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3º dia do Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas (SP)

abril 17th, 2011 by mariafro
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Mesa Sobre Rádios Comunitárias

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Comunique-se: 4 meses, 240 demissões de jornalistas

abril 16th, 2011 by mariafro
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Em 4 meses, 240 jornalistas são demitidos das redações brasileiras

Izabela Vasconcelos do Comunique-se

Desde o começo do ano, as redações brasileiras vêm demitindo jornalistas. Nos últimos quatro meses, foram 240 demissões, em São Paulo, Brasília e Sergipe. No entanto, a capital paulista registrou um número maior de dispensas, 218, em veículos como UOL, Estadão, TV Cultura, Abril, Meia Hora SP, Agora SP e Folha de S.Paulo.

Em muitos casos, os profissionais não serão substituídos, já que as demissões ocorreram por cortes orçamentários, como é o caso da TV Cultura (150), Estadão (22) Meia Hora SP (10) e TV Sergipe (6).

No começo de fevereiro foram 150 dispensas na TV Cultura, seguidas por 22 no jornal O Estado de S.Paulo, duas no UOL, 32 no Grupo Abril e dez no Meia Hora. Recentemente o Correio Braziliense demitiu sete jornalistas e foi seguido pelo conterrâneo Jornal de Brasília, com oito cortes. A TV Sergipe dispensou seis profissionais e o jornal A Tarde cortou um de seus jornalistas. O episódio mais recente foi o do Grupo Folha, que demitiu uma repórter do Agora SP e um editor da Folha, ambos por comentários no Twitter.

Estes são apenas os casos conhecidos, divulgados no Comunique-se, em blogs e nas redes sociais. Além desses, é provável que outros cortes tenham ocorrido em redações espalhadas pelo País.

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Líbia: é a banca central privada, estúpido!

abril 16th, 2011 by mariafro
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“Libya all about oil, or central banking?”

Por: Ellen Brown, Asia Times Online Tradução: Vila Vudu
14/4/2011

Comentário do Vila Vudu

Às 16h24 do dia 15/4/2011, esse artigo já havia sido citado ou reproduzido em todo o mundo, “aproximadamente 7.830.000 vezes”, cf. o buscador Google.
Na mesma data e mesmo horário não aparecia nem citado em NENHUM grande jornal ou blog jornalístico no Brasil.

Fomos à festa dos cubanos, pelos 50 anos da “Declaração do caráter socialista da revolução cubana” por Fidel Castro, num bar (a festa dos 50 anos, não a declaração!) da Vila Madalena, SP, com a presença do cônsul de Cuba, do José Reinaldo, das Relações Internacionais do PCdoB e de dois representantes dos Sem-Terra, além de belo, sensacional, absolutamente invencível, insuperável, divino rum cubano do bom. – O representante dos Sem-Terra, que levou a mulher e um filhinho, disse que, sem a revolução cubana não haveria o Movimento dos Sem-Terra nem a Escola de Formação dos Sem-Terra.
E agora, de volta ao computador, às 22h23, o artigo já foi citado ou reproduzido “aproximadamente 10.100.000 vezes”, cf. o mesmo buscador Google.

Até agora, data e horário, o artigo ainda não apareceu sequer citado, em NENHUM jornal ou blog jornalístico no Brasil.

Há algum específico problema do jornalismo brasileiro, que não sabe ver o mundo, e que se repete, igualzinho, nos blogs jornalísticos e parece que ninguém vê.
Até quando?

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Fiquei curiosa e pesquisei o título do artigo, resultado hoje, às 16:58

Vários comentaristas e analistas de economia já observaram o estranho fato de os rebeldes líbios terem tido tempo, em plena rebelião, para criar, em março, seu próprio banco central ‘rebelde’ – antes até de haver governo ou Estado. Robert Wenzel escreveu, no Economic Policy Journal:

“Mais um recorde, para o livro Guiness. Nunca antes ouvi falar de rebeldes que, com alguns dias de rebelião, já criaram um banco central. O movimento sugere que haja algo mais, naqueles rebeldes, além do exército de voluntários, e que podem estar em ação, ali, projetos muito mais sofisticados” (em EconomicPolicyJournal).

Alex Newman escreveu, no New American:

“Em declaração distribuída semana passada, os rebeldes líbios relataram resultados de reunião realizada dia 19/3. Dentre outros informes, os supostos rebeldes esfarrapados anunciaram “a designação do Banco Central de Benghazi como autoridade monetária competente para definir as políticas monetárias da Líbia, o qual terá sede provisória em Benghazi” (em The New American).

Newman citou o editor-chefe da rede CNBC John Carney, que comentou: “Parece-me que seja a primeira vez no mundo, que grupo revolucionário cria banco central ainda durante os combates pelo poder político. Sinal de o quanto são poderosos os banqueiros centrais que estão surgindo nesses tempos extraordinários.”

Outra anomalia também chama a atenção, na justificativa para que os EUA alinhem-se oficialmente ao lado dos rebeldes. Fala-se das violações dos direitos humanos, mas há contradições. Segundo artigo publicado na página internet da rede Fox News, dia 28/2:

“Enquanto a ONU trabalha febrilmente para condenar o ataque de Muammar al-Qaddafi contra manifestantes, o Conselho de Direitos Humanos preparava-se para divulgar relatório carregado de elogios à Líbia, no quesito direitos humanos.

O relatório registra aumento de oportunidades educacionais e louva a posição oficial de fazer dos direitos humanos “uma prioridade” para aprimorar “o quadro constitucional”. Vários países, entre os quais o Irã, Venezuela, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Canadá deram notas positivas à Líbia no quesito proteção legal aos cidadãos – os mesmos que agora se estariam levantando contra o governo e sendo cruelmente atacados pelo mesmo governo” (em Nation. Fox News).

Sejam quais forem os crimes pessoais de Gaddafi, o povo líbio parecia viver muito bem. Uma delegação de médicos russos, ucranianos e bielorrussos escreveram carta aberta ao presidente Dmitry Medvedev e ao primeiro-ministro Vladimir Putin da Rússia, em que dizem que, depois de habituados à vida na Líbia, são de opinião que poucos países vivem em condições tão favoráveis quanto os líbios:

[Os líbios] têm tratamento médico gratuito e seus hospitais oferecem o que há de melhor, no mundo, em tratamentos e equipamentos médicos. A educação é universal e gratuita, muitos jovens recebem bolsas de estudo no exterior, pagas pelo estado. Ao casar, cada casal líbio recebe empréstimo sem juros de 60 mil dinares líbios (cerca de 50 mil dólares), como auxílio do estado para constituir família. Há empréstimos oficiais sem juros e, pelo que vimos, sem prazo. Dados os subsídios que o estado paga, o preço de carros é muito inferior ao que se vê na Europa e praticamente todas as famílias têm carro. Gasolina e pão são subsidiados e baratíssimos, e os agricultores são isentos de impostos. O povo líbio é pacífico e calmo, não é dado a beber e os líbios são muito religiosos (em  Alexandre Valiente).

Os médicos insistem que falta informação à comunidade internacional sobre a luta contra o regime. “Quem, afinal, se rebelaria contra o governo que vemos aqui?” – perguntam.

Ainda que muito disso não passe de propaganda, não há como negar pelo menos uma grande realização do governo de Gaddafi: há água farta para a população, e gratuita. O estado construiu um grande aqueduto que traz água ao deserto e implantou na Líbia o maior e mais caro projeto de irrigação que há no mundo (o Projeto “Grande rio feito pelo homem” [ing. GMMR, Great Man-Made River] custou US$33 bilhões). Na Líbia, a água é muito mais crucialmente importante para os cidadãos, que o petróleo.

O GMMR abastece 70% da população com água potável e para irrigação, bombeada do imenso Sistema Aquífero de Arenito Níbio, do sul até as áreas urbanizadas no litoral, localizadas ao norte, a 4 mil quilômetros de distância da fonte. Isso, pelo menos, não há dúvidas de que o governo de Gaddafi fez bem feito.

Outro argumento que se tem usado para explicar o ataque à Líbia é que se trataria “do petróleo”, ideia que também apresenta inúmeras contradições. Como observou o National Journal, a Líbia produz apenas 2% do petróleo mundial. Só a Arábia Saudita, só ela, tem capacidade para aumentar a oferta de petróleo e suprir qualquer demanda que se criasse pela falta do petróleo líbio, e mesmo que a Líbia fosse varrida do mapa. Além do mais, se se trata de petróleo, por que tanta pressa para criar um novo banco central?

Outros dados intrigantes voltam a circular na Internet, mostrando entrevista realizada em 2007, pela página “Democracy Now”, com o general General Wesley Clark, general da reserva. Naquela entrevista o general Clark diz que 10 dias depois do 11 de setembro de 2001, um general lhe disse que já estava tomada a decisão de invadir o Iraque. Clark conta que a notícia o supreendeu e que perguntou por quê. “Não sei”, foi a resposta, “Acho que é porque ninguém sabe o que fazer!” Mais tarde, o mesmo informante contou ao general Clark que havia planos para invadir sete países em cinco anos: Iraque, Síria, Líbano, Somália, Sudão e Irã.

O que há de comum entre esses sete países? Os que estudamos o sistema bancário e os bancos centrais em todo o mundo sabemos que nenhum desses países aparece na lista dos 56 países filiados ao Bank for International Settlements (BIS) [Banco de Compensações Internacionais; é o ‘banco central’ dos bancos centrais; organização internacional responsável pela supervisão bancária, que visa a “promover a cooperação entre os bancos centrais e outras agências na busca de estabilidade monetária e financeira” mundial, com sede na Basileia, Suíça (NTs, com informações de Wikipedia)]. Se não fazem parte do BIS, esses países estão fora do campo regulatório dos banqueiros centrais reunidos no BIS, na Suíça.

Os renegados mais resistentes são precisamente a Líbia e o Iraque – dois países que já foram diretamente atacados. Kenneth Schortgen Jr, escrevendo em Examiner.com, observou que “seis meses antes de os EUA atacarem o Iraque, o Iraque passou a exigir euros, em vez de dólares, nas vendas de petróleo – o que converteu o Iraque em ameaça mortal, porque ameaçava o domínio do dólar como moeda internacional de reserva, na modalidade de petrodólar” (em WN)

Segundo matéria publicada em jornal russo dia 28/3/2011, “Bombing of Líbia – Punishment for Ghaddafi for His Attempt to Refuse US Dollar” (em Kir-t34), Gaddafi fez movimento semelhante ao dos iraquianos: começou a recusar dólares e a exigir euros, e conclamou os países árabes e africanos a usar uma nova moeda, o dinar de ouro. Gaddafi planejava conseguir que toda a África, seus 200 milhões de habitantes, passassem a viver com essa nova moeda única.

Ao longo do ano passado, vários países árabes e muitos países africanos aprovaram a nova moeda. Restaram contra só a África do Sul e alguns países da cúpula da Liga Árabe. A iniciativa não foi vista com bons olhos pelos EUA e pela União Europeia; o presidente Nicolas Sarkozy declarou que a Líbia seria ameaça à segurança financeira da humanidade. Gaddafi não se impressionou e prosseguiu na sua campanha para criar uma moeda da África.

Com o que, afinal, podemos voltar ao mistério do novo banco central ‘rebelde’, na Líbia. Em artigo publicado em Market Oracle, Eric Encina escreve:

“Fato raramente mencionado pelos ‘especialistas’, ‘comentaristas’ ‘analistas’ ou políticos ocidentais é que o Banco Central da Líbia é 100% banco público. Hoje, o governo da Líbia cria a própria moeda, o dinar líbio, graças ao uso que dá ao seu banco central público nacional. Ninguém pode dizer que a Líbia não seja nação soberana, rica em recursos naturais e capaz de comandar o próprio destino econômico. O principal problema dos cartéis dos bancos globais é que, para negociar com a Líbia, têm de negociar através do Banco Central Líbio e em moeda nacional líbia. Nessas condições não têm controle sobre a negociação nem meios para manipular os preços e condições de negociação.

O objetivo de derrubar o Banco Central Líbio (CBL) não aparece nos discursos de Obama, Cameron e Sarkozy, mas não há dúvidas de que é objetivo prioritário na agenda da grande finança globalista: incluir a Líbia na lista de países financeiramente obedientes” (em Marketoracle).

A Líbia não tem só petróleo e água. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o banco central líbio mantém lastro de cerca de 144 toneladas de ouro. Com esse tipo de moeda-lastro, quem precisa de BIS, FMI e seus ‘aconselhamentos’?

Dadas essas evidências, é preciso agora considerar mais de perto as regras do Banco de Compensações Internacionais e o efeito que têm nas economias locais. Artigo que se lê na página do BIS na internet (Bis.org) declara que os bancos centrais reunidos na Rede de Governança dos Bancos Centrais devem manter, como seu objetivo único ou básico, “preservar a estabilidade de preços”.

Devem ser independentes dos governos nacionais, para garantir que nenhuma consideração política interfira no funcionamento. “Estabilidade de preços” significa manter suprimento estável de moeda, mesmo que isso implique castigar a população com pesadíssimas dívidas externas. Os bancos centrais ‘coligados’ são encorajados a não aumentar o suprimento de moeda mediante emissão de dinheiro e devem usar o dinheiro em benefício do Estado, diretamente ou mediante empréstimos.

Em artigo de 2002 em Asia Times Online, intitulado “The BIS vs national Banks” (14/5/2002), Henry Liu dizia:

“As regulações do BIS têm o único objetivo de fortalecer o sistema bancário internacional privado, mesmo que à custa das economias nacionais. O BIS faz para os sistemas bancários nacionais o mesmo que o FMI fez aos regimes monetários nacionais. Economias nacionais que sirvam aos interesses da finança globalizada deixam de servir a interesses nacionais.

… o FDI [ing. foreign direct investment, investimento estrangeiro direto] com valor nominal em moedas estrangeiras, quase sempre o dólar, condenaram muitas economias nacionais a um desenvolvimento sem equilíbrio, voltado para exportar, sobretudo para gerar pagamentos em dólar aos investidores estrangeiros diretos, com mínimo benefício às economias nacionais” (ATimes).

E acrescentava: “Se se aplica a “Teoria do Dinheiro do Estado” de Knapp, qualquer governo pode pagar com a própria moeda todas as necessidades do seu próprio desenvolvimento, para manter o pleno emprego sem inflação”. A “Teoria do Dinheiro do Estado” refere-se a dinheiro criado por governos, não por bancos privados.

A pressuposição da lei que manda não tomar empréstimos do próprio banco central do governo é que esses empréstimos seriam inflacionários, e que tomar empréstimos do dinheiro que haja em bancos estrangeiros ou do FMI não seria inflacionário. Mas, hoje, todos os bancos criam de fato o dinheiro que emprestam, seja dinheiro público ou privado. A maior parte do dinheiro novo, hoje, vem de empréstimos bancários. Tomar empréstimos do próprio banco central governamental tem a vantagem de que o empréstimo é praticamente sem juros. Já se sabe que se se eliminam os juros, o custo dos projetos públicos caem em média 50%.

Tudo faz crer que o sistema líbio funciona desse modo. Segundo a Wikipedia, entre as funções do Banco Central da Líbia está incluída a de “emitir e regulamentar os créditos e moedas circulantes na Líbia” e “gerenciar e emitir todos os empréstimos estatais”. O banco central da Líbia, público, pode administrar e administra a moeda nacional e faz empréstimos com vistas a atender, em primeiro lugar, os interesses do estado líbio.

Só assim se entende que a Líbia tenha recursos para oferecer educação e atendimento médico universal e gratuito, e para dar a cada novo casal, como presente de núpcias, 50 mil dólares em empréstimo que o Estado faz, sem juros. Só assim se entende que o país tenha tido meios para pagar os 33 bilhões de dólares que lhe custaram o projeto do GMMR. Hoje, os líbios temem que os ataques aéreos da OTAN cheguem aos aquedutos desse projeto, o que, sim, geraria mais um desastre humanitário.

Difícil crer, nesse quadro, que os ataques à Líbia tenham a ver exclusivamente com o petróleo. Quase certamente têm a ver, também, com a independência radical do banco central líbio. Com energia, água e crédito abundante para desenvolver a infraestrutura para que energia e petróleo sejam postos a serviço do bem estar dos líbios, a Líbia pode sobreviver à distância das garras dos financiadores/credores estrangeiros. E aí, afinal, está a real ameaça que a Líbia traz: a Líbia pode provar ao mundo que é possível fazer o que a Líbia faz.

Inúmeros países não têm petróleo, mas estão em desenvolvimento novas tecnologias que podem tornam nações não produtoras de petróleo independentes, em termos energéticos, sobretudo se os custos para construir a infraestrutura são reduzidos à metade, porque os empréstimos saem do próprio banco central nacional e público, gerido em nome de interesses públicos. A independência no campo da energia, libertará os governos da rede dos banqueiros internacionais, e da necessidade de direcionar a produção doméstica para os mercados estrangeiros, para pagar o serviço das dívidas.

Caso o governo Gaddafi caia, será interessante observar se o novo banco central líbio recém criado associar-se-á ao Banco de Compensações Internacionais, se a indústria do petróleo líbio será imediatamente privatizada e vendida a investidores globais e se continuará a haver água, educação e assistência médica universais e gratuitas na Líbia.

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No segundo dia do BlogprogSP: marco regulatório, Marco Civil, PNBL e democracia direta em pauta

abril 16th, 2011 by mariafro
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Na etapa preparatória para o segundo encontro nacional dos blogueiros progressistas, blogueiros ‘sujos’ de São Paulo desde ontem realizam o 1º blogprogSP na Assesmbléia Legislativa de São Paulo.

Ontem, ocorreu a mesa de abertura com a participação de blogueiros paulistas como Renato Rovai e Eduardo Guimarães, hoje ativistas pela democratização das comunicações no Brasil e pela internet livre Sérgio Amadeu (Comitê Gestor da Internet no Brasil), Bia Barbosa (Intervozes) e Raquel Moreno (Observatório da Mulher) expuseram com clareza e qualidade os grandes problemas que envolvem a falta de compromisso social da mídia velha que estereotipa e criminaliza grupos e movimentos sociais, argumentando sobre a necessidade de um marco regulatório das comunicações do país e marco civil. Ressaltaram os riscos do controle da Banda Larga nas mãos das teles e a necessidade de o governo brasileiro por meio do Ministério das Comunicações tomarem a frente para garantir que o povo brasileiro seja soberano e a banda larga seja de fato universalizada (o que é muito diferente de massificação).

Sérgio Amadeu deu uma verdadeira aula sobre cidadania e internet, falando de legislação no Brasil e no mundo, das ações dos ativistas digitais e dos problemas no PNBL.

Comentando sobre os perigos do vigilantismo na rede disse: “a internet é uma rede de controle; sabe-se geo-referenciadamente aonde está cada máquina que acessa um streaming. O ativista defendeu a necessidade do estabelecimento do Marco Civil (mais tarde o deputado Paulo Teixeira da Frente Parlamentar pela Democratização das Comunicações informou que daqui a quinze dias chega para discussão no Congresso o projeto de Marco Civil).

Samadeu apontou ainda os problemas atuais no Plano Nacional de Banda Larga. Mostrou como no Brasil a exclusão digital é assimétrica: “para pobre é uma desgraça, para rico, tudo bem” e mandou um recado claro aos nossos gestores que estão implementando o PNBL: “precisamos de uma empresa estatal pra competir com as teles, sem isso elas não vão nos respeitar”. Amadeu nos lembra que ninguém proibiu as teles de levar banda larga a Roraima e mesmo assim o estado praticamente está apartado do acesso à rede com banda larga:  “O governo precisa ter o controle das calhas. Os cabos precisam ser nossos, do povo brasileiro.” Enfim, para Sérgio Amadeu  o alcance da estrutura da Telebras para a execução do Plano Nacional de Banda Larga e universalização do acesso é fundamental e denuncia: Telecoms não trocaram fios de cobre por fibra ótica: é gambiarra. Fruto do modelo perverso de privatização.

Na mesma linha, Bia Barbosa defendeu a banda larga como um direito e não um produto de consumo no qual quem tem dinheiro compra e quem não tem fica excluído.

Rachel Moreno nos mostrou o quanto a grande mídia é irresponsável e para além do monopólio que controla os meios de comunicação no país, a velha mídia  se esquiva das suas responsabilidades sociais estabelecidas na Constituição Brasileira. Responsabilidades jamais cumpridas e nem por isso os veículos da grande mídia são punidos. Em sua explanação mostrou o casamento de mídia e publicidade e seu objetivo de vender o impossível: estimulam irresponsavelmente a população a consumir alimentos calóricos e vendem ao mesmo tempo o modelo do corpo perfeito. Em relação aos movimentos sociais denuncia: a cobertura da mídia não foge ao script, quando não pode ignorar as ações dos movimentos sociais criminaliza-os ou os ridiculariza.

Na segunda mesa da manhã, o deputado estadual do PT Antônio Mentor que luta por criar uma frente parlamentar na Assembléia Legislativa de São Paulo para democratização das comunicações, os deputados federais Paulo Teixeira (PT) e Luiza Erundina (PSB)  que compõem a Frente parlamentar nacional pela democratização das comunicações no Brasil apresentaram discursos afinados e afiados.

Luiza explicitou em sua fala aquilo que alguns dos blogueiros ‘sujos’ e os ativistas pela democratização da comunicação estão carecas de repetir, roucos de tanto falar: devemos cobrar sim do governo que lutamos para eleger que ele contribua para pôr em prática as bandeiras pelas quais lutamos e elegemos Dilma Rousseff.

A tônica de seu discurso foi a defesa da democracia direta, de acordo com Luiza não avançaremos se não nos mobilizarmos. A deputada citou o exemplo dos cidadãos estadunidenses que realizaram mais de de 800 pebiscitos pelo país, argumentou, inclusive, sobre o aumento autoconcedido pelos parlamentares e de como se tivéssemos mobilização poderíamos ter sido ouvidos. Em síntese, Luiza disse: se queremos democratizar de fato a comunicação no Brasil, bóra pra rua, fortalecer a frente parlamentar que nos representa e exigir a aprovação de um Plano Nacional de Banda Larga universalizante, da nossa Ley de Medios, do nosso Marco Civil.

Durante a mesa dos parlamentares com a participação do jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim temas como PNBL, Marco Civil, Marco Regulatório das Comunicações, defesa de valores constitucionais, atenção à saúde pública (igualmente desrespeitada pela mídia como no caso da histeria que criou uma falsa epidemia de febre amarela), rádios comunitárias, lei de direitos autorais voltaram à tona.

Paulo Teixeira reconheceu o que muitos petistas governistas parecem ter esquecido: das contribuições importantes da blogosfera ‘suja’ e das redes sociais para propor e compor os debates que  interessam à sociedade brasileira.

Durante esta manhã a tag #blogprogSP ficou em 3º lugar nos TTs, na frente da tag #viradacultural; mais de 2.500 internautas acompanharam as mesas desse 2º dia do blogprogSP pela @redebrasilatual que transmitiu o evento). Isso mostra o interesse que debates como os travados no encontro provocam no país e a importância que nós ativistas e blogueiros ganhamos no cenário nacional.

Como blogueira ‘suja’, quero dar os meus parabéns à Comissão Regional do blogprogSP, dá um trabalho imenso organizar e mobilizar pessoas e recursos para uma empreitada como esta, mas vale a pena, todos os que lutam pela democratização das comunicações no Brasil agradecem.

Leia também o post de Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada: Frente Parlamentar vai ouvir Bernardo sobre Ley de Medios.

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