Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Quarta, 06/04, Alan Woods na USP, compareçam!

abril 5th, 2011 by mariafro
Respond


Local: USP – Auditório da Casa de Cultura Japonesa, (próximo ao prédio da História e Geografia, na FFLCH), São Paulo, Brasil

Quando: quarta, 6 de abril · 18:30 – 21:30

Quem e o quê: Alan Woods é escritor e teórico marxista britânico. Editor do site “In Defense of Marxism” (www.marxist.com). Tem inúmeros livros publicados em mais de 10 idiomas, com destaque para o último livro sobre a Revolução Venezuelana “Reformismo ou Revolução – Marxismo e Socialismo do Século XXI: uma resposta a Heinz Dieterich” que foi recomendado pelo presidente Hugo Chávez em rede nacional de televisão na Venezuela.

O artigo de Alan Woods intitulado “A Insurreição na Tunísia e o Futuro da Revolução Árabe” publicado em mais de 10 idiomas, foi acessado por dezenas de milhares de internautas. Em janeiro e fevereiro, Alan escreveu uma série de análises diárias sobre a revolução no Egito, que foram traduzidas imediatamente ao árabe, espanhol, português, italiano, francês, alemão, grego, urdu e outros idiomas.

Agora, Alan Woods está fazendo um giro pela América Latina apresentando suas análises em conferências públicas. No final de março e início de abril estará no Brasil.

Tags:   · · · · 2 Comments

Wikileaks: Embaixada estadunidense mobiliza o PIG para não punir quem difame religiões!!!!

abril 5th, 2011 by mariafro
Respond

Coletivo Vila Vudu tem toda a razão: este é o cablegate mais escandaloso sobre como atua a embaixada estadunidense para desestabilizar os países, para difundir preconceitos (no caso o preconceito religioso demonizando o islamismo) e como consegue apoio de intelectuais de aluguel e de uma mídia capacho que se vende por tão pouco.

Leiam até o fim e se indignem! Vocês entenderão claramente a posição dos noblablat defendendo os bolsonaros da vida e criminalizando os que defendem os direitos humanos.

WikiLeaks: Estratégia dos EUA para engajar o Brasil na difamação de religiões
Cable 09BRASILIA1435*  Tradução: Vila Vudu

Reference ID Created Released Classification Origin
09BRASILIA1435 2009-12-22 19:07 2011-02-06 00:12 CONFIDENTIAL Embassy Brasilia

Excerto do item CONFIDENCIAL do telegrama 09BRASILIA1435

ASSUNTO:
Estratégia para Engajar o Brasil na “Difamação de Religiões”[1]

1. (C) RESUMO: A posição do Brasil na questão da “difamação de religiões” na comissão de Direitos Humanos da ONU reflete a conciliação entre as objeções do país à ideia (objeções baseadas num conceito do que sejam Direitos Humanos) e o desejo de não antagonizar os países da Organisation of the Islamic Conference (OIC) com os quais tenta construir relações e que o Brasil vê como importante conjunto de votos a favor de o Brasil conseguir assento permanente no CSONU. À luz da argumentação a favor da abstenção do Brasil, proponho abordagem de quatro braços, envolvendo aproximação com os altos escalões do Ministério de Relações Exteriores; uma visita à Brasília, para pesquisar meios de trabalhar com o governo do Brasil, nessa e noutras questões de direitos humanos; outros governos que possam conversar com o governo do Brasil; e uma campanha mais intensa pela mídia e mobilizando comunidades religiosas a favor de não se punir quem difame religiões . FIM DO RESUMO.

Contexto: “Quando Direitos Humanos e ambição de chegar ao Conselho de Segurança entram em choque”.

2. (SBU) Essa embaixada levantou várias vezes a questão dos votos do Brasil no Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores. A última vez foi com a chefe do Departamento Ministra Glaucia Gauch. O Brasil nunca discordou de um único argumento dos que apresentamos em outros encontros.

A resposta sempre foi a mesma: o conceito de difamar religiões é repugnante. Repugna aos valores e princípios do Brasil e é inconsistente com a legislação brasileira e a legislação internacional. Por isso o Brasil não pode aprovar e não votará a favor de resolução que proíbe que se puna quem difama religiões. O Brasil abstém-se de votar.

3. (C) Perguntada sobre por que o Brasil não vota contra a resolução, dado que a considera absolutamente inadmissível, Gauch respondeu que o país entende que a abstenção é suficiente. Na opinião do Governo do Brasil, o país assume posição baseada em princípios, mas também prática, porque não interessa ao país ofender os países da Organização da Comunidade Islâmica, sobretudo os mais poderosos como Iran, Egito, Turquia e Arábia Saudita, países com os quais o Brasil tenta aprofundar relações.

É opinião dessa embaixada que o que mais interessa à política externa do Brasil é conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Como resultado, o Governo do Brasil prefere não antagonizar países e grupos de países cujos votos podem ser valiosos numa futura eleição.

Abordagem de quatro braços

4. (SBU) À luz dessa realidade complicada, proponho abordagem de quatro braços no caso do Brasil, sobre essa questão. Antes de qualquer das etapas e movimentos, deve-se declarar o compromisso dos EUA com o diálogo e a cooperação, e nosso empenhado esforço para manter o Brasil como um líder e um parceiro nessa questão.

Encontros de alto nível: Ao abordar os mais altos níveis do Ministério de Relações Exteriores, é essencial persuadir o Brasil a mudar seu voto e a trabalhar conosco a favor da “Difamação de Religiões”, até chegarmos a uma solução de conciliação. Telefonema da Secretária de Estado dos EUA ao Ministro Amorim das Relações Exteriores, logo depois da recente carta enviada por ela, demonstraria a importância que os EUA damos a essa questão. Também se deve abordar o vice secretário-geral do MRE ministro Antonio Patriota; e o subsecretário Burns deve abordar a subsecretária para assuntos políticos, embaixadora Vera Machado (que supervisiona questões de direitos humanos e política das organizações internacionais), o que muito ajudaria a aumentar a importância do tema na cabeça dos brasileiros (sic). (grifos nossos)

Só as abordagens nos níveis inferiores dificilmente conseguirão modificar a abordagem “em cima do muro” [orig. Brazilbs hands-off approach] dos brasileiros sobre o assunto.

Um Diálogo sobre Direitos Humanos: Uma visita dedicada exclusivamente a essa questão, seria, na minha opinião, de pouco efeito, porque o Brasil aceita as premissas de nossa objeção. Ao mesmo tempo, uma discussão mais detalhada dos nossos pontos de vista e de nosso plano de ação, com níveis operacionais e político do MRE seria valiosa.

A abordagem mais efetiva (e, no longo prazo, mais valiosa para os interesses mais amplos do Governo dos EUA) poderia incluir a questão atual na pauta de um novo diálogo regular sobre direitos humanos, ideia que o próprio MRE (pelo emb. Patriota) (grifos nossos) propôs recentemente. O contexto mais amplo de um esforço para trocar ideias e para encontrar vias pra trabalharmos mais próximos do Governo do Brasil no campo dos direitos humanos nas organizações internacionais (tratando também, talvez, de outras das preocupações dos países chaves, incluindo o Irã e a Coreia do Norte, questões sobre as quais o Brasil sempre se abstém) criariam um fórum ideal para discussões e para conseguir que o governo do Brasil apóie o plano de ação proposto pelos EUA. Essa abordagem ampla seria atraente para os brasileiros, interessados em construir parcerias com os EUA, que ajudarão a validar o desejo de que o Brasil passe a ser visto como líder internacional. Essa abordagem seria mais bem recebida que abordagem focada, dirigida só à questão da difamação de religiões.

Abordagem por outros países: Desde que chegou ao cenário internacional, o atual governo do Brasil tem tido grande cuidado para não alinhar suas políticas às políticas dos EUA. O Brasil tem em alta conta o que considera como sua posição “de ponte” entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos, por causa de sua disposição de falar com todos os países. Minha opinião é que essa posição tende a limitar o peso das opiniões dos EUA dentro do Governo do Brasil. (grifos nossos). Porque o Brasil vê-se ele mesmo como se fosse líder no bloco dos países latinoamericanos, esses países pouco conseguirão influenciar as ideias do governo do Brasil. O mais provável é que ouçam outros países que consideram ‘independentes’ [aspas no orig.] dos EUA, como África do Sul, Rússia, China, Índia e França.

Ganhar o apoio para nossa posição de alguns membros da Organização da Conferência Islâmica, especialmente do Egito, Turquia e outros ‘independentes’[aspas no orig.] influentes seria muito importante para que consigamos influenciar o voto do Brasil a favor da difamação das religiões. Em geral, abordagens feitas por qualquer outro país que apóie ação proposta pelos EUA servem como prova da natureza colaborativa de nossos esforços e podem ser úteis. (grifos nossos)

Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. PauloO Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. (grifos nossos)

Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. (grifos nossos). Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços.

Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE


*Cabeçalho omitido, a íntegra do telegrama não está disponíve, tradução de trabalho, não oficial, para finalidades didáticas.
[1] Há matéria da Reuters sobre o assunto, de seis meses antes desse telegrama, aqui, onde se lê: “Um fórum da ONU aprovou ontem resolução que condena a “difamação de religiões” como violação de direitos humanos, apesar das muitas preocupações de que a condenação possa ajudar a defesa da livre expressão em países muçulmanos (sic)” [NTs].

 

Tags:   · · · · · · · · · 12 Comments

Perseguidos pela emissora, funcionários da afiliada da Globo em Sergipe protestam

abril 5th, 2011 by mariafro
Respond

Ontem no twitter, sergipanos denunciaram a perseguição contra os funcionários na afiliada da Globo:

[blackbirdpie url="http://twitter.com/Mahtchelo/status/54895242939338752"]

Abaixo notícia do Infonet sobre a paralisação:

Funcionários da TV Sergipe fazem paralisação
O motivo do protesto é a perseguição contra os funcionários e várias demissões realizadas nos últimos meses

Do Infonet

04/04/2011

Funcionários fazem manifesto em frente a emissora (Fotos: Portal Infonet)

Funcionários de todas as áreas da TV Sergipe fizeram uma paralisação em frente à emissora na manhã desta segunda-feira, 4. O motivo do protesto é a perseguição contra os funcionários e várias demissões realizadas nos últimos meses. Para marcar o início do protesto, o telejornal Bom dia Sergipe não foi ao ar esta manhã.

Segundo o mobilizador da paralisação, Dida Araújo, os funcionários da TV Sergipe estão sofrendo maus-tratos pelo novo diretor Paulo Siqueira. “Ele chegou aqui dizendo que iria arrumar a empresa e que os acionistas queriam ver as ‘verdinhas’. Na verdade, ele está acabando com a emissora, diminuindo o número de funcionários, cortando quadros da programação e proibindo criações”, afirmou.

Dida Araújo diz que funcionários estão sendo perseguidos.

Dida contou ainda que os programas Viva Esporte, Levanta Poeira, São João da Gente e Terra Serigy seriam cortados da programação, porque Paulo Siqueira não quer gastar com esses quadros.

George Washington, presidente do Sindicato dos Jornalistas, descreveu o ato como legítimo, realizado por profissionais que tiveram coragem de botar o manifesto em prática a fim de serem ouvidos. “Há muito tempo o sindicato vem lutando em prol destes trabalhadores. Desde o ano passado que a TV enfrenta demissões e perseguições por conta deste gestor. Vamos conversar com os principais acionistas da TV, D. Lourdes, Albano e Ricardo Franco para passar tudo o que tem acontecido na emissora, pois eles precisam entender que é preciso valorizar o que é de Sergipe, pois além de tudo ele está sendo contra a cultura sergipana”, relatou.

O presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe, Fernando Cabral, falou que Paulo Siqueira vem perseguindo os funcionários da TV, inclusive os sindicalizados. “Estamos lutando desde junho do ano passado, mas até o momento não obtivemos resultados”, disse.

Os sindicatos dão apoio a paralisação

Dida Araújo informou ainda, que se não houver acordo com os acionistas da TV Sergipe a paralisação vai continuar durante todo o dia.

Os profissionais da TV Sergipe têm o apoio do Sindicato dos Jornalistas, do Sindicato dos Radialistas, da CUT, da Associação Movimento Salve além de quadrilheiros que se concentraram em frente a TV esta manhã.

A equipe de jornalismo do Portal Infonet tentou por diversas vezes falar com a diretoria da TV Sergipe por telefone, mas não obteve êxito.

Tags:   · · · · · · · 2 Comments

Max Altman explica como potências ocidentais jogaram a resolução 1973 da ONU no lixo!

abril 5th, 2011 by mariafro
Respond

E se os carneiros se juntarem e deixarem de ser carneiros
Por Max Altman (recebido por e-mail)
31 de março de 2011

A fim de que o leitor possa apreender a letra e o espírito da Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas e não se deixar levar por interpretações enviesadas da nossa ínclita mídia e seus distintos comentaristas nacionais e internacionais, reproduzo o original da Nota emitida pelo seu Departamento de Informação Pública, cujas principais passagens traduzo.

______________________________________

17 March 2011

Security Council

SC/10200

Department of Public Information • News and Media Division • New York

6498th Meeting (Night)

Security Council Approves ‘No-Fly Zone’ over Libya, Authorizing ‘All Necessary

Measures’ to Protect Civilians, by Vote of 10 in Favour with 5 Abstentions

Demanding an immediate ceasefire in Libya, including an end to the current attacks against civilians, which it said might constitute “crimes against humanity”, the Security Council this evening imposed a ban on all flights in the country’s airspace — a no-fly zone — and tightened sanctions on the Qadhafi regime and its supporters.

Adopting resolution 1973 (2011) by a vote of 10 in favour to none against, with 5 abstentions (Brazil, China, Germany, India, Russian Federation), the Council authorized Member States, acting nationally or through regional organizations or arrangements, to take all necessary measures to protect civilians under threat of attack in the country, including Benghazi, while excluding a foreign occupation force of any form on any part of Libyan territory — requesting them to immediately inform the Secretary-General of such measures.

Recognizing the important role of the League of Arab States in the maintenance of international peace and security in the region, and bearing in mind the United Nations Charter’s Chapter VIII, the Council asked the League’s member States to cooperate with other Member States in implementing the no-fly zone.

The Council stressed the need to intensify efforts to find a solution to the crisis that responded to the legitimate demands of the Libyan people, noting actions being taken on the diplomatic front in that regard. It further demanded that Libyan authorities comply with their obligations under international law and take all measures to protect civilians and meet their basic needs and to ensure the rapid and unimpeded passage of humanitarian assistance.

In that connection, the Council specified that the flight ban would not apply to flights that had as their sole purpose humanitarian aid, the evacuation of foreign nationals, enforcing the ban or other purposes “deemed necessary for the benefit of the Libyan people”.

It further decided that all States should deny permission to any Libyan commercial aircraft to land in or take off from their territory unless a particular flight had been approved in advance by the committee that was established to monitor sanctions imposed by resolution 1970 (2011).

In tightening the asset freeze and arms embargo established by that resolution, the Council this evening further detailed conditions for inspections of transport suspected to be violating the embargo, requesting States enforcing the embargo to coordinate closely with each other and the Secretary-General on the measures they were taking towards implementation.

It requested the Secretary-Secretary to create an eight-member panel of experts to assist the Security Council committee in monitoring the sanctions.

“O Conselho de Segurança aprova Zona de Exclusão Aérea” sobre a Líbia, autorizando “todas as medidas necessárias” para proteger os civis.” Este é o título da nota e a essência da resolução. Sigamos:

“Exigindo um imediato cessar fogo na Líbia, inclusive um fim aos atuais ataques contra civis, que podem se constituir em “crimes contra a humanidade”, o Conselho de Segurança impôs nesta noite (17 de março) uma proibição a todos os vôos no espaço aéreo do país – uma zona de exclusão aérea – e endureceu as sanções contra o regime de Kadafi e seus apoiadores.”

“ … o Conselho autorizou os Estados Membros, agindo nacionalmente ou através de acordos ou organizações regionais, a tomar todas as medidas necessárias para proteger os civis sob ameaça de ataque no país, inclusive Bengazi, embora excluindo força de ocupação estrangeira de qualquer tipo e em qualquer parte do território líbio … .”

“O Conselho ressaltou a necessidade de intensificar esforços para encontrar uma solução para a crise que respondam às legítimas demandas do povo líbio, cuidando de adotar ações no campo diplomático a esse respeito. Ademais, exigiu que as autoridades líbias cumpram com suas obrigações perante a lei internacional e tome todas as medidas para proteger civis e satisfaçam suas necessidades básicas e garantam uma passagem rápida e livre de obstáculos para a assistência humanitária.”

“Com relação a isso, o Conselho especificou que a proibição de voo não se aplicaria aos voos que tivessem como único propósito a ajuda humanitária, a evacuação de cidadãos estrangeiros, fazendo respeitar a proibição ou outras medidas “consideradas necessárias para o benefício do povo líbio”.

___________________

A Secretária de Estado Hillary Clinton e os ministros das Relações Exteriores da França, Allain Juppé e da Grã Bretanha William Hague falaram em entregar armas aos insurgentes. Hillary chegou a afirmar que a Resolução 1973 fala em “usar todas as medidas necessárias” para proteger os civis e isto autorizaria a entrega de armamento. Robert Gates, Secretário de Defesa dos Estados Unidos em depoimento ao Congresso assegurou que Washington não faria a entrega, mas defendeu que outros o fizessem. Cinismo. Esta resolução em nenhuma passagem admite a entrega de armamento. A Resolução 1970 anterior é taxativa. Ela exige a imposição de embargo a qualquer entrada de armas. Mas Washington, Londres e Paris não disseram que estavam intervindo militarmente para proteger o povo líbio? Armar um dos lados da guerra civil significa proteger os civis ?

Agora se sabe, segundo revelou o The New York Times que o próprio presidente Obama havia assinado há semanas uma diretiva presidencial autorizando o emprego de agentes da CIA em solo líbio e que também o M16 britânico participa de operações secretas no país.

Alguém em sã consciência acha que as atividades secretas da CIA e do M16 se prestem a assistência humanitária, a proteger civis ou a impedir crimes contra a humanidade? Como a história já mostrou à farta, CIA e M16 são especialistas, entre outras, em fazer entrar armas ilegalmente, em pôr abaixo governos inconvenientes. Não à toa, os insurgentes de Bengazi se mostraram desde o inicio bem armados e dispostos a derrubar Kadafi e assumir o poder.

Com base na Resolução 1970 e reforçada na 1973, valores e bens móveis depositados em bancos dos Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália foram bloqueados. São 200 bilhões de dólares aproximadamente. Cameron e Sarkozy chegaram a afirmar que o dinheiro deveria ser repassado aos insurgentes. Além do mais, deveria ser-lhes permitido exportar petróleo e ficar com os recursos.

Divisas e petróleo pertencem ao Estado e ao povo líbio e não a uma facção que não detém o poder. Não podem Londres e Paris dispor de bens que não são seus. O que pretendem fazer é rigorosamente ilegal.

Quando os Rafale da Força Aérea francesa se adiantaram e no primeiro dia incursionaram no espaço aéreo e em território líbio, seus comandantes se vangloriaram de ter praticamente inutilizado a débil força aérea de Kadafi. Em seguida, centenas de mísseis Tomahawk de Ataque a Superfície (Tomahawk Land Attack Missile -TLAM ) norte-americanos, lançados do Mediterrâneo com precisão cirúrgica, destruíram pistas, torres de controle, anulando a capacidade de voar dos aparelhos de Kadafi. Portanto, a exclusão aérea estaria virtualmente concluída. Nos dias que se seguiram não houve notícia de sobrevôo de qualquer avião das forças do ditador líbio. A Resolução 1973 poderia se dar por parcialmente satisfeita.

Faltava a proteção aos civis. Eis que o bispo apostólico da Igreja Católica na Líbia, Giovanni Innocenzo Martinelli, disse que pelo menos 40 pessoas morreram em um bombardeio da coalizão internacional sobre Trípoli. “Os chamados ‘bombardeios humanitários’ causaram dezenas de vítimas entre civis em alguns bairros de Trípoli. Em particular, em Buslim, destruiu-se um edifício civil, o que causou a morte de 40 pessoas”, disse Martinelli em Trípoli à agência de notícias vaticana “Fides”. O bispo destacou que, nesta quinta-feira, vários hospitais de Trípoli foram atingidos por bombas, um deles no bairro de Misda, no sul da capital. A OTAN não acredita na palavra do bispo. Disse que iria verificar.

E a OTAN tomar conta das operações? Isto também não está previsto na resolução. Ela autorizou os Estados Membros, “agindo nacionalmente ou através de acordos ou organizações regionais”, a tomar todas as medidas necessárias para proteger os civis. Há Estados que compõem o Conselho de Segurança, aprovaram a resolução e não fazem parte da OTAN. O que se visava no dia da aprovação era a inclusão da organização regional Liga Árabe. A transferência do comando das ações para a OTAN se deu por pressão de Washington que não queria entrar numa terceira guerra simultânea nem consumir outros tantos bilhões de seus cofres endividados. Que os leais amigos paguem a conta.

Deu agora de o presidente da China, Hu Jintao, rechaçar o uso da força para solucionar problemas como o da Líbia. “Só o diálogo e outras vias pacíficas são a solução definitiva”, declarou num encontro com seu homólogo francês, Sarkozy. Na mesma linha, se manifestou Vladimir Putin e Serguei Lavrov, primeiro ministro e ministro de Relações Exteriores da Rússia. Esse é o caminho, solução pacífica e negociada. Cessar fogo imediato e incondicional das forças da Nato, dos rebeldes, de Kadafi. Aí as partes e a comunidade africana, arábica e internacional discutiriam e solucionariam questões como direitos humanos, proteção aos civis, liberdade, democracia, progresso, soberania, autodeterminação. Mas por que cargas d’água a China e a Rússia não se valeram de seu poder de veto no Conselho de Segurança? Não sabiam, seus argutos diplomatas e analistas políticos, que as conseqüências seriam as que estamos assistindo?

E para coroar toda essa conjuntura surge o que estão chamando de ‘Doutrina Obama’: “A força será usada não só em situações em que interesses vitais dos Estados Unidos estão em jogo, mas também para defender valores americanos.” Supõe-se que valores devem ser os da liberdade, da democracia, do livre mercado. Mas seriam esses valores os mesmos em relação à Líbia e ao Egito, a Israel e Arábia Saudita, ao Bahrein e ao Iêmen ou variam de acordo com os interesses vitais? Imagina-se que interesses vitais são os estratégicos, bases militares avançadas, fontes de energia, eventualmente de água, controle de rotas marítimas e aéreas. Porém, quem decide o que são interesses vitais. A Casa Branca, e unilateralmente, por certo.

O cenário que se descortina e o da lei da selva, da lei do mais forte.

Os leitores certamente se lembram da fábula de La Fontaine de 1688, O Lobo e o Cordeiro. Vale a pena recordar.

Na água limpa de um regato, / matava a sede um cordeiro, / quando, saindo do mato, veio um lobo carniceiro. / Tinha a barriga vazia, / não comera o dia inteiro. – Como tu ousas sujar / a água que estou bebendo? / – rosnou o Lobo a antegozar / o almoço. – Fica sabendo / que caro vais me pagar! / – Senhor – falou o Cordeiro – / encareço à Vossa Alteza / que me desculpeis mas acho / que vos enganais: bebendo, / quase dez braças abaixo / de vós, nesta correnteza, / não posso sujar-vos a água. / – Não importa. Guardo mágoa / de ti, que ano passado, / me destrataste, fingido! / – Mas eu nem tinha nascido. / – Pois então foi teu irmão. / – Não tenho irmão, Excelência. / – Chega de argumentação. / Estou perdendo a paciência! / – / Não vos zangueis, desculpai! / – Não foi teu irmão? Foi o teu pai / ou senão foi teu avô. / Disse o Lobo carniceiro. / E ao Cordeiro devorou. Onde a lei não existe, ao que parece a razão do mais forte prevalece.

E se os cordeiros se juntarem e deixarem de ser cordeiros !

Tags:   · · · · · · · 1 Comment