Maria Frô - ativismo é por aqui

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Eu sou diferenciado… Esse metrô é inapropriado… Pra quem?

maio 14th, 2011 by mariafro
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Dica da @silmarq para a trilha sonora do churrascão da turma dos diferenciados. Te vejo lá!


Música: Márcio Lugó
Letra: Márcio Lugó e Dre Nascimento

Pessoas Diferenciadas,
Gente Diferenciada

Eu sou diferenciado
Gosto de churrasco de gato
Pão com pão sem queijo coalho
Cerveja gelada só no bar do lado

Alguns dizem “não preciso de metro
Tenho carro, dinheiro que levo aonde eu vou”
Mas e a gente tão igual e diferente
Que pelos trilhos descarrila a cantar

Alguns dizem que não precisa de metro
E o governo aceita sem nenhum pudor
Mas a gente que é diferenciada
Nesse churrasco mostra a cara pra cantar

Eu sou diferenciado
Pego ônibus lotado
Morumbi ou Eldorado
Porque o metrô foi inapropriado
Pra quem?
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Pepe Escobar: Abandoai toda a esperança, porque a legislação internacional foi morta

maio 13th, 2011 by mariafro
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Bin Laden já foi. Gaddafi é o próximo
Por: Pepe Escobar, Asia Times Online, tradução: Vila Vudu
11/5/2011

Sátira da famosa frase de Kipling: ‘ O fardo do homem branco’, Life, 16/03/1899

Comecemos com a invocação de um ícone cultural do Ocidente, Dante: “Abandonai toda a esperança, vós que entrais” – porque a legislação internacional que conhecemos até aqui foi morta com uma estaca no coração.

O “novo” darwinismo sociopolítico implica neocolonialismo humanitário, assassinatos seletivos – que são execuções extrajudiciais – e guerras combatidas por aviões-robôs comandados a distância, os drones, guerreadas em nome de uma “carga que pesa sobre o homem branco”[1] recauchutada.

No torvelinho de mentiras e hipocrisia que envolveu o assassinato de Osama bin Laden, a questão que ainda tem alguma relação com a justiça é como um homem desarmado, codinome “Geronimo”, foi capturado vivo e imediatamente executado à vista de uma de suas filhas – depois de invasão rápida como raio, a território de país teoricamente “soberano”.

Quanto à guerra pantanosa que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) guerreia contra a Líbia, fato é que a opinião pública ocidental engoliu a ‘explicação’ segundo a qual um ataque militar contra país soberano aconteceu sem qualquer violação da Carta das Nações Unidas. Pode-se falar de lobo (o neocolonialismo) em pele de cordeiro (uma “guerra humanitária”).

No coração dessa questão estão os próprios conceitos de lei internacional – aceita por todas as nações “civilizadas” – e do que seja uma guerra justa. Mas para as elites ocidentais, não passam de detalhes: houve debate de alto nível sobre as implicações de a ONU legitimar uma guerra da OTAN, cujo objetivo último – e jamais declarado – é a mudança de regime.

Darwinismo à Tomahawks

A imunda operação no norte da África mostra-se ainda mais imunda, se se sabe que a guerra da Líbia foi conceito construído para atender duvidosos interesses da França; que a Arábia Saudita entregou aos EUA um voto falso, como se fosse voto da Liga Árabe, porque queria livrar-se de Muammar Gaddafi e, simultaneamente, ficar liberada para esmagar as manifestações pró-democracia no Bahrain; que a Líbia ofereceu ao AFRICOM do Pentágono a possibilidade perfeitamente viável de construir uma base militar africana; que um punhado de “rebeldes” sem eira nem beira seqüestraram os legítimos protestos dos líbios e tentam um golpe de estado, unidos a desertores do governo de Gaddafi; Jihadis ligados à al-Qaeda; e exilados como o informante da CIA general Khalifa Hifter, que viveu os últimos vinte anos nos EUA, em Virginia.

A coisa fica ainda mais imunda, se se sabe que, dia 19 de março, as elites financeiras de Washington/London/Paris autorizaram o Banco Central de Benghazi a comandar sua própria – a mando do ocidente – política monetária, oposta à política financeira estatal e completamente independente do banco central nacional líbio em Trípoli. Gaddafi trabalhava para livrar-se do dólar e do euro e para fazer do dinar-ouro uma moeda comum africana – e já reunira em torno de seu projeto muitos governos africanos.

A guerra contra a Líbia foi vendida globalmente sob o slogan “R2P” (ing. Responsibility to Protect, “Responsabilidade de Proteger”) – “novo” conceito do imperialismo humanitário que foi brandido à fartura em Washington pelas três chefes-de-torcida/rainhas amazonas: a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton, a embaixadora dos EUA à ONU Susan Rice e Samantha Power, conselheira do presidente Obama.

Grande parte do mundo emergente – a verdadeira “comunidade internacional”, não aquela ficção que aparece nas páginas da mídia-empresa ocidental – viu aquela guerra como o que é: o enterro do conceito de soberania nacional, e o “reenquadramento” espertíssimo do texto original do art. 2, sec. 1 da Carta da ONU, que define o princípio da igualdade de todos os Estados soberanos.

Viram que os “decisores” que “decidiram” sobre a Responsabilidade de Proteger eram exclusivamente Washington e um punhado de capitais europeias. Viram que a Líbia está sendo bombardeada pela OTAN – que não bombardeia nem o Bahrain, nem o Iêmen nem a Síria. Viram que os “decisores” nem tentaram negociar um cessar-fogo dentro da Líbia, ignorando os planos propostos pela Turquia e pela União Africana.

Atores poderosos como Moscou e Pequim, claro, também viram que o princípio da “Responsabilidade de Proteger” poderia ser invocado no caso de agitação no Tibete e em Xinjiang – e que o passo seguinte seria a OTAN invadir território chinês. O mesmo no que tenha a ver com a Chechenia, com o fator extra de hipocrisia de que os chechenos têm sido há anos armados pela OTAN através das redes ligadas à al-Qaeda no Cáucaso/Ásia Central.

E a América Latina também entra na lista dos possíveis “salvos” por intervenção “humanitária” da OTAN, na Venezuela e na Bolívia.

Eis afinal o novo significado de “lei internacional”: Washington – com o AFRICOM ou a OTAN – intervém onde bem entenda, com ou sem resolução específica do Conselho de Segurança da ONU, em nome do princípio “R2P”; e todo mundo fecha os olhos para os danos colaterais, para os golpes (jamais declarados) e para as legiões de refugiados que atravessam o Mediterrâneo e que ninguém vê ou considera.

Quanto ao fato de por que Gaddafi é atacado, enquanto os al-Khalifas no Bahrain, Saleh no Iêmen e Bashar al-Assad na Síria se safam, é simples: você não é ditador do mal, se é um dos “nossos” filhos da puta, quer dizer, se joga pelo “nosso” manual. O destino dos “independentes” como Gaddafi é ser assado e trinchado. E a coisa fica ainda mais fácil, se o ditador acolher uma base militar em seu território, ou, como os al-Khalifas, toda a 5ª Frota dos EUA.

Se os al-Khalifas não fossem lacaios dos EUA e lá não houvesse base militar norte-americana, Washington não teria problema algum numa intervenção militar a favor dos xiitas pacíficos e na maioria favoráveis à democracia que se manifestam contra uma tirania sunita sanguinária que precisa da Casa de Saud para reprimir o próprio povo.

E há os problemas de lei. Imaginem o que seria Gaddafi no banco dos réus. Corte marcial, ou corte civil? Corte canguru – como com Saddam Hussein –, ou garantir-lhe todos os meios “civilizados” de defesa e julgamento? E como comprovar crimes contra a humanidade? Como usar informações obtidas sob tortura, não, desculpem, sob “interragatório superestimulado”? E quanto tempo duraria o julgamento? Anos? Quantas testemunhas? Milhares?

Muito mais fácil resolver tudo com um Tomahawk – ou um balaço na cabeça –, e chamar a coisa de “fez-se justiça”.

[1] No orig. “white man’s burden”. É título de um poema de Rudyard Kipling, publicado em fevereiro de 1899. No poema, Kipling exige que os EUA assumam, como império, “a carga que pesa sobre os homens brancos”. A publicação coincidiu com o início da guerra dos EUA contra Filipinas e com a ratificação, pelo Senado dos EUA, do tratado que punha Porto Rico, Guam, Cuba e as Filipinas sob controle dos EUA. É poema racista, mas foi muitas vezes citado como ‘um hino’ a favor do imperialismo estadunidense e, pela mesma razão, tem sido ferozmente criticado em todo o planeta. A expressão “a carga do homem branco” aparece em vários contextos como metáfora de “imperialismo” (NTs, com informações de History Matters).
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Alípio Freire: Mães de Maio dão mais um passo em sua luta, moradores de Higienópolis retrocedem em cidadania

maio 13th, 2011 by mariafro
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Por Alípio Freire* (recebido por e-mail)

13/05/2011

Camaradas e Amig@s,

Hoje à tarde, foi lançado, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o livro “Do luto à luta – Mães de Maio”, sobre (e contra) o assassinato de cerca de 600 cidadãos e cidadãs, em apenas cinco dias, nas periferias da Grande São Paulo e Baixada Santista. Esta foi, sem dúvida, a maior chacina realizada em nosso País, por agentes do Estado (no caso, Policiais Militares) contra a população civil, pelo menos desde 1945.

Cerca de 300 pessoas lotaram o Auditório Vladimir Herzog: além da Mães (pais e irmãos) das vítimas, estavam presentes representantes de diversas entidades de Defesa dos Direitos Humanos e militantes e dirigentes de diversas organizações de trabalhadores e do povo (povo = explorados e oprimidos). Depois dos autógrafos – dados pelos familiars cujos depoimentos constam do livro – formou-se uma mesa, coordenada pela jornalista Rose Nogueira (grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e diretora do Sindicato dos Jornalistas), e composta por representantes das famílias dos mortos e desaparecidos há cinco anos, além de representantes de diversas das entidades e movimentos populares. Encerrado o ato, partiram todos em passeata até a praça da Sé, onde se realizou – nas escadarias da catedral – um culto ecumênico.

A tônica das falas foi o protesto contra os massacres desencadeados por agentes do Estado que continuam a acontecer em todo o País; a impunidade dos criminosos – sempre acobertados por suas corporações e pelas diversas esferas do Judiciário; e a federalização dos Crimes de Maio, cujos processos foram arquivados, há cerca de dois anos, a toque de caixa.

Como a imparcialidade vem sendo apontada pelos extrremistas de centro como a maior virtude dos que se pretendam democratas, e também temeroso das retaliações e atentados que esses terroristas da equidistância (verdadeiros Bin Ladens de arrabaldes) possam desencadear contra mim e a minha descendência, entendo por bem informar aos leitores desta mensagem, com o que se ocupava o outro lado.

Ou seja, enquanto as Mães de Maio davam mais um passo em sua luta, os moradores do bairro de Higienópolis (onde reside parte da elite paulistana) marcavam importante tento: a partir de pressão dos seus representantes, conseguiram impedir que o seu “bairro nobre”, fosse conspurcado por uma estação de metrô, que poderia infestá-lo de pobres, negros e gentinha-da-periferia. Ou seja, reafirmavam publicamente (e com uma sinceridade inatacável) seu entendimento do que é e deve continuar a ser uma Democracia e uma República brasileiras.

Em Higienópolis, como nos demais bairros nobres da Paulicéia, preto, nem os cachorros: são todos poodles brancos, com correntinhas de ouro no pescoço com um berloque do mesmo metal ou dessas pedrinhas que se compra em joalheirias. Usam sapatinhos, roupinhas sob medida, laços de fita na cabeça e muitos têm babás só para eles. Vão a cabeleireiros, freqüentam shoppingcenters, farmácias e lojas finas, onde pobres não podem entrar. Têm seções inteiras de supermercados especializadas em produtos para a espécie, padarias e rotisseries. Para que manter o peso ideal, fazem dietas. Frequentemente vão ao cabeleireiro, e têm à sua disposição serviços odontológicos e veterinários – incluindo “consultas comportamentais”. Dispõem de creches, têm professores particulares que lhes ministram aulas de boas maneiras, elegância e etiqueta. Dispõem de vários tipos de brinquedos, inclusive brinquedos educativos. São examinados e vacinados regularmente. Vários deles fazem terapia e ficam hospedados em hotéis especiailizados quando seus pais (digo, seus donos) viajam. Provavelmente já há pesquisadores estudando a possibilidade de equipa-los com lentes de contato azuis. Se contraem alguma doença grave, que lhes provoque muita dor ou qualquer tipo de sofrimento intenso, têm direito à eutanásia. Quando falecem, têm jazigos e cemitérios próprios. Também já existem crematórios.

Certa vez num debate, fui acusado por um autodenominado ecologista, que me acusou de ser antropocêntrico.
Expliquei-lhe que não era tanto assim: enfim, eu respeitava mais as tênias, cupins e carunchos do que a ele.

Putabraço para tod@s,
Alipio Freire

PS: Neste link, o meu texto publicado no livro “Do luto, à luta”.
Quem estiver interessado/a em comprar o livro – que é vendido a R$ 10,00 (dez reais)-, deve entrar em contato com o endereço eletrônico
maesdemaio@gmail.com

*Alípio Freire é jornalista

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Sakamoto: São Paulo vai se aprimorando na arquitetura e no urbanismo da exclusão

maio 13th, 2011 by mariafro
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Metrô de Higienópolis: São Paulo continua um burgo murado

Por Leonardo Sakamoto em seu blog

11/05/2011

Fonte da Imagem: Muros

Higienópolis não vai ter mais estação de metrô. Após pressão de moradores e empresários do bairro chique da capital paulista, o governo estadual desistiu de construir uma estação de metrô na avenida Angélica – a principal artéria da região. “Prevaleceu o bom senso”, afirmou fofamente o presidente da Associação Defenda Higienópolis, o empresário Pedro Ivanow. A estação integraria a linha 6, que deve ir de Brasilândia ao Centro (deve, porque em se tratando do metrô de São Paulo, tudo é ficção até que a inauguração prove o contrário). De acordo com o UOL Notícias, alguns moradores alegam que o metrô aumentaria o “número de ocorrências indesejáveis” e a área se tornaria “um camelódromo”. Lugar de gente fedida que atazana a vida da gente de bem.

O caso provocou uma onda de reações na internet contra a decisão do governo do Estado de privilegiar uma minoria em detrimento à execução de uma política pública de transporte que beneficiaria milhares de trabalhadores. As manifestações incluem até um churrascão, convocado pelo Facebook, a ser “realizado” na manhã deste sábado (14), em frente ao Shopping Higienópolis para comemorar a decisão bisonha.

Esse tipo de preconceito não é monopólio nosso. Por exemplo, o bairro de Georgetown, localizado em Washington DC, capital dos Estados Unidos, não tem estação de metrô. A despeito de supostas dificuldades técnicas para levar o trem subterrâneo até a endinheirada localidade, onde se encontram lojas de grife e restaurantes famosos, os moradores de lá – como os de Higienópolis – também pressionaram contra a abertura de uma estação. Quem quiser chegar tem que ir por cima ou andar mais de 1,5 quilômetro da estação de metrô mais próxima.

Mas São Paulo vai se aprimorando na arquitetura e no urbanismo da exclusão. O tema não é exatamente novo e ocupou espaço na mídia, por exemplo, quando o ex-prefeito José Serra resolveu implantar no complexo viário da avenida Paulista as chamadas rampas antimendigo, grandes blocos de concreto que impedem o povo de rua de montar sua casinha imaginária para se proteger do tempo e do mundo. E proteger, dessa forma, a gente de bem que estaria sendo assaltada durante as longas pausas dos congestionamentos. A mudança no traçado do metrô teve o objetivo claro de excluir, mais do que aproximar, alimentando mais ainda a ignorância que gera a intolerância, o medo e as cercas eletrificadas que circundam casas e apartamentos de luxo.

Logo após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, José de Anchieta, com a ajuda de índios catequizados, ergueu um muro de taipa e estacas para ajudar a mantê-la “segura de todo o embate”, como descreveu o próprio jesuíta. Os indesejados eram índios carijós e tupis, entre outros, que não haviam se convertido à fé cristã e, por diversas vezes, tentaram tomar o arraial, como na fracassada invasão de 10 de julho de 1562.

Ao longo dos anos, a vila se expandiu para além da cerca de barro, que caiu de velha. Vieram os bandeirantes – hoje considerados heróis paulistas -, que caçaram, mataram e escravizaram milhares de índios sertão adentro. Da África foram trazidos negros, que tiveram de suportar árduos trabalhos nas fazendas do interior ou o açoite de comerciantes e artesãos na capital. No início do século 19, a cidade tornou-se reduto de estudantes de direito, que fizeram poemas sobre a morte e discursos pela liberdade. Depois cheirou a café torrado e a fumaça de chaminé, odores misturados ao suor de imigrantes, camponeses e operários. Mas, apesar da frenética transformação do pequeno burgo quinhentista em uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo, centro financeiro e comercial da América do Sul, o muro ainda existe, agora invisível. E, 457 anos após a fundação de São Paulo, esse mesmo muro impede o acesso dos excluídos ao centro do burgo paulistano. Mesmo que seja apenas para trabalhar para os mesmos senhores que negam a eles o mais básico dos direitos: o direito à livre locomoção.

O muro não é mais feito de taipa, mas de abaixo-assinados que votam por manter o bairro nobre supostamente protegido contra os seres de fora (que devem existir para servir e não para ter liberdade para irem onde quiserem na hora que quiserem). E de políticos que existem para cumprir os desejos de determinadas classes sociais a que eles pertencem ou que financiam suas campanhas.

Tolos. Mal sabem que o futuro de todos na cidade está profundamente conectado. No final, a urbe vai ser para todo mundo – ou não será de ninguém.
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