Maria Frô

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O melhor texto sobre o Bolsa-Família que já li

setembro 29th, 2010 by mariafro

Vale a pena ler com cuidado, atenção. Este texto explica de modo muito pragmático até ao ser mais conservador do planeta porque o Bolsa-Família é um programa único e transformador de uma realidade de exclusão secular no Brasil sem ser necessário dar um tiro sequer.

Da próxima vez que você encontrar um ignorante que não sabe o valor de um programa social como este, você pode tirá-lo da ignorância informado-o com todos os excelentes argumentos do professor Daniel Caetano.

Bolsa-Família: Efeitos Colaterais

Por: Daniel Jorge Caetano em seu blog

28/09/2010

Não gosto muito de tratar assuntos políticos aqui; a razão para isso é que gosto de estimular a reflexão sobre o que observo no dia-a-dia e, acredito, falar sobre política sai um pouco desta linha, dado que nela o mote principal não é a razão e reflexão, mas a negociação de interesses.

Vou abrir uma exceção desta vez, devido a uma conversa que ouvi ontem.
Conversavam sobre a ineficiência, ineficácia do “bolsa-esmola” e toda a falácia que supostamente cerca o referido programa (positivas e negativas). O que me permite abrir essa exceção é o fato de que todos os candidatos parecem estar apoiando esta iniciativa – ainda que, em alguns casos, esse apoio seja motivo de riso para muitos.

Sou uma pessoa técnica, não gosto de fazer política. Minha experiência no campo político me proporcionou muita angustia pessoal; foi quando descobri que não tenho fígado para isso1. Assim, há algum tempo, seguindo a minha visão técnica e sem conhecer muita coisa da realidade brasileira, eu questionava muito o tal do Bolsa Família; em especial, quanto à sua eficácia.

Avaliando superficialmente, o Bolsa Família é “um programa assistencialista e populista, uma forma legal de compra de votos”, como ouvi alguém colocar.

Não há como negar que é possível – e alguns diriam provável – que essa é a índole do programa, isto é, que essa é a motivação primordial por trás do programa. Por outro lado, vem a dúvida: será que esta é a característica mais relevante em uma análise mais ampla?

Depois de viajar pelo interior do Brasil, por lugares como o Vale do Jequitinhonha no norte de Minas Gerais ou o interior da Bahia, regiões extremamente mais pobres que a em que vivo – São Paulo -, conversar com os habitantes destes lugares e ouvir da boca deles como a vida da comunidade melhorou (e não apenas das famílias diretamente beneficiadas pelo programa), me convenci que a avaliação ”rasa” do programa era falha, e comecei a procurar entender melhor suas consequências.

A conclusão a que cheguei é que ele tem efeitos muito mais relevantes do que aqueles normalmente explicitados. Aqueles que consideram que se trata apenas de um programa eleitoreiro, podem considerar que esses “efeitos”, na verdade, são apenas “efeitos colaterais”. Mas isso não invalida, de forma alguma, as conclusões sobre a validade do programa.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que, me parece, o segredo por trás do sucesso do programa é o valor que foi definido para a bolsa, além dos critérios para sua concessão. Os critérios são relevantes, mas dependem de controle – algo difícil de se conseguir, dada a amplitude de programa. O valor da bolsa, entretanto, tem um efeito auto-regulador interessante, que dispensa controle ativo.

Que efeito auto-regulador é esse? É o efeito de ser uma bolsa de um valor alto o suficiente para permitir que as famílias saiam da miséria absoluta, mas baixo o suficiente para que, assim que a situação melhora, seja para a pessoa ou para a comunidade em que ela vive, a bolsa se torna desprezível.

Para entender essa afirmação, é preciso avaliar os efeitos todos do programa, o que tentarei apresentar em diversos níveis, sempre com foco nos benefícios sociais que ele proporciona (e não nos ganhos políticos decorrentes).

Efeitos de Primeira Ordem

Os efeitos de primeira ordem são aqueles diretos, ou seja, uma melhoria da qualidade de vida dos mais miseráveis. Em tese, os beneficiários diretos são apenas as famílias que recebem a bolsa e é este tipo de efeito que leva a uma definição, talvez precipitada, de que se trata de um programa ”populista e eleitoreiro”.2

Efeitos de Segunda Ordem

Os efeitos de segunda ordem são aqueles observados na sociedade, em um curto intervalo de tempo, após a implementação do programa.

Na economia

As pessoas que recebem o bolsa família tem, proporcionalmente, um grande aumento em seu poder de compra; essas pessoas, entretanto, não estão em um patamar de consumo em que aumentar o poder de compra significa comprar supérfluos (celulares, carros etc.), mas sim em um patamar onde existe necessidade reprimida por alimentos e insumos básicos para a vida digna (água, limpeza, material escolar, dentre outros).

Como a maioria destas pessoas vivem em lugares muito pobres3, estes produtos, em geral, não são adquiridos em grandes supermercados, mas em pequenas vendas e pequenos comércios locais.

Ora, a “vendinha” da esquina, ao ganhar novos consumidores e ter um aumento substancial do consumo, pode crescer. Se cresce, não apenas pode vir a gerar empregos, mas também movimenta a economia local: o dono da vendinha e seus funcionários também vão comprar em outras lojas.

Adicionalmente, o dono da vendinha tem como negócio o comércio, ou seja, ele não produz o que vende. Se aumentou a venda, ele tem que comprar mais.
Isso movimenta a agricultura e produção local e, em estágios mais avançados, até mesmo aumenta o consumo em outros mercados, de onde o dono da vedinha tem que ir buscar produtos, “na cidade grande”. Em outras palavras, trata-se do surgimento de novos mercados produtores e consumidores, possibilitando inclusive a indução de emprego e melhoria das condições de vida em outras regiões.

Além do efeito óbvio que isso tem para o aumento da qualidade de vida local, a maior parte dessas operações geram impostos para o governo e, embora seja difícil precisar o valor que “volta” para o governo de cada Real gasto com o Bolsa Família, o certo é que uma parte volta. Como são mercados novos, isso significa que o imposto que volta tem o efeito de diminuir o custo do programa, o que para o governo – e para o povo que o financia – é ótimo.

Agora, uma outra coisa que acontece com o aquecimento da economia local é, em geral, uma inflação local. É comum que nas regiões mais pobres tudo custe muito barato, porque as pessoas não têm dinheiro para consumir. Com o dinheiro e a melhoria inicial das condições de vida das pessoas, ocorre um aumento do consumo e, com isso, é normal que exista uma pequena inflação local. Bizarramente, isso é positivo, proporcionando um dos instrumentos de auto-regulação do benefício.

Quando alguém diz que “o cara vai receber a bolsa e não vai mais querer trabalhar”, está ignorando que a economia é dinâmica: com a inflação local  e o aumento do seu padrão de consumo, o poder de compra da bolsa para uma dada família vai cair com o tempo. Como o indivíduo pode trabalhar e receber a bolsa, com o tempo se torna mais interessante manter o emprego - que com o aquecimento da economia local tende a pagar melhor – do que a manutenção da bolsa – que tem valor fixo nacionalmente, não levando em conta as questões locais.

Isso pode acabar se tornando um caminho natural para a “porta de saída” da bolsa, depois de ter estimulado o desenvolvimento local.4

Na política

Uma consquência curiosa – e que só me atentei para ela conversando com pessoas de local onde o coronelismo era muito forte – é que o Bolsa Família tirou poder das oligarquias locais, vulgarmente conhecidas como ”famílias de coronéis”.

Historicamente estas famílias dominavam a política local através da compra do voto com coisas pequenas e baratas: pares de chinelos, sacos de farinha, coisas que não lhes custavam nada, mas que lhes permitiam governar uma cidade ou estado, receber verbas federais e desviar recursos à vontade, pois o povo – mantido ignorante e necessitado – via neles salvadores que lhes permitiam beber água da chuva – captada em um açude construído em propriedade particular de político, usando verba pública – a um pequeno custo… ou até mesmo de graça… “como é bom nosso governante!”

Obviamente este problema não acabou com o Bolsa Família, mas aparentemente vem se reduzindo. A razão para isso é que, com aquela pequena ajuda, nestes locais muito pobres onde se comprava um voto com um par de chinelos, as pessoas não têm mais interesse em vender seus votos por essas coisas – agora elas conseguem comprar o saco de farinha, sem precisar implorar ou trocar favores – ou seja, sobrevivem de maneira mais digna.

Assim, comprar o voto tornou-se uma prática naturalmente mais cara – ou seja, o Bolsa Família inflacionou a compra de votos, dificultando ou até mesmo impossibilitando a prática. Com isso, abre-se espaço para uma possível diversificação no espectro político em várias localidades. Surgem novas lideranças locais, municipais, mudando a dinâmica política da região.

Ainda que isso pareça um pouco distante, de médio prazo ao menos, novas lideranças locais têm assumido no lugar de velhas famílias oligárquicas em muitos lugares, o que pode ter como um de seus fatores de influência justamente o Bolsa Família (embora dificilmente seja o único, é claro!)

Alguns podem alegar que deixou-se de vender votos localmente para se vender nacionalmente, uma vez que com o benefício o governo federal estaria comprando votos também. Mas é questionável a validade de se falar em um “coronelismo federal”, dada o baixo contato entre povo e governo federal.5

Na educação

Como o foco do Bolsa Família é na alimentação (faz parte do Programa Fome Zero) e a concessão da Bolsa exige a presença das crianças na escola6, ele contribui para uma melhoria na educação, embora não a garanta.

A combinação da presença e alimentação é importante porque ninguém aprende nada sem ir para a escola e, mesmo indo, não aprende se estiver com fome.
Os efeitos da desnutrição na capacidade de aprendizado são vastos.

Infelizmente isso não é garantia, porque a educação básica em nosso país ainda é extremamente deficiente e, até o momento, por ser competência estadual e municipal, não há nada que o Governo Federal possa fazer a respeito.7

Na saúde

Outra exigência para a concessão da Bolsa são os cuidados com a saúde da criança, regulamentado como exigência de vacinação, por exemplo. Bem alimentada e com orientações mínimas, as pessoas se mantém mais saudáveis e dependem menos do deficiente sistema público de saúde. Isso leva também a uma vida mais digna e traz mais motivação às pessoas.

Efeitos de Terceira Ordem

Os efeitos de terceira ordem são aqueles que decorrem da combinação dos efeitos de segunda ordem, além da universalização destes efeitos com o passar do tempo. Analisarei alguns deles.

Na sociedade

Com todos os efeitos de segunda ordem citados, em especial a geração de condições de vida mais dignas nos mercados locais – dado o seu desenvolvimento -, ocorre a formação de uma consciência de cultura local e, também, a fixação das pessoas onde elas estão, gerando novos pólos de desenvolvimento, produção e consumo.

Essa fixação é fundamental, uma vez que os grandes centros atuais não comportam mais crescimento populacional, já vivendo em uma condição de esgotamento de recursos (congestionamentos, falta de água, alto custo da alimentação, poluição, etc).

Fixando as pessoas em seu local de origem proporciona uma sociedade melhor distribuída, tornando a ocupação e o desenvolvimento nacional menos desigual, possibilitando acesso melhor distribuído aos recursos naturais de todas as regiões do país.

Na política

Com o passar do tempo, as novas lideranças locais podem ser tornar novas lideranças regionais ou até mesmo nacionais. Essa renovação nas lideranças políticas é saudável para a democracia, proporcionando seu amadurecimento.8

Na educação

Um efeito já apontado em algumas análises é que, à medida que as condições de vida das pessoas melhoram, com um crescimento do rendimento per-capita, quando a renda do Bolsa Família passa a não se mais tão importante na alimentação – mas ainda antes de se tornar dispensável -, ela passa a ser utilizada na aquisição de livros e material escolar.

Este efeito, já constatado em alguns locais9, proporciona, juntamente com outros fatores de segunda ordem, um grande ganho na capacidade de aprendizado dos estudantes, contribuindo para a formação de gerações mais formalmente educadas.

Na saúde

Com alimentação, estudo e cuidados médicos básicos, temos um povo mais saudável; e um povo mais saudável é mais feliz, produz melhor e consome mais. Isso tudo já é ótimo para a nação.

Mais que isso, entretanto, os efeitos de longo prazo de políticas da mudança da cultura da população mais pobre – proporcionadas pelas exigências de concessão de bolsas do Bolsa Família -, podem formar gerações não apenas mais saudáveis, mas mais conscientes de sua própria saúde. E pessoas mais conscientes de sua saúde, em geral, cuidam dela, em um nível muito mais alto, como melhor alimentação, atividades físicas etc.

Efeitos de Quarta Ordem

Os efeitos de quarta ordem são os benefícios intrínsecos da universalização dos efeitos de terceira ordem. Os que imagino mais imediatos são três.

O primeiro é a influência de todos estes fatores nos gastos públicos com saúde. Esta área pode se beneficiar extremamente de uma população mais saudável e bem educada, tanto no aspecto financeiro – menos gastos com saúde pública – quando econômico – com um menor número de pessoas solicitando o sistema público de saúde, aqueles que o solicitam podem ser melhor atendidos, com um investimento público potencialmente menor.

O segundo é que, com uma melhor educação, obviamente combinadas com outras políticas que venham melhorar a cultura dos alunos, teremos uma população mais culta, capaz de escolher melhor seus representantes políticos, buscando um equilíbrio entre renovação e experiência, rumando cada vez mais em direção a uma democracia madura.

O terceiro é a influência de tudo isso nos gastos públicos com o próprio programa. Uma vez que a nossa população já ruma para uma estabilidade numérica e, com essa população cada vez mais educada, saudável e consciente, o número de famílias que precisam do Bolsa Família tende a ser cada vez menor.10

Pontos negativos

Nem tudo são flores, no entanto. Como estes efeitos só podem ser observados com a presença do programa em todo o país, os números de beneficiários são extremamente altos e, assim, o controle dos parâmetros de concessão ficam prejudicados. É praticamente impossível fazer um controle rígido sem que os custos do programa crescam demasiadamente.

Ainda que evidentemente ocorram desvios – devido ao controle precário -, é bastante possível que estes desvios representem um valor financeiro bastante inferior ao custo que teria um controle mais apurado. Esta afirmação não vem meramente de uma eventual fiscalização ter um custo alto, mas também do fato que os valores movimentados individualmente são muito baixos. Para que quantias grandes sejam de fato desviadas, grandes esquemas precisam ser armados.

Contra “grandes esquemas”, mesmo um controle menos sofisticado pode ser capaz de detectá-lo e, convém lembrar, principalmente na hipótese de ”programa eleitoreiro para compra de votos” – como dizem alguns -, o governo seria o menor interessado em que exista desvio desta verba específica.

Adicionalmente, tanto o cadastro quanto o controle atuais são feitos pelos estados e municípios, que em grande parte não estão nas mãos dos mesmos partidos que o governo federal, o que dificulta ainda mais a formação de grandes esquemas sem que ninguém tenha conhecimento.

Moral da história: se ocorre desvio, é com o consentimento de todos; isso não torna a preocupação com os desvios menos importante, mas não serve de munição eleitoral contra o programa em si.

Conclusões

Diante do apresentado, afirmar simplesmente que se trata de um programa de esmolas é limitar demais o escopo de um programa que, sendo implantado de maneira generalizada como foi, pode trazer enormes transformações para um país – e, dentro de certos limites, já me parece estar trazendo, ainda que eles sejam pouco visíveis aqui em São Paulo.11

O conjunto de efeitos que o programa traz consigo, cada um deles potencializando fatores fundamentais para o desenvolvimento do país em todos os níveis humanos, aliado ao seu custo relativamente baixo aos cofres públicos, tornam o Bolsa Família não apenas um programa de sucesso momentâneo, mas também uma proposta de estratégia de médio e longo prazo que tem, no meu entender, boas chances de, em conjunto com outras políticas, modificar positivamente a sociedade brasileira.

No fim, fica até difícil dizer qual é o efeito colateral. Seria um programa “populista e eleitoreiro” que, por acaso, melhora a condição de vida da sociedade como um todo, ou será que é um programa que, por melhorar a condição de vida da sociedade, torna-se popular e com dividendos eleitorais óbvios?

Quando ainda não observaram como isso é bom para a vida de todos, alguns dizem que nós não temos que pagar (através dos impostos) um programa como esse, observando apenas os aspectos dos dividendos eleitorais.

Entretanto, esta visão é simplesmente um reflexo da educação míope que nos foi imposta. Fomos educados de maneira bizarra, do ponto de vista social, ensinados que o importante é acumular e, portanto, dividir é mau.

A questão é que muitas vezes é preciso dividir para somar12, ainda que a nossa criação – que define nossos preconceitos e medos – possa tornar dificultosa esta percepção. Nos limitamos a analisar os efeitos diretos, de curto prazo, de primeira ordem.

Porém, é preciso ir além. Desprezar efeitos de ordens superiores pode ser desastroso quando o propósito é planejar o futuro de uma nação.

(1) Um dia eu falo mais sobre isso e, claro, explico a minha visão política. Resumidamente é isso: assuntos técnicos são importantes demais para deixar na mão de políticos e assuntos políticos são importantes demais para serem deixados nas mãos de técnicos. Cada macaco no seu galho.

(2) Em todo caso, no meu entender, é desumano dizer simplesmente que “não temos que pagar por isso”. Quem decidiu isso foi um governo democraticamente eleito pela maioria. Dizer que “não temos” que pagar (através dos impostos) os custos de uma política social do governo, é uma desrespeito ao poder democraticamente concedido. Democracia é o poder da maioria das pessoas (demos, povo), não de quem tem a maioria do dinheiro.

(3) Nos grandes centros, o valor da bolsa não tem grandes efeitos, dado o alto custo de vida.

(4) É claro que vão existir aqueles que são, sim, vagabundos e vão ficar apenas com a bolsa… mas cedo aprendi que não adianta ajudar quem não quer ser ajudado; isso não significa, porém, que não devemos de ajudar àqueles que precisam e querem ajuda, com a justificativa de existem pessoas que não querem a ajuda.

(5) Ainda que aparente uma roupagem de falta de ética, não se faz política de outra forma que não negociando benefícios a determinados grupos. E negociar com base em benefícios ao povo é tão legítimo como negociar com base em benefícios para grandes grupos estrangeiros. A escolha do grupo que o governo pretende beneficiar depende meramente do retorno que ele espera obter.

(6) Cconforme artigo 3o. da Lei No. 10.836 de 9 de Janeiro de 2004.

(7) Além de propiciar vagas em excesso nas universidades, possibilitando baixo custo do ensino superior mesmo para pessoas com deficiências de formação básica. Infelizmente isso é uma medida de curto prazo para minimizar o problema, uma vez que não há como resolver de maneira ideal a situação de centenas de milhares de brasileiros que já perderam anos e anos de sua vida em uma educação básica absolutamente inadequada e ineficiente.

(8) “Alternância de poder” não é um termo de que eu goste, por que em geral leva a uma noção errada de troca entre esquerda e direita; não acho que uma nação precise passar um tempo andando para um lado e depois passar igual período de tempo andando para outro, pouco saindo do lugar, isto é, pouco indo adiante. Mais importante do que alternância de poder entre orientações políticas diferentes é a evolução da cultura política e dos políticos. Neste sentido, a chave para a evolução da democracia são novas lideranças, mais ligadas às necessidades do futuro que aos vícios do passado, sem desprezo do valor da experiência dos políticos mais velhos.

(9) O Google é seu amigo.

(10) Como alguém já comentou, é desnecessário aumentar em demasia o programa Bolsa Família (dobrá-lo, por exemplo), porque seria um contra-senso diante de todo o exposto aqui; para que fosse razoável dobrá-lo, seria necessário que se aumentasse a pobreza e a miséria do país, que é justamente o que se pretende com o programa. Se isso acontecesse, isto é, se a pobreza e miséria aumentasse mesmo com o programa já existente, isso significaria que o programa não funciona e, portanto, também não precisaria ser aumentado. Ainda que no curto prazo talvez possam ser necessários ajustes, com um leve aumento no número de bolsas concedidas, a tendência do programa Bolsa Família deve ser apenas a de queda neste número, ao menos quando se considera um horizonte de 5 a 10 anos.

(11) Aliás, diante da exposição deste texto, a “invisibilidade” das melhorias do Bolsa Família aqui em São Paulo já devem ser óbvias, dado o alto custo de vida. Isso para não falar que o governo do estado de São Paulo e, em especial, a Prefeitura do Município de São Paulo não foram capazes de – ou não se interessaram em – organizar a estrutura necessária para a criação do cadastro de requerentes e o órgão de controle do Bolsa Família por aqui.

(12) Algo tão óbvio quanto dizer que é preciso investir para poder ter lucro.

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228 responses so far ↓

  • Fazendo uma trabalho sobre o ponto positivo do programa, e os negativos, tinha que ser dois texto, mais neste se enquadra toda vião do proporciona este grande e sábio programa, que ainda foi comentado as inflluencia na agriculturam e alguns programas estaduais que são complementados com os repasse do governo federal.No pernambuco temos o chapeu de palha.. que tira os agricutores em periodo de intersafra e colocam na escola com formação técnica e educativa com educadores licenciados para manter os trabalhadores enquanto chega as contratações das empresas agrícolas. dando equilibrio financeiro com autor relgulçao na frequencia entre os adultos as vezes sem o ensino fundamental completos. Adorei..

  • Sou assistente social do Município de Minas Novas/MG, gostei muito dessa reflexão, ela mostra as duas faces do PBF e os múltiplos efeitos deste programa. Eu que estou aqui na ponta vendo a coisa acontecer, contribuindo com a construção desse processo, muitas vezes questionei este programa, mas como vc, eu também cheguei a conclusão: os pontos positivos são maiores que os pontos negativos, este programa é muito amplo, e nós sabemos que por mais que este programa seja dinâmico, a revolução social não é instantânea, ela será a pequeno médio e longo prazo. Seu texto me ajuda confirmar isso, Parabéns!

  • Parece-me que vc anda sempre com o espírito armado, na defensiva.É o que mostra a frase de seu email.
    Não sei se de brincadeira enviei alguma crítica

  • O programa e sem duvida interessante e muito bem criado, de forma que tenha melhorado substancialmente a vida da populacao, principalmente no interior do Brasil. Esse e talvez, na minha opiniao, um dos mais serios programas sociais criados pelo governo federal. Na europa, de modo geral, desconta-se em media 50% do salario em impostos, que sao justamente revertidos em beneficios sociais.

  • Sra Márcia, trabalho há 10 anos junto às comunidades darentes do suburbio ferroviario. antes da BF não aguentava dos vizinhos baterem à minha porta pedidno sal, farinha, açucar… Não era por vagabundagem não minha senhora: era por FOME mesmo! Diminuir impostos mais do que o Governo fez? e a sra sabe o que aconteceu? os patrões minha senhora, despediram e sobrecarregaram os que ficaram, para que a empresa pudesse obter maiores lucros! Para a sra que tem comida na mesma, e geleias, croissants, manteiga de garrafa, pode parecer esmola… Para meus vizinhos é uma chance PARA NÃO MORRER DE FOME! Os senhores ricos, tomam emprestimos, constroem prédios com grana do FAT, FGTS e até do ‘minha casa minha vida’ – com avarandados belissimos fechados com Blindex!…Minha comunidade senhora tem telhas de amianto – que é proibido em todo o mundo, menos no Brasil – para cobrir seus telhados… Se tem gente sem-vergonha recebendo o BF? Deve ter! Do mesmo modo que tem muita gente sem-vergonha puxando grana real que seria para a merenda das crianças de minha comunidade! O governo deu a Globo a uns dois anos atras se n me engano, algo cerca de 6 milhões para tirá-la do buraco.. eu não ouvi ninguem reclamar…Mas ah, vai falar de dar comida a quem de fato trabalha nesse pais e veremos a confusão que dá!… Por isso que sou mais Lula … Ela manda logo…!

  • Ah e as pessoas que se referem a baixar impostos pesquisa primeiro pra saber do que fala , Na suecia um cidadão paga em impostos em media um 60% do seu salário anual , ou seja mais da metade ,vai lá ver se tem alguem reclamando , ninguemmm , porque todo esse imposto paga um dos melhores níveis de vida do mundo , educação de alta qualidade , saúde gratis , segurança . muito imposto mas tambem muito beneficio para a população .

  • Basta ler alguns comentarios aqui pra saber o mesquinha q pode chegar a ser a classe media no Brasil , um tal Luis que é só demagogia e acha que está convencendo alguem com seu estilo rebuscado , e uma tal Isabela tão idiota a ponto de colocar como exemplo a empregada que tem em casa . Nem vou tentar responder essa gente , só peço a Deus que não sejam a maioria da população, que somente tem olhos pro próprio umbigo sem se dignar a olhar ao próximo e estender uma mão mesmo sabendo que tal esforço realmente não lhe custa nada .

  • Nossa! Parabéns, realmente melhor texto sobre bolsa familia que já li. Vou divulgar na escola, pois eu acredito no programa, apesar de muitos políticos o usarem para fins eleitoreiros. Sou professora e percebo sim uma evolução e um acompanhamento melhor das crianças vindas dessas famílias.

  • Parabéns pelo texto. Sempre fui a favor do bolsa família e espero que nosso grande ex-ministro Patrus Ananias volte a ocupar os cargos principais na solução da desigualdade social. Viva Patrus!!!! Viva Lula e Dilma!!! Viva Brasil!!!

  • ao invés de o governo dar esmolas e incentivar a vagabundagem, deveria diminuir os impostos, assim as empresas contratariam mais e diminuiria a miséria, ah, tb deveriam diminuir o salário eas mordomias dos políticos, assim todos teriam as mesmas oportunidades e ninguém viveria de esmolas

  • Eu já trabalhei no programa com o cargo de assistente administrativo como servidor concursado da prefeitura municipal de contagem, e pude aprender muito sobre o valor social que esse programa representa. Na ocasião, tive a oportunidade de ter um contato direto com os beneficiários, já que eu fazia a agenda dos atendimentos. São várias as críticas que ouvimos, mas numa visão geral e real, o bolsa família abre portas para quem quer crescer na vida pois dentro do programa, são oferecidas oportunidades de trabalho
    através de parcerias com o sine e instituições de ensino técnico-profissional além de outros projetos de agricultura familiar e geração de renda. O texto que pude degustar, traz uma visão rica e ao mesmo tempo pedagógica, e deve ser lido pelo maior número de pessoas possíveis, já que não é um texto político mas sim técnico, com foco no conhecimento.

  • Defendo a evolução do Bolsa Família para o projeto do senador suplicy: Renda Básica de Cidadania que sugiro a todos tomarem conhecimento

  • Muito bom o texto. E suficientemente pedagógico para aqueles que se negam a enxergar a realidade dos benefícios do bolsa família. Trata-se de um efeito cascata de grande amplitude sócio-econômica.

  • SEnza parole! Ler, reler, apreender, c ompartilhar, É um mestrado. Agradecida.

  • [...] há dúvidas de que o Bolsa Familia é um programa governamental eficiente e tem contribuído no combate a miséria no Brasil. Segundo o Relatório Nacional de Acompanhamento [...]

  • Estou no segundo semestre do Mestrado em Ciência Política da Unieuro em Brasília-DF, gostei muito do texto, inclusive meu tema da Dissertação é sobre o Programa Bolsa Família. Quem critica, ou não sabe nada ou é preconceituoso. Obrigado.

  • Texto PERFEITO!
    Porém…O termo *ESFREGA NA CARA, usado como *abre alas de tamanha informação, não condiz com o conteúdo do mesmo, é agressivo e de baixo calão… Poderia ter sido evitado, em *honra a grandiosidade seguinte.

  • Os governos passados sempre foram preocupados em rechear a conta dos os banqueiros do País, enquanto o povo brasileiro humilhado morria de fome. Lula fez diferente possibilitou ao povo brasileiro a começar descobrir o que realmente representa a palavra CIDADANIA; a pensar que o que conta não é a sobrevivencia sim direitos.

  • Curioso… As elites nacionais pegam milhões e milhões dos bancos oficiais e jamais pagam. Analisem, por exemplo, o que os tais “produtores” de agronegócios fazem com os financiamentos do Banco do Brasil. Simplesmente, não pagam. Essa turma vive ao longo da história brasileira, mamando nas gordas tetas do Estado brasileiro, ou seja, mamando o dinheiro público e não vejo quase ninguém os criticando.Os empobrecidos, desvalidos e esquecidos da história nacional recebem uma miúda bolsa-consumo cujo circuito é “da mão pra boca”, afinal só da pra comer e mal, e nossas honredas classes médias se levantam com um ódio tremendo contra eles. Aí é díficil e definitivamente não dá pra discutir afinidades com uma classe tão fraca e esquizofrênica feito esta.
    Parabéns pelo bolsa-família que está ativando a economia pela base, gerando consumo, produção, emprego e, o melhor, incluindo milhões de brasileiros em um patamar superiror de existência.

  • “o bolsa familia é uma escola de parasitismo social, um convite à preguiça, ás férias permanentes”: puta vida, se eu soubesse que o Bolsa Familia era suficiente pra prover a vida que todo ser humano pediu a deus, eu também teria me candidatado ao benefício. Será que ainda dá tempo, Conceição?

    É por isso que os escandinavos são tão vagabundos, não é verdade? afinal de contas, todas as crianças lá recebem “bolsa-família” dos seus governos. Cambada de vagabundos!!!! é por isso que os países escandinavos são tão subdesenvolvidos! rsrsrsrs

  • Luis, com tantos preconceitos acumulados, nem o maior mestre do mundo conseguiria demovê-los, abs.

  • Interessante, mas muito rebuscado mesmo, é pura retórica. Duvido que Lula e seu staff com a instrução intrinseca que possuem tenham tido todos estes pressupostos em conta. Também duvido que noutro contexto, numa economia arrefecida, Lula pudesse ter feito isto…mas vira aí a cobrança disto tudo um dia…Lula nao só instituiu estas bolsas todas, nao foi só o bolsa-familia mas tambem outras mais gravosas para a sociedade, como também resolveu o défice externo, incorporando-o na divida pública, etc., etc… O problema nao é o bolsa familia em si, que é um bem para os miseraveis, muitos deles sem culpas de o serem. O problema é que o bolsa familia é uma escola de parasitismo social, um convite à preguiça, ás férias permanentes, e que quem paga para isso tudo NÂO é o senhor Lula e o seu governo, mas sim os impostos de quem trabalha TODOS os dias, e muitas das vezes não tem o pão suficiente na sua mesa para a sua familia a cada mês que passa…nem pão, nem saúde, nem justiça…nem bolsa-familia. A politica do bolsa familia é boa no curto prazo, mas é errada ao perpetuar-se, é algo que já outros paises perceberam que é errado e socialmente injusto. Dar o peixe não vale nada ( a não ser votos…), é preciso é ensinar a pescar. O Brasil um dia vai pagar muito caro essa factura. O Brasil devia adotar o que Israel faz, com os Kibutzz, isso sim, é politica de desenvolvimento com inserção comunitária de todos, uma visão social de tao grande alcance que é dificil haver outra igual. A Senhoira Dilm devia arrumar outros amigos….deixar os Fidel, os Khadaffi, os Chavez, os Morales, os Ahmamenidejad, o Hamas, os Socrates….e juntar-se a quem trabalha. Teve sorte, compraram votos, de outro modo jamais seriam presidentes. Mas o Brasil que espere pela factura. Pagar para preguiçar na rede não é decerto a melhor politica nao… o Brasil pode viver uma “primavera árabe” dentro de muito pouco tempo, o brasileiro nao é burro não, e já entendeu tudo, e já entendeu que essa bolsa familia tá exigindo cada vez mais impostos. Nessa altura Dilma e Lula já lá nao estarão para prestar contas.

  • Valeu Maria Frô… Certamente, tenho interesse em inteirar-me mais com relação ao assunto…
    Obrigada, pelas dicas de leitura… É legal saber que as diretrizes com relação a esse assunto já estão sendo tomadas! Gostei do último artigo e seria muito bom, maior incentivo as pessoas (mulheres e homens) ao planejamento familiar. Ainda acho que para o governo é complicado pois dogmas “cristãos” são reprimem o assunto, e acabam por atrasar as políticas sociais… Além disso, deixar claro que o planejamento familiar é essencial para instituição familiar, acaba por ser um tiro no pé para a imagem dos representantes do povo. Reflexos da Idade Média em pleno século XXI.

  • Oi Isa, alguns textos que vc precisa ler dos estudos que te falei:
    http://www.ipc-undp.org/publications/mds/30P.pdf Alimentação, Nutrição e Saúde em Programas de Transferência de Renda: Evidências para o Programa Bolsa Família

    http://www.ipc-undp.org/publications/mds/18M.pdf A CONTRIBUIÇÃO DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

    http://www.ipc-undp.org/publications/mds/29M.pdf O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE BACABAL-MA: AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO COM O FOCO NAS CONDICIONALIDADES.

    http://www.ipc-undp.org/publications/mds/26P.pdf Bolsa Família e a tripla perspectiva sobre justiça social como redistribuição

    http://www.mds.gov.br/noticias/programas-sociais-contribuem-na-reducao-da-desnutricao-e-mortalidade-infantil

    E com especial atenção para este aqui: ACOMPANHAMENTO DAS CONDICIONALIDADES DE SAÚDE E POSSIBILIDADES DE AMPLIAÇÃO DE ACESSO AOS DIREITOS REPRODUTIVOS E SEXUAIS.
    RESUMO
    Este artigo trata-se de um estudo preliminar sobre a utilização e o acesso aos métodos contraceptivos pelas beneficiárias titulares do Programa Bolsa Família numa unidade básica
    de saúde.
    Para isto considera-se que dos 613 beneficiários titulares cadastrados na unidade, 600 são do sexo feminino e 13 do sexo masculino. Do total do sexo feminino, 87,7% pertencem a
    faixa etária entre 18 anos e 49 anos, portanto presumidamente em idade fértil, com vida sexual ativa e cidadãs de direitos reprodutivos e sexuais.
    Desta forma, objetiva-se neste artigo traçar uma reflexão, ainda que inicial, acerca das possibilidades de ampliação do acesso à saúde, no que se refere aos direitos reprodutivos e
    sexuais, através de um atendimento pautado na integralidade da atenção, realizado durante o monitoramento das condicionalidades do programa.
    Palavras chaves: condicionalidades de saúde, integralidade na atenção, métodos contraceptivos, acesso.
    http://www.ipc-undp.org/publications/mds/30P.pdf

  • Entendo…Maria Frô…
    Essa política social é muito importante para o país.
    Em momento algum, responsabilizei a mulher pela pobreza do país, que isso fique muito claro.
    Citei a minha diarista, apenas como um exemplo. Inclusive, ela é independente economicamente do marido, o que é essencial para instituição familiar. Além disso, ela estuda, o que eu acho muito bacana, para que ela consiga progredir na vida dela.
    É importante mantermos o foco do que eu estávamos falando.
    A nossa população infantil na linha da pobreza tem alto índice de mortalidade, portanto, infelizmente, o governo investe mas essas crianças não conseguem dar um retorno para própria sociedade. O que é muito triste. A Verônica disse uma coisa que é verdade se podemos ter poucos filhos para darmos mais carinho e dedicação, essa não seria a solução? Outro questionamento se diminuirmos mais ainda a mortalidade infantil, não teríamos a quantidade de crianças “adequada” para que a nossa sociedade se torne excessivamente idosa?

  • Complementando…
    1) Não culpei as mulheres pela pobreza do país, apenas acho que o governo deva incentivar o planejamento familiar no próprio bolsa família;
    2) Citei a minha diarista pois ela ganha menos que um salário mínimo por mês;
    3) Quando me refiro a minha intuição, é o que eu enxergo com relação à realidade. Faça uma entrevista na rua e pergunte para uma criança de rua qnto irmãos ele têm, depois verifique os filhos/netos dos seus amigos… O número referente à população infantil não é real. É necessário que somemos ao número da mortalidade infantil.
    4) Não é certo uma família ter um filho para abandoná-lo nas ruas ou ganhar uma bolsa.