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Marina: balão de ensaio das eleições 2010 não enche auditório de 120 pessoas hoje

abril 27th, 2011 by mariafro
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Os dias nublados de Marina

Do Congresso em foco

26/04/2011

“Na noite de ontem o fenômeno Marina parecia estar com uma áurea mais opaca, colocando em xeque uma perspectiva: os 20 milhões de votos nas eleições de outubro foram mesmo para Marina, foram para o Partido Verde ou para uma terceira via política sem personificações?”
A ex-senadora Marina Silva está passando por dias nublados. Na capital federal, onde o céu está cada vez mais azul pela chegada da seca, Marina se mostrou distante da empolgação trazida por um dia brilhante de sol.

Também pudera. Dos 611,3 mil eleitores do Distrito Federal que votaram na ex-candidata do PV à Presidência da República em outubro passado, pouco mais de 60 pessoas compareceram para ouvi-la na noite de ontem (25) num centro cultural em Brasília. Alguns desses vieram de cidades e municípios vizinhos.

Ao contrário do que ocorria no ano passado, quando somente a presença de Marina fazia balançar o coreto e arrastar multidões, a ex-senadora não conseguiu ontem empolgar de fato o auditório, com menos da metade de sua capacidade ocupada, em sua maioria preenchida por aliados.

Na capital federal, que concentra os três Poderes da República, nenhum dos “grandes” nomes do PV esteve presente para ouvir o Movimento de Transição Democrática do partido. Nem mesmo o presidente da executiva regional, o atual secretário de Meio Ambiente do DF, Eduardo Brandão, compareceu. Eduardo alegou “compromissos outros” para justificar a ausência.

A ex-candidata do PV veio a Brasília defender a redemocratização do partido. Tarefa que passa pela espinhosa missão de destituir da presidência do PV o atual comandante, o deputado paulista José Luiz Penna, e esbarra num conflito de concepções políticas dentro da própria legenda.

A proposta de seu grupo minoritário, segundo Marina, é “reestruturar o PV para que ele seja um veículo de expressão da sociedade”, como um partido “em rede, capaz de dialogar com os núcleos vivos da sociedade para realizar as transformações de uma forma radicalmente democrática”, sem centralizar decisões.

“O PV fala de ganhar o mundo, mas não consegue ganhar a si mesmo. Queremos que o PV seja de fato um partido, e não uma sigla”, disse Marina.

A ex-senadora do Acre foi a candidata mais votada no Distrito Federal no primeiro turno das eleições presidenciais em 2010. A votação expressiva obtida pela candidata do PV foi um dos fatores determinantes para a realização do segundo turno na disputa à Presidência da República.

Mas na noite de ontem o fenômeno Marina parecia estar com uma áurea mais opaca, colocando em xeque uma perspectiva: os 20 milhões de votos nas eleições de outubro foram mesmo para Marina, foram para o Partido Verde ou para uma terceira via política sem personificações?

Essa pergunta parece banal neste momento, afinal, eleições presidenciais só daqui quatro anos, e a de outubro já passou. Mas pensar a política partidária fora do período eleitoral se faz necessário e deveria se tornar uma prática constante.

Marina, figura reconhecida internacionalmente pela defesa ambiental, ao longo dos meses eleitorais, se mostrou, em vários momentos, maior do que o partido. Uma inversão desses valores, no entanto, pode agora estar despontando: sem o arcabouço estrutural do PV, a estrela da candidata verde pode estar se apagando?

Se os votos não foram personificados na figura de Marina, podem ter sido para o PV. Mas se o PV não se reestruturar profundamente e não fugir da práxis dos partidos que se pautam na lógica do poder pelo poder, esses votos mesmo tendo sido do partido, não voltarão para ele em eleições que estão por vir.

E se os votos não foram para Marina, nem para o PV, podem ter sido para uma terceira via, na personificação da esperança de uma renovação política. Daí, novamente se não houver uma mudança estrutural profunda no PV – mudança essa em que, de fato, o partido e seus membros sejam coerentes com a bandeira da sustentabilidade, que é uma causa crescente –, o papel da terceira via numa próxima eleição presidencial poderá ser exercido por qualquer outro candidato ou partido, ficando o feito do PV nas eleições de outubro passado apenas como uma referência na história.

Bem, a vantagem do português em relação a outras línguas, como o inglês, por exemplo, é que os verbos ser e estar são palavras diferenciadas e usadas com significados distintos (no inglês, to be significa ambos os verbos). Para Marina, fica o alento de que “estar passando por dias nublados” não significa necessariamente que os dias são nublados.

O processo de transformação e rachas internos do Partido Verde pode significar dias melhores. Os dias nublados pelos quais passa a ex-senadora Marina Silva podem significar apenas um momento, um período de transição.

Tudo vai depender das reais razões pelas quais as pessoas imbuídas de poder decisório dentro do PV são movidas. Se, na essência, a prática for seguir a velha cartilha da política, com o esquema de cargo em troca de apoio, tudo vai acabar na mesma. E, na história, o PV, que nasceu com uma concepção diferenciada, será registrado apenas como mais um partido.

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Já que Kassab não faz a parte dele, a periferia resolveu fazer

abril 27th, 2011 by mariafro
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Esta situação de abandono e total ausência do poder público pode se ver em todas as periferias de São Paulo. Nesta aqui ao menos o povo foi criativo.


A foto é do @pedalante

Sobre a foto o @pedalante conta:

Os moradores habitam vielas nas proximidades, fizeram a lixeira pois o caminhão de lixo nem por ali na rua passava, reclamaram, fiscalização ameaçou multar, por falta de lixeiras. e não passa, pois não tem lixeira para recolher o lixo. Se não tem lixeira, multa por reclamar da coleta de lixo…e assim vai.

Como deixavam os sacos do lixo no poste em frente da saída da viela, fizeram o cercadinho, como se fosse uma lixeira. E escreveram os cartazes irônicos, mas orientando os moradores a depositar o lixo apenas nos dias da semana onde o caminhão do lixo passa na avenida principal:  2ª, 4ª e 6ª  feiras.

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Pepe Escobar: O xadrez sírio

abril 27th, 2011 by mariafro
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O Xadrez Sírio

Por: Pepe Escobar, no Asia Times Online, Tradução: Vila Vudu

28/04/2011

No Oriente Médio, não há ironia sem megadose de arsênico. O governo de Bashar al-Assad na Síria põe fim ao estado de emergência vigente há 48 anos, exatamente no momento em que a Síria vive real estado de emergência. No mesmo dia, um jornal do regime, Tishrin, declara que “a mais sublime forma de liberdade é a segurança da pátria.”

Pela “segurança da pátria”, o regime de Assad – oligarquia familiar-empresarial-militar – invadiu de facto a cidade de Daraa com colunas de tanques. Assad havia feito algumas concessões para acalmar os protestos sírios. Não funcionaram. Então, o regime resolveu copiar o sucesso da Casa de Saud ao implantar ‘democracia’ no Bahrain.

Na dúvida, faça como faz o Pentágono: o ataque a Daraa é a versão síria da operação “choque e pavor”. O problema é que o regime pode ter criado as condições para longa e sangrenta guerra civil à moda do Iraque. E, por causa disso, todos os grandes atores – regionais e em todo o ocidente – correm em busca de onde se esconder.

O que se vê não é o que é

A questão crucial na Síria – e nem as pedras veneráveis da mesquita Umayyad em Damasco conhecem resposta definitiva – é o que se abriga nos corações e mentes de milhões de sírios.

A oposição síria não é organizada ou coesa. Em muitos aspectos – como no Egito –, a revolução síria talvez seja revolução dos pobres. O governo de Assad aboliu subsídios para os combustíveis e deixou os preços flutuar ao sabor do mercado; o preço do diesel triplicou; o preço de itens básicos também subiu muito; houve longa estiagem; e a explosão dos preços globais dos alimentos veio e arrematou a miséria dos sírios mais pobres.

Os legítimos padecimentos dos sírios incluem muita ira contra estado policial intoleravelmente violento; as décadas de ditadura do partido Ba’ath; os excessos de uma microscópica elite comercial, em contraste com o alto desemprego entre os jovens – e tudo isso num contexto em que as classes médias e os pobres têm de lutar pela vida, com salários baixos e inflação alta.

Se houver alguma revolução popular na Síria, os novos principais atores políticos serão os camponeses pobres – em agudo contraste com a pequena elite comercial sunita e o estado policial controlado pelos alawitas.

Isso implica que a primeira tarefa da oposição seja por enquanto seduzir as classes média e alta nas grandes cidades, sobretudo em Damasco e Aleppo. Mas mesmo que os protestos na Síria não alcancem proporções de praça Tahrir egípcia, podem fazer o regime sangrar lentamente até a morte, paralisando a economia.

O ímpeto revolucionário na Síria parece ser muito mais hardcore que o do movimento “Verde” no Irã. Os manifestantes sírios não querem reformas no regime – o que absolutamente não admitem; querem o fim do governo do partido Ba’ath, único meio para conseguir derrubar o estado de segurança controlado pelos alawitas, com seu componente chave de negócios-corrupção.

Alguns manifestantes são pacifistas. Alguns já começam a usar armas leves improvisadas. Na luta contra repressão estatal armada, só parece haver uma saída: a ação direta, chamada “luta armada”.

O regime já interceptou vários caminhões carregados de armas contrabandeadas do Iraque. Ricos sunitas do Golfo já ofereceram e garantem apoio financeiro. E, aspecto crucialmente importante, as armas aparecerão no confronto também por motivos associados à Fraternidade Muçulmana, porque governos regionais como Turquia e Líbano não querem o fim do governo de Assad. Entendem que privilegiar a Fraternidade Muçulmana, e inclusive outros grupos jihadistas, é receita para o caos.

Quanto a alguma R2P (“responsabilidade de proteger”) que levasse a ONU a criar zona aérea de exclusão sobre a Síria, esqueçam. Diferente da Líbia, a Síria não tem petróleo nem fundo soberano milionário cobiçados.

E entram os sauditas

A dinastia sunita al-Khalifa que governa o Bahrain de população majoritariamente xiita diagnosticou como conspiração iraniana as manifestações populares na ilha do Golfo. O regime Assad culpou também uma conspiração externa (e “bem conhecida”) – mas recusou-se a nomear os conspiradores. Não interessa a Bashar al-Assad antagonizar a Arábia Saudita, mas ninguém duvida de que a Casa de Saud esteja profundamente envolvida na desestabilização da Síria, pelo apoio que dá às redes salafistas.

Daraa está a 120 quilômetros ao sul de Damasco, próxima da fronteira com a Jordânia, em área muito sensível de segurança. É região árida e pobre. Não por acaso, o capítulo jordaniano da Fraternidade Muçulmana nasceu em Daraa.

Os sauditas wahhabistas, que têm muita influência sobre a Fraternidade Muçulmana síria, tiveram ativa participação na incitação do povo de Daraa e de Homs. O sofrimento dos pobres explica muita coisa – a seca prolongada, Damasco esqueceu a região. Mas esses sofrimentos reais foram significativamente instrumentalizados.

Há anos, a Casa de Saud pagou 30 milhões de dólares para “conquistar” o vice-presidente sírio Abdul Halim Khaddam. A conquista foi facilitada, porque Khaddam é parente do rei Abdullah da Arábia Saudita e do ex-primeiro ministro do Líbano Rafik Hariri. Khaddam partiu para a França, exilado, em 2005. Já há muito tempo a Arábia Saudita usa Khaddam e outros líderes exilados da Fraternidade Muçulmana contra o governo de Assad. Khaddam tem passaporte saudita. Seus filhos, Jamal e Jihad, têm mais de 3 bilhões de dólares investidos na Arábia Saudita.

A agenda da Casa de Saud, na essência, é detonar a aliança Teerã-Damasco-Hezbollah –, para assim minar a resistência do Hezbollah contra EUA/Israel. Portanto, o que se tem na Síria é EUA, Israel, Jordânia e Arábia Saudita, mais uma vez operando a favor de uma mesma agenda comum. As apostas, aí, são extraordinariamente altas. O que se vê não é o que é.

Quer dizer, além de todos esses interesses estrangeiros, há, sim, movimento de legítimo protesto popular na Síria. O Partido Ação Comunista, por exemplo – que há décadas faz oposição ao regime –, continua na oposição. Mas o componente de esquerda que há na oposição, de fato, ainda não sabe se os salafistas são maioria ou minoria. A agenda ultrassectária de muitos manifestantes não é bom sinal.

E a estrada à frente pode ser muito acidentada: a corrente secular, progressista que há na oposição – digamos que, por hora, seja minoria – pode bem estar apanhada numa arapuca, em cenário como o do Irã 1979-1981; como pode acontecer, também, de ser esmagada pelos fundamentalistas, se o regime cair.

É fácil entender que os progressistas vacilem, quando se veem aliados à medieval Casa de Saud – que comandou a contrarrevolução contra a grande revolta árabe de 2011 –, no movimento para derrubar o regime de Assad. Os progressistas também têm boas razões para tremer, se se veem aliados a Israel –, quando Israel dá a impressão de desejar que Assad permaneça no poder, se a alternativa for a Fraternidade Muçulmana.

Nesse sentido, a aliança Sauditas-Israel existe no que tenha a ver com a contrarrevolução nos casos do Bahrain e da Líbia, mas não existe no que tenha a ver com a Síria.

No Líbano, a TV Al-Manar, do Hezbollah, têm repetido que os protestos na Síria são parte de uma “revolução dos EUA”. É possível que sejam, em parte – porque Washington, há décadas, investe em grupos de oposição em vários pontos do Oriente Médio. Mas, no pé em que estão as coisas hoje, parece mais operação da Casa de Saud, misturada à ira popular genuína contra décadas de governo policial do partido Ba’ath.

Por sua vez, o rei Abdullah da Jordânia tenta desqualificar o argumento de Assad (“ou eu ou a Fraternidade Muçulmana”) e, como era de esperar, tem dito que se trata de conter o Irã. Abdullah está convocando árabes e ocidentais para que apostem suas fichas numa coalizão de tribos curdas, druzas e sunitas e na classe média urbana sunita (aliada dos sauditas), para formar o governo da Síria pós-Assad.

Perde o Egito, ganha a Síria

Jornal sírio publica hoje notícia interessante. O que o regime define como “conspiração contra a Síria” seria plano dos EUA para compensar a ‘perda’ do Egito; por isso os EUA “ignoram os apelos por reformas” na Arábia Saudita e no Bahrain, onde deixam, “em silêncio”, que a repressão prossiga.

O plano visaria a criar total caos na Síria; empurrá-la para o campo de influência dos sauditas; reduzir a influência do Irã no conflito árabes-israelenses; e torpedear a entente Turquia-Síria.

Faz perfeito sentido. O eixo Teerã-Damasco-Hezbollah é o único contrapeso em todo o Oriente Médio contra a hegemonia EUA-Israel. Damasco frágil fragiliza simultaneamente Teerã e o Hezbollah. Não por acaso, no Líbano, o ex-primeiro-ministro Saad Hariri – sunita, basicamente lacaio da Casa de Saud – não se cansa de repetir essa retórica sectária.

Os sunitas sírios, tanto quanto os wahhabistas sauditas, ambos, são inimigos da seita alawita – ramo do xiismo – que controla grande parte da riqueza do país, apesar de só representar 12% da população. Não surpreende que a Casa de Saud e a Fraternidade Muçulmana – furiosamente antixiitas – tentem, há décadas, livrar-se do regime sírio dos alawitas.

A aliança Turquia-Síria – que progrediu, ao ritmo em que regrediu a entente Turquia-Israel – também está em perigo. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e o ministro de Relações Exteriores Ahmet Davutoglu da Turquia andam ocupadíssimos reunindo Turquia, Síria, Líbano e Jordânia como bloco econômico, alimentado com muitos investimentos turcos e muita alta-tecnologia turca. Ninguém sabe o que acontecerá, se houver mudança de regime em Damasco.

A Síria é importante em todos os fronts – do Irã ao Iraque, da Turquia ao Líbano, da Palestina a Israel. Mas o que a intervenção da Casa de Saud está fazendo na Síria é, sobretudo, terrivelmente destrutivo: disseminando por todo o Oriente Médio uma epidemia sanguinária de sectarismo (começou no Bahrain).

Washington adorará que a Síria seja desestabilizada, se isso levar à restauração da hegemonia regional de EUA-Israel, muito seriamente ameaçada desde a emergência de um novo Egito. Mas esqueçam para sempre qualquer ocidente que implantaria alguma “democracia” na Síria. Se a história não nos pregar alguma grande peça – como Bashar al-Assad assinar, semana que vem, tratado de paz com Israel –, EUA, França e Grã-Bretanha não moverão uma palha para proteger civis sírios e não se incomodarão se o regime (com Assad ou sem) chocar e apavorar e matar todos os sírios e reduzir a ruínas toda a Síria.

Cabe hoje aos sírios progressistas acertar o passo, unificar o discurso e provar que Bashar al-Assad errou. Porque, se não for com ele, será com algum mestre salafista horrivelmente retrógrado e apoiado pela Casa de Saud.

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Natalia Vianna: Para Julian Assange, Guantánamo é “monstruosidade”

abril 27th, 2011 by mariafro
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Para Julian Assange, Guantánamo é “monstruosidade”
Por: Por Natalia Viana
Apublica.org

“Os Arquivos de Guantánamo, que o WikiLeaks começou a publicar, jogam luz sobre essa monstruosidade da era Bush que a administração Obama decidiu continuar”, afirmou Julian Assange com exclusividade para a Pública nesta segunda-feira.

A declaração de Assange resume a importância do vazamento mais recente da organização, que começou a ser publicado ontem à noite. São milhares de fichas de prisioneiros ou ex-prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e outros documentos relacionados, emitidos pela JFT-GTM (Força-Tarefa de Guantánamo) e enviados na forma de memorandos ao US Southern Command (Comando Sul dos Estados Unidos).

As fichas relatam o estado de saúde dos atuais presos, refazem a teia investigativa que os levou à prisão que, vistos com atenção, revelam que boa parte dos acusados foram incriminados com base em depoimentos de outros presos obtidos sob tortura dentro e for a de Guantánamo – nas prisões secretas da CIA – e o mercado de recompensas promovido pelos Estados Unidos que levou à detenção de homens e meninos inocentes por acusações formuladas por aliados interessados em prêmios em dinheiro.

Também revelam como são feitos os “pareceres”, que recomendam a permanência ou não dos presos em Guantánamo, não apenas pela força-tarefa mas também pelos responsáveis pela investigação criminal e psicólogos encarregados de avaliar a maneira que devem ser utilizadas as informações obtidas em outros interrogatórios.

“A publicação dessas informações é importante para o público, para os prisioneiros e ex-prisioneiros, e para os juízes que se ocupam desses casos. Muitos estão presos há anos sem acusação formal e com base em testemunhos falsos”, disse Assange.

“Esta na hora de reacender o discurso Publico sobre a prisao de Guantanamo, na esperanca que finalmente se possa fazer alguma coisa para trazer justica para esse estabelecimento”, afirmou o fundador do WikiLeaks, que qualificou Guantánamo de “estabelecimento de ‘lavagem’ de pessoas”.

A comparação com a lavagem de dinheiro, em que bancos internacionais “escondem” recursos suspeitos, é empregada por Assange pelo fato de Guantánamo esconder da sociedade a verdadeira história dessas prisões para justificar a política criminosa do governo e os recursos ilícitos empregados para prendê-los.

Publicação

Na conversa com a Pública, Assange fez questão de destacar que os veículos parceiros nesse lançamento são o Washington Post, dos EUA, o El Pais, da Espanha, o Telegraph, do Reino Unido, a revista Der Spiegel , da Alemanha, o francês Le Monde, da Franca, oAftonbladet, da Suecia e o italiano La Repubblica. “

Isso por que, apesar de não estarem entre os parceiros oficiais, os jornais New York Times, dos Estados Unidos, e Guardian, do Reino Unido, publicaram ontem reportagens baseadas nos mesmos documentos secretos, entregues por uma outra fonte, que preferiu permanecer anônima. Segundo a Pública apurou, por causa disso, o vazamento foi adiantado porque os dois jornais pretendiam “furar” o WikiLeaks.

É o capítulo mais recente da novela que envolve o WikiLeaks e esses dois jornais.

No início do ano passado, o Guardian contratou uma jornalista inglesa que obteve os documentos relativos às embaixadas americanas de um colaborador do WikiLeaks. Naquele momento, o jornal desistiu de publicá-los antes da organização, porque Assange ameaçou processá-lo com base em um contrato assinado pelas duas partes. Depois disso, Julian rompeu com o Guardian, que publicou um livro sobre o Wikileaks considerado tendencioso desfavorável pelo fundador da organização. Assange também se irritou com a publicação do processo contra ele movido na Suécia, que traz detalhes sobre as relações que manteve com as mulheres que o acusam de delitos sexuais. “Transparência é para governos e não para pessoas”, disse ele na época.

Também com o New York Times, as relações tem sido conturbadas. Em janeiro, o editor Bill Keller escreveu um artigo em que chamava Julian de “arrogante, cabeça-dura, conspiracional e estranhamento crédulo”, alem de dizer que ele “cheirava mal”. Não foi o primeiro problema:  depois da publicação dos documentos das embaixadas americanas, Keller passou a chamar Assange e o WikiLeaks de “fonte” em vez de uma organizacao jornalística. A  diferenciação tem consequências legais, pois os jornalistas são protegidos pela quarta emenda constitucional americana.

No início de abril, durante um congresso de jornalismo na Universidade de Berkeley, na California, Keller e Assange – este por skype já que está sob prisão domiciliar, participaram de um debate em que o fundador do WikiLeaks acusou o jornal de trabalhar a favor do governo americano. “O papel da imprensa é obrigar as organizações poderosas a prestar contas, e não encobrir seus erros”, disse.
Keller continuou chamando o WikiLeaks de “fonte” durante todo o debate. Mas brincou:  “A grande vinganca de Julian e que eu terei que passar anos da minha vida participando de debates sobre o WikiLeaks”.

Materia publicada pela agência Pública livre reprodução desde que citada a fonte (cc).  A Pública é a primeira agência de jornalismo investigativa do Brasil, dedicada a reportagens de interesse público. Todos os textos publicados no site são de livre reprodução, desde que citada a fonte.

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