergonha alheia da fotolegenda do fotojornalismo. Daquelas imensas mesmo, praticadas por aqueles da imprensa que não fazem a menor questão de lidar com a realidade.

A ‘capa’ que o/a desinformado/a da UOL se refere é um painel bordado por Rioco em 2012* (durante o julgamento da AP470) e simboliza a solidariedade dos companheiros que visitaram Genoino quando ele passou um longo tempo sem sair de casa após o achincalhe do jornalixo produzido pela grande mídia. Genoino, que sempre viveu no mesmo bairro, não podia nem ir à padaria próxima a sua casa sem ser hostilizado.

**Rioco fez então muito pássaros, um para cada amigo que não o abandonou, que não achou que a solidariedade fosse coisa privada. Rioco fez uma releitura de Mario Quintana: ‘eles passarão, eu passarinho’.

Foto: Débora Cruz

Por isso Genoino se cobriu com este manto de solidariedade de seus companheiros de luta e demonstração de amor da sua companheira de uma vida inteira.

E UOL, pelo amor, deixa de ignorância, punhos cerrados levantados para a geração da esquerda da década de 1960 é sinal de luta, de resistência a tudo que vocês representam, seus energúmenos!


A dupla – Smith e John Carlos que levantou os punhos cerrados com luvas pretas, repetindo o gesto dos “panteras negras”. Naquele momento a ação dos atletas simbolizava a luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses nos pódios olímpicos. Pelo ato político a dupla foi expulsa das olimpíadas.

Não é gratuito, portanto, o fato de José Dirceu repetir o mesmo gesto de sua geração ao ser preso no mesmo dia que Genoino.

Não é gratuito que Joaquim Barbosa tenha feito isso em 15 de novembro.

 Atualização: Quem me contou a história da confecção do painel foi Débora Cruz, também autora da foto. Mas dois leitores que participaram da confecção corrigiram a informação, reproduzo o depoimento deles:

*Por C. Nicolau

“O bordado foi feito em 2012, como solidariedade ao momento que passava, durante o julgamento (?). Eu estava lá.”

**Por Natalina Ribeiro:

Apenas um retoque: a ideia e a iniciativa do painel foi da Rioko. Os pássaros foram bordados por inúmeras mãos de pessoas solidárias ao Genoino e sua família, durante o julgamento do STF – mulheres, homens, crianças. Muitos, mesmo não sabendo bordar, deram sua contribuição para a confecção deste painel. Genoino, estamos aqui!

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novembro 15th, 2013 by mariafro
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Convivi com Genoíno como pai, pois fui professora de seu filho no sexto e sétimo ano, ele prestigiava as apresentações das crianças. Sempre morou no mesmo lugar, rodeado por livros. Passei longos anos sem encontrá-lo, até que fui buscar minha amiga Débora Cruz na residência dele meses atrás. 


Foto: Débora Cruz

Sua disciplina é algo impressionante. Rara.

Ele estava abatido mas não havia perdido a sua verve e me disse algo mais ou menos assim “Descobri que há um esforço público por destruir reputações, mas a solidariedade é privada” enquanto lia para mim uma carta de uma amigo que preferiu não tornar pública a solidariedade prestada. Pois, Genoino, minha solidariedade a você é pública, admiro sua história na luta contra a ditadura militar e acho que você tem direito a um julgamento justo e à ampla defesa, o que foi negado a você pelo STF.

De uma coisa tenho certeza, Genoíno que foi torturado pela ditadura militar e nunca enriqueceu com a política será absolvido pela História, o mesmo não posso garantir de quem o condenou sem direito a uma defesa ampla e por meio de um julgamento espetacularizado.

Reproduzo sua nota, publicada ontem. 

Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano

Com indignação, cumpro as decisões do STF e reitero que sou inocente, não tendo praticado nenhum crime. Fui condenado porque estava exercendo a presidência do PT. Do que me acusam, não existem provas. O empréstimo que avalizei foi registrado e quitado.

Fui condenado previamente numa operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram num processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado democrático de direito.
Por tudo isso, considero-me preso político.

Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano.
José Genoino

Abaixo a nota assinada pelo presidente do PT na tarde de hoje:

Nota assinada pelo presidente Rui Falcão sobre as decisões do STF a respeito da Ação Penal 470
Do site do Partido dos Trabalhadores
15/11/13 – 16h15

A determinação do STF para a execução imediata das penas de companheiros condenados na Ação Penal 470, antes mesmo que seus recursos (embargos infringentes) tenham sido julgados, constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa.

Embora caiba aos companheiros acatar a decisão, o PT reafirma a posição anteriormente manifestada em nota da Comissão Executiva Nacional, em novembro de 2012, que considerou o julgamento injusto, nitidamente político, e alheio a provas dos autos. Com a mesma postura equilibrada e serena do momento do início do julgamento, o PT reitera sua convicção de que nenhum de nossos filiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve da parte dos petistas condenados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal para enriquecimento.

Expressamos novamente nossa solidariedade aos companheiros injustiçados e conclamamos nossa militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

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Época (do grupo Globo que sonega impostos), ao estilo Folha, aposta no desgaste de Haddad

novembro 15th, 2013 by mariafro
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Matéria de Época,  revista do grupo da Rede Globo, grupo que nunca é demais lembrar sonegou meio bilhão de reais em impostos e também está na lista de investigação da máfia dos fiscais em SP como mostra reportagem de Luiz Carlos Azenha: Bastidores: A lista que traz o nome da Globo já não tem a mesma importância não se sente nem um pouco constrangida em defender a gestão de Kassab, responsável por mais de meio bilhão de desvios da Máfia dos fiscais e força a pena no ataque à gestão de Haddad, responsável por investigar a máfia dos fiscais.

Professor Wagner Iglecias  Haddad na mira; já havia chamado a atenção para o foco deturpado da grande mídia que quer jogar nas costas do investigador a culpa dos corruptos investigados, da mídia que não tem compromisso algum com a notícia e sim com seus interesses, da mídia ela mesma sonegadora de impostos. Será que se houvesse investigação se poderia provar que também certos grupos midiáticos seriam eles mesmos beneficiários da Máfia dos Fiscais?

Fonte: Viomundo

“Ao que consta o esquema de corrupção surgiu durante a gestão Serra (PSDB), continuou durante a gestão Kassab (PSD) e agora Haddad (PT) tenta combate-lo. Mas parte da imprensa só faz criticar Haddad, dizendo que ele apostou e perdeu, ou aborda o esquema de 2013 em diante, quando começou a gestão do petista. Reduz o atual prefeito de SP ou a um ingênuo ou a um aproveitador que estaria a fim de tirar dividendos marqueteiros de toda essa história. Estão ausentes da cobertura de certa imprensa dois pontos: a tão propalada necessidade de se combater a corrupção e uma análise sobre os ganhos que o cidadão e o contribuinte paulistanos terão com o desbaratamento do esquema. ” (Wagner Iglesias, apresentando a matéria manipuladora abaixo)

Haddad apostou – e perdeu

O prefeito de São Paulo declarou guerra a seu antecessor, Gilberto Kassab, e com isso criou problemas para o PT e para ele mesmo

Por: ALBERTO BOMBIG E LEOPOLDO MATEUS

14/11/2013

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele desagradou o Planalto e também seu padrinho (Foto: Andre Dusek/Estadão Conteúdo)

O jogo de roleta e a política têm pelo menos uma coisa em comum: nas duas atividades, os novatos e os experientes se diferenciam de forma clara. Os tarimbados na roleta começam cautelosamente, apostando poucas fichas em muitos números. Quando reúnem um bom cacife, partem para lances mais arriscados. Acuado pelos baixíssimos índices de popularidade – apenas 15% de aprovação, depois de aumentar impostos e ver o caos se instaurar no trânsito com as faixas exclusivas de ônibus – o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), um novato na política, resolveu apostar todas as fichas numa providência arriscada: jogar a culpa no antecessor.

O pretexto para bater em Gilberto Kassab (PSD) foi o escândalo que levou para a cadeia Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardozo de Magalhães, todos funcionários concursados da prefeitura paulista e acusados pelo Ministério Público Estadual de formar uma quadrilha que desviou ao menos R$ 500 milhões dos cofres públicos. Ao comentar a prisão dos fiscais em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Haddad afirmou tratar-se de uma “resposta do Executivo a uma situação de descalabro” herdada da gestão anterior. Questionado sobre quem seria o “prefeito” citado num dos grampos, Haddad respondeu: “Olha… Não é possível desconsiderar que (Ronilson) ocupou um cargo da maior importância na gestão anterior”.

Fernando Haddad: O prefeito no moedor de carne

Kassab reagiu batendo forte. “Ele (Haddad) só esqueceu de olhar para o próprio umbigo, para sua administração, quando a cidade está espantada com o descalabro desse primeiro ano”, afirmou Kassab, também em entrevista à Folha de S.Paulo. O ex-prefeito é citado pelos criminosos em escutas feitas com autorização da Justiça. Ele nega envolvimento com o grupo e diz que a investigação do caso começou ainda em sua gestão, no final do ano passado.

Desde o começo de sua gestão, Haddad se sentia incomodado com o fato de não poder atacar seu antecessor. O PSD de Kassab é um aliado importante de Dilma Rousseff (PT) na luta pela reeleição. Ele somará de dois a três minutos de tempo à propaganda presidencial. Por isso, o comportamento de Haddad desagradou ao governo federal. Em junho, quando a popularidade de Dilma caiu para a casa dos 30% de aprovação, Kassab procurou a presidente para afirmar que não a abandonaria qualquer que fosse o cenário. O Planalto jamais foi contra a investigação na prefeitura de São Paulo. Queria apenas que Kassab, até por ter iniciado a investigação, tivesse recebido outro tratamento por parte dos petistas paulistanos.

Kassab deve reafirmar na próxima semana o apoio à reeleição de Dilma Rousseff, com quem conversa regularmente em Brasília e pelo telefone. Além de desagradar a Dilma, a atitude de Haddad irritou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma divergência numa cidade ou num Estado não pode atrapalhar uma aliança nacional. O Kassab está cumprindo aquilo que ele acordou com a presidente vários meses atrás. O problema de São Paulo vai ser resolvido em São Paulo. Fico feliz com o apoio do PSD a Dilma”, afirmou Lula na quarta-feira (13), em Campo Grande (MS).

Além de ter perdido prestígio no Planalto, Haddad viu a investigação do Ministério Público fazer um estrago – e dos grandes – em seu próprio gabinete. Em depoimento ao MP na terça-feira (12), Magalhães afirmou que, entre dezembro de 2011 até o final do ano passado, pagou uma mesada ao vereador Antonio Donato, secretário de governo de Haddad e homem forte do PT na gestão paulistana. Donato, que coordenou a campanha vitoriosa de Haddad, pediu afastamento do cargo na própria terça. Donato nega o teor da acusação e diz que se defenderá na Câmara Municipal. Um dos mais importantes secretários petistas na gestão Haddad afirma que o partido está “estarrecido” com a acusação a Donato. Segundo ele, Donato participou ativamente desde a construção da Controladoria do município, que investiga o caso, e de várias ações da operação que prendeu os acusados. Os petistas, reservadamente, acusam Kassab de ter “armado” essa situação contra Donato, embora o próprio ex-secretário tenha confidenciado a amigos enxergar “fogo amigo” petista no episódio.

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O episódio complicou de vez a relação entre Kassab e o PT no âmbito municipal. Ela nunca foi boa e agora se complicou de vez. E por mais que Kassab diga que o episódio se restringe ao plano regional, reafirmando seus votos de fidelidade a Dilma, o PT ainda pode ser prejudicado com a briga. Kassab não é importante para o PT apenas nos planos de reeleição de Dilma. Na estratégia montada por Lula para tentar eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), ao governo de São Paulo, Kassab precisa sair candidato para tirar votos do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). O estrago está feito. E, com ele, Haddad vê seu castelo de fichas desabar aos olhos do crupiê.

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