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Bancada ruralista aproveita-se e arranca de Palocci acordo para o Código Florestal

maio 19th, 2011 by mariafro
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Agora as coisas parecem começar a fazer sentido. Palocci tinha bem pouca identidade e alinhamento com o seu próprio partido, a defesa do código florestal era um dos princípios, agora nem isso.

Leia também: Ideológo de ‘jogo duro’ e ‘fuga’ do Congresso, Palocci entra na mira

Ruralistas arrancam de Palocci acordo para o Código Florestal

Por: Mauro Zanatta e Caio Junqueira. Paulo de Tarso Lyra, no Valor
19/05/2011

BRASÍLIA – Auxiliada pelos líderes da coalizão governista no Congresso, a bancada ruralista aproveitou a situação de fragilidade política do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para arrancar do governo um acordo favorável aos seus interesses na votação do Código Florestal.

Acuado por denúncias de ter multiplicado por 20 seu patrimônio em apenas quatro anos, Palocci, que vinha comandando o tema com “mão de ferro” nos bastidores, foi obrigado a recuar em algumas imposições e ceder aos ruralistas, a maior parte deles integrante da coalizão governista na Câmara dos Deputados. A oposição tentou convocar o ministro a explicar-se no plenário da Casa. Nas comissões, houve várias tentativas semelhantes.

Mas um acordo fechado ontem pelos líderes dos principais partidos aliados do Planalto, à exceção do PT, pavimentou a “boa vontade” dos ruralistas com o governo. E deve permitir a votação de um texto mais “palatável” na terça-feira.

Apenas a delegação de poderes ambientais aos Estados ficou de fora, segundo os líderes reunidos na Comissão de Agricultura da Câmara. Esse item ficará a cargo do Senado. Assinaram a proposta o PMDB, PDT, PP, PR e PTB.

Para garantir uma votação ao gosto dos ruralistas, uma emenda de plenário será apresentada pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e não mais pelas bancadas oposicionistas do DEM e do PSDB. A tática “poupa” o governo de uma derrota no plenário da Câmara ao “descaracterizar” o texto como uma exigência da oposição.

O texto, elaborado pelo relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP), consolida todos as áreas cultivadas até julho de 2008, concede “anistia” de multas a quem regularizar a área e permite a soma de áreas de preservação (APP) com a reserva legal (RL). Autoriza a compensação de exigências legais fora do Estado do desmatamento original, mas no mesmo bioma, e garante uma averbação simplificada. Também desobriga a recomposição de RLs em propriedade de até quatro módulos fiscais (de 20 a 400 hectares, segundo o município), além de regularizar produção em encostas,topos de morro e áreas” salgadas”.

Deputados aliados e da oposição rejeitaram uma “troca” entre um refresco ao ministro Palocci e a aprovação do código. “É uma acusação maldosa. Se fosse assim, seria muito mais fácil fechar esse acordo pela manhã. Não há qualquer relação”, disse o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP). No mesmo tom, o líder do DEM, ACM Neto (BA), disse que “nunca aceitaríamos” um acordo para livrar Palocci. “Isso é loucura. Vamos continuar toda a luta nas comissões e no plenário para que Palocci venha a esta Casa prestar os esclarecimentos sobre sua evolução patrimonial”.

Ao fim do dia, porém, era unânime a impressão de que o governo preparou um modo de amenizar sua derrota. O código será votado antes de qualquer outra matéria, para sinalizar à oposição a formalização do acordo descumprido na semana passada pelos líderes governistas. Essa foi a promessa de Henrique Alves para “domar” os ruralistas rebeldes no PMDB.

Parlamentares ligados ao Planalto afirmaram, nos bastidores, que o acordo teve claro objetivo de “encerrar” a radicalização do caso Palocci. O governo avaliou que medidas provisórias com temas que considera relevantes, como a que torna menos rígidas as regras de licitação da Copa 2014 e a Olimpíada 2016, tornavam necessário fechar logo um acordo para “destravar” a pauta. “Foi o acordo possível. Hoje, não tem como o código ser mais para a frente”, disse um interlocutor da Casa Civil.

O texto do novo código será votado com Palocci em situação complicada. Mas com uma base satisfeita e ansiosa por tirá-lo da crise. “Para nós, a questão do Palocci está encerrada. Esse assunto é página virada”, afirmou o líder Henrique Alves. E completou: “Convocar o ministro para o plenário? Pelo amor de Deus!”.

A votação do código também mobilizou o vice-presidente Michel Temer. Ele sugeriu ontem ao ministro Palocci que o governo desista de adiar a votação na Câmara. Mesmo que isso represente um resultado adverso ao Planalto. E lembrou a Palocci que o texto ainda pode ser modificado no Senado ou, em última instância, sofrer vetos da presidente Dilma Rousseff. Palocci ponderou que ainda preferia negociar um pouco mais o texto, e que aguardaria uma reunião com os líderes Cândido Vaccarezza e Henrique Alves.

Temer rejeitou ter ficado “melindrado” por estar fora das negociações do Código Florestal. “Eu só entrei nessa negociação porque percebi que as conversas estavam emperradas. Quando a presidente Dilma estava na China, sugeri ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que chamasse ao meu gabinete os integrantes da Comissão de Agricultura, os ambientalistas e os ruralistas”. Michel Temer lembra que, no dia seguinte, reuniu-se novamente para tratar do assunto, dessa vez com os ministros envolvidos na questão. “Mas em nenhum momento quis mudar as coisas. O interlocutor do governo nessa matéria é o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci”, declarou o vice-presidente.

O líder do PV na Câmara, José Sarney Filho (MA), afirmou não ter participado do “acordão” patrocinado pelos partidos da base aliada ao governo, e avisou que vai obstruir a votação do Código Florestal no plenário da Câmara, na terça-feira. Na mesma linha, o PSOL também está definindo sua atuação

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Pepe Escobar: FMI que adora ferrar os pobres do mundo foi apanhado pela polícia, quem sai ganhando?

maio 19th, 2011 by mariafro
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Do texto reproduzido abaixo: ” Caso aconteça de a demissão de DSK abrir a porta para que um representante de país emergente chegue à presidência do FMI – e que espetacular justiça poética! –, terá sido graças a uma africana, muçulmana, imigrante e mulher.” Eu duvido, acho que Pepe Escobar também, mas que seria uma ‘justiça poética’, seria.

Sexo, poder e justiça estadunidense

Por: Pepe Escobar, Asia Times Online, Tradução: Vila Vudu

18/5/2011

Pois fato é que, afinal, Osama bin Laden não será o personagem principal no julgamento do século. Uma piscadela do destino, e o papel caberá a Dominique Strauss-Khan (DSK), o todo-poderoso diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), que agora medita na ilha Rikers “Alcatraz” em Nova York.

O chefão com nome de sopa de letrinhas posto à frente do juiz, muito contrariado; o Departamento de Polícia de Nova York mundialmente conhecido pelos seriados de televisão, mostrando serviço real e ao vivo; a captura-suspense, na cabine da primeira classe, no último momento, antes da partida do avião para voo transcontinental; a cerimônia da identificação entre suspeitos assemelhados e a exibição para a mídia, do acusado algemado[1], são, todos, ingredientes do mais recente escândalo sociopolítico global.

No mundo dos tabloides nova-iorquinos, quase sempre nauseabundo, foi difícil resistir à metáfora que, de tão clara, cintilava: o FMI – que tem reputação de ferrar sistematicamente os pobres do mundo –, apanhado pela polícia, precisamente, quando tentava aplicar à força um ajuste estrutural, numa suíte de hotel em Manhattan, contra uma discreta viúva africana, muçulmana e imigrada que vive no Bronx com a filha adolescente. O linchamento pela mídia jamais seria menos cruel ou violento, que o fato.

Pelo que já se viu, DSK tem muito mais sorte que o líder líbio coronel Muammar Gaddafi, porque só terá de enfrentar um júri nova-iorquino, não a Corte Internacional de Justiça [ing. International Criminal Court (ICC)] em Haia. Diferente de Gaddafi, DSK – pelo menos em teoria – é inocente até que se prove o contrário, embora já tenha sido condenado pela imprensa marrom.

Muito menos visíveis dos dois lados do Atlântico, são os intelectos sãos que tanto trabalham para mostrar que os escroques de Wall Street roubaram trilhões de dólares do cidadão comum; que os executivos da British Petroleum estão destruindo o Golfo do México; e que, de fato, o governo de George W Bush levou os EUA à bancarrota ao lançar uma guerra que matou mais de um milhão de iraquianos. Nenhum desses foi pré-condenado nem mereceu, sequer, ser exibido em algemas.

Só uma coisa é certa, indiscutível: no que tenha a ver com “a justiça estadunidense”, são zero as chances de alguém ver algemados o governo Bush ou os perpetradores do “golpe Goldman Sachs”.

Escândalo, sexo e gritaria

Acompanhar em detalhe a histeria da imprensa dos dois lados do Atlântico foi mais fascinante que viagem a Marte. Na França, era absolutamente garantido que DSK seria eleito presidente nas eleições de 2012, depois de derrotar o naufragante Nicolas Sarkozy, libertador neonapoleônico da Líbia. DSK – arma de escolha dos poderes financeiros que rastejam por trás do trono – deveria anunciar sua candidatura ainda em maio.

O tom dominante na grande imprensa francesa – em vasta medida subserviente a Sarzoky e seus lacaios – é que os estadunidenses, confirmando todos os velhos preconceitos e estereótipos anti-França, humilharam a nação, ao exibir DSK algemado e conduzido por policiais ante câmeras de televisão antes de ser julgado (o que é proibido por lei, na França) e ao negar-lhe o direito à liberdade sob fiança (de US$1 milhão).

A justiça estadunidense ao estilo do seriado “Law and Order” está sendo arrastada pela lama, atrelada ao puritanismo dos estadunidenses. Simultaneamente, entre simpatizantes catatônicos do Partido Socialista, circulam as inevitáveis teorias de conspiração.

Pelo menos parte da França parece dar por certo que a camareira do hotel Sofitel, nascida na Guiné, não era nenhuma Mata Hari. Mas talvez seja agente da CIA. E há também o maldito twitter – amplificado por um lacaio de Sarkozy – noticiando que DSK teria sido “preso” antes de a polícia de Nova York dar o primeiro pio: invenção que se espalhou pelo planeta. Nada menos que 57% dos eleitores franceses e 70% dos socialistas acreditam que DSK foi vítima de conspiração.

Cui bono [quem se beneficia], no caso de ter havido conspiração? Sarkozy, com certeza, ganha alguma coisa; ganham também os que ganhem na campanha eleitoral e na reeleição, além dos contatos ultraconservadores que Sarkozy cultiva nos EUA; também ganham os neofascistas da Frente Nacional francesa, cuja candidata, a empresarial Marine Le Pen, mantém boa chance de chegar ao segundo turno em 2012; e ganham todos os tubarões das finanças globais, aos quais muito infelicitava a posição mais “liberalizante” do FMI de DSK.

O ultra carismático DSK é socialista suave, à Moet & Chandon. Fosse banco, DSK estaria na categoria “grande demais para falir”. Está falido. Mas não é banco.

Fosse político estadunidense, seria uma espécie de Bill Clinton – com quedinha para misturar sexo e mídia e tudo. Clinton só por um triz não foi derrubado da presidência por uma gangue de puritanos, e só por causa daquilo na Casa Branca. Mas o circuito Paris de coquetéis jamais acreditará que DSK, mulherengo conhecido, cometeria a loucura, a imbecilidade, de trocar a presidência da França por uma faxineira africana muçulmana que fala francês em Nova York.

Assim sendo, a ideia dominante é que tudo não passou de mal-entendido. DSK estava à espera de uma prostituta “de classe” à moda Nova York, quando a camareira entrou descuidadamente na toca do leão e colidiu com o leão que esperava por outra (e armado).

Essa íntima colisão entre o FMI e uma economia subsaariana em desenvolvimento não implica que DSK seja defensor dos pobres ou da classe trabalhadora. Longe de ser socialista, DSK é parceiro íntimo das elites financeiras globais e do capital transnacional. Mas há detalhes a considerar.

Um dos detalhes lamentáveis de todo esse negócio sórdido é que DSK estava, de fato, tentando reformar o FMI – tentando empurrá-lo para linha mais progressista. Foi muito elogiado por esse trabalho. Seu substituto interino é o estadunidenses John Lipsky – ex-vice-presidente do JP Morgan. Por falar em retrocesso…

DSK estava empenhado em afastar o FMI do papel nefando que teve durante a crise financeira asiática. Naquele momento, em 1997, os remédios amarguíssimos inspirados pelo Departamento do Tesouro, que o FMI prescrevia, apesar de terem gerado ganhos imensos para os credores, quase destruíram economias inteiras, da Tailândia à Indonésia. Brasil e Rússia também sofreram.

Depois, seria a hora de “domar” a Argentina – mas a Argentina quebrou no final de 2001. O FMI fez o que pôde para sabotar o país, mas a economia argentina estabilizou-se; e o país voltou a crescer novamente em 2002.

Os mercados emergentes estão fartos de ver o FMI comandado por europeus. Em 26 dos seus 33 anos de vida, o FMI foi presidido por franceses. A distribuição de poder é medieval: de 24 diretores, nove são europeus; o diretor brasileiro representa nove países, mas seu voto só pesa 2,4%; o voto dos EUA pesa quatro vezes mais que os demais.

Esses 24 diretores executivos vão agora eleger o próximo presidente do FMI. Os europeus já estão envolvidos na mais viciosa batalha de vale-tudo – não querem entregar a palma. Mas as apostas indicam que o escolhido será Kemal Dervis, da Turquia; ou candidatos da Índia e África do Sul. A China ainda está pensando se sobe ao ringue.

Caso aconteça de a demissão de DSK abrir a porta para que um representante de país emergente chegue à presidência do FMI – e que espetacular justiça poética! –, terá sido graças a uma africana, muçulmana, imigrante e mulher.

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[1] No orig. perp walk. Gíria estadunidense. Aplica-se a uma prática da polícia, que promove um desfile público, para as televisões, de preso célebre ainda não julgado – e cuja inocência, portanto, deve ser presumida –, em situação de humilhação pública, quase sempre algemado. A expressão tem traços também de ostentação, pela polícia, de prisão feita. Parece ser redução da palavra perpetrator [perpetrador]. Pode ser traduzida, tentativamente, como “desfile do já condenado”, a ser interpretada no contexto específico de celebridade presa pela polícia, exibida às televisões (NTs).

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Os posts de hoje do Maria Frô ou como acessar posts anteriores :)

maio 19th, 2011 by mariafro
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Para aumentar a velocidade de carregamento do blog eu diminuí  para 4  posts apresentados na capa do Maria Frô. O blog com menos posts na capa fica mais ágil, mas tem leitores que não acessam as demais páginas e, muitas vezes, eu posto mais que 4 posts ao dia.

Como você pode acessá-los? Há duas formas:

Na margem direita do blog

E também no final de cada página do blog:

De todo modo de tanto receber links para notícias que dei em primeira mão, ou que delas nasceu um post, resolvi, quando der tempo, fazer um post dos links do dia, segue:

Discussão definitiva sobre polêmica ‘norma culta versus fala do povo’, confiram!

Menas, norma culta, menas, quero ser um poliglota em minha própria língua

Bancada ruralista aproveita-se e arranca de Palocci acordo para o Código Florestal

Pepe Escobar: FMI que adora ferrar os pobres do mundo foi apanhado pela polícia, quem sai ganhando?

“Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros” A primavera social chegou à Espanha

Documentário: “Mulheres Invisíveis”

Mais Sírio Possenti: Não, Folha de São Paulo, “o problema é bem mais em cima”

Sírio Possenti fala para moralistas, preconceituosos e desinformados: No teste de leitura o jornalismo foi reprovado

Comparato sobre Palocci e Congresso: O Congresso não vai se portar de jeito nenhum. O Congresso não se importa

Marcelo Semer: Preconceito descortina país pouco cordial

Amanda Gurgel: a proletarização do professor, o fracasso da educação brasileira neoliberal e a velha retórica oportunista

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“Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros” A primavera social chegou à Espanha

maio 19th, 2011 by mariafro
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Vila Vudu traduziu parte de um artigo interessante que nos lembra um pouco a manifestação da gente diferenciada ocorrida em Higienópolis, cuja articulação começou via Facebook, chegou ao twitter, inundou os blogs e mobilizou pelo menos 100o pessoas em protesto no bairro que tem uma pequena elite que não quer estação de metrô em Higienópolis.

Para ler todo o artigo (em francês) acesse aqui, há também belíssimas fotos.

Primavera social nascida na Internet alastra-se pela Espanha
Por: Elodie Cuzin, Blog89, Paris, Trecho traduzido do francês*: Vila Vudu
19/5/2011

“Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir!”

“Não somos mercadorias nas mãos dos políticos e dos banqueiros!”
(19/5/2011, Puerta del Sol, Madri)

Lançado em Madrid dia 15/5, um movimento de protesto social surpreende o país em plena campanha eleitoral. A crise é bem real, já há três anos. E, como aconteceu nos levantes na Tunísia e no Egito, os jovens espanhóis desempregados começaram a reunir-se pela Internet. O movimento “15 M” (porque começou dia 15 de maio) alastra-se pelo país, a uma semana das eleições municipais e regionais marcadas para o próximo 22 de maio.

► 2ª-feira, 16 de maio. 15 h. Puerta del Sol, em Madrid, a poucos metros da placa “Marco zero”, ponto a partir dos quais se calculam as distâncias por estrada em toda a Espanha.

São pouco mais de 30 jovens reunidos em torno de alguns cartazes, de uma mesa montada sobre cavaletes e de cadeiras distribuídas sob o sol escaldante.

São os primeiros a chegar, depois de decidir espontaneamente, em assembléia realizada no domingo à noite, acampar naquele ponto histórico, em pleno coração turístico de Madrid.

Algumas horas antes, uma manifestação organizada pela Internet juntou-se à primeira. E ultrapassou todas as previsões de quantos apareceriam.

► 4ª-feira, 18 de maio. 15 h. Mesma hora, mesmo local.

Coberturas de plástico azul e alguns guarda-sóis oferecem um pouco de sombra, mas não protegem contra o vento que começa a soprar forte.

O movimento de mobilização surpresa começou aqui, há três dias e já se alastrou por todo o país, com centenas de pessoas dedicadas a divulgá-lo. No mesmo movimento, a agenda da imprensa e dos partidos políticos foi agitada como por um terremoto, a poucos dias das importantes eleições municipais e regionais de 22 de maio próximo.

Citado de memória, do espanhol: “Nunca vimos coisa semelhante, desde o começo da democracia [em 1978]”, na avaliação de vários jornalistas presentes.

Alguns não hesitam em comparar a Puerta del Sol à já famosa praça Tahrir do Cairo.

Pela Internet : “Não somos mercadoria”.
Há três meses, um grupo de blogueiros e internautas reuniram-se na Internet e criaram uma plataforma em linha [fr. en ligne; ing. online; esp. en línea] que batizaram de “Democracia real ya” [Democracia real já].

No Twitter

► Informações sempre atualizadas, pelo Twitter com as palavras-chave [ing. hashtags; fr. mots-clés; esp. palabras-llave]:

•#acampadasol
•#spanishrevolution
•#yeswecamp
•#nonosvamos

Pouco a pouco, muitas centenas de pequenas organizações reuniram-se em linha: Associação Nacional de Desempregados, a página Internet das famílias endividadas com financiamentos imobiliários, “Juventude sem Futuro” (coletivo formado no início de abril), Attac, os contra a lei Hadopi à espanhola, os que pregam que ninguém vote nas eleições e outros.

Muitas dessas associações nasceram com a crise econômica que fez aumentar muito o desemprego, que já alcança 20% na Espanha (45% entre os jovens).

Durante semanas, sob silêncio absoluto na imprensa – com algumas raras exceções – e nos partidos políticos, mais de 200 organizações prepararam juntas uma série de manifestações previstas para acontecer dia 15 de maio em mais de 50 cidades da Espanha, com uma palavra-de-ordem:

“Não somos mercadorias nas mãos dos políticos e dos banqueiros!”

Em seu manifesto, o movimento Democracia Real Ya apresenta-se como formada de pessoas “normais”, de várias linhas de pensamento, com diferentes propostas. Os membros falam das lacunas da lei eleitoral espanhola, que favorece o bipartidarismo; denunciam a corrupção, os problemas de moradia, o desemprego, a crise …

“Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir!”

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