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O shopping center – caixa fechada à paisagem urbana e negação da rua – tem papel central na morte da cidade

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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Vários expressam a opinião de Arnaldo, mas ela não dá conta de explicar o tratamento diferenciado dado aos alunos da FEA, tampouco o tratamento dado aos meninos de Fortaleza que foram na inauguração do shopping center. Quanto mais elitista for o shopping mais ações discriminatórias eles terão em relação aos meninos da periferia, majoritariamente negros.

Do resto ele está coberto de razão, por mim os shopping seriam todos demolidos.

Por: Arnaldo Ferreira Marques, em seu Facebook

Eu detesto ser manipulado…

Rolezinho é o nome ‘perifa’ de flash mobs adolescentes marcados nos shoppings periféricos da cidade.

Em um ambiente cheio de vidro, escadas rolantes, saídas afuniladas, vãos de muitos andares etc., e com qualquer especialista em massa explicando que ajuntamentos de jovens podem sair facilmente do controle, óbvio que as organizações dos shoppings não iriam permitir os rolezinhos.

Adolescentes aprontões e seguranças caretas, a história do mundo desde o Neolítico.

Mas no clima pré-revolucionário que alguns sonham para o Brasil desde junho do ano passado, os rolezinhos se tornaram uma manifestação política de alta significação.

Criou-se um quadro no qual jovens pobres e negros excluídos, que sempre se sentiram impedidos de entrar em um shopping, resolveram finalmente se unir e ocupar esse vil espaço de exclusão burguesa. Denunciariam assim o apartheid vigente no país.

Hã… só que não. No geral, os rolezistas frequentam os shoppings normalmente, são frequentadores habituais, compram e se divertem lá todo o tempo. Individualmente. Sem problemas. O problema surge apenas no flash mob, no ajuntamento de centenas/milhares. Aí é que o bicho pega. E essa é outra discussão.
Os shoppings da periferia, palco dos rolezinhos, são frequentados por pessoas da periferia (ora!!!), em grande parte negros. Sem problemas. Se há apartheid no Brasil, não é por lá.
Se os movimentos sociais querem aproveitar a onda (capitalizando a habitual inabilidade da segurança em lidar com essas crises, chamando inclusive a PM, efetuando prisões etc.) e organizar “flash mobs anticapitalistas”, ok, façam, mas não confundam com os rolezinhos “moleques”, marotos, da perifa.
Por favor.
Que fique claro: o shopping center no Brasil adquiriu características próprias, matando a rua pública, oferecendo uma rua privada onde não há colchões de mendigos nos corredores, pedintes na praça de alimentação, lixo pelo chão ou batedores de carteira nos cinemas. Nos shoppings, as leis brasileiras são filtradas pela convenção do condomínio, para atender necessidades de consumidores e lojistas.
A cidade brasileira está morrendo, sendo substituída por um amontoado de ilhas privadas/muradas ligadas por ruas e avenidas cada vez mais voltadas apenas ao trânsito, à passagem, não à convivência.
O shopping center – caixa fechada à paisagem urbana e negação da rua – tem papel central nesse processo desastroso.
Por mim, os shoppings seriam proibidos. E os atuais demolidos.
O comércio, o lazer e a convivência devem voltar para a rua, transformadas em calçadões (o que se viabiliza com a prioridade ao transporte coletivo, com a inclusão social com qualidade… é um círculo virtuoso).
Mas parem de manipular o rolezinho, caraca!
O longo texto Leandro Beguoci: Rolezinho e a desumanização dos pobres, reproduzido por muitos (mas pelo jeito entendido ‘seletivamente’ por alguns) trata de parte das coisas que falo aqui.

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Shopping barra jovens da periferia, mas libera ´rolezinho´ de alunos da USP

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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Neste post aqui já havia mostrado a diferença de tratamento quando o rolezinho é feito com subir em mesa de praça de alimentação e xingamentos por jovens brancos bem nascidos e jovens da periferia e em sua maioria negros.

Shopping barra jovens da periferia, mas libera ´rolezinho´ de alunos da USP

Rede Brasil Atual, via SMABC 

Alunos da FEA sobem nas mesas da praça de alimentação para cantar gritos de guerra usados em jogos universitários

Sem repressão ou proibição, estudantes de Economia da Universidade de São Paulo promovem manifestações em centro de compras desde 2007

São Paulo – Pelo menos desde 2007, centenas de “bichos” da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA) reúnem-se no Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo, para celebrar o ingresso na universidade: em grupos grandes e barulhentos, sempre entoando os gritos de torcida da atlética da faculdade, eles ocupam o hall de entrada e os corredores, marcham até a praça de alimentação e, lá, seguem pulando, cantando e usando as mesas como instrumentos de percussão. A manifestação, similar à aglomeração causada pelos “rolezinhos” marcado pelas redes sociais para o sábado passado (11) no Shopping Itaquera, na zona leste, administrado pelo mesmo grupo empresarial, é permitida e conta até com patrocínio oficial de lojas; em Itaquera, uma liminar proibiu o encontro dos jovens e causou forte repressão da Polícia Militar.

Em vídeos publicados por alunos da FEA no youtube, é possível acompanhar a aglomeração dos jovens entre 2010 e 2013. Segundo João Meireles, atual presidente da Atlética, deve haver “invasão” no shopping também este ano.

“Para confirmar, só com o Centro Acadêmico, eles é que organizam os pedágios (trote que leva os novos alunos da faculdade para pedir dinheiro nos semáforos)”, afirmou.

As invasões ao shopping ocorrem logo após o fim da coleta dos pedágios, e contam até com apoio de lanchonetes na praça de alimentação: depois de decorar os gritos de guerra da torcida da FEA para os jogos universitários, os estudantes almoçam nos restaurantes parceiros. “Se há acordo com o shopping, eu não sei. Isso é com o CA”, completou Meireles. A RBA tentou contato com diretores do Centro Acadêmico da FEA, mas não obteve resposta.

À RBA, o Shopping Eldorado afirmou que as “invasões” são permitidas porque têm “objetivos muito diferentes” dos rolezinhos convocados pelas redes sociais. “Os alunos da FEA vêm ao shopping, almoçam e depois se concentram para a comemoração, cantando gritos de guerra por alguns minutos, o que não causa tumulto ou desordem”, apontou, por meio de nota. O shopping esclarece ainda que não costuma negociar a realização do evento com os estudantes, mas que a “invasão” ocorre sempre na mesma época do ano e, por isso, é previsível. “Na chegada do pessoal, nossa segurança identifica os líderes e passa algumas orientações para não incomodar os demais convidados do shopping. Depois, acompanha e monitora a ação”, continua a nota.

Dois pesos, duas medidas

Para Kazuo Nakano, professor de Desenvolvimento Urbano e Direito Imobiliário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a diferença de tratamento dedicada pelos shoppings ao “rolezinho” e à “invasão” promovida por alunos da USP é sintomática da falta de regulamentação do setor. “Não existem critérios claros para o uso do espaço do shopping, que é uma empresa privada, mas de uso coletivo. Hoje, vale a lógica da propriedade e o direito do proprietário de filtrar quem circula em seu estabelecimento”, aponta.

“Agora, se tudo bem quando é aluno da USP, mas o cidadão da periferia gera temor de arrastões, está claro o preconceito. O shopping já é um espaço excludente por conta dos preços para desfrutar dos seus produtos e serviços, e, dessa maneira, segrega ainda mais”, completa.

O professor acredita que é necessário debater a diferença entre os espaços públicos dedicados ao consumo e aqueles dedicados à vida cívica dos cidadãos. “O que vemos em São Paulo, por exemplo, é que praticamente só existem dois tipos de espaços públicos: o de consumo e o de deslocamento, as vias da cidade. Quando vamos falar dos espaços para a vida cívica, estão quase todos deteriorados. Temos lutado para recuperar esses espaços e reverter essa lógica de privatização dos espaços dedicados ao lazer”, pondera Nakano. “Até lá, será comum que as pessoas façam a opção pelo shopping e outros estabelecimentos privados para suprir essa carência.”

Preconceito nos shoppings

Nos últimos anos, uma série de episódios revelam que a discriminação é comum nos corredores dos shoppings brasileiros. Em 2010, o músico cubano Pedro Bandera, 39, foi impedido por seguranças de entrar no shopping Cidade Jardim, na zona oeste, onde tinha uma apresentação marcada em uma livraria – segundo ele, os demais músicos entraram no shopping sem problemas. Já o cubano chegou a ser imobilizado e encaminhado a um táxi que o retiraria do local. Bandera, que é negro, processou o shopping por racismo e foi indenizado em R$ 7 mil após decisão favorável da justiça em dezembro passado.

Já no shopping Center 3, na avenida Paulista, em janeiro deste ano, a transsexual Aline Freitas afirmou que foi abordada por seguranças que tentaram impedi-la de usar o banheiro feminino: ela chegou a entrar no lavabo, mas foi abordada por uma funcionária e retirada por um grupo de oito seguranças.

Na Bahia, à mesma época do episódio em São Paulo, um grupo de 21 funcionárias do shopping Barra, em Salvador, tentou impedir uma lojista transsexual de usar o banheiro feminino, alegando sentirem-se “constrangidas” pela presença da funcionária. Nesse caso, o shopping manifestou respeito pela diversidade e afirmou que não restringiria o acesso da funcionária ao banheiro por uma questão de “dignidade humana”.

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Stédile aponta reforma e consciência política para mudar a realidade brasileira

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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Por Claudia Weinman (PJMP/SC)

Foto: Joka Madruga/PJR

Mudar a realidade de milhões de brasileiros não é tão fácil quanto parece ser nas falas de líderes do Governo. O representante da Via Campesina\MST, João Pedro Stédile, no III Congresso Nacional da Juventude Camponesa, que acontece em Pernambuco\Recife, na manhã de hoje (15), afirma que essa questão foi analisada pelo viés da discussão crítica sob a atual conjuntura da realidade brasileira. Segundo ele, todas as mudanças históricas sempre foram feitas pela classe trabalhadora.

Stédile argumenta que a juventude camponesa precisa compreender a responsabilidade que possui para, segundo ele, não passar pela história sendo conhecida como uma geração ‘bundona’. “Ainda dá tempo de fazer a mudança, mas é preciso compreender as realidades que temos”, enfatiza.

Embora o tempo de fala tenha sido pouco para discutir a luta de classes com realidades tão diferentes durante o congresso, Stédile construiu uma leitura genérica dos elementos mais importantes que determinam isto a nível nacional. “Cada um de nós vê a mesma realidade com um olhar diferenciado e assim, temos que montar esse quebra cabeça da fotografia da realidade e compreender de fato o que esta acontecendo na luta de classes”, argumentou.

Após a análise feita pelo assessor, jovens de todos os estados compartilharam experiências baseadas nas falas de Stédile e provocaram algumas discussões a respeito da realidade brasileira.

Durante a tarde, a programação segue com animação, mística, discussão a respeito dos temas com foco na questão agrária sendo esta assessorada pelo representante da CPT Plácido Júnior e o tema Juventude Camponesa: Sujeito Social e Sujeito Político com o assessor da PJR Maciel Cover. A noite segue com os momentos culturais e a presença exclusiva do músico Pedro Munhoz.

Leia mais:

Rede Globo expulsa do III Congresso Nacional da Juventude Camponesa

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Dirigentes do PSOL e PCB criticam PSTU por se aliar com PSDB

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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ATUALIZAÇÃO: Resposta do PSTU

DOSSIÊ: Ataques ao PSTU e ao Sindserm no Piauí


Pichação na sede do PSTU-PI

Achei que tinha visto de tudo.

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