Maria Frô - ativismo é por aqui

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POA: Fórum da Igualdade começa amanhã, já se inscreveu?

abril 10th, 2011 by mariafro
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Além disso há várias outras atividades acontecendo que fazem parte do Fórum como este debate que a Cris P. Rodrigues conta no Somos Andando

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Entre o Brasil de Bolsonaro e o Brasil do Volei Futuro: de que lado você quer estar?

abril 9th, 2011 by mariafro
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Três imagens para você pensar um pouco:

Em Jaru, na madrugada de sexta-feira ‘grupo de seis rapazes sai da lanchonete, todos armados com pedaços de balaústra e cercam a vítima Alessandro Oliveira da Silva de 20 anos. Neste momento Alessandro arranca uma placa de sinalização das margens da perimetral e tenta se defender dos golpes dos agressores, mas após ser atingido por diversas pauladas, sai correndo sendo perseguido pelo bando que o alcança e o derruba ao chão. Uma mulher que provavelmente faz parte do grupo o tempo todo incentiva os agressores. No vídeo é possível escutar o som das pauladas que a vítima recebe, todas são direcionadas em sua cabeça. Alessandro grita e pede para que eles parem de lhe bater, mas em vão. Os agressores só param com a chegada do irmão de Alessandro, que heroicamente enfrenta o grupo e os espanta do local.” Fonte: Jaru Online

Embora a matéria não diga, Alessandro é gay.

Hoje na Paulista, manifestantes neonazistas a favor do deputado federal do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que recebeu uma série de representações na Câmara (veja aqui e aqui) por suas declarações racistas e homofóbicas no programa CQC:


Policiais mostram estrelas ninjas apreendidas entre os manifestantes pró-Bolsonaro. “pedaços de madeira, metal e “estrelas ninja” foram apreendidos pelas autoridades, que policiaram a área e formaram um cinturão para evitar o confronto com um grupo de ativistas gays, que compareceram para denunciar a homofobia. (…) De acordo com policiais que estavam no local após a dispersão da manifestação, oito pessoas foram identificadas por envolvimento em atividades sob investigação, que incluem a participação violenta em outros protestos de caráter racista ou homofóbico, inclusive no manuseio de artefatos explosivos. Um deles foi identificado como “Johnny”. Fonte: O Globo.

Na semana passada o jogar Michael foi chamado de gay, viado e bicha pela torcida do Cruzeiro. Após o episódio, ele assumiu ser homossexual. Na última segunda-feira, o Vôlei Futuro divulgou uma nota oficial com inúmeras acusações à recepção dada pelo Sada/Cruzeiro. Em Araçatuba, o caso repercutiu e Michael recebeu o apoio da torcida do Vôlei Futuro. A torcida gritou pelo nome de Michael e estendeu faixas com arco-íris, símbolo do movimento gay. Em quadra, o colega de equipe Mário Júnior usou camisa colorida com os dizeres Vôlei Futuro contra o preconceito. Fonte: Esporte IG

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Sobre tragédias e capas

abril 8th, 2011 by mariafro
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Não existe bom gosto na tragédia. Na mídia então… Mas de algum modo, alguns editores, buscam minorar o horror, ao menos nas manchetes:

Ou na composição de toda a capa:

Enquanto outros tratam a tragédia com o mau gosto de uma piada infame:

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Santayana: De qual fundamentalismo se trata?

abril 8th, 2011 by mariafro
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O terrorismo de Columbine

Por:  Mauro Santayana, JB, via Conversa Afiada

08/04/2011

 

É difícil separar a emoção da razão, quando escrevemos sobre tragédias como a de ontem. A morte de crianças nos toca fundo:  pensamos em nossos próprios filhos, em nossos próprios netos.  Por mais que deles cuidemos, são indefesos em um mundo a cada dia mais inóspito.

Crianças e professores são agredidos pelos próprios colegas nas escolas. Traficantes de drogas e aliciadores esperam às suas portas a fim de perverter os adolescentes.  Em 1955, baseado em livro de Evan Hunter, Richard Brooks dirigiu um filme forte sobre a brutalidade nas escolas norte-americanas, Blackboard Jungle,  exibido no Brasil com o título de Sementes da Violência.

É difícil entender como um rapaz de 24 anos se arma e volta à escola onde estudara, a fim de atirar contra adolescentes. No calor dos fatos, com a irresponsabilidade comum a alguns meios de comunicação, associaram o crime ao bode expiatório de nosso tempo, o “terrorismo muçulmano”. No interesse dessa ilação, chegaram  a anunciar que isso estava explícito na carta que ele deixou. Ela, no entanto,  revela loucura associada não ao islamismo, mas, sim, às seitas pentecostais, de origem norte-americana, com sua visão obscurantista da fé. São seitas que alimentaram atos de loucura como o de Jim Jones, ao levar 900 de seus seguidores, a Peoples Temple, ao suicídio, na Guiana, em 18 de novembro de 1978. É o que hoje fazem pastores da Flórida, ao queimar um exemplar do livro sagrado dos muçulmanos – e provocar a reação irada de fiéis no Iraque e no Afeganistão. Segundo revelou sua irmã, a mãe adotiva de Wellington, cuja morte o transtornou, pertencia à seita das Testemunhas de Jeová, preocupada com a pureza do corpo, que o assassino menciona em sua carta. A referência à volta de Jesus e ao dogma da Ressurreição dos justos, não deixa  dúvida. Ele nada tinha a ver com o Islã, apesar de suas recomendações lembrarem ritos mortuários comuns às religiões monoteistas.

A carta revela um jovem perturbado pela idéia de pureza. Aos 24 anos, o assassino diz que seu corpo “virgem” não pode ser tocado pelos impuros. Ao mesmo tempo, presumindo-se herdeiro da casa que ocupava em Sepetiba, deixa-a, em legado, para instituições que cuidem de animais abandonados. Os cães, que são a maioria dos bichos de rua no Brasil, são, para os muçulmanos, animais amaldiçoados.

É preciso rechaçar, de imediato, qualquer insinuação de fundamentalismo islamita ao ato de insanidade do rapaz. O pior é que homens públicos eminentes endossaram essa insensatez. O terrorismo de Wellington é o dos atos, já rotineiros, de assassinatos em massa nas escolas norte-americanas, a partir do episódio de Columbine em 20 de abril de 1999. Desde que os meios de comunicação e do entretenimento transformaram o homem nesse ser unidimensional, conforme Marcuse, o modelo  de vida, que o cinema, as histórias em quadrinhos, a televisão e, agora, a internet, nos  trazem, é o da pujante, bem armada e soberba civilização norte-americana. Ela nos prometia a realização do sonho da prosperidade, da saúde, da segurança, do conforto e da alegria, da virilidade e da beleza. Mas essa civilização é apenas pesadelo, contrato faustiano com o diabo, sócio emboscado da morte. O diabo começou a cobrar seu preço, ao levar essa civilização à loucura, no Vietnã; nas muitas intervenções armadas em terra alheia; em Oklahoma, em Columbine, em Waco, e nos demais assassinatos coletivos dos últimos anos.

Limpemos as nossas lágrimas, e reflitamos se vale a pena insistir nessa forma de vida. Se vale a pena continuar sepultando crianças, e com elas, os sentimentos de solidariedade, de humanismo, de civilidade e de justiça. As crianças que morreram ontem, ao proteger as mais fracas com seus corpos,  nos disseram  o que temos a fazer, para que a vida volte a ter sentido.

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