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Juliana Bueno baixa o aplicativo Lulu e faz sua avaliação: Por que estamos usando isso?

novembro 22nd, 2013 by mariafro

Excelente o texto de Juliana Moura Bueno analisando o novo aplicativo Lulu que assim que foi lançado já se tornou polêmica nas redes sociais.

Curioso o fato de a empresa lançar primeiro um aplicativo voltado ao consumo das mulheres, até nisso a estratégia de mercado que transforma inclusive as relações pessoais em mercadoria visa antecipar as críticas feministas. Mas não se enganem, a versão Bolinha já deve ter sido feita, inclusive antes da versão Luluzinha.

“Lulu”: Por que estamos usando isso?

Por: Juliana Moura Bueno*, Especial para o Maria Frô

Ontem mesmo um amigo comentou comigo sobre esse tal aplicativo, para meninas, chamado “On Lulu”. O receio dele era sobre o fato dele estar sendo avaliado, o que ele também não via com bons olhos. Eu, não entendendo nada do que estava acontecendo, disse que iria baixa-lo, para ver como funcionava.

Assim como toda ‘viagem exploratória’ dos aplicativos e gente precisa fuçar pra entender como ele funciona, justamente. Você é recepcionada por um layout rosa e um pedido para “sincronizar seu perfil do aplicativo com o facebook” para que ele possa listar seus amiguinhos (ou exs, ou decepções amorosas, ou fdps que passaram na sua vida, ou crushes, enfim). Depois disso você é apresentada a uma tela na qual aparecem várias fotos e perfis que já tem notas, estrelas e “hashtags”, tanto de conhecidos quanto de desconhecidos.

Na ferramenta de busca, há filtros que você pode utilizar como “meus amigos”, “meus favoritos”, “minhas reviews”, “garotos nas cercanias”, “os mais pops do aplicativo”, ‘últimas reviews”, “melhores notas”, “piores notas”, “divertidos”, “gostosões”, “garotos doces”, panteras sexuais”, “bons beijos”, “inteligentes” – sim, esse por acaso é um dos últimos filtros na lista dos oferecidos, assim como os “fiéis”.

Além disso, você também pode favoritar os meninos que aparecem, assim, eles sempre ficarão no seu “radar”. Já as “reviews” ou “avaliações” são a parte mais complexa do aplicativo. Fiz uma avaliação teste em um amigo (que, em tempo, não conclui) para ver qual é o procedimento exato. De início, você é apresentada a uma tela na qual você escolhe qual sua relação com o cara em questão. A garantia é de que todo o processo de avaliação é anônimo e a autoria das avaliações nunca será revelada.

Ao contrário do que muitos homens devem estar pensando, ao verem suas características e performances avaliadas com números que contém até casa decimal, as mulheres não dão notas. Elas respondem a perguntas que tem um gradativo semi-evidente e o próprio aplicativo faz o cálculo da nota em cada categoria.

Um outro amigo ainda (sim, são tantas pessoas falando sobre o aplicativo que não sei nem contar quantos amigos/as já citei, ou ainda citarei nesse texto) disse que nunca viu tamanha histeria de seus colegas homens. Há desde aqueles que sabem que “a nota vai baixar”, até aqueles que estão tristes porque ainda não foram avaliados. Ou aqueles que agora cogitam quem pode ter feito quais avaliações, resgatando os episódios nos quais eles não foram “tão gentis assim” de suas passagens. Acho que é ai que entra, como ele bem apontou, o caráter da situação de vulnerabilidade a que os homens estão agora sendo expostos. E, pelo jeito, e pela histeria, a situação é bem nova. Nunca antes os homens foram colocados nessa corda bamba, e o que pode atingir mais um homem, nesse mundo machista que valoriza aquele que “pega mais meninas”, “os garanhões”, ou os que “comem mais” do que ser avaliado, por vezes negativamente, sobre sua performance? E o que fica de fora das avaliações também há de sofrer com o mundo machista, não é mesmo? Porque se ele não é avaliado, significa que ele não “pega ninguém”. Ao torturar o ego do homem e colocar em questão sua forma de relacionar nas já pré-determinadas categorias do aplicativo, cria-se no avaliado uma vulnerabilidade que muitos, provavelmente, nunca sentiram. Mas ao atingir as pessoas de forma tão diferente, o aplicativo acaba trazendo questões perenes nas nossas relações (em especial as entre homem e mulher, mas não só) e que muito se relacionam ao machismo, afinal, sofre o avaliado, sofre o não-avaliado, sofre a avaliadora que precisa refrescar a memória com as experiências possivelmente ruins que teve e sofrem, eventualmente, aquelas que agora se relacionam com os avaliados.

Ouvi de umas amigas que já estavam “baixando a nota de vários caras”. Eu perguntei, curiosa, “Por quê? Por que você quer fazer isso?” E a resposta que ouvi foi “Os que foram filhos da p&%$ merecem, vai?”. Ao mesmo tempo, também tenho relatos de amigos e amigas que acham o aplicativo um absurdo, uma forma de reafirmar a objetificação das relações. É o retrato da revanche das oprimidas: são as mulheres dando o troco da objetificação cotidiana com… voilá: objetificação.

Afinal, seria isso mesmo a que nossas relações foram reduzidas? O tipo de análise que está sendo feita nesse aplicativo lembrou-me daquelas comandas de restaurante que respondemos após o jantar, sugerindo que o serviço seja avaliado, do estilo “Dê uma nota de 0 a 5” e as perguntas: “Você gostou ou não gostou do nosso restaurante?”; “A comida estava boa?”; “O serviço estava bom?”, “Você voltaria ao nosso restaurante?”. Acho que essa é a parte inevitável da transformação das nossas relações em mercadoria, algo que já é presente, mas que um aplicativo como esse mostra como essa concepção de relacionamento interpessoal é tão comum que nem nos questionamos sobre, ou achamos uma boa idéia, avaliar nossos amigos, amantes, namorados, ex-namorados, paqueras, destruidores de nossos corações, etc, da mesma forma com a qual responderíamos uma pesquisa de mercado sobre um absorvente “hum, gostei”, “formato bom”, “confortável”, “nota 4”, “ótimo material”.

Amigas, ninguém gostaria que fizessem isso com mulheres. Já pensaram o rebuliço? E já pensaram também o tipo de coisa que apareceria em um aplicativo que faz avaliações de mulheres? Também imagino que seria bem pior do que o “Lulu”, mas isso não vem ao caso, pelo menos não por agora. Mas se não gostamos, se nos sentimos desrespeitadas, humilhadas e expostas quando fazem isso conosco, porque achar legal quando isso é feito com homens?

Sim, eu sei. Acho que muitas meninas estão se sentido como se agora fosse mesmo a hora da revanche. Que hora mais feliz! – ou não. E isso tem sim um pouco de verdade (a do sujeito, não a universal). Porque desde os casos de “revenge porn” (A exemplo da menina Fran, que considero algo um pouco mais extremo, e dos casos mais recentes das duas meninas que se suicidaram após terem suas intimidades expostas na internet) à exposição da sexualidade da mulher, dos comentários nas conhecidas rodas de “machos” sobre as performances, o julgamento de seu corpo, os cheiros, os trajes, ou basicamente toda e qualquer característica da mulher antes, durante e após os momentos de intimidade são, como bem sabemos, muito comuns. Mas muito comuns mesmo. Fico pensando inclusive que não há caso que eu conheça de homem que teve que mudar de escola ou faculdade depois que suas fotos em momentos íntimos circularem caixas de emails e grupos de whatsapp (e se houver algum caso desse, que alguém tiver notícia, me comunique e eu me retratarei), como ocorre constantemente com as mulheres.

Eu realmente tento deixar de lado o meu sentimento de “agora é a vez de vocês sofrerem” ao escrever esse texto, ao pensar em avaliar alguém (sim, eu já tive péssimas experiências íntimas que me fazem cogitar escrever uma review bem péssima, mas estou me segurando) que mereceria umas notas péssimas, em me “vingar” pelos constrangimentos que já sofri, mas que não foram muitos, porque ou eu aprendi (sim, isso demanda um tempo, acho) a escolher bem com quem eu me relaciono e esses caras nunca fariam algo/falariam algo que pudesse me expor ou tenho sorte de nunca ter chegado ao meu ouvido nada desse tipo. Ao mesmo tempo em que reluto em afirmar que “acho bom” que os homens (e sinceramente sabemos que é algo razoavelmente localizado, há um recorte de classe no acesso ao aplicativo, está restrito a certos grupos sociais, vide o fato da maioria dos meus amigos que está sendo avaliado pertencer a grupos muito bem delineados) agora estejam passando por isso, que se sintam vulneráveis, que “provem do próprio veneno”, que arranquem o cabelo pensando “aquela menina lá que eu transei, tirei foto, falei mal para todo mundo e obviamente nunca mais liguei” pode ir no aplicativo e falar mal de mim. Mas a menina que foi “bem tratada” (pros padrões patriarcais, claro), para a qual ele abriu a porta, pagou a conta, enfim, seguiu todo o protocolo da nossa sociedade que ainda insiste em questionar a conduta das mulheres principalmente no âmbito sexual, (e muitos de nós ainda insistimos em reproduzir esses valores), pode ir lá e equilibrar a nota.

Meninas, honestamente, o que estamos fazendo? Fazer com os homens o que eles fazem conosco não nos faz melhores e também não contribuirá para que soframos menos violência (física ou simbólica) no cotidiano. A questão é que ao aceitarmos o papel dado a nós de “vingativas” reafirmamos que as relações homem-mulher funcionam sempre nesse mesmo padrão no qual nunca estamos em pé de igualdade: sofremos, somos humilhadas, e agora queremos fazer com que eles “paguem por isso” já que as relações de poder entre os gêneros não devem mudar mesmo. Ao reconhecermos que a avaliação “vexatória” é algo válido, entramos no mesmo jogo a que somos cotidianamente submetidas, e sabemos que, isso, em hipótese alguma, é algo bom ou minimamente construtivo na luta por uma sociedade mais igualitária.

E para aquelas que me dirão “o aplicativo é bom porque agora eu sei quem eu devo sair e quem eu não devo”, eu digo: será que realmente chegamos ao ponto de, para além da “revanche” que o aplicativo pode proporcionar, nos deixarmos levar e fazer nossas escolhas com base nas experiências que ocorreram na vida de outras meninas e que, não necessariamente precisam ser replicadas nas nossas possíveis futuras experiências e intimidades com esse alguém? Porque, afinal, se relacionar não é exatamente isso? Quebrar a cara, sofrer, se alegrar com pequenas coisas, ficar ansiosa, arriscar, tomar a iniciativa – e as vezes só esperar, descobrir o que nos faz bem e o que não nos faz, gostar, perder o encanto, nos surpreender, nos apaixonar?

Ps: E para você que leu o texto e está desesperado com a possibilidade de ser avaliado,não se preocupe, é só você entrar em contato com a equipe do aplicativo e eles retiram seu perfil das listas das meninas – em até 72h.

Ps2: O pessoal que traduziu o aplicativo para o português já confirmou que, com o sucesso do Lulu, em breve um aplicativo para avaliar mulheres será lançado por aqui.

*Juliana Moura Bueno tem 24 anos, é cientista social formada pela USP, seus temas de pesquisa são política brasileira e comportamento eleitoral, classe e gênero. Tem especial apreço pelos debates sobre a condição da mulher na sociedade. Seu twitter é @ju_bueno1.

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38 responses so far ↓

  • […] Juliana Bueno baixa o aplicativo Lulu e faz sua avaliação: Por que estamos usando isso? […]

  • Putz, não entendo o recalque…
    Mundo ideal, igual, perfeito??? A oitava série já passou, turma…

    Por que juízo de valores nas coisas For Fun???

  • Juliana, se tivesse opção curtida pro seu comentário, eu curtiria mil vezes, apenas.

  • […] Ainda é importante falar sobre a mercantilização das relações (o que é muito bem colocado nesse texto aqui), sobre o fato de que o aplicativo é regido por princípios heteronormativos, sobre o fato de que […]

  • Acabaram de lançar um app para os homens avaliarem as mulheres. Será que agora as mulheres vão achar tão legal assim a ideia? http://www.tubbyapp.com/

  • A versão “Bolinha” está em desenvolvimento. http://www.tubbyapp.com
    Nojo, apenas. Se você quer saber se uma pessoa é boa de cama ou não transe com ela e ponto. Totalmente desnecessária esse tipo de avaliação que não faz justiça a nada. Usa da mesma arma que o opressor e vai perpetuando a babaquice machista sem limites. Minha gente, vamos melhorar! Vamos ler um bom livro, assistir a um bom filme, amar e transar, longe dos esteriótipos!

  • Otimo texto Juliana.

    Tenho dois apontamentos, sobre a parte de ter acontecido com algum homem o que aconteceu, com as “Frans”, tem um video de um rapaz, denominado Zé, que se masturba para a namorada e ela passou o video a diante, pois ele utiliza dois dedos apenas no ato. Eu tenho o video e as montagens e zueiras, se vc quiser ficar a par do assunto.
    Sobre o app em si, eu só vejo ele com uma grande questão, será que essas mulheres que irão começar a utilizar o mesmo irão levar em conta essas avaliações para seus futuros relacionamentos? Pois eu ainda não entendo a cabeça das mulheres e vejo muitas pessoas, de ambos os sexos dizendo que mulher gosta de homem cafajeste, pois elas acham que serão aquelas que irão coloca-lo no lugar, entào não vejo utilidade nenhuma para esse app, a nao ser a vingança.

  • […] Primeiro a Juliana falou dos problemas éticos que mercantilizam as relações em seu texto sobre o APP Lulu: Juliana Bueno baixa o aplicativo Lulu e faz sua avaliação: Por que estamos usando isso? […]

  • […] que o tal Lulu me foi explicado.  Logo depois, cheguei a alguns textos que discutem o Lulu, como este aqui e este outro aqui. Ambos discutem aspectos muito […]

  • Concordo com a autora. Mais do mesmo não vai resolver nada. Acredito que o ideal é buscar uma sociedade com uma igualdade que signifique poder sermos quem somos e queremos ser. E isso põe na pauta a questão do revanchismo. Ademais, avaliar performance sexual? E sexo agora virou concurso ou é modo de ter prazer? O prazer de um e de outro é igual?

    Sobre “homens errados”: Atire a primeira pedra quem for perfeito (Boa hora pra citar o paradoxo da perfeição: Um mundo perfeito sem imperfeição não é perfeito porque falta algo – a própria imperfeição). Em geral, quando novos, temos uma mentalidade de noz até aprender algumas coisas. Eu mesmo já cometi erros com ex, com amigos e com amigas e pessoas erram o tempo todo. Concordo que tem pessoas que saem dessa regra mas não tem influência de sexo ou opção sexual, mas sim de criação, sociedade e caráter. E mesmo assim elas tem direito a julgamento digno assim como todo cidadão (Pelo menos ainda).

    Ademais, há um problema legal tangendo a não autorização e constrangimento público (Já que não é limitado a uma mulher ou amiga) que o app pouco se importa.

    Reitero: Não é digno avaliar assim homens nem mulheres.

    P.s: Para “desativar” a entrada minha nessa coisa, eles pedem autorização pra TUDO no facebook. Eu não tenho que autorizar um app a invadir meu perfil para não ter meus dados publicados!

  • ATENÇÃO MULHERES: existem homens podres sim,e voces devem avalialos sim,tenho amigos que contam detalhes dos relacionamentos sexuais,eu particularmente escuto pra não perder o amigo mas não gosto,porem não se esqueçam,se o lulu feminino deu certo o masculino vai dar mais ainda,o mundo gira em torno de dinheiro e algum americano ja deve ta fabricando o lulumasculino para avaliar mulheres com “hashtags bem mais BAIXAS…eu vejo tudo isso como uma boa brincadeira,mas tenho erteza que as mulheres vão se ofender muito mais que os homens

  • Pra tirar o perfil do aplicativo é só acessar: http://company.onlulu.com/deactivate

  • eu como homen sinceramente não vejo problema nisso,acho até mesmo engraçado,claro que quando nossos conhecidos e familiares verem coisas como #sexoselvagem #caideboca ficaremos meio envergonhados,mas isso passa,e sabemos tambem que em breve vai ter um “lulu só para homens” e ai sera a vingança dos homens e a primeira guerra mundial entre os sexos hahaha,vai ser divertido.

  • bom, o que mais me espanta é que 99% das mulheres insistem em comparar uma conversa de bar com amigos ( que por sinal vcs mulheres fazem tanto quanto ou com mais frequencia que nós homens) ou com uma má experiencia a dois, com expor uma intimidade a público e da forma mais covarde que é anonimamente, isso na vdd parece aquela historia do pimenta no olho dos outros é refresco, existe tanto mulher fdp quanto homem fdp, mulher trai tanto quanto homem(algumas até se vangloriam que fazem bem feito e o homem nunca descobre), vc não pode ser burra ao ponto de comparar essas coisas com expor para td mundo a intimidade de alguem, esse app lulu sim é muito parecido com revenge porn e convenhamos um pouco mais cruel até pq vc faz escondido, ja o revenge porn vc vai saber exatamente quem fez aquilo e pode processar a pessoa, enfim… tanto revenge porn quanto um encontro é consensual desde que vc não torne publico, ai precisa da aprovação de todas as partes envolvidas, sobre a sociedade machista, desculpem isso é culpa das mulheres, pq vcs não aceitem que uma mulher transe com todo mundo, sabe pq pra um homem ser chamado de galinha é um elogio e pra mulher não ? pq o homem aceita isso, se todas as mulheres passassem a aceitar isso, pode ter certeza que deixaria de ser pejorativo.
    agora é ter uma visão muito miope das coisas vc achar que só pq um cara te tratou mal num encontro pq vc esculacha-lo publicamente, é exatamente assim que alguns homem pensam no revenge porn, ela me deu um fora.. vou tornar publico as fotos dela pelada… a diferença é q no caso dos homens, são pouquissimos os casos de homens q divulgam esse tipo de foto, no caso das mulheres a maioria está adorando o app ..rsrrsrs.. parabéns pra vcs mulheres.k.kkk reclamam tanto dos homens babacas, que vcs estão exatamente se tornando a mesma coisa.. rsrss.. só não vai chorar quando sair a versao masculina, que eu aguardo ansiosamente para ver as hashtags #engoleateaultimagota, #sogozade4, #rodaabanca… e ai quero ver a cara de vcs no jantar em famlia quando todos os homens (pai, tios, primos, irmãos) olharem pra vc sabendo td que vc gosta de fazer na cama…kkkk
    se vcs acham q isso é bem feito ou revanche vcs estão muito enganadas isso só vai trazer mais problemas…

  • Perfeito! Exatamente todos os pensamentos que tive hoje sobre este app, só que em palavras! Parabéns! Você me faz ter fé na humanidade rsrsrs!

  • “Quando a educação não é libertadora…o sonho do oprimido é ser opressor” Paulo Freire

    Quando eu ouvi falar pensei “pô, legal, mais um grindr/tinder da vida pra galera arrumar uma rapidinha sem compromisso” Nem isso! O bagulho nem é de pegação, é só de escrotidão mesmo. Nossa!

  • Pode usar sem medo, o aplicativo que faz a mesma coisa com as mulheres ja existe a anos (na verdade não é bem um aplicativo), não precisa se sentir culpada.

    http://www.gpguia.net/

  • Bom texto, parabéns pela análise. Só deixando o comentário pra engrossar o coro de que homens, em geral, não entram em detalhes sobre como as garotas são na cama, ao mesmo passo que várias amigas já me disseram que mulheres fazem isso de forma minuciosa.

    Quanto ao app, considero ele uma brincadeira, e encaro dessa forma. quem quiser conferir pra rir, válido. Quem quiser conferir pra se basear em algo, não passa de burrice.

  • Primeiro que quem fica o dia inteiro com a cara enfiada no celular, viciado em apps e redes sociais, já está perdido em um universo de vitrines coloridas. Todo mundo quer se mostrar e fingir que não tem falhas e defeitos. Daí deve ficar realmente difícil encontrar uma pessoa real para se relacionar. As pessoas passam o dia vendo fotos de outras, como se fosse uma revista Caras repleta de gente comum, fingindo ser absolutamente excepcional pra chamar atenção de alguém que, no fundo, não se importa. Parece até que o que se faz online não afeta diretamente a vida real como se, de repente, todos tivessem se transfomado em personagens de algum filme babaca norte-americano. A era da Demência Digital só começou, na minha opinião.

  • … autonomia de pensamento acabou… a tecnologia te fará melhor… não pense, pensamos por vc… decidimos sua vida… determinamos seu futuro…

  • “Olho por olho e o mundo acabará cego.”

    Mahatma Gandhi

  • Car@s, muito obrigada pela leitura e por todos os comentários. Vou tentar respondê-los um a um.

    Caroline Andreis: Ontem um dos tradutores entrou em contato comigo e disse sobr eo fato do LULU não ter intenção nenhuma de fazer um aplicativo masculino. A minha fonte era de uma startup bem conhecida de mídias sociais no Brasil que parece que tinha contato com a agência que trouxe o Lulu e acreditei que pudesse ser possível. Está aqui, meu retrato público então de que nenhum tradutor envolvido com o Lulu no Brasil tenha me passado essa informação.

    Lili: Obrigada pelo aviso. Imagino que com o sucesso do Lulu esse tipo de aplicativo se prolifere. Vamos ver.

    Jerome: Não sei se a questão é exatamente o detalhamento da conversa e dos comentários. Mas o fato é que o que é socialmente comparitlhado é que as mulheres sofrem muito mais com julgamentos de tudo que envolva sua sexualidade e intimidade, incluindo seu corpo.

    André: Também ouvi de um caso no Rio de Janeiro que parece ter ficado bem famoso, no qual um menino que havia filmado e divulgado cenas de sexo com uma menina da mesma escola passou a ser zoado pela sua pouca desenvoltura no sexo, o que ficava “Evidente” no vídeo, segundo meu relato. A menina teve que mudar de escola, mas ele também.

    Camis: Pois é. Também vi namorados de amigas, amigos casados, amigos com filhos, e a única coisa que eu pensava é que não queria estar no lugar de ninguém. Estou, inclusive, aconselhando meus amigos e saírem disso. Ao mesmo tempo, não sou de ferro, e claro que senti aquele prazerzinho lá no fundo no começo quando vi certas reviews bem negativas de caras que ‘conheço bem’. Mas acho que precisamos ser coerentes no discurso e na prática e deixei pra lá mesmo a vontade de fazer uma avaliação negativa de alguém, como disse no texto. Ainda não deletei o aplicativo porque, já que comecei a escrever e acompanhar o assunto, fico observando as interações. Mas vamos ver o que dá!

    Fernando Terra: Obrigada pelos elogios e o comentário. Fernando, compartilho das suas preocupações. Além de machista, acredito que o aplicativo reforce relações bem heteronormativas. Dentre outros motivos porque, por exemplo, na hora da avaliação, o cara que nao liga no dia seguinte é mal avaliado. Oras, mas quem disse que a menina QUERIA que ele ligasse no dia seguinte? O problema é que o tipo de pergunta e resposta que tem lá, combinadas, basicamente te induzem a respondê-las, como mulher, já sob o prisma de “vítima”. Esse é só um dos inúmeros problemas de um aplicativo que se coloca como tendo como objetivo o “empoderamento de mulheres” (o que tem de empoderamento em continuarmos reafirmando nosso papel de vítima nas relações com homens?) tem.

    K: Eu também acho esse tipo de análise infantilizado e marketinizado. Mas não dá pra negar que, por mais que tuas amigas deem notas de 1 a 10 (E assim, funcionam justamente na mesma lógica do opressor, sendo, elas mesmas, machistas) e, no teu grupo de amigos isso não seja comum, isso, em geral, é bem comum, não? É mais fácil uma mulher se sentir constrangida por julgamentos de sua intimidade do que um homem, imagino, não?

    Obrigada a tod@s pelos comentários!
    Abraços,
    Juliana

  • […] Juliana Bueno baixa o aplicativo Lulu e faz sua avaliação: Por que estamos usando isso? […]

  • Já existe faz mais de ano um aplicativo para os homens. The Playbook. http://theplaybookapp.com/

  • Oi Juliana! Sou PR Leader do Lulu no Brasil e acabei de confirmar com todos meus tradutores que nunca foi dito que teremos um aplicativo para avaliar mulheres. O grupo Luluvise apenas trabalha com aplicativos para mulheres. Você recebeu a informação de uma fonte com má intenção.

  • os homens nao entram em detalhes como as mulheres.. esse aplicativo é a extensão dos dialogos entre mulheres (pelo menos da grande maioria). com certeza virá um aplicativo masculino para avaliar as meninas e será mais pesado, aí veremos a cara de umas e outras. alimentando essa guerra dos sexos esquizóide, que as mulhreres insistem em levar as ultimas consequencias. tive esperança que a mulher pudesse trazer feminilidade ao homem, mas optaram por se masculinizar (ou sentiram-se obrigadas a se posicionar desta maneira num mundo machista, confesso que nao sei). sinceramente, nao entendo pq as pessoas nao conseguem entender que homens e mulheres sao diferentes. as diferenças devem ser respeitadas, inclusive valorizadas…
    ps. “cavalheirismo é como as mulheres chamam a parte do machismo que as convém.”
    abraços

  • O texto é ótimo. Mas seguidamente se prendeu a apenas uma questão: acreditar que as notas ruins são apenas resultados de caras fdp, que sacanearam, subjulgaram, ‘me pegou e sumiu’, e coisas do tipo criminoso e vítima.

    Acontece que as notas são dadas por muito mais que isso. O sujeito (ou a sujeita, um app pra avaliar mulheres certamente irá aparecer e daí FUDEU) que é um exemplo de pessoa, gentil, educado, inteligente, livre de preconceitos e discursos alienados, respeita, discute ouvindo e dando opiniões sóbrias dentro de leituras sérias que fez/faz regularmente etc e tal, em suma o ideal de pessoa para se conviver, transa mal, vai ganhar nota ruim. E aí? Será taxado então como um cafajeste?!?

    Isso é apenas um exemplo que este texto não alcançou pois focou-se apenas em “revanche das vítimas” de possíveis calhordas.

    Gostei do texto, mas entre receita e despesa, a minha nota a ele (o texto) é 6.

  • Olha, confesso que vou ter que me SEGURAR MUITO para não fazer algumas avaliaçõezinhas dumal – e muito merecidas – mas essa história toda é simplesmente demais pra minha cabeça! Achei esse aplicativo o cúmulo do absurdo. As pessoas estão perdendo a noção da tênue linha entre bizarro~ útil na internet. Esse negócio não tem utilidade nenhuma! Só vai servir pra deixar as pessoas mais noiadas, com a auto estima láááá no cafundó… É uma reprodução do machismo e não é com essa arma que a gente tem que lutar. Não gostei.
    Principalmente porque vai ter muita mulherada sofrendo quando ver avaliação do atual companheiro etc. Vou ficar bem longe desse app e meu conselho é que façam o mesmo.

  • […] saber mais sobre esse aspecto do debate, recomendo o texto da Juliana Bueno sobre machismo, feminismo e a nossa geração das redes […]

  • Belo texto,mas esqueceu de comentar que os quesitos como: Aparência e fidelidade só reforçam os preconceitos que o feminismo (o verdadeiro,não essa babaquice que a maioria das mulheres falam) luta e tanto lutou contra.

    Ora se existe homem bonito,existe mulher bonita. Como ser bonito ? seguindo X’s padroes de beleza.
    Sobre a fidelidade ao se fazer uma nota para isso estamos ignorando a luta contra o preconceito de quem nao é monogamico…

  • Po… quando vc fala “Fazer com os homens o que eles fazem conosco” desculpa mas pelo menos em minha experiência, nunca foi assim comigo e meus amigos. Ok, depois de pegar uma mina e tal a gente solta aquela “muito gostosa” ou “peitos lindos” mas eu nunca fui de ficar com meus amigos conversando e dando nota e detalhes e falando isso ou aquilo das meninas. Já por outro lado, uma amiga minha já disse que ela e as amigas tinham um sistema de notas pros caras que elas pegavam que iam de 1 a 10 estrelinhas pra vários quesitos (beleza, educação, tamanho do pau, etc) então sei la… não me relacionei. Btw não teria problema nenhum em me ver nesse aplicativo, queria até ver e dar umas risadas.