Maria Frô

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Moradores do Quilombo Silva denunciam: a polícia tucana de Yeda é racista

setembro 5th, 2010 by mariafro
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Logo quando o Quilombo Silva, o primeiro quilombo urbano em área nobre em Porto Alegre foi reconhecido pelo INCRA, Veja ficou indignadíssima pelo fato de pretos pobres terem direitos de viver em área nobre . A polícia e Yêda também acha um abuso pretos e pobres terem direitos.

Assim, ela ameaça e intimida os moradores  da comunidade do primeiro quilombo urbano reconhecido e titulado no Brasil. Os moradores do Quilombo dos Silva, no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre, estão acuados dentro de seu próprio território. Eles têm medo até de sair ou chegar em casa e denunciam que policiais militares começaram a agir com abuso de autoridade, revistando rotineiramente os jovens e adultos, constrangendo as crianças que brincam na praça em frente ao quilombo, o que culminou com a detenção e espancamento de um quilombola dentro de sua própria residência.

Acompanhem e se indignem com o que a polícia tucana gaúcha está fazendo com cidadãos brasileiros a reportagem é do Coletivo Catarse:

Assista ao vídeo onde os quilombolas denunciam a perseguição policial e as agressões no dia 25 de agosto:

Enquanto produzíamos a reportagem, ouvimos o relato de uma conversa que aconteceu na noite do dia 25 de agosto. Apavorado com os homens armados dentro do quilombo, uma criança pede ao pai que chame a polícia para defendê-los. O pai responde que esses homens em sua casa são a polícia.

Moradores do Quilombo dos Silva afirmam sofrer perseguição da polícia

Por: Jefferson do Coletivo Catarse

Na última quarta-feira, 25 de agosto, Lorivaldino da Silva passeava com o neto em frente à entrada do quilombo quando foi abordado por policiais militares. Paulo Ricardo Dutra Pacheco, seu cunhado, interveio pedindo respeito aos quilombolas. A partir daí, foi perseguido e agredido pelos soldados. O Capitão Zaniol, do 11° Batalhão da Polícia Militar, explica que Paulo desacatou e desobedeceu à autoridade, além de resistir à prisão, o que justificou tê-lo perseguido até dentro de sua casa, de onde foi algemado e retirado à força na frente da mulher e dos filhos. Mas ele também foi espancado pelos policiais. Exames de corpo de delito foram realizados no Instituto Médico Legal.

Negros e pobres, vivendo num bairro predominantemente de brancos e ricos, os quilombolas se dizem cansados de sofrer com as batidas policiais e denunciam a Brigada Militar por racismo institucional. O Capitão Zaniol nega as acusações de preconceito e afirma que não há intensificação do patrulhamento na área. Mas segundo os moradores, a agressão sofrida por Paulo seria só mais um entre muitos casos de discriminação e perseguição da polícia aos integrantes do Quilombo dos Silva, uma comunidade que é um marco histórico na luta do movimento negro nacional e referência na defesa dos direitos quilombolas.

O caso foi denunciado ao Ministério Público Estadual, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e ao Comitê de Combate à Tortura. Duas ocorrências policiais foram registradas sob os números 6552 e 6554 de 2010, na 8ª Delegacia de Polícia, pedindo providências contra possíveis arbitrariedades e violência por parte dos policiais. Um Termo Circunstanciado de número 2674402 foi feito no 11° BPM. Mas os quilombolas temem represálias, pois relatam estarem sendo ameaçados pelos soldados da Brigada Militar.

Lorivaldino da Silva: “(nos trataram) a cacetadas, a empurrão. As crianças todas gritando, apavoradas. E os brigadianos com as armas na mão, engatilhadas. Estou com medo de sair na rua. Estou ameaçado.”

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Chico, sempre Chico e uma crônica de memórias de infância

setembro 5th, 2010 by mariafro
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É um amor muito antigo, começado na infância, como narro aqui:

Entre príncipes, dádivas e tristezas

—De novo escrevendo menina! Essas cartas não levam a nada, este príncipe é fajuto! Dizia Rita em tom de galhofa para mim….

Rita era jovem, linda. Falava engraçado, cantava com esses que me soavam xis e uns erres que não acabavam nunca.

Colocava os is onde a professora tinha ensinado que não existiam e, tirava-os dos seus devidos lugares: “naiscimento” “Madurera”. Usava os cabelos bem curtinhos, hoje se diria que era toda pop, naquela época se falava “moderninha”.

- Mas claro que dá certo. Rita!

- Dá não, Consu, esquece disso.

- Dá sim, você vai ver, vou ser sorteada!

- Vai não, minha linda, aquilo é armação.

- Armação? Sei disso não. Só sei que você vai me assistir, bem aí em frente à televisão. Eu vou ganhar todos aqueles brinquedos e você vai morrer de inveja, quando o príncipe me colocar a coroa, tocar aquela música liiiiiiiiiinda e depois do beijo eu ir desfilar com ele, com a capa brilhante e aquela muleta cheia de pedras preciosas…

- Êiiiiita guria sonhadora! Não é muleta não, o certo é cetro!

- As rainhas e princesas usam cetro! Rita falava enquanto me corrigia, sem ser rude. Acho que deve ter lido algumas histórias de príncipes e princesas, mas gostava mesmo era de sonhar com seus ídolos.

- Aposto que ainda vai me fazer ir até o correio, né?

- Você leva, Rita, bota no correio pra mim, bota?

- Olha Consu, um dia você ainda vai entender, mas deixa… sonhar é bom. E acaba logo com isso, porque quero ver se já chegou o long play do Chico.

Me esmerei nas letras, arredondei a caligrafia. O príncipe certamente me escolheria, faltava tão pouco, bastava que eu caminhasse da minha casa até o centro da cidade e colocasse a minha missiva na caixa amarela.

- Tá pronta, guria? Vamos?

- Terminei, você tem dinheiro prô selo?

- Tenho sim, mas não explora. Se tem selo, não tem sorvete!

Não gostei muito, mas sabia que era verdade, ela nunca tinha dinheiro e levando em conta as condições da minha casa, acho que seu salário só dava para comprar seus long plays, dos quais nunca abriu mão.

Sorri conformada para aquela cara marota. Eu gostava de Rita, ainda não sei como foi parar em minha casa, mas certamente foi uma dádiva.

Caminhávamos rapidamente, porque minha mãe pediu para que não demorássemos. Tentávamos nos livrar da poeira vermelha, levantada pelos caminhões quando perguntei:

– Rita o que será que meu irmãozinho tem? Ontem ele se debatia e eu vi ele babar, minha mãe chorou, eu não gosto quando minha mãe chora.

- Não sei Consu, mas a gente precisa ajudar a Terê.

Ninguém chamava minha mãe de Terê, só a Rita que tinha mania de diminuir todos os nomes: Francisco era Chico, Conceição se transformava em Consu, Caetano em Caê, Teresa virava Terê. Tudo em sua boca soava intimidade.

- Mas, Rita… Eu insistia, puxando suas saias curtas, enquanto via o turco do táxi piscando pra ela:

- Por que ele cai tanto, se machuca tanto? Ontem eu não lhe contei, mas esse arranhão aqui foi porque a Jane tirou sarro dele.

- Consu, não brigue com seus amigos, eles não entendem. Pense que o Coca vai ficar bom e sua mãe, contente. O que os outros dizem não importa. Só devemos levar em conta o que vai no coração da gente.

Rita rimava as palavras. Sua conversa soava-me como música naquele sotaque cantado, adquirido num Rio de Janeiro que não conhecia.

Colocamos a carta no correio. Eu já havia esquecido do meu empenho em ser a princesa do programa do Sílvio Santos, agora pensava no meu irmão.

O casaquinho que fizera para ele não servira. Clodoaldo tinha nascido lindo, tão forte, com aquelas mãos tão gordinhas. Ele gostava de mim, me sorria sempre.

Talvez Rita soubesse, eu só descobriria mais tarde, mas daquele dia em diante, iria acumular e distribuir muitos arranhões ao longo da vida…

- Olha Consu, chegou, chegou! Quando chegarrrrrrrmos em casa, você vai verrrrrr o que é um príncipe de verrrrrrdade e vamos embora que já está tarrrrrrrde!

Eu olhava aquele moço da capa do long play de olhos bem verdes. Não era tão lindo aos meus olhos como o Ronnie Von, vestido de príncipe, mas era muito bonito.

O sol já se punha no céu empoeirado de Juquiá. O pôr-do-sol era ainda mais vermelho e, surpreendentemente, mais belo naquele fim de tarde.

Chegamos e ouvimos os gritos desesperados de minha mãe. Ela não gostava de ficar só, mas sempre esteve só. Meu pai devia estar em algum canto do Brasil, fazendo estradas.

- Rita me ajuda aqui!!!!!!! É outra convulsão, meu Deus! Oh! Meu Deus! Porque não olha meu filho, meu Deus!

Nas primeiras convulsões do Coca, eu corria para o quarto de minha mãe, o único quarto da casa. Ajoelhava-me em frente a uma velha cômoda e rezava, rezava, rezava. Pedia, implorava mesmo, para a santinha preta da cômoda curar meu irmão, para que minha mãe parasse de chorar e nos desse mais atenção…

Quando eu era ainda menor recorrer a santinha, que tinha no meu pescoço, sempre funcionava. Funcionou quando meu irmão Carlos estava roxo, não conseguia respirar. Lembro-me que apertava a santa até minhas mãos doerem como se daquela forma meu pedido se transformasse em algo mais eficiente.

Naquela época meu pai estava na cidade. Carlinhos teve uma crise de asma e minha mãe ligou desesperada para que meu pai viajante viesse em socorro. Quando ele chegou, meu pequeno irmão estava brincando comigo. O velho e sisudo Carlos quase bateu na minha mãe por tê-lo chamado à toa. Nunca mais o Carlinhos ficou roxo, por isso acreditava tanto no poder da santa.

Mas na tarde de sol vermelho e carta no correio eu não fui como de costume até à cômoda, talvez porque achasse que a santinha da cômoda não era tão poderosa como a que antes habitava meu pescoço. Essa não existia mais, eu a perdi quando brigava na rua com os amigos que riam do meu irmão mais novo, que riam da maneira estranha que andava, que riam de seus tombos fenomenais que lhe enchiam de galos a testa.

Naquela tarde onde faltava muito pouco para usar cetro, coroa e manto no domingo de sonhos de todas as meninas da minha idade, fiquei ali, olhando para o moço da capa que me olhava, profundamente.

Fui dormir, tinha fome. Mas minha mãe e a Rita estavam muito angustiadas para fazer o jantar. Da cama improvisada da sala, vi quando Rita ligou, bem baixinho, sua pequena vitrola, a única da casa. E o moço dos olhos verdes da capa começou a cantar:

“Dorme minha pequena, não vale a pena despertar…

Dorme minha pequena, não vale a pena despertar…

Eu vou sair por aí afora, atrás da aurora mais serena,

Dorme, minha pequena, não vale a pena despertar….”

Um dia Rita sumiu da mesma forma que surgiu.

Por onde andará a minha Rita?

Frô, 2000.

Acalanto para Helena, 1971.

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Sócrates: Corinthians é um símbolo, uma essência, um sentimento

setembro 5th, 2010 by mariafro
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O meu Corinthians

Por: Sócrates, na Carta Capital

04/09/2010

Solito foi um de nossos companheiros na democracia corintiana. Ele e o irmão, o que poderíamos considerar quase um caso de nepotismo. Mais ou menos como a história do Pelé com seu irmão Zoca. De qualquer forma, é um excelente caráter e foi um grande goleiro. Mas naquele ano de 1983, ele estava na reserva. Foi quando protagonizou um dos momentos mais marcantes daquele período.

Era véspera do escrutínio mais importante da história do Corinthians, estava em jogo a preservação de um novo modo de gerir o futebol: a ativa participação dos atletas e a democratização das decisões, com liberdade e responsabilidade. Para vencermos, era necessário conquistar a maioria dos votos dos sócios e eleger a metade do conselho. Os conselheiros vitalícios (a outra metade) eram, na sua maioria, de oposição.

Democrático

Difícil! Nosso adversário – Vicente Matheus – era uma lenda viva no clube, onde raramente fora derrotado. Quase todos os jogadores também eram sócios, o que nos dava uma dupla responsabilidade. Wladimir e Zé Maria se candidataram. Houve muita especulação sobre a minha presença na lista de candidatos, mas não podia abrir mão de minhas convicções – eu rejeitava o método indireto de eleições. Sempre lutei pelo voto direto e continuo a acreditar ser esse o melhor meio de avaliação democrática. Com ele respeita-se a alternância de poder, tão necessária, principalmente naqueles tempos de ditadura militar.

Maiúsculo

Não me afastei da luta, usei, isto sim, todas as armas que possuía. Era a minha alma que estava envolvida naquele processo. Decidi e tornei público que, se por acaso perdêssemos, nunca mais jogaria no clube. Era definitivo. Quando se iniciou o processo eleitoral no Corinthians, avaliou-se que a disputa seria muito equilibrada. Todo voto seria fundamental para aumentar as chances de vitória. Como ocorre nessas condições, até os mais velhos e doentes eram contemplados com visitas, na tentativa de atraí-los para um lado ou para o outro. A polêmica ultrapassou os portões do clube. Era uma instituição democrática que estava em jogo. E as forças reacionárias entraram para valer. Às nossas cores se somaram todos os setores progressistas da sociedade: sindicatos, partidos de esquerda, formadores de opinião e muitos mais.

Obstinado

O dia a dia do clube estava pegando fogo. Nunca houve uma eleição para presidente de clube esportivo com tamanho grau de politização. Chegou a semana decisiva. No dia da eleição, um domingo, tínhamos jogo no Rio de Janeiro. Durante a semana, promovemos uma grande discussão acerca da data em que deveríamos viajar para o jogo no Maracanã. Era de interesse dos mais envolvidos na questão eleitoral ficar em Sampa até o último momento, para que pudéssemos votar e fazer a boca de urna.

Terno

Teríamos tempo suficiente pa-ra realizar as duas missões. Outros estavam reticentes. Apro-ximadamente, a metade dos companheiros não queria ou tinha medo de enfrentar a questão de frente, arriscar-se a perder a partida e ser criticado por isso. Como se o fato de viajarmos no dia anterior ao jogo aumentasse as possibilidades de vitória. Percebemos a indefinição do quadro, passamos a semana tentando convencê-los de que a prioridade era a disputa eleitoral, a qual, aliás, definiria o nosso futuro. Resolvemos, como sempre, levar a questão ao voto. Dois dias antes da partida, com o estádio cheio de torcedores que ali estavam para assistir ao treino e viver o clima das eleições, nos reunimos no meio do campo.

Altaneiro

Atletas, comissão técnica, massagistas, roupeiros e diretores se reuniram mais uma vez para decidir. Que maravilha! Um a um, fomos colocando nossos votos e as razões para a escolha. Nenhuma posição se destacava. Seu Paulo, o roupeiro, se absteve, talvez por respeito aos mais novos. Até que chegamos ao último sufrágio… empatados! Adivinhem a cara do Solito, quando todos se voltaram para ele. Acuado, ele sussurrou: sábado! Foi a mais equilibrada disputa que tivemos e a derrota mais bela. Até porque vencemos as eleições presidenciais.

Divino

Deus não tem idade. O Corinthians é muito maior que a idade que possa ter; é um símbolo, uma essência, um sentimento. É claro que o centenário tem um valor simbólico e as pessoas se reúnem em torno desse símbolo. Mas isso é secundário à importância que tem alguma coisa capaz de agregar tanta gente de origens absolutamente distintas.

E sobre o centenário, falei o seguinte ao meu amigo Vitor Birner: “Não vejo o Corinthians com idade. É como Deus”.

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Latuff:Quebra de sigilo: José Serra e a receita de um bolo solado

setembro 4th, 2010 by mariafro
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De Caixa suspensa

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