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Alexandre Haubrich: Casa ou quartel? Reitoria da UFRGS versus estudantes

maio 1st, 2011 by mariafro
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O que me chama a atenção é a universidade querer tratar estudantes universitários como sujeitos sem autonomia. Se até a Universidade quer tratar jovens universitários como adolescentes passível de tutela, a conquista para o mundo adulto se dará quando?
Casa ou quartel?

Reitoria da UFRGS tenta empurrar goela abaixo regimento que retira direitos dos moradores

Alexandre Haubrich, jornalista e editor do Jornalismo B



Mobilização dos universitários da Casa do Estudante da UFRS

Os resíduos bolsonarianos chegaram a Casa do Estudante Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEU-UFRGS). Em silêncio, sem ampla divulgação na comunidade acadêmica, a Reitoria da UFRGS caminha para impor um novo regimento na CEU. “Casa” é um conceito que parece um tanto controverso no tal regimento. Ou você, leitor, não pode andar sem camisa dentro de sua casa? E consumir bebidas alcoólicas em casa, você pode? Mesmo que o local onde você mora seja alugado? “Que escândalo!”, urrariam os redatores do novo regimento.

Pois é, os estudantes maiores de idade que moram na Casa do Estudante da UFRGS podem ser impedidos de circular sem camisa ou beber nas dependências. Um moralismo antiquado que chega a ditatorial quando consideramos que nada disso foi – nem a Reitoria tenciona que seja – debatido com os moradores. Se o atual regimento nem existe legalmente – há anos a CEU é organizada através de regras regimentais não formalizadas – a proposta de mudança que a Reitoria tenta emplacar retira direitos até de participação dos estudantes na gestão da Casa. Segundo o blog Megafonadores,

Este novo regimento, além de ter sido elaborado sem a participação dos estudantes, é um retrocesso no que tange a gestão da casa. Se aprovado, a CEU não possuirá um conselho gestor com participação dos moradores. Tirando o direito dos alunos de, de forma representativa, deliberarem sobre questões de sua própria moradia.

Os moradores reclamam também de expulsões arbitrárias e de vigilância excessiva, que, para eles, configura a tentativa de “implementação de uma política de controle e repressão sobre os estudantes que necessitam de políticas de promoção social e não da criminalização e exclusão”. Outra questão prejudicial aos moradores se refere às novas regras para a permanência na Casa após a graduação. Hoje, é permitido que os formados continuem ali por até seis meses, prazo que pode ser reduzido para 60 dias. A política de estímulo à permanência na universidade, defendida pela Reitoria, também seria esvaziada, com o fim da permissão para alunos de pós-graduação morarem na CEU.


Infiltração na moradia dos estudantes

Localizada na avenida João Pessoa, uma das principais vias de Porto Alegre, a Casa do Estudante da UFRGS é, atualmente, o lar doce lar de 400 estudantes. Mas a doçura pouco tem a ver com a estrutura oferecida pela universidade. A quantidade de pias e fogões não supre a demanda, há infiltrações no oitavo andar e a segurança contra incêndios é criticada pelos moradores. Além disso, o segundo andar, antes ocupado por moradias, foi transformado em espaço da administração, para departamentos que antes ficavam no prédio da Secretaria de Assistência Estudantil. Essa medida, obviamente, reduz a quantidade de vagas oferecidas para moradia.


Infiltração na moradia dos estudantes

Esses e outros problemas estruturais, somados à tentativa de retirada de direitos e de imposição antidemocrática de um novo regimento, levaram os estudantes ao Campus Central da universidade, para protestar e propor um regimento alternativo. Ainda segundo o Megafonadores, “o Secretário de Assistência Estudantil, Edilson Nabarro, resolveu sair para conversar com os estudantes. Recebeu as reivindicações, mas não se comprometeu com nada. Disse não estar impondo esse novo regimento, mas também não quis saber do regimento elaborado e proposto pelos moradores da casa”.

O regimento informalmente em vigor pode ser lido AQUI.

A “proposta” da Reitoria pode ser lida AQUI.

A contra-proposta dos estudantes / moradores pode ser lida AQUI.

Mais informações no blog da CEU.

 

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U hu! De volta! Comemorando e denunciando

maio 1st, 2011 by mariafro
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Os leitores mais constantes do Maria Frô devem ter sentido falta das postagens desde o dia 27/04 e a saída do blog do ar entre os dia 30 e grande parte de hoje. É que novamente o blog trocou de servidor e durante os dias 27, 28 e 29 @gutocarvalho estava migrando o blog e depois leva um tempo até que o DNS se propague na rede.

Estou feliz de ter o blog de volta, do timão ter vencido o Palmeiras, mas triste ao ver tanta expressão racista no twitter durante os campeonatos. 

Não vi o jogo do Corinthians e Palmeiras, mas só pelos RTs do Leonardo (@Growdasky), denunciando as manifestações racistas, eu descobri a cor do juiz:

[blackbirdpie url="http://twitter.com/zeeeeeh10/status/64809578394681345"]

[blackbirdpie url="http://twitter.com/GabrielFoon/status/64810049205321730"]

[blackbirdpie url="http://twitter.com/Dj_DaN_HDG/status/64809337675194370"]

[blackbirdpie url="http://twitter.com/OoPaaH/status/64808484230799360"]

[blackbirdpie url="http://twitter.com/Taiiete/status/64807868293058560"]

[blackbirdpie url="http://twitter.com/Taiiete/status/64810681383387136"]

Leonardo me alertou a fazer uma pesquisa por “juiz preto” no twitter: aqui.
[blackbirdpie url="http://twitter.com/Growdasky/status/64785457615089665"]

Se você fizer encontrará outros exemplos semelhantes aos destacados aqui.

No Rio, uma suposta torcedora fluminense chamou mais atenção porque foi destacada por um tweet da @rosana:

Não fique alheio/a ou apenas imobilizado/a diante dessas manifestações racistas, existem canais para denúncia de crimes de ódio cibernético: http://denuncia.pf.gov.br/ Faça a sua parte.

Atualização: uso o programa blackbirdpie para reproduzir os tweet aqui, assim que o post foi ao ar, dois dos ‘valentões’ que acham que podem expressar livremente seu racismo, já deletaram seus tweets:

http://twitter.com/Taiiete/status/64807868293058560

http://twitter.com/Taiiete/status/64810681383387136

Por isso você vê a seguinte mensagem: There was a problem connecting to Twitter.

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Totalitarismo Invertido

abril 27th, 2011 by mariafro
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Totalitarismo invertido

Sheldon Wolin, The Nation, Tradução: Vila Vudu
1/5/2003

“Todos os impérios visam a explorar povos e territórios sob seu controle, mas os EUA são império de tipo diferente: os EUA raramente governam diretamente territórios estrangeiros por muito tempo, embora conservem lá suas bases militares (“lily pads”). O poder dos EUA é “projetado” em intervalos irregulares sobre outras sociedades, mesmo quando não é institucionalizado. O poder dos EUA tende a ser indireto, assume a forma de vaga “influência”, de “pressões” ou de propina. As principais preocupações dos EUA são militares ou econômicas (acesso a bases estratégicas, a mercados, ao petróleo). Quando os políticos consideram necessário ou útil, necessidades domésticas são subordinadas ao que ordenem as estratégias globais ou as necessidades reais ou pressupostas dos parceiros empresariais corporativos da ‘superpotência’” (Sheldon Wolin, Democracy Incorporated: Managed Democracy and the Specter of Inverted Totalitarianism, material de divulgação de conferência a ser realizada dia 17/5/2011. Ver também Lannan).

A guerra no Iraque de tal modo monopolizou a atenção pública que obscureceu a mudança de regime que está acontecendo aqui mesmo, nos EUA. Talvez tenhamos invadido o Iraque para levar para lá a democracia e tirar de lá um regime totalitário, mas, no processo, tudo faz crer que nosso próprio sistema esteja andando rapidamente em direção a se tornar sistema totalitário, cada vez menos democrático.

A mudança doméstica, cá nos EUA, se vê claramente na repentina popularidade que ganharam dois termos, que raramente se ouviam antes no sistema político norte-americano: “império” e “superpotência”. Esses dois termos sugerem, ambos, que um novo sistema de poder, concentrado e expansionista, já existe entre nós e suplantou o anterior.

“Império” e “superpotência” simbolizam acuradamente a projeção do poder dos EUA para além fronteiras, mas, por isso mesmo, obscurecem as consequências do processo para os norte-americanos.

O absurdo se torna mais visível quando se ouve falar da “Constituição do império dos EUA” ou dos EUA como “superpotência democrática”. Nos dois casos as expressões soam falsas, porque “Constituição” significa limitação de poderes; e impérios não são regidos por Constituições; e “democracia” significa para a maioria da humanidade o ativo envolvimento dos cidadãos nas ações do governo e a exigência de que o governo preste contas aos cidadãos; portanto, não pode haver superpotência democrática e, além do mais, imperial. “Império” e “superpotência” são palavras que falam de não respeitar limites e de fazer encolher a cidadania.

O sempre crescente poder do Estado e declínio do poder das instituições previstas para controlar o Estado são coisas que vêm fermentando já há algum tempo. Ao deixar de ser genuíno partido que faz oposição, os Democratas pavimentaram o caminho até o poder, como partido sedento de poder para também usá-lo para promover o império dos EUA além-mar e promover o poder das corporações, em casa.

Assim, agora, os elementos necessários estão afinal implantados: legislativo fraco; sistema legal ao mesmo tempo complacente (para uns) e repressivo (para outros); sistema partidário no qual os partidos, situação ou oposição, só fazem trabalhar para recompor o sistema partidário (‘reformas’ e ‘reformas’ que nada reformam) de modo a que mais e melhor possa servir aos ricos, aos bem relacionados e às empresas, ao mesmo tempo em que os pobres são abandonados, desamparados, entregues ao desencanto com a política e ao desespero; e, ao mesmo tempo, deixando as classes médias penduradas entre o desemprego e delírios de fantásticas recompensas, tão logo a economia ‘se recupere’.

Ano passado, no impasse entre governo e oposição no Congresso nos EUA, ao contrário do que noticiou a mídia, não se tratou de oposição entre o governo e trabalhadores inocentes, beneficiários de favores do Estado ou turistas – por mais sinceros e legítimos que sejam os padecimentos de todas essas categorias. Tratou-se ali, sim, do amplo esquema de poder da nação.

O impasse no Congresso, em 2002, foi, de fato, ataque direto ao princípio democrático pelo qual, numa democracia, o governo pertence ao povo. E o povo tem meios legais para derrubar qualquer governo, pode alterar o sistema de apresentar emendas, e pode resistir e desobedecer a governos despóticos. O impasse, que paralisou o governo dos EUA só mostra o ritmo verdadeiramente apavorante com que a despolitização está sendo promovida e a profundidade (abissal) à que a alienação já chegou.

A consequência combinada da contrarrevolução Republicana, o colapso do liberalismo convertido em centrismo e o ataque aos funcionários públicos, a Washington e ao governo é nada menos que o descrédito do princípio fundamental de uma sociedade democrática: que o poder político e o governo existem para atender às necessidades da maioria, não para fazer o que a minoria entenda como mais desejável.

O crescente poder do estado e o poder decrescente das instituições que existem para controlar o poder do estado é processo em andamento já há algum tempo. O sistema de partidos é exemplo claro. Os Republicanos surgiram como fenômeno único na história dos EUA, de partido furiosamente doutrinário, fundamentalista, antidemocrático, que fala como se fosse maioria. Na medida em que os Republicanos se foram tornando cada vez mais ideologicamente intolerantes, os Democratas encolheram-se até o centrismo, pregando o fim das ideologias. Ao deixar de ser genuíno partido de oposição, os Democratas seguiram a rota fácil de partido interessado, sobretudo, em promover o império americano além fronteiras e o poder das grandes empresas, em casa. Não se deve esquecer que partido fortemente ideológico, intolerante e fundamentalista, com base de massas, sempre foi elemento crucialmente importante em todos os regimes que, no século 20, aspiraram ao poder autoritário absoluto.

As instituições representativas já não representam os eleitores. Em vez disso, entraram em curto-circuito, profundamente corrompidas por um sistema institucionalizado de propinas que as tornaram sensíveis só aos interesses dos grupos de poder, das grandes empresas, da faixa mais rica dos cidadãos. E as cortes de justiça, por sua vez, quando não são pau para toda obra a serviço do poder das corporações, são consistentemente solidárias, só, às chamadas “exigências da segurança nacional”.

As eleições passaram a ser antieventos pesadamente subsidiados que tipicamente só atraem menos da metade dos eleitores cuja informação sobre política nacional ou internacional é filtrada – de fato, é censurada – por uma mídia dominada pelas grandes empresas. Os cidadãos são manipulados e mantidos sob eterna tensão pela divulgação diária, pela mídia, de ondas de crimes e de atentados, apresentadas como trabalho de terroristas; por ameaças mais ou menos veladas de juízes e procuradores; e pelo medo eterno, sem alívio, do desemprego. Ainda mais crucialmente importante aqui não é o aumento do poder do governo, mas o inevitável descrédito das limitações constitucionais e dos processos institucionais, o que leva os cidadãos a descrer do poder que, em tese, seria seu; desestimula as práticas da cidadania militante; e torna os cidadãos politicamente apáticos.

Essa avaliação, não tenho dúvidas, será desacreditada também, por alguns, como alarmista. Mas insisto. Para mim, o sistema político emergente hoje nos EUA é, de fato, um “totalitarismo invertido”.

Com “invertido”, quero dizer que, embora o sistema político hoje emergente nos EUA e seus operadores partilhem com o nazismo a aspiração por poder ilimitado e o expansionismo mais agressivo, métodos e ações aparecem invertidos, de cabeça para baixo e pés para cima.

Por exemplo, na Alemanha de Weimar, antes de os nazistas tomarem o poder, as “ruas” eram dominadas por gangues orientadas por pensamento totalitário, e o pouco de democracia que havia estava concentrada no governo. Nos EUA, contudo, só há democracia nas ruas ou, pelo menos, a democracia viva que há está nas ruas – e o maior perigo vem de um governo sobre o qual há cada vez menos controle social.

Outro exemplo da inversão: sob governo nazista, não havia nenhuma dúvida de que os “grandes negócios” eram subordinados ao regime político. Nos EUA, ao contrário, é absolutamente visível, há décadas, que o poder das grandes corporações tornou-se tão dominante, no establishment político, sobretudo no Partido Republicano, e é tão dominante sobre o poder político, que se pode pensar, sim, em perfeita inversão formal em relação aos nazistas. Ao mesmo tempo, é poder corporativo, representante da dinâmica do capitalismo e do poder sempre em expansão tornado possível pela integração da ciência e da tecnologia com a estrutura do capitalismo, que produz o ímpeto totalitário que, sob os nazistas, apareceu em noções ideológicas como o Lebensraum[1].

Contra minha posição, não faltará quem diga que não há equivalente nos EUA [não havia, conhecido, em 2003; em 2011, claro, já se sabe que há (NT)]do regime nazista de tortura, campos de concentração ou outros instrumentos de terror. Mas é preciso lembrar que, na maior parte, o regime de terror nazista não se aplicava de modo geral a toda a população; que visava, isso sim, a promover um certo tipo de medo difuso – o medo da tortura – que servia bem para manipular a população. De fato, os nazistas queriam sociedade mobilizada, pronta a apoiar o estado de guerra permanente, o expansionismo e o sacrifício da nação.

Se o totalitarismo nazista visava a dar às massas a sensação de poder coletivo e de força, Kraft durch Freude (“A força, pela alegria”), o totalitarismo invertido visa a promover uma sensação de fraqueza, de futilidade coletiva.

Se os nazistas queriam sociedade continuamente mobilizada que não apenas apoiaria o regime sem protestar e entusiasticamente votaria “sim” em plebiscitos periódicos, o totalitarismo invertido quer sociedade politicamente desmobilizada que nem se interessa por votar.

Basta lembrar o que disse o presidente Bush imediatamente depois dos eventos horríveis do 11/9: “Vamos nos unir, consumir e viajar”, disse ele, aos cidadãos ansiosos. Apesar de já ter incorporado o terrorismo a uma “guerra”, o presidente não fez o que fazem líderes democráticos em tempos de guerra: mobilizar os cidadãos, alertar para os sacrifícios à frente e exortá-los a unir-se em algum “esforço de guerra”.

Em vez disso, o totalitarismo invertido passou a usar os meios que tem para promover o medo generalizado, não só mediante “alertas” repentinos, mas também mediante anúncios periódicos de células terroristas recentemente descobertas, de prisões de figuras sinistras, do tratamento violento infligido aos inimigos na Ilha do Diabo da baía de Guantánamo, ou de métodos de interrogatório perversos, divulgação que, na atmosfera de medo generalizado, gera ainda mais medo, porque os cidadãos já convivem com o desemprego, os cortes, as demissões sempre iminentes, ou a redução das aposentadorias e serviços públicos de saúde. O sistema político dominado pelas corporações não faz outra coisa além de ameaçar com a privatização: da Seguridade Social, dos serviços de saúde, de tudo que, por pouco que seja, ainda são os recursos com que os pobres contam para sobreviver.

Com tantos instrumentos para promover a insegurança e a dependência, o totalitarismo invertido ainda usa sistema de justiça criminal extremamente punitivo, serve-se da pena de morte e é elitista, marcadamente discriminatório contra os sem poder.

Todo esse sistema é propagandeado por mídia servil e cada vez mais concentrada; por universidades integradas às empresas e aos interesses de seus mecenas corporativos; por máquina de propaganda institucionalizada em think-tanks milionários e fundações conservadoras; mediante a cooperação cada vez mais íntima entre as polícias locais e as agências nacionais que existem para identificar terroristas, dissidentes domésticos e, em geral, todos os ‘diferentes’, sempre suspeitos.

O que está em processo portanto é nada menos que uma tentativa para transformar uma sociedade toleravelmente livre, em variante dos regimes mais extremistas do século passado. Nesse sentido, as eleições nacionais de 2004 nos EUA manifestam uma crise no significado original do próprio sistema eleitoral, um ponto de virada. O que os cidadãos precisam entender é: virada, sim, mas… em que direção?[2]

[1] Entre 1921 e 1925 Adolf Hitler desenvolveu a teoria de que a Alemanha careceria de Lebensraum (“espaço vivo”) para conseguir sobreviver. A convicção de que esse espaço teria de ser conquistado ao leste, especificamente da Rússia Soviética, modelou toda sua política a partir de 1933 (NTs, com informações de BBC, de onde se extraiu também o cartaz de propaganda dos nazistas alemães aí mostrado).

[2] Nas eleições presidenciais de 2004, Bush foi reeleito, contra John Kerry, então senador Democrata por Massachusetts. A política exterior foi tema dominante da campanha eleitoral, sobretudo a “Guerra ao Terror” de Bush e a invasão do Iraque, em 2003. Foi eleição outra vez, como em 2000, cercada de discussões e controvérsias. Só se conheceu o vencedor no dia seguinte, depois que Kerry decidiu não contestar a vitória de Bush no estado de Ohio. Ohio tinha, naquele caso, número suficiente de votos eleitorais para determinar quem seria eleito. Kerry e o presidente do Comitê Nacional dos Democratas Howard Dean haviam declarado que havia irregularidades na votação em Ohio e que, se fossem consideradas, a chapa Democrata seria eleita. De fato, a controvérsia foi menor em 2004 do que na eleição anterior, em 2000. De uma para outra eleição, só três estados mudaram de partido: New Mexico e Iowa votaram com os Democratas em 2000, e com os Republicanos em 2004; New Hampshire votou com os Republicanos em 2000, e com os Democratas em 2004. No Colégio Eleitoral, Bush recebeu 286 votos, e Kerry, 251. O candidato a vice na chapa de Kerry, John Edwards, que disputara eleições primárias, recebeu um voto para presidente, de um eleitor ‘distraído’, de Minnesota. Tudo leva a crer que tenha sido apenas engano, porque o mesmo eleitor votou também, corretamente, em Edwards, para vice-presidente (NTs, com informações da Wikipedia).

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Marina: balão de ensaio das eleições 2010 não enche auditório de 120 pessoas hoje

abril 27th, 2011 by mariafro
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Os dias nublados de Marina

Do Congresso em foco

26/04/2011

“Na noite de ontem o fenômeno Marina parecia estar com uma áurea mais opaca, colocando em xeque uma perspectiva: os 20 milhões de votos nas eleições de outubro foram mesmo para Marina, foram para o Partido Verde ou para uma terceira via política sem personificações?”
A ex-senadora Marina Silva está passando por dias nublados. Na capital federal, onde o céu está cada vez mais azul pela chegada da seca, Marina se mostrou distante da empolgação trazida por um dia brilhante de sol.

Também pudera. Dos 611,3 mil eleitores do Distrito Federal que votaram na ex-candidata do PV à Presidência da República em outubro passado, pouco mais de 60 pessoas compareceram para ouvi-la na noite de ontem (25) num centro cultural em Brasília. Alguns desses vieram de cidades e municípios vizinhos.

Ao contrário do que ocorria no ano passado, quando somente a presença de Marina fazia balançar o coreto e arrastar multidões, a ex-senadora não conseguiu ontem empolgar de fato o auditório, com menos da metade de sua capacidade ocupada, em sua maioria preenchida por aliados.

Na capital federal, que concentra os três Poderes da República, nenhum dos “grandes” nomes do PV esteve presente para ouvir o Movimento de Transição Democrática do partido. Nem mesmo o presidente da executiva regional, o atual secretário de Meio Ambiente do DF, Eduardo Brandão, compareceu. Eduardo alegou “compromissos outros” para justificar a ausência.

A ex-candidata do PV veio a Brasília defender a redemocratização do partido. Tarefa que passa pela espinhosa missão de destituir da presidência do PV o atual comandante, o deputado paulista José Luiz Penna, e esbarra num conflito de concepções políticas dentro da própria legenda.

A proposta de seu grupo minoritário, segundo Marina, é “reestruturar o PV para que ele seja um veículo de expressão da sociedade”, como um partido “em rede, capaz de dialogar com os núcleos vivos da sociedade para realizar as transformações de uma forma radicalmente democrática”, sem centralizar decisões.

“O PV fala de ganhar o mundo, mas não consegue ganhar a si mesmo. Queremos que o PV seja de fato um partido, e não uma sigla”, disse Marina.

A ex-senadora do Acre foi a candidata mais votada no Distrito Federal no primeiro turno das eleições presidenciais em 2010. A votação expressiva obtida pela candidata do PV foi um dos fatores determinantes para a realização do segundo turno na disputa à Presidência da República.

Mas na noite de ontem o fenômeno Marina parecia estar com uma áurea mais opaca, colocando em xeque uma perspectiva: os 20 milhões de votos nas eleições de outubro foram mesmo para Marina, foram para o Partido Verde ou para uma terceira via política sem personificações?

Essa pergunta parece banal neste momento, afinal, eleições presidenciais só daqui quatro anos, e a de outubro já passou. Mas pensar a política partidária fora do período eleitoral se faz necessário e deveria se tornar uma prática constante.

Marina, figura reconhecida internacionalmente pela defesa ambiental, ao longo dos meses eleitorais, se mostrou, em vários momentos, maior do que o partido. Uma inversão desses valores, no entanto, pode agora estar despontando: sem o arcabouço estrutural do PV, a estrela da candidata verde pode estar se apagando?

Se os votos não foram personificados na figura de Marina, podem ter sido para o PV. Mas se o PV não se reestruturar profundamente e não fugir da práxis dos partidos que se pautam na lógica do poder pelo poder, esses votos mesmo tendo sido do partido, não voltarão para ele em eleições que estão por vir.

E se os votos não foram para Marina, nem para o PV, podem ter sido para uma terceira via, na personificação da esperança de uma renovação política. Daí, novamente se não houver uma mudança estrutural profunda no PV – mudança essa em que, de fato, o partido e seus membros sejam coerentes com a bandeira da sustentabilidade, que é uma causa crescente –, o papel da terceira via numa próxima eleição presidencial poderá ser exercido por qualquer outro candidato ou partido, ficando o feito do PV nas eleições de outubro passado apenas como uma referência na história.

Bem, a vantagem do português em relação a outras línguas, como o inglês, por exemplo, é que os verbos ser e estar são palavras diferenciadas e usadas com significados distintos (no inglês, to be significa ambos os verbos). Para Marina, fica o alento de que “estar passando por dias nublados” não significa necessariamente que os dias são nublados.

O processo de transformação e rachas internos do Partido Verde pode significar dias melhores. Os dias nublados pelos quais passa a ex-senadora Marina Silva podem significar apenas um momento, um período de transição.

Tudo vai depender das reais razões pelas quais as pessoas imbuídas de poder decisório dentro do PV são movidas. Se, na essência, a prática for seguir a velha cartilha da política, com o esquema de cargo em troca de apoio, tudo vai acabar na mesma. E, na história, o PV, que nasceu com uma concepção diferenciada, será registrado apenas como mais um partido.

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