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Pai compra tênis à vista para os filhos, é tratado como ladrão e dá uma aula de resistência negra para a PM

setembro 1st, 2014 by mariafro
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 As cenas de racismo explícito que vemos nos vídeo nos indigna. Mas a reação do pai à abordagem dos policiais que praticam racismo institucional como das pessoas que assistiram-na, dá-nos algum alento.  Tanto as vítimas como as pessoas ao redor dão nome aos bois. Há um dado momento que um coro grita uníssono: preconceito! Preconceito! Preconceito!

Perguntas: Foi prestada queixa contra a abordagem racista praticada pelo Estado?

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a corregedoria da polícia fará algo em relação a isso?

A formação de uma nova polícia para substituir esses desqualificados vai se iniciar quando?

O vídeo foi postado por Fabiana Alves em seu Facebook. De acordo com ela, o fato aconteceu dia 29 de agosto no calçadão de São José dos Campos, São Paulo: “Um homem e dois garotos foram abordados por policiais que disseram que tinham recebido uma denúncia de roubo.” Para mentes racistas, os primeiros negros vistos só poderiam ser os ladrões e para mentes racistas a abordagem violenta dos mesmo se justifica.
Fabiana relata que indignado, o pai dos garotos mostrou  a nota fiscal dos tênis que havia comprado a vista. Cheio de revolta e desespero o pai informa aos policiais racistas que seus filhos são trabalhadores e estudam, um deles inclusive é bolsista do PROUNI.
De acordo com o relato de Fabiana, o pai disse aos policiais que estavam no direito de averiguar a denúncia, mas não de prejulgar. Como podemos ver no vídeo, a abordagem da PM foi padrão de seu cotidiano violento – primeiro humilha, julga, violenta, para depois descobrir que as vítimas do racismo institucional não eram os supostos ladrões.  

Os suspeitos são comumente tratados como criminosos, sempre prejulgados, a polícia militar faz age como se fosse polícia civil e Justiça. A abordagem completamente inadequada teve revista corporal, forçou as vítimas a colocar a cara na parede, acusou pai e filhos de ladrões, com policiais gritando no ouvido do pai que ele havia roubado.
O desfecho só não foi mais violento porque a multidão reagiu: pessoas começaram a filmar a abordagem dos policiais e se uniram às vítimas. Só assim os policiais recuaram.
Há um momento que todo pai que ama seus filhos agiria da mesma forma que este pai agiu. Ele protege seus filhos com o próprio corpo criando uma barreira entre os policiais e seus filhos. Ele enfrenta os policiais, dizendo com o corpo e com seu clamor indignado algo como: nos meus filhos vocês não vão tocar, não vão levar para a delegacia. Esse é um dos momentos que a multidão ao redor também toma partido das vítimas e enfrenta os policiais. Há uma moça que se aproxima dos policiais e grita: “Não vai levar! Durante todo este tempo podemos ver que o pai tem um papel na mão, possivelmente o cupom fiscal da compra e os policiais não checam o documento para averiguar que ele fala a verdade! 
Nas cenas podemos ver que a indignação das pessoas vai se ampliando, os policiais são chamados de ‘coxinhas’. A moça que enfrentou o policial, checa o papel na mão da vítima e grita, ele pagou!  Quando o pai consegue esticar o cupom fiscal e mostrar pra multidão ao redor, as pessoas aplaudem, gritam numa explosão de alegria e alívio, como se em uníssono dissessem, agora esses ‘coxinhas’ vão parar de violentar esta família. O pai, dá uma aula sobre racismo e esteriótipos contra os negros e diz:
“No Brasil somos 52% da população. Existe negro sem vergonha. Existem branco sem vergonha.” Alguém na multidão grita: Racismo! e o restante em coro: “Preconceito, preconceito, preconceito!”
O pai continua: “Chega de racismo neste país, chega de genocídio!” Chega, chega, chega, cansei!
Será que os policiais desqualificados, que explicitaram seu racismo na abordagem violenta, entenderam a lição dada pelas vítimas? O povo compreendeu perfeitamente. 
As falas cheia de revolta do pai, como diz Fabiana, é um desejo do pai de “mostrar que o RACISMO existe sim e é uma praga em nosso país.”
Tudo isso em quatro minutos de vídeo, onde já estava mais que comprovado que as vítimas não eram ladras e mesmo assim a polícia ainda os mantinha ali. A população passa a gritar: “Libera! Libera! Libera!”
O pai convoca: “Nós vamos para a delegacia todo mundo!” Convoca testemunhas. E afirma que o sistema prisional no Brasil é contra os negros.
Os policiais desqualificados tentam impedi-lo de continuar e ele grita: “Eu vou provar, olha o tanto de gente aqui, ó.”
Tomara que esse pai humilhado e violentado pela PM na frente de seus filhos siga em frente e processe esses policiais despreparados, processe o governo do estado de São Paulo que mantém esta polícia despreparada, violenta e racista e tomara que a multidão que se solidarizou diante da barbárie não recue e sirvam como testemunha deste descalabro.

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Desistir do Pré-Sal é desistir do Brasil

agosto 31st, 2014 by mariafro
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Por Victor Farinelli*, especial para o Maria Frô

31/08/2014

Marina se segura em dois slogans que sensibilizam principalmente os eleitores do Sudeste, o da “nova política” e o “não vamos desistir do Brasil”, lançado no velório de Eduardo Campos.

Cabe de tudo nessas duas frases, e por isso Marina é uma incógnita, como disse a filha de Chico Mendes. Mas existe uma maneira de ver as contradições da candidata: apontar a ela temas onde não pode ficar em cima do muro. Já aconteceu com sua primeira crise, quando seu programa de governo afirmou ser a favor do matrimônio homossexual, o que foi desmentido horas depois em uma lamentável nota de esclarecimento, e logo veio uma sequência de idas e voltas que ainda não terminou, sendo, portanto, impossível saber o que a candidata realmente pensa ou pretende fazer a respeito.

A mesma confusão aconteceu quando a candidata disse que o sua oposição aos transgênicos é uma lenda. Marina tem talento para essas ambiguidades. Nessa frase, ela não chega a se comprometer com a Monsanto (que tem no seu vice, Beto Albuquerque, um dos seus principais representantes do Congresso), mas acena à empresa e todo o agronegócio com um “não tenham medo de mim”. Talvez alguns ambientalistas mais exigentes não aceitem esse discurso – e alguém poderia dizer que uma pessoa ser ambientalista e tolerar os transgênicos também seria uma lenda, já não é mais –, mas Marina sabe bem, desde que deixou o PV, que os votos verdes não ganham eleições.

Algo semelhante acontece com outro tema sensível para grande parte do povo brasileiro: o Pré-Sal, uma reserva de petróleo que pode ser o passaporte para o país se tornar definitivamente uma das grandes potências mundiais: por lei, aprovada no governo Dilma Rousseff 75% dos royalties e 50% do fundo social pré-sal são destinados à Educação.

Marina nunca foi totalmente a favor do pré-sal, algo sustentado pelo discurso ambientalista – Marina sempre usou acidentes petroleiros, no Brasil e no exterior, para atacar a Petrobrás e falar em abrir a empresa para participação ou investigação externa. Na campanha de 2010, usou um vazamento ocorrido no Golfo do México para defender essa tese, como se isso fosse problema do Brasil e da Petrobrás:

Este ano, a coisa está mais explícita. Marina tem como um dos seus principais assessores o economista tucano André Lara Resende, que também foi assessor do Collor e um dos que recomendou o confisco das poupanças, segundo o próprio ex-presidente, além de presidir o BNDES durante o governo FHC, sendo um dos grandes artífices da política de privatizações – tão importante que esteve metido até o pescoço no escândalo dos grampos, os primeiros indícios das maracutaias da privataria tucana a virarem notícia nacional.

Lara Resende teve que renunciar ao BNDES sem terminar a missão para a qual foi escalado. Faltou privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil. Sua presença na equipe de Marina faz ter sentido a ideia de interrupção da exploração do Pré-Sal, defendida pelo programa de governo da candidata – não é preciso muita astúcia para entender a quem isso beneficia e que efeitos teria sobre a Petrobrás, mas aos que não entendem, sugiro ler a coluna deste domingo (31/08), do Jânio de Freitas, na Folha, onde ele diz que “reduzir o Pré-Sal e atingir a Petrobras no coração são a mesma coisa”.

Mas convenhamos, seria injusto culpar somente o tucano Lara Resende pela ideia de frear o Pré-Sal. Se voltamos ao vídeo acima perceberemos que, em 2010, Marina já demonstrava o quanto desconfiava da capacidade da Petrobrás em explorar esses recursos. Um conceito que pertence ao velho Brasil, aquele relegado à eterna dependência. Marina quer desistir do Pré-Sal, uma medida que significaria desistir do Brasil.

Uma das fórmulas com que o PT poderia recuperar terreno seria apostar em ser a única candidatura (porque Aécio tampouco vai conseguir pegar carona nisso) que acredita no Pré-Sal e na capacidade do Brasil de ser dono do seu próprio destino – de quebra, pode usar como argumento, e sem soar forçado, tudo o que o país avançou na última década para poder ser capaz disso agora.

Acabaria com os dois discursos. Não é possível ser “nova política” defendendo um país incapaz de grandes avanços, algo que também não coincide com quem pretende “não desistir do Brasil”. E ainda serviria para uma pergunta: “Marina, você sabe que Chico Mendes jamais desistiria de explorar o Pré-Sal ou qualquer recurso natural, se isso significasse melhores condições de vida para os brasileiros, ou você não o conhecia?”.

* Victor Farinelli é jornalista, correspondente do Opera Mundi no Chile, corinthiano e blogueiro de assuntos latino-americanos da Carta Capital, um dos responsáveis pelo blog Rede LatinAmérica.

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Valter Pomar: “Solo adubado com ilusões produz merda em grande quantidade”

agosto 31st, 2014 by mariafro
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Numa sociedade de classes, ainda tão desigual como a nossa, não existe “Terceira Via”, minha gente! Ou é pela Esquerda, ou é a barbárie.

Basta ouvir a propaganda eleitoral dos candidatos das bancadas da bala, da fundamentalista e da ruralista. É o fascismo pregado em alto e bom som, é a direita sem medo de dizer o que pensa, apostando que o povo não pensa, apostando que sua exploração imensa dos trabalhadores, concentrando renda, produzindo desigualdades, pondo o estado mais rico do Brasil, São Paulo, na contramão do restante do país que a alienação os afastará da  da política. Esta direita fascista prega abertamente no horário eleitoral: mais repressão, mais cadeia, mais tempo de encarceramento para meninos pobres da periferia, propõe milícias pra combater manifestações, prega mais controle sobre os corpos, esvaziam de sentido os termos “saúde” e “educação”.

Em seus discursos autoritários não há nenhuma fala sobre desigualdades sociais, nada sobre como a mesma direita há 20 anos no governo do estado de São Paulo nos deixou sem água, sem mobilidade urbana, sem moradia, com a educação e saúde públicas sucateadas. 

Valter Pomar em mais um texto de análise do atual quadro político o esclarece, sem dourar a pílula, sem adubar solo com ilusões.

Ao lê-lo, digo e repito:  Valter Pomar é o melhor formulador teórico do PT, uma das pessoas mais sensatas que conheço. E não é porque muito do que penso conflui para as suas análises, é que Valter nunca, sob qualquer situação, despolitiza suas análises numa era em que a regra em todos os campos é fazer uma geleia geral despolitizadora. ausente de polarização e de críticas.

Mas, é preciso combinar com o povo:

O povo não é idiota. Paga caro quem subestima a capacidade crítica das pessoas. É preciso politizar o debate, polarizar programaticamente e confiar no senso de classe da maior parte do povo.

Parte dos eleitores de Marina é de pessoas que já votaram em nós ou que socialmente podem votar em nós. 

Portanto, é preciso conquistar ou reconquistar o voto destas pessoas, assim como conquistar o voto daquelas que ainda não optaram. E isto se faz através de política, programa, mobilização.” Valter Pomar.

Para ler na íntegra sua excelente análise visite seu blog, parada obrigatória nesses tempos sonháticos de tornar o sindicalista Chico Mendes “elite” e banqueira do Itaú “educadora”.

Leia também:

Redes, ruas e eleições: as disputas de narrativas para o Brasil não retroceder e continuar mudando

Valter Pomar: Marina não é 3ª via, “ela é uma forte alternativa para o grande capital, especialmente financeiro”

Ciro Gomes: “Marina é grave ameaça para o futuro do Brasil”

Debate na Band: a performance dos candidatos de Chico Mendes ‘elite’ à Petrobrax

Ao fim e ao cabo Lula e o PT são os atores centrais da política brasileira desde os anos 80

A direita está tão desgastada que aposta até em ex-petista pra tentar tirar o PT do governo federal

Até Aécio esconde FHC, Marina já o defendeu em 2010 e agora adota o discurso do Estado Mínimo

O jato que matou Eduardo Campos violava lei eleitoral

Coordenador de Campos rompe com Marina e deixa campanha

Manchetômetro lança Marinômetro, para medir o frisson da mídia após lançamento da candidata missionária pela Folha

Dener Giovanini: Só para lembrar: Marina Silva já tinha data marcada para abandonar Eduardo Campos

WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS: Marinômetro: Teologia, necrofilia e sustentabilidade

DataFolha lançou Marina no dia da morte de Eduardo Campos e jogou Aécio para o 3º lugar

Após o anúncio da morte de Eduardo Campos a boçalidade da Revista Veja e a pesquisa de indução da Folha de São Paulo

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Redes, ruas e eleições: as disputas de narrativas para o Brasil não retroceder e continuar mudando

agosto 30th, 2014 by mariafro
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Em nova pesquisa eleitoral Dilma e Marina estão empatadas.  Ainda acho que os números das intenções de voto de Marina estão muito inflados, já que o Data Folha não esperou nem achar os pedaços dos corpos de Eduardo Campos e equipe destroçados num avião comprado por Eduardo Campos para a campanha num processo cheio de ilegalidades e não declarado na Justiça Eleitoral para registrar a pesquisa eleitoral, lançando Marina a candidata para disputar as eleições.

De todo modo chama a atenção a nova pesquisa divulgada ontem. Alguns dados da pesquisa que nos revelam coisas interessantes:

Várias coisas me chamam a atenção na pesquisa do DataFolha “vamos lançar um ex-petista pra derrubar o PT do poder”:
Marina perde feio na Região Norte, a sua região. Em 2010, ela perdeu de lavada em seu próprio estado.

Marina vence Dilma no coração do agronegócio, a região Centro-Oeste, o que nos mostra que o discurso de ‘sustentabilidade’ de Marina é pra inglês ver. Marina se mostra uma terceira via, atalho pra ruralistas.
Marina perde feio no Nordeste, a região que foi transformada pelos governos Lula e Dilma. Marina e Dilma empatam na região Sul.
Marina vence no Sudeste, a região que concentra o capital internacional, São Paulo governada por tucanos há duas décadas está na contramão do restante do país, aqui a desigualdade aumentou, os mais ricos hoje a cada 100 reais produzidos se apropriam de 20 e há 20 anos se apropriavam de 13,00.
Marina, seus assessores neoliberais, os bancos que não apenas financiam sua campanha, mas ditam seu programa de governo, seu discurso despolitizador negando a sociedade de classes que vivemos, igualando Chico Mendes a Neca Setubal, herdeira do Itau é o  atalho mais curto para que os pobres percam tudo que conseguiram na última década. Como diz Azenha esta é uma eleição decidida por banqueiros, caso os eleitores de bom senso e que desejam um país menos desigual fiquem assistindo a tragédia com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar

É ainda um texto de Azenha desta semana que merece ser lido. Há alguns anos repito isso em minhas palestras pra todos petistas que acham que a Democratização das comunicações era uma bandeira sem importância e não crucial aos governos petistas. Quando vários deles diziam que a Internet era a salvação eu lhes dizia que este monopólio também estava na rede, porque o monopólio não se dá apenas nas concessões, mas na distribuição das verbas publicitárias. O texto de Azenha deveria ser lido e compreendido pelo coração da campanha de Dilma

Entendam como funcionam as redes, em especial a principal rede dessas eleições: o Facebook:
1) Como é que uma tv Revolta tem quase 4 milhões milhões de likes (mais do que qualquer candidato que concorre às eleições 2014)?
Resposta: Durante mais de um ano a direita investiu nisso, pagou os posts desta página para o Facebook, contratou pessoal de marketing para mantê-lao Facebook, foi ganhando espaço, aparecendo no feed (na página inicial) de todos vocês.

2) A direita tem inúmeras páginas de ataques aos candidatos de esquerda, páginas racistas, homofóbicas, páginas que espalham o ódio oficiais e oficiosas. Todas as vezes que vocês entram nas páginas da grande mídia, ou nas oficiosas e comentam (ou compartilham mesmo que seja para denunciá-las), vocês fazem com que estas páginas medonhas subam suas mentiras e preconceitos para toda a sua rede, vocês, involuntariamente, tornam-se  propagadores dessas porcarias.

3) Ruas e redes estão conectadas, todo mundo tem um celular nas mãos com acesso à rede, do sertão nordestino às periferias dos grandes centros. Assim, para a verdade circular é preciso marcar posição, é preciso interagir na rede e nos lugares que a verdade se encontra, que os fatos estão.

4) É preciso entender o real papel das redes sociais e a capacidade de espalhar verdades ou mentiras.

5) Se cada um que entende o risco despolitizador que vivemos e vê a necessidade de reestabelecer a racionalidade no debate político na conversa com parentes, amigos, vizinhos, no ônibus, metrô, supermercado, deve agir nas redes. As redes como as ruas são feitas de pessoas.  Curtindo, compartilhando e comentando páginas com boas informações vocês se tornarão divulgadores de coisas positivas nas redes. Portanto, é tarefa politizadora curtir, compartilhar,  comentar a blogosfera progressista: BlogMaria Frô, Viomundo, Rodrigo Vianna…, as páginas de revistas progressistas como a Fórum, o Brasil de Fato, a Carta Maior, a Caros Amigos, a Carta Capital, as redes de apoiadores de projetos progressistas: Esquerda Festiva, Perifa Livre, Lata d’agua, Falando a Verdade, Politica no Face, Soldadinho de Chumbo e tantas outras que sem perder a capacidade crítica, politizam o debate. Há também as páginas de campanha como o  Muda Mais, a página dapresidenta Dilma e do Partido dos Trabalhadores

6) É preciso entende que o desafio dos que pensam na rede não é falar, é ser lido, ser ouvido. Há inúmeras páginas e perfis que não espalham bobagens, mas se vcs não curtirem, não compartilharem elas não serão vistas. Lembrem-se, do que está em risco e encontrem ânimo pra transformar as redes num espaço efetivo de debate.

7) Vocês podem fazer de suas páginas um megafone da verdade, curtam, comentem, compartilhem boas informações.

8) Há boas maneiras de se falar com os jovens, tentem ouvi-los, argumentar. Usem do humor, é preciso politizar a discussão e sair do campo das ofensas e da despolitização que só serve aos oportunistas da direita e a seu serviço.

9) Não criminalizem os movimentos sociais, isso a direita faz com maestria, não tentem silenciar aqueles que fazem críticas legítimas, ouçam e argumentem. Se a direita volta ao poder pela via direta ou pelo atalho da falsa terceira via, são os banqueiros que virão rapinar o Estado reconstruído às duras penas ao longo desses doze anos. Todos perderemos. Mas os pobres perderão ainda mais.

10) As pessoas de bom senso e que prezam a democracia tem um mês pela frente, é bastante tempo. O que temos para defender é vital. São conquistas imensas que eu poderia gastar muitos posts descrevendo, mas centro em algumas delas:

A polícia federal realizou durante todo o governo FHC 48 operações, nenhuma consequência porque o Procurador Geral da República engavetava todas as denúncias, o governo do PT tornou a PF republicana ao todo durante governo Lula e Dilma a PF realizou 1.273 operações e prendeu 15 mil malfeitores.

Inclusão social

A inclusão sob os governos Lula e Dilma são imensas: Durante o governo FHC a queda de desigualdade Social foi de 2,2%, nos governos do PT a queda foi de 11,4%, a taxa de pobreza em uma década saiu de 34% do último ano do governo de FHC (2002) para 15% em 2012 e ela já caiu mais. A de extrema pobreza que era de 15% em 2003 caiu para 5,2% em 2012.

Em 12 anos, 42 milhões de pessoas saíram da miséria e 38 milhões de pessoas ascenderam à classe C.  Só o programa Brasil Sem Miséria, do governo de Dilma Rousseff em 4 anos retirou 22 milhões da extrema pobreza.

Isso só foi possível porque políticas públicas e investimento em infra estrutura e na recuperação do Estado puderam enfrentar a pior crise da história do capitalismo sem desempregar, ao contrário, gerando emprego.

Enquanto no governo FHC a taxa de aumento de produtividade foi de 0,3%, nos governos petistas alcançou um aumento de 13,2% . A produtividade pode ser vista na balança comercial: as exportações saltaram de 60,3 bilhões em 2002 para  242 bilhões em 2013. O Risco Brasil em 2002 era de 1.446 e em 2013 caiu para 224. Se pegarmos dois setores produtivos as comparações novamente são impressionantes. Vamos a elas: indústria automobilística produziu em 2002 – 1,8 milhões de veículos em 2013, 3,7 milhões. Podemos exigir que se produza trens, mas não podemos falar em crise com esses números. E se pensarmos na agricultura? A safra agrícola de 2002 atingiu o patamar de 97 milhões de toneladas, em 2013: 188 milhões de toneladas

Enfrentando a crise mundial sem desempregar e desenvolvimento o país

Como é que se pode falar em crise econômica com os dados dos governos Lula e Dilma comparados aos de FHC? Vamos a mais alguns deles?

Lula e Dilma juntos geraram mais de 20 milhões de posts de trabalho durante seus governos o que dá em média quase 2 milhões de novas vagas por ano, para ser mais precisa: 1.700.000 vagas de empregos ao ano. FHC em 8 anos gerou 5 milhões, uma média de 627 mil empregos por ano. Por isso a taxa de desemprego em seus melhores índices durante o governo de FHC era de 12,2%. Dilma atingiu índices suecos:  5,4% e houve meses que a taxa chegou a ser menor, como maio de 2014 que chegou a 4,9%. Essa é uma situação tida pelos analistas como de pleno emprego, quadro que os países desenvolvidos lutam para alcançar depois que o neoliberalismo desempregou 62 milhões de pessoas com a crise de 2008 que levou a Europa quase à bancarrota e fez grandes estragos nos EUA.

O salário de fome no período FHC era de 200 reais, correspondia a  86,21 dólares. Nos governos petistas o salário mínimo teve crescimento de mais de 70%. Hoje, o salário mínimo é de a 724 reais, equivale a  305,00 dólares  e compra mais que duas cestas básicas (produtos desonerados de impostos pela presidenta Dilma Rousseff).

As empresas reduziram pedidos de falência: durante os dois governos de FHC  25.587 empresas por ano pediam falência, que caiu para 5.795 nos governos petistas.

Pobre hoje viaja de avião para escândalo das elites que em aeroportos ampliados e modernizados por Dilma compraram em 2013 100 milhões de passagens aéreas contra 33 milhões em 2002.

A taxa Selic  de juros acumulados no governo Dilma dá banho até no do governo Lula, eu peço que vocês vejam a mudança no próprio site da Receita Federal vão lá e comparem ano a ano mês a mês de 1995 a 2014, ou seja durante os dois governos de FHC, os dois de Lula e o primeiro governo de Dilma.

O BNDES, o Banco que seja no setor público ou privado investe no desenvolvimento econômico do país tinha em 2002 lucro de 550 milhões, em 2013 saltou para a casa dos bilhões: 8,15 bilhões Os dois bancos estatais do Brasil que FHC embora tenha tentado sucatear para dar aos banqueiros privados saíram da casa de 2 bilhões em 2002 para um lucro de 15,8 bilhões em 2013; a CEF seguiu na mesma linha: em 2002 seu lucro foi de 1,1 bilhões e em 2013 seis vezes maior: 6,7 bilhões.

O PIB brasileiro, outra tecla ininterrupta de desinformação na mídia bandida: em 2002 era de R$ 1,48 trilhões, em 2013: R$ 4,84 trilhões. O mesmo se dá para a renda per capita que aumentou mais de 300%: ou seja em 2002 era de 7,6 mil e em 2013 saltou para 24,1 mil. Lembrando que a desigualdade diminuiu (menos em São Paulo, onde tornou-se ainda mais concentrada com os sucessivos governos do Estado mínimo para os pobres e máximo para ricos).

E quanto a dívida líquida do setor público? É um verdadeiro milagre. Vejam, FHC vendeu quase tudo: Vale, setor elétrico, telefonia, a privatria tucana produziu miséria, desmantelou o Estado, baixou a indigência os serviços públicos, as universidades sem dinheiro para manter o básico quem dirá a pesquisa e mesmo assim deixou o país com uma dívida pública de 60% do valor do PIB em 2002. Como que um presidente vende quase que o país inteiro e não sana as dívidas públicas? Digo que é um verdadeiro milagre, pois com todos os investimentos feitos em políticas sociais e infra-estrutura no país de ferrovia a hidrelétricas, os governos petistas de Dilma e Lula poderiam justificadamente terem endividado ou Estado, mas ao contrário disso em 2013 a dívida pública caiu quase a metade e está girando em torno de 34%.

Enquanto o governo de FHC ficou de joelhos para o capital internacional, devia para o FMI, Lula pagou a dívida do FMI e hoje somos credores do FMI, emprestamos para o FMI, Dilma criou um banco internacional com os Brics que muda completamente o tabuleiro mundial. O banco começa com um contingente de 100 bilhões

Quando FHC deixou a presidência da República os investimentos estrangeiros diretos no país estava na casa de 16,6 bilhões de dólares. Em 2013 foram 64 bilhões de dólares. As reservas internacionais do Brasil eram em 2002  37 bilhões de dólares, em 2013 são dez vez mais:  375,8 bilhões de dólares.

Saímos da 15ª economia do mundo para a 7ª posição. A média anual inflacionária durante o governo de FHC, daquele que diz que inventou o real (Itamar Franco o fez) era de 9,1%. Nos governos petistas a média é de 5,8%, com meses de inflação zero como foi em julho de 2014.

A Petrobras tão atacada na mídia concentrada a serviço do neoliberalismo valia 15,5 bilhões e FHC tentou de tudo para privatizá-la, não conseguindo porque os petroleiros em 1995 ocuparam as refinarias por mais de 30 dias, defendendo o patrimônio do povo brasileiro até mesmo sob ameaça do exército invadir as refinarias.

A Petrobras hoje, mesmo com todos os ataques da oposição em parceria com a mídia concentrada, vale 104,9 bilhões no mercado, e extrai 505 mil barris por dia do melhor petróleo do mundo: o pré-sal, cujos fundos vão, assegurados por lei, pra educação e saúde. A média do lucro da Petrobras durante o governo FHC era de 4,2 bilhões e insisto, ele fez de tudo para privatizá-la e não transformar em nada e ampliar a dívida pública do Estado, nos governos petistas, este patrimônio do povo brasileiro  gera de lucro em média  25,6 bilhões por ano.

E há mais, muito mais, mas vamos às políticas públicas:

Programas Sociais que vem mudando realidades de exclusão seculares

Nem vou falar do Bolsa Família o programa social mais barato para o Estado e quem vem promovendo a permanências de crianças antes em risco social e hoje que batem recorde na frequência escolar. Que vem contribuindo para a diminuição da mortalidade infantil ao vincular o programa às consultas de pré-natal e à vacinação em dia. A taxa de frequência é maior que 96%, maior que a de todas as crianças sem vínculo com o programa. A mortalidade infantil em 2002 era de 25,3 em 1000 nascidos vivos; o Brasil, sob os governos Lula e Dilma, atingiram três anos antes as metas dos desafios do Milênio estabelecidos para 2015! Em 2012 morrem menos de 13 em 1000 nascidos vivos. Lula e Dilma reduziram a mortalidade infantil em 50%.

A pirâmide etária do Brasil mudou, se antes na década de 1970 a nossa base era de crianças e adolescentes, hoje  a maioria da população está na faixa de 20 a 39 anos. A pressão por formação profissional e por universidades é muito maior. Os governos Lula e Dilma investiram pesadamente na inclusão de jovens nas universidades, na criação de universidades e escolas técnicas e nos investimentos para a pesquisa.

Vamos aos dados? PROUNI hoje corresponde a 1,2 milhões de bolsas para jovens que representam a primeira geração da família a entrar num curso superior, associado ao FIES que financia os estudos universitários de 1,3 milhões de pessoas.

O Ciências sem Fronteiras  beneficia  100 mil estudantes universitários ainda na graduação para intercâmbio em universidades estrangeiras.

Como se isso fosse pouco, enquanto no governo de FHC as universidades mal tinham recursos para pagar a conta de luz e hoje pesquisam genoma dos peixes do Rio São Francisco, Lula e Dilma juntos criaram 18 universidades federais, regionalizaram-nas com mais de uma centena de campis espalhados no interior do país.

Quando se trata de Escolas Técnicas a comparação é com o Brasil pós- Cabralino, já que durante os 8 anos de FHC nenhum tijolo foi assentado para construir nem universidades nem escolas técnicas. D. Pedro II criou um colégio no Rio que leva o seu nome, houve investimentos no período getulista, mas até 1994, o Brasil contava com 140 escolas técnicas em todo o território nacional.  O governo do PT criou nada mais nada menos de 214 escolas técnicas no Brasil em 12 anos.

O PRONATEC já capacitou  6 Milhões de trabalhadores para atender demandas cada vez mais urgente de mão-de-obra especializada.

O Luz para todos do presidente Lula que beneficiou 10 milhoes de famílias levou energia lá pras bandas do sertão onde viveu minha avó, onde durante as férias experimentávamos como era viver no século XIX com luz de candieiro. Mas não foi só isso, Lula levou o século XX até mesmo para áreas periféricas de São Paulo, recuperem, por favor, uma reportagem de Luiz Carlos Azenha, feita para a  TV Record em 2010, que mostra que precisou de um presidente como Lula para que pobres na periferia de São Paulo pudesse ter uma geladeira.  Aliás, ao final do governo FHC eu comprei um no break para poder terminar um livro tal foi a quantidade de vezes que a energia acabou em casa sem aviso prévio e me fazia perder tudo no computador. A capacidade Energética do país em 2001 era de 74.800 MW, em 2013 quase dobramo: saltou para 122.900 MW

Dilma foi a presidenta que mais creche construiu, a ponto de prefeitos tucanos fazerem a ela elogios rasgados, reconhecendo seu republicanismo ao destinar verbas federais para que os municípios ampliassem o atendimento às creches. Foram construídas  6.427 creches, quase 5 mil só no governo Dilma.

O Minha Casa Minha Vida, iniciado no segundo governo Lula e continuado no governo Dilma já beneficiaram 1,5 milhões de Famílias, até mesmo lideranças bastantes críticas ao PT reconhecem isso.

O governo Dilma criou sob a batuta do ministro Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo de São Paulo o maior programa de provimento de médicos da história do país. Já temos 50 milhões de brasileiros beneficiados nas periferias dos grandes centros (São Paulo é o estado que mais absorveu os médicos deste programa)

Os gastos públicos anuais com saúde saltaram 2002 28 bilhões em 2002 (e não se esqueçam que FHC tinha reservado só para a saúde sem precisar tirar um centavo do orçamento da união cerca de 40 bilhões de CPMF que não eram diretamente investidos na saúde).

Lula mesmo com a criminosa manobra da FIESP, tucanos e mídia bandida a serviço da privatização da saúde que acabaram com a CPMF investiu pesadamente em saúde. O governo Dilma só em 2013, investiu diretamente 106 bilhões.

A geração jovem marineira não é de direita, é despolitizada, é preciso dialogar com ela e mostrar as contradições

Os jovens que votam hoje e informam e influenciam seus pais com o que recebem nas redes não sabem o que foi viver no governo FHC, não fazem ideia das amplas transformações listadas nos itens anteriores, não entendem que o Estado Mínimo de FHC significou ausência de políticas públicas para os mais pobres, para os que mais precisam do Estado e significou recessão econômica. Não entendem que só estão na universidades porque Lula e Dilma ou a construíram nos lugares mais distantes do país ou com programas como Prouni onde São Paulo abocanha grande parte permitem que esses jovens da nova classe C possam cursar o ensino superior.

Eles querem mais, mas eles não sabem o que significa concretamente o neoliberalismo que Marina acena com força ao dar maior poder a bancos privados e aos sinalizar para a mídia e a direita que vai sim tirar recursos do Estado voltado para políticas públicas que começa a criar o Estado de bem estar social iniciado pelos governos petistas.

O grande problema do jovem despolitizado é que ele acha que com Marina o que deseja ocorrerá. A despolitização imensa do país, permite a Marina igualar Chico Mendes a Neca Setubal como se não vivêssemos em uma sociedade de classes, com conflitos de interesses, com relações desiguais de poder, como se não houvesse qualquer contradição entre o agronegócio que ceifou a vida do sindicalista Chico Mendes e a herdeira do banco Itaú, banco este que, em 3 anos, desempregou 16 mil pessoas e está no coração e no cérebro da campanha de Marina.

O desafio é mostrar a esses jovens que Marina não é a terceira via que tanto almejam, Marina é um atalho curto para que o poder financeiro, ruralista e midiático novamente ditem as políticas excludentes das elites que sugaram a população deste território desde a colonização.

E só é possível fazer isso politizando o debate e não fugindo dele. Mostrar as contradições imensas nos discursos de Marina que além da infidelidade partidária, muda de ideia e opinião de acordo com os ventos do poder.

que ao mesmo tempo em que fala de sustentabilidade foi a ministra de Lula que deu a licença para a construção da hidrelétrica de Jirau, alvo de críticas de ambientalistas.

Jovens eleitores de Marina que compraram o selo “sustentabilidade” não devem saber que a candidata que critica hidrelétricas (embora aprove licenças) e já disse que a energia mais limpa do planeta que é a gerada por hidrelétricas é ruim, agora fala em energia nuclear!

Os recém- marineiros não sabem que no embate entre Natura e povos indígenas, Marina ficou ao lado da Natura. A Natura é ré numa ação movida por povos indígenas e Ministério Público Federal. Como bem disse no debate da Band Luciana Genro, Dilma e Levi Fidelix, este desnudou o discurso sabonete de Marina: não se pode servir a dois senhores, Marina. 

O governo Dilma é sim um governo desenvolvimentista. Lula e Dilma acreditam que é preciso desenvolver economicamente o país, gerando e distribuindo riquezas. E eles fizeram isso. Eu arrolei alguns números para mostrar isso. Claro, todos sabemos, que o Brasil precisa de mais distribuição de renda, de melhores serviços públicos. Mas que jovem sabe na ponta da língua que Dilma e Lula mais que dobraram o número de escolas técnicas das que existiam no país começadas por D. Pedro II, impulsionadas por Getúlio e sucateadas durante o governo FHC como de resto fez com toda a educação?

A ‘terceira via’ de Marina a cada discurso é ainda mais neoliberalizante que a candidatura de Aécio. Aliás eu acho Marina Silva uma candidatura ainda mais danosa, pois, ao menos os tucanos cada vez mais assumem um governo reacionário, excludente, contra políticas sociais como faz . Álvaro Dias ao chamar o bolsa família de “Bolsa Esmola” é um exemplo disso. Marina se aproveita de um desgaste do PT que nunca enfreou a mídia bandida e deixou que ela criminalizasse políticos e governos petistas, para como ex-petista servir aos interesses mais carniceiros do capital. Marina surfa no caldo despolitizador de responsabilidade de toda a esquerda que abandonou a formação política da juventude, num país onde a disputa simbólica é feita 24 horas por dia pela direita nas tvs, rádios, portais da redes e contas pessoais de reacionários babões que recuperam até mesmo o discurso da guerra fria com a chegada de médicos cubanos no país!

Por isso não há saídas para enfrentar a despolitização dos que acham Marina algo novo que não fazer política nas ruas e nas redes. Os compromissos de Dilma tem de ser claros, demarcando o campo de classe, capazes de mobilizar as forças progressistas deste país, os politizados desiludidos com as concessões dos governos petistas.

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