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Greve dos professores municipais de São Paulo: versões e percepções

maio 23rd, 2013 by mariafro
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A greve é um direito de todo trabalhador,  mas a greve em setores públicos geralmente vitimiza aqueles que mais dependem dos serviços públicos: os que mais precisam ficam sem acesso à saúde,  à educação quando servidores de hospitais e escolas resolvem exercer o seu direito de protestar. Sem envolver a população nesta luta, os grevistas só conseguem mais antipatia da população.

Particularmente acho que deflagrar uma greve após 4 meses do início do mandato de um prefeito que vem mostrando disposição gigantesca para o diálogo desde que assumiu a prefeitura de São Paulo não é uma estratégia que me pareça ser bem sucedida e que consegui  apoio da população.

É estranho também um prefeito que já sentou pra falar com ambulantes, sem terra, juventude, movimentos culturais etc esteja sendo intransigente com os professores. Algo está errado aí.

E a greve tem sujeitos respeitáveis em lados opostos: o professor Rodrigo Ciriaco, historiador, um dos idealizadores do projeto Mesquiteiros, fez o vídeo abaixo, organiza twitaços e usa seu facebook para uma campanha dura contra Haddad e em defesa da manutenção da greve, segundo ele #naoexisteeducacaoemSP

Do outro professores e coordenadores petitas como @mimfoi e professor Matias Vieira que argumentam que a greve é partidária e só tem como objetivo desestabilizar o governo de Haddad. Segundo @mimfoi, um movimento liderado por um presidente de sindicato do PPS, e uma “oposição ensandecida” do PSTU e do PSOL.

Por: Matias Vieira

Companheiros e companheiras, educadores e educadoras da cidade de São Paulo.

Estou no Sinpeem deste 1992, acompanhei todas as lutas sindicais por melhorias salariais, condições de trabalho e avanços na qualidade social da educação.

Nesta greve da rede municipal, assumi a defesa do governo por achar INOPORTUNO o momento da greve e também por acreditar que tenho uma opção política e militância partidária e não oportunista.

Fui vaiado duas vezes por defender o encerramento da greve e agora vejo que tinha minhas razões partidárias e de reversão do quadro educacional sofrido que ficou a educação após 8 anos de Serra/Kassab e os 20 anos de sustentação do PSDB no governo do estado, e, para muitos, todos sabemos o que significa para São Paulo e para o Brasil.

Nestes 8 anos em que esta dupla governou, avançou em toda a rede a terceirização da vigilância, da limpeza e cozinha. Criou-se escolas polos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), fechamento de várias salas de aulas, o programa de prevenção da violência nas escolas abandonado, os GCM foram cuidar dos ambulantes, a Saúde do professor só piorou e o ensino também.

Não vi nestes 8 anos nenhuma Marcha Cívica sendo convocada pelo sindicato, nas reuniões de RE tinha que defender minhas idéias em um minuto, em nenhum destes governos foi concedido reposição de inflação nos 4 primeiros meses de governo e nenhuma luta foi tão defendida, inclusive com setores que nunca fizeram greve (Aprofem, apoio de supervisores e pessoas que nunca se manifestaram nas greves).

Hoje, o Comando de greve, composto pelo PSTU, PSOL e a Diretoria do Sindicato se alinharam e querem derrotar 4 meses de governo. Um governo que enfrentou a truculência da PM na ocupação no Jardim Alto Alegre, evitando o 2° Pinheirinho e assumiu construir 20.000 moradias no centro de São Paulo.

Um governo que trata o funcionalismo público, nível básico e médio, com recuperação salarial entre 80% e 42%, saindo do salário de R$ 447,00.

Um governo que apresenta uma pauta de negociação de melhorias das condições de trabalho na mesa de negociação.

Um governo que cumpre um mau acordo feito e aprovado pela Diretoria do Sindicato, ajustando milhares de professores na mesma faixa salarial (piso) por 4 anos, até 2014.

Depois disso tudo, ter encerrado uma greve em andamento da categoria no governo Kassab, ter um presidente de Sindicato que foi vereador da base do governo e continuou na presidência do sindicato todo esse tempo, conduzindo a categoria.

Estou assumindo publicamente, ser contra a greve e vou defender as negociações com o governo Haddad.
Muito obrigado a todos e todas, amigos/as.

Toda greve é política, mas não necessariamente partidária. Esta me parece mais partidária que outras, porque o PPS não é um partido com história de luta nas bases, era e é aliado dos adversários políticos do PT. Mas o PT é governo e sabe que não tem o monopólio das lutas. E é exatamente por isso que não consigo entender onde está o ruído de comunicação que impede que o prefeito ouça efetivamente e fale à categoria.

Carimbar Haddad como um político intransigente pode ter algum efeito no discurso do embate da categoria em greve e nos rituais da luta, mas não tem pé na realidade. Haddad vem mostrando uma inteligência política muito acima da média. O que emperra esta negociação?

Espero que os professores participem ativamente do movimento e avaliem a condução que suas lideranças (reais e burocráticas) estão dando à greve para que possam escolher qual é o melhor caminho: se tem força política pra pressionar o governo e ampliar conquistas ou se estão mais uma vez contribuindo com um líder sindical que era vereador da base do prefeito Kassab e ano passado encerrou a greve de modo arbitrário passando por cima dos professores.

Espero que a militância petista que orgulhosamente defende uma administração que vem se mostrando aberta ao diálogo, progressista e que está empenhada em ampliar a cidadania aos moradores desta cidade mantenha o debate político em alto nível e reconheça o direito do PSOL e PSTU divergirem, afinal há militantes petistas em greve, assim não me parece um bom caminho reduzir o movimento a uma luta exclusivamente partidária, desqualificando as lideranças do PSOL e PSTU.

Do mesmo modo, as lideranças do PSOL e PSTU ao igualarem Haddad a Kassab e Serra despolitizam e infantilizam o movimento e não me parece que este seja o caminho mais produtivo para mostrar à sociedade a importância da greve dos professores.

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Maria Leite: Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não são médicos formados na ELAM

maio 22nd, 2013 by mariafro
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Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não são médicos formados na ELAM

Por Maria Leite*

Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não eram médicos da ELAM.

Os médicos da ELAM não são cubanos. São médicos formados em Cuba, de diversos países, com todos os gastos por conta do estado cubano, de quem recebem moradia, livros, estudo e a ajuda para gastos em dinheiro (bolsa).

Os médicos brasileiros, formados na ELAM, para exercer a medicina no Brasil, tem e terão de fazer exame de revalidação e não se incluem nesses 6000, que viriam ao Brasil, através de um convênio, não trabalhar por conta própria, mas dentro do que estabelecer o contrato.

Em Cuba, existe desde o ano 2000 o conceito de microuniversidade e todos os profissionais, não apenas médicos se formam em serviço. Ou seja, a partir do segundo ano o aluno já trabalha na sua futura profissão, sob orientação de um tutor.

Terceira Revolução Educacional em Cuba é parte de um processo de transformação que envolve vários subsistemas, dentre eles a Formação e o Aperfeiçoamento do Pessoal Pedagógico e a Formação de Médicos, que tem sua base nas experiências de formação emergente que existe em Cuba desde a campanha de Alfabetização dos anos 60. Cada centro é convertido em microuniversidade e as sedes universitárias congregam os professores das universidades e adjuntos. Uma microuniversidade é uma escola, mas também pode ser um hospital, uma fábrica ou uma oficina, porque o conceito de universalização não é exclusivo da formação do professor ou do médico, o que pressupõe colocar o universitário em contato com a realidade onde se desenvolve fisicamente a profissionalização.

Todos os médicos cubanos, formados nas escolas de medicina em Cuba, após se formarem, tem que trabalhar no serviço social, de 4 anos, que implica trabalhar como médico de família, generalista, em locais no campo, nas montanhas, …, de forma que não exista um cubano sem assistência de médicos. Alguns entre os formados vão fazer o serviço social em outros países como a Venezuela e depois ao acabar o serviço social voltam a Cuba para fazer uma especialidade médica, se quiserem, ou seguem como generalistas.”

“Descartamos buscar médicos cujo tempo de formação não é reconhecido nos próprios países. A mera formação universitária não garante o exercício da medicina. São necessários cursos de especialização e residência médica.” Como assim? Os alunos formados médicos no Brasil trabalham em hospitais na residência atendendo pacientes, mas ainda assim há uma grande parcela da população que nasce e morre sem ver um médico no Brasil!”. O que publicou o El Pais, não é confiável e quero crer que o governo de Dilma não cairia nesses equívocos.

Padilha, creio eu, não cedeu à chamada por muitos máfia de branco, ao corporativismo de mercenários, que com exceções, são os médicos no Brasil. Ele, na condição de escolhido por Dilma para esse cargo, veio mais uma vez confirmar que de um governo eleito por uma eleição burguesa, por um sistema eleitoral decidido pelo dinheiro, não irá nunca poder ou fazer nada que crie um grande confronto direto com os interesses da burguesia, de onde saem prioritariamente uma maioria de meninos criados com todinho e leite de pera para se tornarem os médicos, para quem vale uma coisa: send me money!

*Maria Leite (LEITE, Maria do Carmo Luiz Caldas) é professora de Física e autora do trabalho sobre a Educação em Cuba: LOS VALIENTES: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA ESCOLA SECUNDÁRIA BÁSICA EM CUBA

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Direito de Resposta ao post: “Denúncia: Motoboy agressor de mulheres é protegido por funcionários de empresa no Ipiranga”

maio 22nd, 2013 by mariafro
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O blog Maria Frô atendendo ao pedido do advogado da empresa Uniled abre espaço para Direito de Resposta  ao post: “Denúncia: Motoboy agressor de mulheres é protegido por funcionários de empresa no Ipiranga

Na qualidade de advogado da empresa Uniled, venho lhe informar acerca dos fatos relatados anonimamente em vosso blog (http://mariafro.com/2013/05/17/denuncia-motoboy-agressor-de-mulheres-e-protegido-por-funcionarios-de-empresa-no-ipiranga/ ) os quais ocorreram em 17/05/2013, pela manhã, na Rua Huet Bacelar, no bairro do Ipiranga:

Primeiramente informo que a empresa Uniled, representada por seus sócios, tal qual seus trabalhadores e trabalhadoras, se solidarizam com qualquer pessoa que tenha sido vítima de atos de violência urbana.
A empresa não fornece imagens de suas câmeras de segurança sem uma solicitação oficial e legal, de autoridade pública (policial ou judicial), tendo em vista o sigilo a que as imagens coletadas estão submetidas. Contudo se encontra a disposição das autoridades constituídas para colaborar com a elucidação dos fatos, através do fornecimento das imagens eventualmente coletadas por suas câmeras, se solicitadas na forma da Lei.
Conforme informações coletadas na empresa, na data e hora dos fatos relatados em vosso blog, não houve qualquer atendimento de motoboy na empresa, nem para retirar, nem para entregar qualquer documento ou volume, fato que pode ser comprovado pelas imagens coletadas.
As imagens coletadas são gravadas em servidor próprio, sendo que não fica qualquer pessoa assistindo as imagens, durante suas gravações, podendo as mesmas serem acessadas posteriormente; ou seja, no momento dos fatos não havia ninguém assistindo, nem pelas janelas da empresa, nem pelo vídeo, o que acontecia na rua em referência.
Posteriormente aos fatos, ao se pesquisar as imagens, elas demonstram um breve entrevero entre um motociclista e uma mulher, próximos à frente da empresa, que se localiza em uma casa com formato residencial, na rua dos fatos.
Informa-se que ambos (motociclista e mulher) são desconhecidos da empresa, sendo que não dá para se identificar a placa da motocicleta pelas imagens.
Uma mulher identificando-se como sendo a que participou do entrevero com o motociclista, até então fato este desconhecido pelas trabalhadoras da empresa, tocou a campainha da empresa, após duas horas dos fatos, exigindo que as trabalhadoras fornecessem a identificação do “motoboy” e a placa da moto, sendo que lhe foi informado que esse motociclista era desconhecido da empresa.
Apesar das trabalhadoras se solidarizarem com a mulher que tocou a campainha, esta estava (compreensivelmente) alterada e agressiva, proferindo impropérios e ofendendo as trabalhadoras da empresa, que tiveram que encerrar o diálogo, tendo em vista a extrema agressividade a que estavam expostas, bem como à falta de compreensão da mesma acerca da informação de que desconheciam o referido motociclista.
Qualquer pessoa que é vítima da violência urbana tem direito de registrar essa ocorrência na Delegacia de Polícia, para que as autoridades constituídas façam seu relevante serviço público de averiguar e adotar medidas cabíveis. Um Boletim de Ocorrência (BO), nada mais é do que um relato unilateral de uma eventual vítima, que comunica à autoridade policial, sua versão dos fatos, muito provavelmente ainda com toda a carga emocional decorrente da violência a qual foi vítima.
Contudo ao se fazer um BO, atribuir crime a quem não cometeu, difamar terceiros inadvertidamente, também pode ter consequências civis e criminais, tanto para quem calunia e/ou difama, quanto para quem divulga informações falsas, difamatórias e caluniosas, principalmente, sem checar a veracidade dos fatos e/ou, sem checar com a outra parte envolvida sua versão acerca do ocorrido.
Respeita-se o histórico dessa blogueira como educadora e historiadora em defesa da igualdade étnico racial, bem como suas posições ativistas e feministas, apenas lembrando que as trabalhadoras da empresa nada sabiam, quando questionadas pela Sra. não identificada. Isso não faz com que essas trabalhadoras ou a empresa mereçam ter recebido desse blog o título de “protetoras de motoboy agressor de mulheres”.
Um ativista quando expõe suas posições, compreende-se que seja de forma contundente, justamente para que se faça ouvir. Contudo ao exercer seu ativismo, independentemente da contundência com que se expõe suas idéias, tem que ter ética e consciência, principalmente para evitar, eventualmente ser ludibriado, porventura, por qualquer inverdade ou distorção da realidade, que seja. Como consideramos a Sra. uma pessoa ética, tenho certeza que vossa análise será isenta, bem como, compreenderá o que realmente ocorreu.
Certos de haver restabelecido a verdade, informamos que a empresa não deixará de envidar esforços em manter incólume sua reputação, bem como a reputação de suas trabalhadoras, as quais foram vítimas de injúrias (verbais), calúnia e difamação por parte dessa senhora não identificada e infelizmente tiveram sua reputação abalada pela vossa propagação na internet através desse blog.
Contamos com vossa compreensão em restabelecer a verdade, corrigindo-se a informação acerca da postura da empresa e suas trabalhadoras, ressaltando que nem a empresa, nem suas trabalhadoras, compactuaram com qualquer eventual criminoso que seja.

Atenciosamente,

Maurício Arthur Ghislain Léfèvre Neto
Advogado
OAB/SP 246.770
OAB/RJ 139.853
OAB/MG 106.666

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Ministro da Saúde nega fala atribuída a ele no Terra e El Pais

maio 22nd, 2013 by mariafro
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Ontem o Terra publica a seguinte matéria: Padilha descarta trazer médicos de Cuba e Irã para o Brasil e utiliza as seguintes aspas atribuindo a fala ao ministro Alexandre Padilha: 

“Descartamos buscar médicos cujo tempo de formação não é reconhecido no próprio país, como Cuba e Irã. A simples formação na universidade não garante o exercício da medicina, há a necessidade de cursos de especialização e residência médica. Tirando isso, não existe, por parte do Ministério da Saúde, nenhuma preferência, mas também nenhuma restrição. Desde que seja um médico formado, com qualidade, não temos preconceito ou restrição”, garantiu Padilha.

Padilha negou ontem pelo twitter as afirmações do Terra reverberadas em El Pais:

https://twitter.com/padilhando/status/336962446503845888

https://twitter.com/padilhando/status/336962790017335296

De acordo com sua assessoria a fala decupada do que disse o ministro é esta transcrita abaixo: 

(…) “descartamos buscar trazer médicos formados em universidades cujo tempo de formação não é reconhecida no próprio país, ou seja, não autoriza exercer medicina no próprio país. Um exemplo que acontece em Cuba, a ELAM, ela tem um período de formação de quatro anos para programas internacionais e, depois  o estudante tem que continuar fazendo internatos, estágios em Cuba pra poder depois atuar em Cuba, então, nós descartamos qualquer política de atração de profissionais médicos que sejam formados em universidades cuja formação não autoriza atuar no próprio país, isso também já foi descartado.” (grifos nossos)

A assessoria do Ministério da Saúde encaminhou a seguinte nota ao Terra e El Pais, solicitando retificação:

O Ministério da Saúde estuda as experiências de outros países para atração de médicos estrangeiros diante da dificuldade apresentada pelos prefeitos de contratar profissionais para trabalharem no interior e periferias de grandes cidades. Embora não exista definição sobre que modelo será adotado pelo Brasil, algumas possibilidades estão descartadas: a contratação de médicos de países cujo índice de profissionais é menor que o do Brasil; a validação automática de diplomas; além disso, só serão atraídos profissionais formados em instituições de ensino autorizadas e reconhecidas por seus países de origem. Dessa forma, exclui-se, por exemplo, médicos da Bolívia e do Paraguai, devido ao baixo índice de médicos por habitante, e da faculdade Escuela Latinoamericana de Medicina de Cuba (Elam), cujo tempo de formação não é reconhecido no próprio país.

Dúvida desta blogueira: pela nota nada está  definido, como é que várias outras matérias (inclusive algumas divulgadas pela conta @padilhando) afirmam que já está fechado acordo entre MS e  médicos espanhóis?

 

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