Não à terceirização

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ObamaMissionNames: Odyssey Dawn or…

março 20th, 2011 by mariafro
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Ontem no twitter os estadunidenses brincaram com o nome de mais uma operação de guerra de seu país tão bélico. Havia de tudo, inclusive expressões de racismo contra Obama, mas também gente crítica à guerra.

RT @MEEchelleO: Operation "We Don't Need No Weapons of Mass Destruction to Bomb the Shit Outta Libya" #obamamissionnames #p21 #p2 #sgp # ...
@kentrod
kentrod

LoL RT @LouBrutus: #ObamaMissionNames Operation Bomb Any Nation I Was Alleged To Have Been Born In
@JJOGirlKiersten
Kiersten Shaine

#ObamaMissionNames Operation Rebecca Black. You can have your fun on Friday but come Saturday you're getting bombed.
@raquelisonfire
Raquel Rivas

Tem coisa bem mais pesada ou com humor, vá a tag e descubra: ObamaMissionNames

Os EUA iniciam o ataque à Líbia: Operação “Aurora da Odisséia” [Odyssey Dawn]

Por: Brad Knickerbocker, CSMonitor Tradução: Vila Vudu*

19/3/2011

O primeiro ataque da “Operação Aurora da Odisséia” contou com 112 mísseis-cruzadores Tomahawk, mar-terra, dirigidos aos principais centros de comunicação. É o primeiro passo, para implantar uma zona aérea de exclusão.

Enquanto a situação na Líbia entra em escalada de guerra internacional, o governo Obama cuida, atentamente, de pintar o envolvimento dos EUA como “de apoio”, pondo no comando outros países. Mas no primeiro dia de mais um conflito multinacional, coube aos EUA o papel de fornecer todo o poder de fogo e o comando militar da “Operação Aurora da Odisseia” [e o presidente Obama está fora de território dos EUA, em visita ao Brasil].

Apenas algumas horas – talvez minutos – depois de uma reunião de emergência em Paris, sobre como seria implementada a resolução n. 1.973 do Conselho de Segurança da ONU, autorizando ação militar na Líbia, jatos de combate franceses e britânicos já sobrevoavam a Líbia.

Os primeiro relatos dizem que os jatos franceses atingiram quatro tanques do exército líbio. Mas o primeiro grande ataque veio de 112 mísseis-cruzadores Tomahawk lançados de navios dos EUA (e de um submarino britânico).

“Esses ataques nos abrirão caminho para chegar a ambiente de médio a alto risco, sem por em risco nossas tripulações” – explicou o vice-almirante William Gortney, diretor da Junta do Estado-Maior, em briefing no Pentágono, sábado à tarde. “Abre-nos o maior espaço possível para a zona aérea de exclusão”. (…)

“Estou profundamente consciente dos riscos de qualquer operação militar, independente dos limites que criemos” – disse, do Brasil, o presidente Obama. “Quero que o povo americano saiba que o uso da força não foi nossa primeira escolha e não é escolha que eu faça sem demorada consideração.”

“Mas não podemos permanecer inertes, quando um tirano diz ao próprio povo que não terá misericórdia, quandos suas forças avançam contra cidades como Benghazi e Misurata, onde homens e mulheres inocentes enfrentam brutalidades e a morte, nas mãos do próprio governo” – disse Obama. “Assim sendo, temos de ser claros: ações têm consequências e as decisões da comunidade internacional têm de ser implementadas.”

O Pentágono batizou a aventura de “Operação Aurora da Odisséia”. No comando dos ataques, a bordo do USS Mount Whitney, está o almirante Samuel Locklear, comandante de todas as forças navais dos EUA na Europa e na África.

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*Entreouvido na Vila Vudu:
“Mas e o quê, diabos, Obama faz no Brasil, todo discursante, numa hora dessas?!
Como assim, Mr. President?! Veio esconder-se, com a família, na Cinelândia?!”

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Qual é o real significado, em termos de política externa, da visita do presidente da república imperial?

março 20th, 2011 by mariafro
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WikiObama: como é conduzido o governo dos EUA

Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica. O artigo é de Reginaldo Nasser.

Por: Reginaldo Nasser, na Carta Maior

19/03/2011

Qual é o real significado, em termos de política externa, da visita do presidente da república imperial? Até que ponto devemos levar em consideração a sua fala? Em 2009, Obama fez o famoso discurso do Cairo que deverá entrar para a história da diplomacia como um dos mais importantes exercícios de retórica, pois o apoio aos ditadores e a Israel continuou como nunca. Como esquecer da carta que enviou ao Presidente Lula instando o Brasil a trazer o Irã para a mesa de negociação e dias depois condenar a “aproximação” dos dois países? Nesse sentido, creio ser apropriado relembrar os ensinamentos do sociólogo alemão, Max Weber, em texto publicado no início do século XX. Weber advertia que aquele que realmente quisesse encontrar o verdadeiro poder do Estado, não deveria dar tanta relevância para os discursos parlamentares ou para as falas dos presidentes, mas sim observar a forma como é conduzida a administração rotineira do Estado.

Que tal uma passada de olhos sobre os acontecimentos dessa semana e verificar a “rotina imperial” ( 12 a 19 de março)?

Após a derrubada de Mubarak, Obama disse que “era a força moral da não-violência, e não a violência, a força moral que dobrou o arco da história para a justiça”. Entretanto o Pentágono e o lobby da indústria de armas dobraram o arco da história contra os manifestantes pró-democracia no Bahrein. Pode ser mera coincidência, mas é curioso constatar que, após viagem do Secretário de Defesa, Robert Gates, ao Bahreim no dia 11 de Março a Arábia Saudita enviou tropas para aquele pais dando maior consistência ao processo contra-revolucionário com extrema violência.

Os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) têm fortes ligações com o Pentágono desde os anos 1990. Receberam dos EUA nos últimos quatro anos grandes quantidades de material militar (veículos blindados, aviões, metralhadora e munições) no valor de US $ 70 bilhões. O circulo de poder entre a indústria militar, os Estados do Golfo e o Pentágono inclusive asseguraram uma mudança da doutrina de “mudança de regime “, como no Egito ou Tunísia, para “alteração de regime” a fim de garantir o atual governo.

No dia 18 de março o Center for Constitutional Rights (Fundado em 1966 por ativistas dos direitos civis nos EUA) divulgou um relatório solicitando a administração de Obama a passar da retórica à ação, e a urgência em adotar medidas concretas para cumprir com as suas obrigações internacionais dos direitos humanos. As denúncias versam sobre questões que vão desde a discriminação racial, execuções extrajudiciais até a prática de tortura no Iraque, Afeganistão e Guantamo (lembram-se da promessa em início de mandato?).

No dia 17 de março em matéria do The Guardian ficamos sabendo que os militares dos EUA estão desenvolvendo um software que permitirá secretamente manipular os meios de comunicação com falsos nomes para influenciar e espionar as redes sociais com o objetivo de combater as “ideologias extremistas”. O porta-voz Centcom, orgão gerenciador do projeto, esclareceu, sem meias palavras que nenhuma das intervenções será feita em língua inglesa porque seria ilegal!

Na política doméstica, esta cada vez mais claro que Washington perdeu o interesse pelo problema do desemprego. O governo Obama foi derrotado na “guerra de idéias”. Em recente pesquisa de opinião pública, a maioria dos americanos, com razão, já não nota diferença significativa entre democratas e republicanos no que se refere ao debate sobre o deficit. (Paul Krugman The Forgotten Millions, 18/03/ 2011 The New York Times).

Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP

 

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China e sua diplomacia cara de pau

março 20th, 2011 by mariafro
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Numa coisa eu concordo com a jornalista bocuda da Telesur: a China é muito cara de pau.

Esta guerra de EEUU contra Libia cuenta con el aval de China y Rusia. Pudieron "vetar" la resolucion del CS y NO lo hicieron.
@GaboVzla
Gabriel López

China lamenta ataque militar contra a Líbia
English.news.cn

20/3/2011

PEQUIM. O ministro de Relações Exteriores da China lamentou o ataque militar multinacional contra a Líbia, dizendo que a China não aceita o recurso à força, nas relações entre nações.

“A China acompanha os últimos desenvolvimentos na Líbia e lamenta o ataque militar contra a Líbia” – disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu.

A China, como sempre, não concorda com o recurso à força, nas relações entre nações, disse Jiang, ao ser solicitada a comentar o ataque movido domingo, por forças internacionais, contra a Líbia.

A China entende que é indispensável considerar e respeitar os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas e toda a legislação internacional relevante, que mandam respeitar a soberania, a independência e a unidade e integridade territoriais da Líbia, país membro da ONU, disse a porta-voz.

“Esperamos que a estabilidade seja restaurada na Líbia o mais rapidamente possível, de modo a evitarem-se mais mortes de civis, provocadas pela escalada dos confrontos militares”, a porta-voz concluiu.

 

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Resolução da ONU autoriza líbios a matarem líbios (e EUA/OTAN a matar os que sobrarem)

março 20th, 2011 by mariafro
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Resolução da ONU autoriza líbios a matarem líbios (e EUA/OTAN a matar os que sobrarem)

Por: Irina Lebedeva (US), Strategic Culture Foundation, Tradução Vila Vudu

19/3/2011

Itália, França, Russia, EUA, Japão e Líbia

 

Dia 17/3, o Conselho de Segurança da ONU aprovou Resolução n. 1.973, que não só impõe uma zona aérea de exclusão sobre território líbio (restrição que se aplica só a aviões de Gaddafi, do qual todos os hoje agressores foram aliados até ontem), mas também autoriza estados-membros da ONU a tomar “todas as medidas necessárias” para proteger alguns civis, mas não todos, dado que os partidários civis de Gaddafi são definidos como inimigos militares. Dez dos 15 membros do CSONU aprovaram a resolução, e Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil abstiveram-se. A nova Resolução também reforça as sanções impostas à Líbia: mais sete membros do governo líbio foram incluídos na lista de pessoas cujos bens foram congelados (já haviam sido congelados os depósitos no ocidente do Banco Central da Líbia, da Libyan Investment Authority e da National Oil Corporation). A Resolução também exige que Gaddafi – mas não a oposição armada – aceite imediato cessar-fogo nos termos da Resolução, para por fim à violência contra civis, e em obediência a lei internacional. Nada poderia ser mais incerto, dado que as forças do governo líbio têm sido atacadas por aviões que os rebeldes obtiveram por vias ainda não elucidadas, pouco antes da votação na ONU. A Resolução do CSONU foi aprovada em momento em que o filho de Gaddafi já falava em reforma política e em anistia para os rebeldes e em que a Turquia já sugerira que Gaddafi indicasse um presidente para conduzir uma transição pacífica e se afastasse, como se fez no Egito e Tunísia. A Resolução aparece, sobretudo, não no início das confrontações, mas quando já havia guerra há bastante tempo, em momento em que as forças de Gaddafi começavam a recuperar terreno e só lhes faltava atravessar trecho do deserto onde não há civis, para chegar a Benghazi, onde a oposição ainda resiste – o que equivale a dizer que a ONU deixou morrer muitos civis; só se movimentou em momento em que não há risco imediato de mais mortes entre os civis e apresenta-se para atacar nas áreas onde a oposição ainda resiste, essas, sim, áreas urbanas populosas. A Resolução n. 1.073 cria condições para massiva intervenção na Líbia e implantação de governo “dos rebeldes” – que não se identificaram até agora com nenhum projeto político, mas já receberam a promessa de que receberão apoio irrestrito de uma muito vaga “comunidade internacional” que não tem aval popular e só tem um também muito fluido aval institucional, da própria ONU e do CSONU, instituição onde as grandes potências militares nascidas da II Guerra Mundial têm votos de privilégio, com direito a veto, e as demais nações têm, no máximo, o direito de manifestar oposição formal. De fato, não se sabe a favor de que projeto político a dita “comunidade internacional” manifesta na ONU já se alinhou e ataca. Toda a imprensa-empresa internacional aprovou em uníssono a nova Resolução, mostrando cenas de adolescentes armados e até crianças, fotografados e filmados em festa, à frente do prédio do Conselho Nacional do Governo de Transição em Benghazi. O Le Monde afastava-se, em 24/2, dessa suspeita uniformidade: noticiou que a al-Qaeda no Magreb já manifestou integral apoio aos rebeldes. Antes da Resolução n. 1.973 ser aprovada, o  vice-chanceler da Líbia Khaled Kaim já dissera em conferência de imprensa que a Líbia respeitaria um cessar-fogo aprovado pela ONU. E ontem, em entrevista ao jornal Le Monde, o mesmo vice-chanceler lamentava que a Resolução refletisse posição bélica tão precipitada e agressiva, que põe em risco a unidade e a integridade da Líbia. Na entrevista, o vice-chanceler líbio denunciou uma conspiração de França, Grã-Bretanha e EUA/OTAN para dividir o país. Para Kaim, a Resolução ‘autoriza’ líbios a matarem líbios, e ‘autoriza’ EUA/OTAN a matarem os que sobrarem. O chefe da diplomacia francesa Alain Juppé apareceu em New York em plena campanha anti-Líbia e assim, respondeu, embora indiretamente, à pergunta sobre a origem dos tanques, artilharia, helicópteros e jatos bombardeiros que atacaram as forças de Gaddafi na Líbia. Juppé pregou abertamente imediata intervenção militar na Líbia antes da votação no CSONU e disse que a ofensiva era questão de horas, não de dias. A França descartou o plano de ataques aéreos no instante em que a Resolução fosse aprovada, mas é evidente que, desde antes, os países reunidos no CSONU – certos de que nem Rússia nem China se exporiam aos riscos de vetar a Resolução – escolheram não descartar “nenhuma das alternativas”. Situação absolutamente idêntica à que se viu na Iugoslávia, em 1999, antes de o país começar a ser bombardeado.

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